Comissão Permanente / Temporária
TIPO : DEBATE PÚBLICO

Da Frente Parlamentar em Defesa das Tradições Nordestinas

REALIZADA EM 12/05/2017


Íntegra Debate Público :
DEBATE PÚBLICO REALIZADO EM 5 DE DEZEMBRO DE 2017

(Frente Parlamentar em Defesa das Tradições Nordestinas)


Presidência do Sr. Vereador João Mendes de Jesus.

Às dezoito horas e quarenta e três minutos, no Plenário Teotônio Villela, sob a Presidência do Sr. Vereador João Mendes de Jesus, tem início o Debate Público da Frente Parlamentar em Defesa das Tradições Nordestinas.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Senhoras e senhores, boa noite!

Declaro aberto o Debate Público da Frente Parlamentar em Defesa das Tradições Nordestinas, de acordo com a Resolução da Mesa Diretora nº 9.558/2017.

A Frente Parlamentar é composta pelos seguintes vereadores: João Mendes de Jesus, Presidente; Alexandre Isquierdo, Cláudio Castro, Dr. Carlos Eduardo, Dr. Jairinho, Dr. João Ricardo, Dr. Jorge Manaia, Eliseu Kessler, Felipe Michel, Inaldo Silva, Italo Ciba, Jair da Mendes Gomes, Jones Moura, Leonel Brizola, Luciana Novaes, Marcelino D’Almeida, Marcelo Arar, Marielle Franco, Otoni de Paula, Paulo Messina, Paulo Pinheiro, Prof. Célio Lupparelli, Rafael Aloisio Freitas, Reimont, Renato Cinco, Tarcísio Motta, Val Ceasa, Vera Lins, Willian Coelho e Zico, Membros.

A Mesa está assim constituída: Excelentíssimo Senhor Vereador Val Ceasa, Membro da Frente Parlamentar em Defesa das Tradições Nordestinas; Excelentíssimo Senhor Vereador Jair da Mendes Gomes, Membro da Frente Parlamentar em Defesa das Tradições Nordestinas; Senhora Mônica da Costa, Superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN); Senhor Maurício Werner, Gerente de Atendimento ao Turista, representando o Senhor Diretor-Presidente da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (RIOTUR), Marcelo Ferreira Alves; Senhor Gilberto Teixeira, Coordenador e Representante da Agenda Nordestina; e Pastora Antônia de Aquino.

Senhoras e senhores membros da Mesa, todos os convidados, todos os presentes: saudações à Feira de São Cristóvão!

Primeiro, gostaria de falar das realizações que fizemos neste ano de 2017, quando resolvemos fazer uma profícua parceria entre a Frente Parlamentar em Defesa das Tradições Nordestinas e os representantes do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas – a Feira de São Cristóvão. Em quatro meses, realizamos, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, quatro encontros para debatermos, publicamente, a cultura nordestina e o seu impacto e influência na sociedade carioca.

Entre os assuntos debatidos e desenvolvidos, considero de grande importância o Calendário de Festividades Nordestinas, que contemplará os nove estados do Nordeste, suas tradições e diversidades culturais por intermédio de polos itinerantes que percorrerão a Cidade do Rio de Janeiro. Destaco ainda grandes nomes da cultura nordestina, a exemplo de Luiz Gonzaga, Glauber Rocha, Ariano Suassuna, Chico Anysio, Jorge Amado, Castro Alves, Graciliano Ramos, Caetano Veloso, Nelson Rodrigues, Rachel de Queiroz, Paulo Freire, Patativa do Assaré, entre centenas e centenas de nordestinos de renome e de talento ímpar. Eu ficaria o dia inteiro a citá-los e, mesmo assim, não chegaria ao fim.

Quero também dizer que a Feira de São Cristóvão – reconhecida pela sociedade carioca que a frequenta como um importante lugar de eventos nordestinos, música e culinária, além de diferentes culturas e artes – está incluída na rota da RIOTUR, o que permitirá e favorecerá os turistas e o povo carioca a terem informações, de forma que queiram frequentar um espaço tão rico e aconchegante.

Volto a ressaltar que muito me honra recebê-los para homenagear a maravilhosa e multicultural Feira de São Cristóvão, bem como as pessoas que trabalham nesse importante espaço da cultura do Nordeste e do Brasil, nos diferentes setores da nossa economia, a exemplo da gastronomia, do comércio, das artes, da música e de tudo o que lembra e consolida a cultura nordestina, uma das mais amplas e diversificadas do País.

É com imensa satisfação que recebo vocês em nome do povo carioca que, com sua generosidade, os homenageia por reconhecer a importância da cultura e do comércio do Nordeste. Talvez seja a região que simboliza com mais força as tradições brasileiras, pois está presente na música, na pintura, na literatura, nas artes plásticas, nas telenovelas, no teatro, no cinema e nos movimentos sociais, políticos e históricos.

Sem o Nordeste, o Brasil seria menos Brasil, porque o povo nordestino é ímpar, forte, destemido e desassombrado, porque é valoroso e corajoso, além de ser um povo que cooperou – e muito – para construir o Brasil, com sua inteligência e suas mãos, porque presente em todas as regiões do nosso País. Hoje, está entre as 10 maiores economias do mundo, mas, há menos de três anos, era a sexta economia do planeta.

O Pavilhão de São Cristóvão é uma homenagem a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Foi construído nos anos 1950 e inaugurado em 1962, com a finalidade de abrigar a Exposição Internacional da Indústria e do Comércio, durante o Governo Juscelino Kubitschek. Projetado pelo arquiteto Sérgio Bernardes, o Pavilhão de São Cristóvão originalmente foi uma das maiores áreas cobertas sem viga do mundo, com 156 mil m2.

Para cobrir o Pavilhão, que não se valeu do auxílio de colunas, as paredes tiveram de ser projetadas no sentido de ancorar os cabos de aço, compondo a superfície elíptica, curvada em dois sentidos, tal qual a conheciam.

Em 2003, a Prefeitura resolveu aproveitar o espaço descoberto do Pavilhão para abrigar a céu aberto a Feira Nordestina, que, há muitos anos, funcionava no estacionamento em volta do Campo de São Cristóvão e já era o maior aglomerado de tradições nordestinas fora do Nordeste.

No Pavilhão de São Cristóvão, a cultura nordestina é manifestada nas suas mais diversas formas, destacando-se a música e a culinária. Trata-se de um local para apresentação de shows musicais, de ritmos nordestinos, entre os quais destaca-se o forró, com apresentação de diversos grupos distribuídos em dois grandes palcos.

Além dos artistas locais, periodicamente, apresentam-se grandes nomes da música popular brasileira, cantores conhecidos, bem como repentistas e cordelistas. É uma forte tradição ao utilizarem seus talentos de improvisar versos para atrair ouvintes que frequentam o local e contribuem voluntariamente em troca de algumas canções e versos, na sua maioria, improvisados.

Meus amigos, a Feira de São Cristóvão é um patrimônio cultural da Cidade do Rio de Janeiro, do povo carioca, nordestino e brasileiro. Por isso, rendemos esta homenagem a todos aqui presentes, porque sabemos que a Feira de São Cristóvão é tudo de bom. É um lugar de trabalho, é um lugar de lazer, é um lugar de entretenimento da melhor qualidade na Cidade do Rio de Janeiro.

Bem, senhores, é o que eu tinha a dizer neste momento. Sigamos com o nosso Debate Público. Daqui a pouco, ouviremos alguns debatedores na Tribuna desta Casa.

Quero registrar a presença do Senhor Pedro Gonzaga Marques de Santana, filho de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Onde está você, Pedro? Pedrinho está aqui! O Rei do Baião está representado por Pedro Gonzaga. Muito bom, gente! Que coisa bela nesta noite!

Agora, vamos ouvir os oradores da Mesa, a começar pelo nosso querido coordenador e representante da Agenda Nordestina.

Com a palavra, Gilberto Teixeira.

O SR. GILBERTO TEIXEIRA – Excelentíssimo Senhor Vereador João Mendes de Jesus, Presidente da Frente Parlamentar em Defesa das Tradições Nordestinas, cumprimento toda a Mesa na sua pessoa. Nordestinos, cumprimento vocês, com todo o prazer.

É muito bom estar aqui nesta Casa, hoje, representando a cultura mais significativa do Brasil: a cultura nordestina. A gente está fazendo história, porque a Cidade do Rio de Janeiro é muito gostosa. É gostosa porque abriga no seu coração a nação nordestina, que compreende nove estados. A gente está muito feliz, há anos, apesar dos pesares. Aqui, a gente constrói a vida cultural da Cidade. Tem momentos em que a gente participa, pelo menos, com 75% das atividades culturais desta Cidade. Ela é muito rica, porque agrega todas as culturas do Brasil. O nordestino é a sua representação maior, porque somos pelo menos dois milhões de nordestinos.

A gente está trabalhando, já há alguns anos, em algumas ideias para resgatar coisas bem significativas do cotidiano cultural do nordestino nesta Cidade. Por representação maior, a Feira de São Cristóvão, que detém a maioria dos projetos da agenda nordestina, porque ali agrega, recebe todas as comunidades representantes desta sociedade, dos conterrâneos.

A gente sabe das dificuldades que os nordestinos têm, não só no Rio de Janeiro, mas em outras cidades, mas a riqueza do nordestino consiste na sua razão, na sua consciência e no seu coração. A gente sai do Nordeste, mas o Nordeste nunca sai da gente. Por isso, as tradições nordestinas são sólidas. Onde quer que a gente esteja, a gente está fazendo o que faria na cidade da gente – na minha, por exemplo, que é Mossoró, no Rio Grande do Norte.

A Agenda Nordestina nasceu em 2014, em um conjunto de feirantes e outros nordestinos que visitam a feira, pela necessidade de empreender alguns encaminhamentos muito necessários, não só para a Cidade como para a Feira de São Cristóvão.

Os quatro projetos, a gente vai ouvir depois, pelo cientista social, nosso parceiro, o Felipe Souza Silva – que é filho de feirante e é feirante também. Quero me ater a uma ideia que surgiu na Frente Parlamentar em Defesa das Tradições Nordestinas, pelo nosso, já querido e parceiro, Doutor José Carlos Simoni. Quase todas as ideias que pelo menos eu empreendo, sempre alguém me dá essa dica. Por exemplo, o Resgate da História da Feira de São Cristóvão, de todos os companheiros, a partir de João Gordo até o que está vivendo hoje na feira.

Eu fiz uma série de reportagens, e o Marcelo Cabeludo disse: “Gilberto, por que você não faz um livro dessa série aí?”. Assim nasceu. A gente fez o primeiro livro, o segundo, o terceiro, o quarto e o quinto. Agora, está nascendo o sexto. A minha ideia é resgatar todas as histórias, não só do feirante, como do nordestino que vive nesta Cidade.

O Doutor Simoni disse: “Gilberto, a gente pretende trabalhar uma lei para estabelecer o que tem de mais rico no Nordeste, que é a festa de São João. A gente queria estabelecer isso através de uma lei”. Eu disse que a ideia era fantástica, mas a gente queria aprimorar, se ele permitisse. Então, a gente ampliou essa lei. A gente está chamando de Lei dos Nordestinos Cariocas. A gente começou a trabalhar essa lei, e eu me detive em uma única e minuciosa pesquisa – para vocês terem ideia –, desde o ano de 1500.

A gente está construindo essa lei, e ela vai ter motivos de comemoração de janeiro a dezembro. Acho que os estados vão querer copiar essa lei. A gente já está com a primeira minuta pronta. A gente já está discutindo isso. Ela já se compõe de 33 artigos, com um único parágrafo. Ela começa com uma lei importantíssima, quando a atividade do repentista foi reconhecida como profissão. Está aqui, Miguel Bezerra. Eu me lembro muito bem disso.

No Artigo 1º, fica instituído o Dia Municipal do Repente, 14 de janeiro de 2010, que coincide com a Lei Federal nº 12.198/2010. O parágrafo único determina que se promovam fóruns, festivais de embates envolvendo artistas da categoria, e assim vai – a Feira de São Cristóvão, por exemplo.

No Artigo 5º, fica instituído o Dia dos Fundadores da Feira de São Cristóvão, em 2 de fevereiro de 1922, data natalícia do líder maior, João Batista de Almeida, que nasceu em Alagoa Grande, Paraíba, o popular João Gordo. O parágrafo único determina simplesmente que se promova seminário de apresentação e debate sobre a fundação do reduto, incluindo episódios dos pioneiros, entre eles, o próprio João, Aloísio do Nascimento, Índio, Dorgival Severiano, João Lourenço da Silva e o Macaco, e assim vai.

O Artigo 8º é sobre o índio. Eu simplesmente relembrei um dos episódios mais interessantes da história do Brasil: a guerra que se travou entre os índios e os invasores do Brasil, as etnias dos Tapuias. Quem compõe as etnias são os janduís, os paiacus, caripus, icós, caratiús e os cariris. Fica instituído o Dia Municipal do Índio Nordestino no dia 19 de abril, em comemoração ao levante das tribos tapuias, residentes no sertão do Nordeste, conhecida como a Guerra dos Bárbaros, a partir de 1650, que se travou até 1720, resultando na Confederação dos Cariris. Os mais temidos índios dessa guerra eram os cariris. Os europeus tremiam diante da astúcia e da agressividade desses índios, mas eles simplesmente estavam defendendo as suas terras.

Fomos descobrindo datas, episódios muito importantes. Então, estão colocados à discussão. A gente já colocou a minuta na internet. As pessoas estão propondo, e estamos discutindo juntos. Espera-se que, no dia 14 de dezembro, que será o último fórum da Frente Parlamentar, a gente entregue a sinopse da lei ao Vereador João Mendes de Jesus, o Presidente.

Quero abrir um parêntese aqui e fazer um elogio à parte. O Vereador João Mendes de Jesus não precisou ouvir muito sobre as intenções da Agenda Nordestina. Quero, inclusive, reforçar, porque ele não nos conhecia. Ele é baiano, é nordestino. Ele, simplesmente, como nordestino, abraçou a ideia e sensibilizou mais 30 vereadores. Quero uma salva de palmas para esse homem, que compreendeu a necessidade da organização e da união desse povo na Cidade do Rio de Janeiro.

(Ouve-se uma salva de palmas)

O SR. GILBERTO TEIXEIRA – A gente é muito forte. É forte e capaz de desenvolver projetos próprios de manutenção e de resgate da nossa cultura. O Brasil seria capenga sem as tradições nordestinas. A Feira de São Cristóvão seria zero, se não fossem as tradições nordestinas. O Nordeste é a nação dos conterrâneos. A nação dos conterrâneos é rica porque preserva a cultura e as suas tradições.

Obrigado.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Obrigado, Gilberto.

Neste instante, quero registrar as presenças do Senhor Alexandre Metello, nosso advogado, junto com sua família, a nossa querida Simone e seus filhos, Asafe e Samuel. Obrigado pela presença. Também quero registrar a presença do nosso querido Carlos Botêlho, que é o Marabá da Feira, diretor cultural da Feira de São Cristóvão.

Com a palavra, o Senhor Maurício Werner, Gerente de Atendimento ao Turista, representando o Senhor Marcelo Ferreira Alves, Diretor-Presidente da RIOTUR.

O SR. MAURÍCIO WERNER — Boa noite a todos. É um prazer enorme estar aqui. Cumprimentando o Presidente da Mesa, Vereador João Mendes de Jesus, e o Coordenador da Agenda Nordestina, Gilberto Teixeira, eu cumprimento o restante da Mesa.

A Feira de São Cristóvão é importante para o mercado turístico, e a representação do Presidente Marcelo Alves nos coloca muito à disposição quando reassume um espaço de suma importância para a economia da Cidade do Rio de Janeiro. A Feira de São Cristóvão é mais um equipamento onde conseguimos verificar uma geração de emprego, renda e trabalho. Quando começamos a aumentar o trabalho e a renda, nós reduzimos a violência, razão de tantos bombardeios da mídia.

Quando conseguimos incorporar o Pavilhão de São Cristóvão com a Feira de Tradições Nordestinas e recolocá-la em uma prateleira turística, conseguimos aumentar a dignidade da Cidade, aumentar a empregabilidade e fazer com que as pessoas possam ter ainda mais paixão por uma Cidade em que milhares de pessoas gostariam de passar suas férias.

Nós entendemos que o principal papel da RIOTUR é a promoção da imagem da Cidade no Brasil e no exterior. Temos uma série de produtos, entre eles essa Feira de Tradições Nordestinas, tão importante, que vem complementar um portfólio de produtos e serviços que consegue aumentar a autoestima do carioca, que consegue aumentar a autoestima dos nordestinos que escolheram o Rio de Janeiro para morar, trabalhar e sobreviver.

O Rio de Janeiro talvez não fosse tão feliz se não fosse a cultura dos senhores. Talvez não fosse tão feliz, alegre e bem-humorado se não tivesse o toque e o tom da energia nordestina pela música, pela gastronomia e pela arte. Isso traz para nós um desafio muito grande, que é poder trabalhar de uma forma mais profissional a questão da vinculação, promoção, segurança e infraestrutura de uma feira, que eu imagino que seja um perigo, não no sentido da frequência, mas, sobretudo, em relação à infraestrutura em que temos, por exemplo, a questão da energia e da quantidade de geradores existentes lá hoje. Por uma falta de infraestrutura, acaba se tornando quase uma casa de pólvora, onde a qualquer momento pode haver um grande desastre.

Nós precisamos, como Prefeitura, como RIOTUR, aumentar a infraestrutura para que a cultura nordestina possa ser projetada e integrada à cultura do Rio de Janeiro. O objetivo da RIOTUR é estabelecer a conexão mais positiva possível com toda a comunidade, ou seja, com todos os atores que participam da Feira; melhorar a capacidade de informação dessa Feira não só para o brasileiro, mas para o mercado estrangeiro, que já visita a Feira e tem uma experiência fantástica.

Acho que ela pode ser ainda melhor por conta da questão do transporte e das informações periféricas. Quando o estrangeiro chega lá, tenho certeza de que os senhores dão show, o show de forró, da gastronomia, da arte e do repente, mas é possível e importante que nós tenhamos essa consciência de que, se é bom, ainda pode ser melhorado. O que temos como papel da RIOTUR é justamente incluir também a Feira e as tradições nordestinas no Calendário da Cidade do Rio de Janeiro.

Não sei se os senhores têm esta informação: o Rio de Janeiro, por conta da vocação turística, passa por períodos de sazonalidade na atividade. Então, há alguns momentos em que a gente tem mais demanda e momentos em que a gente tem menos demanda. Obviamente, a gente precisa ocupar a hotelaria, as casas, os parques, os restaurantes, os eventos e as feiras.

A RIOTUR é responsável, neste momento, por um projeto chamado “Rio de Janeiro a Janeiro”. Nesse calendário, temos uma vocação também para esse aspecto em que, por exemplo, a tradição nordestina entra nesse portfólio de serviços e de atividades, por exemplo, o resgate das festas juninas, que tem a tradição nordestina muito presente e que, de forma organizada, pode se transformar inclusive em um segundo Carnaval. Uma organização, um trabalho forte de marca. Muitos negócios que acontecem, assim como na indústria do Carnaval, a indústria das feiras e dos atores nordestinos pode contribuir demais para a economia da nossa Cidade.

Quero, de fato, agradecer esta oportunidade de estar aqui à Mesa. A RIOTUR vem para contribuir nessa gestão. A RIOTUR já foi outrora responsável pelo Pavilhão. Agora, a gente retoma esse caminho e conta com a disponibilidade e o entendimento dos senhores. Espero que os senhores também contem com a nossa garra, determinação, profissionalismo e capacidade que hoje o Presidente tem de aumentar o marketing da Cidade do Rio de Janeiro, porque temos sido muito bombardeados pela mídia, de forma cruel.

Nós não constamos entre as 20 cidades mais perigosas do País, mas a mídia vem de forma dura, porque a gente concorre com destinos internacionais. Se acontece alguma coisa, por exemplo, no interior de São Paulo, em uma cidade como Jundiaí, não há nenhum tipo de conotação. Porém, qualquer episódio que aconteça em nossa Cidade Maravilhosa ganha uma repercussão internacional.

Precisamos nos unir a essa causa. A única forma que vejo de nos unir a isso é a capacidade de trabalhar, de prestar o melhor serviço, de atender bem, de criar oportunidades de uma memória, de experiências memoráveis para a cabeça do nosso visitante, uma vez que entendemos que uma cidade só será boa para o turista quando antes for boa para quem nela vive.

Então, meus caros, quero deixar a RIOTUR à disposição dos senhores. Agradeço este convite. Obviamente, a partir deste momento, quero estreitar nossas relações.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Obrigado, Maurício Werner.

Ouviremos agora a Senhora Mônica da Costa, Superintendente do IPHAN.

A SRA. MÔNICA DA COSTA – Boa noite. Quero, primeiramente, agradecer o convite e parabenizar a iniciativa do Vereador João Mendes de Jesus.

Para quem ainda não tem noção, o IPHAN é um órgão vinculado ao Ministério da Cultura, que cuida do patrimônio cultural e nacional. Estou muito honrada de estar aqui, Gilberto Teixeira, porque o IPHAN já namora a Feira há mais de 10 anos. A minha área de trabalho é o patrimônio imaterial. Então, temos uma relação é muito próxima à Feira.

Hoje, dentro da Feira, a gente tem manifestações, referências culturais que estão encaminhadas, com pedidos de registro, como: literatura de cordel, forró e repente. Já temos ali a baiana de acarajé, que é outro bem registrado do Estado do Rio de Janeiro; o frevo, que é Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Fico muito feliz de ter perto também a RIOTUR. Maurício Werner, diga ao Marcelo Alves que vou ficar no pé dele, que conte com o IPHAN para os projetos, porque, realmente, o universo da Feira é de uma riqueza absurda na Cidade do Rio de Janeiro.

Só estou aqui para apoiar e para que vocês fiquem cientes de que o IPHAN do Rio de Janeiro está no apoio total. Para o que precisar, o Gilberto Teixeira sabe, vocês me acham rapidamente. Estamos sempre juntos.

É isso, gente. Obrigada.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Obrigado, Mônica.

Ouviremos agora a nossa querida Pastora Antônia de Aquino. Ela é uma cearense “pé de serra”. Tem que ter um “pé de serra” nesta Mesa. Fale aquilo que seu coração mandar, Pastora.

A SRA. ANTÔNIA DE AQUINO – Primeiramente, boa noite a todos!

Quero agradecer a Deus e ao Excelentíssimo Vereador João Mendes de Jesus por esta oportunidade. Lembro que falei com ele sobre o povo nordestino. O senhor e a sua equipe abraçaram essa gente de raça, de coragem. Tenho muito orgulho de fazer parte desse povo valente. É uma oportunidade.

Não temos palavras para agradecer, ao senhor e à sua equipe, por esta oportunidade de estar aqui falando, apoiando nossas tradições. Às vezes, a gente escuta: “É um povo esquisito”, mas é um povo que não tem medo de ousar, de acreditar, não tem medo do novo. É um povo que, muitas vezes, larga a família e vem para cá em busca de um sonho e, na maioria das vezes, não desiste.

Que nós também possamos reconhecer que o Rio de Janeiro tem nos acolhido. Quero agradecer ao senhor por esta oportunidade. O senhor foi à Feira e com toda humildade nos abraçou.

Muito obrigada ao senhor e à sua equipe.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Obrigado, Pastora Antônia.

Quero chamar o Jorge Costa, que está com um berrante ali, para fazer essa mistura. Depois vou chamar o Felipe Souza Silva.

O Jorge vai se dirigir àquela Tribuna. Dali, ele vai fazer um solo com o berrante. É uma coisa breve, apenas para dar início a uma nova etapa do nosso Debate.

O SR. JORGE COSTA – Cumprimento a todos com a Paz do Senhor Jesus.

Eu sou nordestino, filho de Alagoa Grande. Já pronunciaram o nome de Alagoa Grande, mas se esqueceram de um grande nome. Deus me marcou para falar sobre ele: Jackson do Pandeiro, o Rei do Ritmo. Se for falar em Jackson, tem que falar também do nosso grande João do Vale, que representa o Estado do Maranhão, da Cidade de Pedreiras. São pessoas como nós que vieram para cá.

Conheço a vida do Jackson, que é de Alagoa Grande, nascido na Usina Tanque, na época era Engenho Tanque. Falaram em Alagoa Grande, também sou de lá. Estou muito feliz porque sou nordestino, porque represento meu estado. Antes disso, a cada estado cujo nome eu disser, por favor, se você for de lá, levante sua mão.

São nove estados, começando pela Bahia. Tem baiano ou baiana aqui? De Alagoas? Tem algum alagoano? Sergipe? Paraíba, meu estado? Sou de lá. Meus conterrâneos! Rio Grande do Norte? Ceará? Piauí? Faltou um estado: Maranhão, terra de João do Vale. Meu Maranhão.

Vou deixar aqui para vocês, como um bom nordestino – todos sabem que sou vaqueiro, mas Deus me adaptou a isso aqui. Nasci tocando berrante, mas o Senhor me acostumou a trocar trombeta. Esse toque é para todos os nordestinos que estão aqui. Os que não estão que se sintam representados por eles.

(Ouve-se o toque do berrante)

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Obrigado, Jorge.

Convido, agora, para fazer uso da Tribuna, o querido Felipe Souza Silva, para fazer a sua saudação. Por favor, Felipe, fique à vontade.

O SR. FELIPE SOUZA SILVA – Boa noite a todas as autoridades presentes e a todos os que estão aqui nesta noite maravilhosa.

Vou ser bem direto naquilo que tenho a dizer, porque vou fazer basicamente uma síntese dos encontros que já tivemos na Agenda Nordestina, priorizando, basicamente, as informações que obtivemos durante os fóruns que ainda não terminaram. Ainda teremos um último, no dia 14, quando será apresentado o relatório final.

Nós, nordestinos e filhos de nordestinos, residentes na Cidade do Rio de Janeiro, representados pela Agenda Nordestina, apresentamos cinco propostas que beneficiam a comunidade dos conterrâneos. Antes de falar dessas propostas, preciso enfatizar que uma proposta ou um projeto, quando é elaborado, precisa partir de princípios e diretrizes para que tenha coerência tanto no seu formato do início ao fim e para que tenha coerência também na sua execução.

Os princípios que informam esses projetos são: a valorização da história e das contribuições dos nordestinos para o desenvolvimento da Cidade do Rio de Janeiro e a valorização das tradições da cultura nordestina e seus intérpretes.

Os objetivos gerais dessas cinco propostas são: suprir uma demanda dos nordestinos por eventos, serviços culturais e sociais em infraestrutura adequada com sustentabilidade, acessibilidade e mobilidade; pensar em projetos culturais que tenham características amplas e que queiram chamar a sociedade para participar de projetos que apresentem essas três características: sustentabilidade, acessibilidade e mobilidade; aumentar o empreendedorismo e o protagonismo em diversos segmentos culturais com base nas tradições nordestinas a partir das potencialidades pessoais dos migrantes e das realidades locais.

Ou seja, precisamos de sensibilidade para quem é o nordestino, as suas qualidades, os seus atributos e a sua necessidade local. Não podemos chegar ao nordestino propondo coisas que não fazem parte do seu mundo de pertencimento, que não fazem parte dos seus problemas do dia a dia. Então, precisamos olhar de forma sensível para essas demandas e construir espaços de memória e de acolhimento do migrante nordestino.

Os objetivos específicos são: produção de oficinas, cursos técnicos de empreendedorismo na área cultural; produção cultural, artesanato, literatura, música, dança e gastronomia; produção e divulgação de material audiovisual e a realização de eventos culturais.

Agora, serei mais objetivo nas quatro propostas. São cinco, mas, a primeira delas é a lei, que já foi colocada pelo Gilberto Teixeira. Proposta 2: Centros de cultura tradicional nas comunidades e nos bairros tradicionais da Cidade do Rio de Janeiro. Acreditamos – e tivemos isso durante os fóruns – que boa parte da cultura nordestina e das atividades nos eventos represente os seus frequentadores nordestinos. Eles estão localizados em áreas estratégicas que têm a ver e se confundem com a história da Cidade do Rio de Janeiro e o seu crescimento.

As comunidades que cercam o entorno da Avenida Brasil são um exemplo. Em sua maioria, são predominantemente nordestinas. Muitos deles foram para aquelas regiões porque não havia lugar onde morar. Eles tinham trabalho, mas não havia lugar onde morar. Muitas das suas residências acabaram sendo canteiros de obra, por exemplo, o Caju e a Maré. São diversas comunidades ao redor. Outras que pertencem à Zona Oeste também.

Por que não a Baixada Fluminense, que também tem as suas características fortemente nordestinas? O objetivo dessa segunda proposta é criar ou construir espaços de entretenimento sociocultural, por meio de programas educativos, cursos profissionalizantes, e promover atividades de tradição típica com eventos festivos.

Proposta 3: Casa do Nordeste. Criar, construir a Casa do Nordeste na área externa da Feira de São Cristóvão, ou próximo, com funções diversas, entre elas cursos profissionalizantes na área de gastronomia, música, teatro, dança, folclore, artesanato, artes plásticas, cordel, repente e xilogravura. Área de shows, estúdio, áudio, vídeo, espaço permanente de estudo, conservação e valorização. Acredito que esse projeto dialoga muito com a proposta do IPHAN.

Proposta 4: Centro Social de Entretenimento dos Nordestinos. Criar e instituir o espaço de recreação sociocultural e esportivo com características típicas do Nordeste.

Proposta 5: Som da Feira. Atividades artísticas e culturais do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas. Esse projeto irá envolver diretamente a feira. Criar e instituir o programa de gestão cultural da Feira de São Cristóvão – isso não existe lá –, por meio das leis de renúncia fiscal dos três níveis: federal, estadual e municipal. Compor o referido programa ao Plano Diretor de Cultura. O objetivo do fórum é trabalhar laboratórios técnicos por meio de apresentação, discussão e deliberação dos cinco projetos contidos. Esses projetos não são do Gilberto Teixeira, eles foram debatidos e acolhidos por todo esse corpo que fez, ao longo de dois anos até agora, parte da Agenda Nordestina.

Só para finalizar o meu discurso, gostaria de falar sobre a outra etapa que ainda virá. Pensar e colocar no papel esses projetos será de muita relevância, mas precisamos, antes de mais nada, para finalizar o projeto, dar como possível de ser executado, pensarmos para os próximos fóruns ou no próximo fórum duas coisas: a viabilidade técnica e a viabilidade financeira desses projetos. Essas são duas características que precisamos debater profundamente, para que possamos sair do papel e do campo das ideias e podermos entrar em prática.

Muito obrigado. Boa noite a todos.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Obrigado, Felipe.

Convido agora os Senhores Ednaldo Mello Santos e Miguel Bezerra da Silva, para fazerem sua apresentação. Fiquem à vontade. Podem colocar o dedo na viola.

(Ouve-se a canção)

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Obrigado, Ednaldo e Miguel. Parabéns.

O SR. EDNALDO MELLO SANTOS – Obrigado. Muito obrigado, a todos.

Quero só registrar que posso me considerar um dos fundadores da feira, porque cheguei aqui ao Rio de Janeiro e comecei a cantar na Feira em 1971. Eu tinha um pouco mais de 20 anos quando comecei. Então, sou quase um fundador da Feira, pois estou há mais de 40 anos lá.

Quero recitar só uma estrofezinha, um decassílabo, que é uma modalidade muito bonita, em um mote que me deram uma vez na Feira: “É preciso o sertão ser dividido e o Nordeste tornar-se independente. Com trabalhos, rigor, forças e bases, sem nós darmos mais chances a cafajestes, incluindo a política do Nordeste para ninguém se iludir ouvindo frases, transformando chão seco em um oásis, como Éden foi feito antigamente. Para ninguém se arrastar com a serpente à procura de um fruto proibido, é preciso o sertão ser dividido e o Nordeste ficar independente”.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Muito bem! Parabéns, Ednaldo.

Agora, quero chamar também o Zé da Onça, para fazer a sua apresentação. Está aí? Não veio? O Zé da Onça não está. Então, neste momento, quero fazer a entrega das Moções aos componentes da Mesa. Como foi algo improvisado, não sei se teremos a Moção para a pastora.

Os três aqui receberão as Moções agora. Logo em seguida, depois da entrega das Moções, vou convidar o Trio Xodó. O Trio Xodó está? Você representa o trio? Quer fazer alguma coisa ou sozinho não dá? Só à capela? Está bom, então. Deixa-me fazer a entrega das Moções e depois você faz.

A defesa das tradições nordestinas da Cidade do Rio de Janeiro está no conjunto de atividades desenvolvidas pelos imigrantes e seus descendentes – o povo valente, o povo feliz.

Mônica da Costa, neste momento, esta Frente a homenageia com a Moção de Louvor e Aplausos, como reconhecimento da sua luta em defesa da cultura, especialmente, da cultura nordestina. Por favor, Mônica.

Agora, chamo também o nosso querido Gilberto Teixeira para receber a sua Moção de Louvor e Aplausos. Obrigado, Gilberto, lutador, guerreiro e poeta!

(É feita a entrega das Moções)

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Agora, convido o Vereador Val Ceasa para fazer uso da palavra e fazer uma saudação.

O SR. VEREADOR VAL CEASA – Boa noite a todos. Sejam bem-vindos a esta Casa de Leis.

Eu não tinha muito o hábito de ir à Feira de São Cristóvão. A convite do Vereador João Mendes de Jesus, fui lá e me senti muito feliz ao ver muitos nordestinos trabalhando. É um lugar – sou do Ceasa – que é mais ou menos um centro comercial, mas com outras tradições.

Fiquei preocupado ao ouvir alguns comerciantes e me dispus até a conversar depois. Alguns me ligaram e falaram sobre o descaso do Poder Público para uma central de trabalho que é o Centro de Tradições Nordestinas da Feira de São Cristóvão. Ali, pessoal, é necessária a presença do Poder Público, porque gera muito emprego. São pessoas capacitadas, que não têm formação elevada, mas têm ali sua vaga cativa para trabalhar. Fiquei preocupado também com a energia, parece que há um problema, pois uns têm geradores, e outros estão com problemas com a Light. O Poder Público poderia interferir para resolver essa situação e dar um respaldo a muitos donos de bares e restaurantes que empregam muita gente.

Como mineiro – dizem que mineiro é nordestino cansado –, fico muito feliz de receber vocês nesta Casa de Leis. Junto com o Vereador João Mendes de Jesus, coloco-me à disposição de vocês para o que der e vier a favor das tradições nordestinas e da Feira de São Cristóvão, um lugar que achei maravilhoso. Vi muitos turistas lá. Por sinal, onde eu estava havia mais gringos do que nordestinos. É uma coisa que o Prefeito poderia explorar muito mais, que geraria muito mais empregos. Senti ali – não sei se vocês que estão lá no dia a dia acompanham isso – muito movimento no centro, mas as laterais são um pouco inexploradas.

Então, temos de colocar uma gestão inteligente, junto com o Poder Público, para diversificar para todos os lugares, dando mais mobilidade para o pessoal ir e vir e gerar mais empregos. Essa foi minha concepção, mas achei aquele lugar muito maravilhoso.

Parabéns a todos vocês que trabalham lá. Deus abençoe a todo mundo lá.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Muito bem, Vereador Val Ceasa.

Meus amigos, vamos fazer a entrega das Moções aos nordestinos homenageados por esta Casa de Leis. A Moção é um documento oficial da Casa e da Cidade do Rio de Janeiro. É de grande importância para que você possa não somente portar e agregar aos seus documentos, como também colocar como memória, fazer um quadro e colocar na sua casa, no seu escritório, lembrando que a Câmara de Vereadores reconhece sua luta, sua tenacidade, sua disposição e, sobretudo, o amor que você tem por esta Cidade.

Não sei se temos mais algum cantor. Alguém pode entoar algum cântico. Vou entregar as Moções e, enquanto isso, quero convidar alguns cantores a fazer uso daquele microfone e entoar algum canto para não ficar monótono. Temos alguém que canta aqui? Então, vamos ter cantores já, já. Daqui a pouco, vamos chamar vocês.

Convido, agora, nosso querido amigo Pastor David Antunes para ocupar a Tribuna e fazer a leitura dos nomes dos demais agraciados. Temos 100 homenageados. Talvez não estejam todos aqui, mas ele vai fazer uma chamada gradual para identificar quem está presente, começando, pela ordem alfabética, pela letra A.

Ele vai fazer a chamada lentamente. Enquanto isso, vou me dirigir à Bandeira do Brasil. Ficarei junto com o meu querido Vereador Val Ceasa, para entregarmos essas Moções de Louvor e Aplausos aos nossos homenageados. Depois, Pastor David, depois de chamar um grupo de 10 ou 20, o senhor chama uma atração musical. Após cada grupo, o senhor chama um cantor para fazer a apresentação. Está bom?

Vou descer para lá, junto com o Vereador Val Ceasa, e vamos fazer as entregas. O Pastor David Antunes vai chamar os nomes de vocês. Quando ele chamar, dirijam-se àquele ponto ali. Mesmo que chame 10 ou 20, podem ir para aquele ponto para adiantar o evento. Logo após, teremos um coquetel, um guaraná. O Gilberto Teixeira preparou alguma coisa para a gente ali, mas tem que andar.

Se alguém tem Moção a receber e está aí em cima, nas galerias, quero que você desça para cá para facilitar a sua chegada ali, ao lado da Bandeira do Brasil, onde estarei junto com o Vereador Val Ceasa.

Pastor David Antunes, pode fazer a chamada.

O SR. DAVID ANTUNES – Boa noite a todos.

Gostaria de comunicar a todos que a Moção é concedida pela Frente Parlamentar em Defesa das Tradições Nordestinas da Cidade do Rio de Janeiro, que está no conjunto de atividades desenvolvidas pelos integrantes e seus dependentes que transmitem conhecimento de arte, crenças, costumes, gastronomia e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo povo nordestino. São aptidões transmitidas pelas manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais por meio da música, do teatro, de rituais religiosos, da língua falada e escrita, dos hábitos alimentares, das danças etc. É no pensamento de forma organizada socialmente que o povo nordestino defende suas tradições na Cidade do Rio de Janeiro, no Brasil e no mundo. São essas manifestações que formam e transformam a cultura de um povo. Povo valente, povo feliz.

Eu gostaria de chamar neste momento os agraciados com a Moção: Andrea Ferreira Alves; Antônio Luiz da Silva; Antônio Cassiano da Silva; Aluísio de Oliveira Amaral; Alex Araújo Monteiro; Antônio “Borracha”; Ana de Mendonça Florêncio; Antônio Francisco Alves de Lima; Alex Sandro Gomes da Silva; Banda Energia do Som, José Januário de Lima; Carlos Augusto Senra; Carlos Botêlho; Cleber Matos de Assis; Civalino Teodoro de Abreu; Dorgival Severiano; Davi Cavalcante dos Reis; Ednaldo Melo Santos; Elisabeth Oliveira Francisco Fernandes; Elizangela Soares da Silva; João Manoel da Silva, in memoriam; Etemilton Antônio da Silva; Edna Pereira Moreno da Silva; Eduardo Coelho da Silva; Edvan Dantas, sanfoneiro; Flaviano Soares de Freitas; Francisca Alda H. Dias; Francisco Gomes de Medeiros; Francisco Miguel Bezerra; Francisco Moreira dos Santos; Francisco Pereira da Silva; Flávio Farney da Silva Xavier; Francinete Costa da Silva; Francisco Aldebaran; Francisco Silva, Trio Guarabira; George Marley do Nascimento Botelho; Gilvan dos Santos, Banda Impacto Show; Ireni Siqueira; Ivaneide Joaquim Barbosa; Ivo Amaral; Ivone Oliveira de Araújo; João Carlos Bezerra; João Lourenço da Silva; José Agamenon de Almeida e Silva; Josélia Maria dos Santos Xaves; Jacinto José Gomes Pinto; Juarez André de Macedo; José Rosa da Silva; Jaime Basilio da Silva; Jair da Rosa; Jean Carlos Nogueira Silva; João Florencio da Silva; José Carlos de Carvalho; José Matias de Lima; José Pereira de Souza; José Ronaldo Vicente Adeliano; José Geraldo Rodrigues; Jânio Pereira; Jerlany Versia do Nascimento; Luiz Carlos dos Santos; Leda Regina Belem; Luiz do Nascimento; Lorena Maria de Sousa Lopes; Magnovaldo de Queiroz Pereira; Marcelius Paulino Silvestre; Marcelo Gonçalves Moura Valle; Márcio Willian Bastos Carvalhal; Marco Pereira; Marcos Coelho da Silva; Maria da Glória M. Gomes; Maria de Fátima Chaves de Mendonça; Maria do Socorro Severiano; Manoel Júlio de Souza; Andréia Aguiar; Manoel Messias C. da Cruz; Maria Bernadete Viturino da Silva; Maria Guia Marques do Nascimento; Maria José da Costa Mello; Maria Vilani Maia Fu; Maria Lucia Alves Cardozo; Miguel Bezerra da Silva; Miguel Furtado Freire da Silva; Nerivaldo Lira Alves; Noé Luiz dos Santos; Osvaldo Vidoco Casas Oliveira Cunha; Paulo Sérgio da Silva Deal; Pedro Gonzaga Marques de Santana; Quadrilha Gonzagão do Pavilhão – Douglas Amaral dos Santos; Ramon Seara Neto; Roberto Monteiro de Farias Filho; Rodrigo Silva Santos; Rafaella Barreto Abrantes; Rodrigo Teixeira Ribeiro; Rosa Maria Bastos Cunha; Sandra Vigilio; Sônia Regina do Carmo Rubim; Severino Manoel Honorato; Tiago da Silva; Teresa Beatriz da Silva; Tereza Alves Francisco; Ubirajara Rodrigues Louzada; Verônica Rodrigues Moraya; Valdiniz Dantas da Silva; Zeneide Gomes dos Santos.

(É feita a entrega das Moções)

O SR. DAVID ANTUNES – Vamos ouvir agora o músico Flávio Farney da Silva Xavier, que vai cantar.

O SR. FLÁVIO FARNEY DA SILVA XAVIER – Boa noite a todos.

Sou Flávio Xavier, o Flavinho 100% da Feira de São Cristóvão.

Nós temos um patrono chamado Luiz Gonzaga, que empresta seu nome para o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, lugar onde habita a nossa querida e amada Feira de São Cristóvão, essa jovem mulher de 72 anos de saúde, de vida e de alegria, que pulsa cultura. É uma grande mãe que abriga todos os feirantes, permissionários, fornecedores e, sobretudo, os seus visitantes, que vêm em busca do lazer sadio, da boa comida e de um lugar familiar, onde a minha família recebe a vossa família, feirante, migrante e visitante na Feira de São Cristóvão.

O nosso patrono Luiz Gonzaga, que se foi há mais de 25 anos, se estivesse hoje no meio de nós e visitasse a Feira, comporia novamente esta canção de exaltação à sua fé.

(Ouve-se a canção)

O SR. FLÁVIO FARNEY DA SILVA XAVIER – Ele faria tudo de novo, dando ênfase à Feira de São Cristóvão.

Muito obrigado, Senhor Presidente e todos aqui presentes. Que Deus abençoe. O momento é de fé e alegria no Senhor Jesus. Amém.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Muito obrigado, Flávio.

Já estamos chegando ao fim do nosso Debate Público. Estou vendo que algumas pessoas estão querendo cantar, mas vamos fazer... Quer dar uma palavrinha? Vamos lá.

O SR. JOSÉ MATIAS DE LIMA – Não trouxe o Trio Xodó. Se tivesse trazido meu trio... Tenho um sanfoneiro, mas não veio com a sanfona.

Quero dar só uma palinha em homenagem ao Rei do Ritmo, Sua Majestade Jackson do Pandeiro. Só uma palinha em nome de quem me ensinou, e hoje estou aqui. Quero dar uma palinha do meu amigo Jackson do Pandeiro, apesar de estar muito rouco, porque cantei muito esse fim de semana e tomei chuva também.

Não posso esquecer o nosso Vereador João Mendes de Jesus, que tanto nos ajuda nessa Feira maravilhosa. Precisamos da sua ajuda, Vereador João Mendes de Jesus.

(Ouve-se a canção)

O SR. JOSÉ MATIAS DE LIMA – Essa música também é em nome do meu sanfoneiro Edivan Dantas, da Paraíba. Aquele abraço. Chico César, aquele abraço.

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Quero chamar a Malu, cadê a Malu? Malu, quero fazer uma entrega de Moção a você. Sei que você já estava aí, mas não chamamos. Vou descer até ali, o Vereador Val Ceasa e eu vamos fazer a entrega desta Moção para você.

Estamos chegando ao fim do nosso Debate Público. Porém, para finalizar o nosso encontro... Vocês gostaram do nosso Debate? Foi bom? Vai ser produtivo?

Não acabou, não. Ano que vem continua, porque vamos fazer o lançamento do nosso projeto de lei. Vamos aprovar aqui nesta Casa uma lei que vai fazer justiça a toda a cultura e a todo nordestino que mora no Rio de Janeiro. Será maravilhoso, e nós contamos sempre com vocês.

Agradeço a presença de todos: assessores, equipe técnica, assessores de gabinete e Cerimonial. Agradeço a todos vocês que vieram com muito sacrifício, mas participaram conosco deste Debate Público da Frente Parlamentar em Defesa das Tradições Nordestinas.

Convido os presentes a tomar um café ou um guaraná na Sala Inglesa, uma sala espetacular que vocês vão conhecer aqui neste Palácio Pedro Ernesto.

Vamos ficar de pé. Como não tem hino, quero fazer um momento especial com vocês. Todos aqui são cristãos, não são? Quero fazer a oração do Pai Nosso para encerrar este evento. Desejo a todos vocês que retornem para suas casas em paz e segurança. Oremos.

(Ouve-se a oração)

O SR. PRESIDENTE (JOÃO MENDES DE JESUS) – Até breve, até a próxima. Obrigado por terem vindo. Parabéns. Que Deus abençoe a todos.

Está encerrado o Debate Público.

(Encerra-se o Debate Público às 20h15)


RELAÇÃO DOS PRESENTES


Pedro Gonzaga Marques de Santana; Manoel José de Melo Silva; Antônio Pinto de Souza; José Martins de Lima; Francisco Miguel Bezerra; Gerson Alves de Lima; José Geraldo Rodrigues; Carlos Augusto Senra; Miguel Freire; Thaís de Castro Cunha Primera; Cassia Cristina de Castro; Roseni de Menezes Cabral; Manuel Messias Cunha da Cruz; Ginalva dos Santos; Gilvan dos Santos; Maria do Socorro Severiano; Nelson Ferreira; Fábio Farley da Silva Xavier; Etemilton Seixas; Lucia Jomes; José Carlos de Carvalho; José Pereira de Souza; Maria da Glória Moreira James; Monica da Costa; Adélio da Silva; Janaína Colho Miranda; Tânia Viana Bezerra de Lima; Francisco Silva; Francisco Moreira; Zeneide Gomes dos Santos; Maria Vilani Maia Fu; José Carlos Amorim de Souza; Glauciane Feitosa de Aguilar; Gioconni Dias; Roni Lucas; Carlos Botelho; Monica da Costa; Sergio Bonelli; Edinaldo Mello Santos; Ramon Ceara Neto; Marcio da Costa Mello; Tatiana da Costa Mello; Maria José da Costa Mello; Brahin Jorge; Luiz Lobo; Malu Falangola; Rose Falangola; Valter Neto; Luisa Claudia Soares; Doglas Amaral; Edircan Dantas Silva; Francisca Costa Silva; Maria Bernadete V. da Silva; Elizabeth Pereira da Silva; Cassia Cristina de Castro; Thais de Castro Cunha; Jose Fernandes de Souza; Luiz Ventura; Antonio Baptista Mello; Jorge Luiz Medeiros; Francisco Tavares; Claudinea Lage; Marcos Coelho da Silva; Jocelino da Silva Ferreira; Leonel Hortencio Dias; Fernanda Pereira Rosa; Nando Rosa; Jadson Moura; Francisca Goes da Silva; Miguel Bezerra da Silva; Abigail da Rocha; Cintia Matos; Jorge Costa; Elber Ávila; Antonio Jaquino; Edileuza Lais; Andreia Aguiar; Elizabeth Oliveira; Cristina Samy; George Marley.