Comissão Permanente / Temporária
TIPO : DEBATE PÚBLICO

Da Vereador Cláudio Castro

REALIZADA EM 08/23/2017


Íntegra Debate Público :
Empreendedorismo para jovens: primeiro emprego

Presidência do Sr. Vereador Cláudio Castro

Às dezenove horas, no Plenário Teotônio Villela, sob a Presidência do Sr. Vereador Cláudio Castro, tem início o Debate Público com o tema “Empreendedorismo para Jovens: Primeiro Emprego”.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Boa noite, senhoras e senhores.

Nos termos do Precedente Regimental nº 43/2007, não estando presentes od demais membros da Comissão, declaro que não há quórum para o trabalho convocado pela Comissão Especial nº 1.367/201.

No entanto, realizaremos, sob a minha Presidência, um Debate Público com o tema “Empreendedorismo para Jovens: Primeiro Emprego”.

Declaro aberto o Debate Público.

Solicito ao Cerimonial da Câmara Municipal do Rio de Janeiro que conduza à Mesa Diretora as personalidades que irão constituí-la.

(As personalidades são conduzidas ao recinto da Mesa)

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – A Mesa Diretora está assim constituída: Excelentíssimo Senhor Vereador Alexandre Arraes, Relator da Comissão Especial; Senhora Geovana Silva, Coordenadora de Projetos Sociais da Pastoral do Menor da Arquidiocese do Rio de Janeiro; Senhora Maria Cláudia Vianna, Gerente do Programa Nacional de Educação Empreendedora do Sebrae; Senhor Wainer Guimarães, Mestre em Empreendedorismo com atuação em Ações Sociais; e Senhora Maria das Graças Escóssia de Oliveira, Psicóloga do Programa de Aprendizagem da Pastoral do Menor da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Sou o Vereador Cláudio Castro, Presidente da Comissão Especial com a finalidade de promover estudos, debates, seminários, acerca do empreendedorismo no Município do Rio de Janeiro, especialmente quanto às iniciativas para a terceira idade, juventude, pessoa com deficiência e com necessidade de recolocação no mercado de trabalho. Desde já, gostaria de agradecer muito a presença de cada um. Entendemos que o debate sobre esse tema do empreendedorismo e do primeiro emprego do jovem é um incentivo àqueles que estão buscando uma primeira colocação no mercado de trabalho. Isso é fundamental para a nossa sociedade, não somente para a do futuro, mas para a do presente. A crença de que o jovem é o futuro da Nação já passou há muito tempo. O jovem é o nosso presente, é o que cria as melhores tecnologias, é quem faz a mola propulsora da sociedade se movimentar.

Esse tema é extremamente rico, por isso é muito importante debatê-lo. É uma alegria fazer este Debate Público aqui no Plenário da Câmara Municipal. A intenção desta Comissão é fazer um Plano Municipal de Empreendedorismo. Nos próximos 10 anos, talvez nem estejamos mais aqui. Porém, ainda vamos olhar para o Rio de Janeiro e ver que ele se tornou melhor para aquele que tem vontade de empreender e sonha com uma Cidade melhor, não somente para si, mas para esta e as próximas gerações. Estou feliz de poder fazer esse terceiro painel da nossa Comissão aqui no Plenário, e com um tema para jovem.

Passaremos às falas da Mesa. Peço ao Cerimonial que, por favor, já faça as inscrições daqueles que quiserem falar na Tribuna. Por último, cada um fará suas considerações finais.

Com a palavra, o Senhor Vereador Alexandre Arraes.

O SR. VEREADOR ALEXANDRE ARRAES – Boa noite a todos. É um grande prazer estar aqui neste terceiro momento da Comissão Especial sobre empreendedorismo, que vem fazendo um trabalho diferenciado. Tem sido um prazer enorme acompanhar cada um dos passos da Comissão. Estou começando a preparar o nosso relatório dessa primeira metade desse exercício até o momento.

É muito importante estarmos aqui no Plenário da Câmara. O Vereador Cláudio Castro adiantou algumas das que seriam as minhas palavras, mas não posso deixar de ressaltar que, talvez, nas últimas décadas, o mundo tenha passado pelas transformações mais agudas, mais rápidas. Foram grandes transformações em um curto espaço de tempo.

Neste momento, devido à crise pela qual o País passa, com o nosso Estado em uma situação absolutamente difícil, e com o Município tentando se equilibrar nesse cenário de crise geral, é muito importante debater esse tema. Os jovens de hoje já nasceram sob a égide desse novo mundo, cujas transformações – tecnológicas principalmente – já estão postas.

Estamos presenciando uma grande transição, que é muito nítida, entre os jovens que estão chegando ao mercado de trabalho e as pessoas que estão saindo. Esse mix pode ser muito produtivo, juntar pessoas de idades diferentes que tenham a experiência de terem empreendido muitas vezes com os jovens que trazem a possibilidade de usar novas tecnologias, novas maneiras de pensar. Acho que isso é muito positivo e precisa ser bem explorado.

É no momento de crise que estamos vivendo que surgem as maiores soluções criativas. É um momento de inovação, e não há segmento da população mais preparado para buscar soluções criativas de gestão e inovação do que os jovens. Então, é muito importante que o poder público tenha o olhar voltado para esse seguimento e busque, também com essa parte da população, soluções que possam incrementar, melhorar, tornar mais eficiente a gestão, entendendo o que é necessário para que o jovem entre no mercado de trabalho, que é sua principal barreira, e para que possa, daí em diante, colaborar para a economia e para a transformação da sociedade.

São breves as palavras, Vereador Cláudio Castro, que eu não poderia deixar de dizer. Mais uma vez, eu o parabenizo por esta belíssima iniciativa.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Quando começamos a pensar na Comissão, eu olhei para o Vereador Alexandre Arraes e falei: “Arraes, você poderia ser o relator” e ele disse: “É o meu tema também”. Nós fazemos uma sinergia realmente fantástica para que, realmente, a Cidade do Rio de Janeiro possa se tornar verdadeiramente uma Cidade empreendedora.

Muito obrigado, Vereador Alexandre Arraes.

Passo a palavra à Senhora Maria Cláudia Vianna, Gerente do Programa Nacional de Educação Empreendedora do Sebrae.

A SRA. MARIA CLÁUDIA VIANNA – Boa noite a todos.

É uma honra representar o Sebrae do Rio de Janeiro nesta Comissão. Eu trabalho especificamente com educação empreendedora, no Estado do Rio de Janeiro, representando o Programa Nacional de Educação Empreendedora, porque é um movimento que o Sebrae Nacional está fazendo em todos os Estados.

Que movimento é esse? Nós entendemos que, apesar de o Sebrae ter uma missão de apoiar a sustentabilidade das micro e pequenas empresas, nós temos um braço, também, no fomento à educação empreendedora. Trabalhamos com esse tema não é de hoje. Nós trabalhamos de forma orquestrada desde 2014. Transferimos a metodologia da educação empreendedora desde o ensino formal até o ensino superior em qualquer instituição de ensino. O que pretendemos com essa transferência de metodologia é incutir nas crianças a atitude empreendedora, não só para a abertura de seus negócios, como para a possibilidade de ser, no seu trabalho, um grande empreendedor, gerador de ideias e novidades.

O Sebrae tem essa missão, e eu represento a incumbência de transferir a metodologia para os parceiros no Estado do Rio de Janeiro, que são escolas municipais e estaduais, privadas ou públicas. O Sebrae fomenta isso de forma gratuita. Nós estamos trabalhando hoje com uma parceria que fizemos recentemente com o Estado, também transferindo a metodologia para os três anos de ensino médio com 37 escolas estaduais. Nós estamos avançando município a município.

Gostaria de agradecer por esse movimento. No que puder ajudar, estou aqui. Muito obrigada.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Muito obrigado, Senhora Maria Cláudia Vianna. Mande um abraço para o Cézar Vasquez, que tem sido um grande parceiro desta Comissão, sempre presente ou mandando alguém quando ele não pode vir.

Achei que, nessa parceria do Sebrae, é fundamental ter alguém que entenda de empreendedorismo, é essencial. Não é, Vereador Alexandre Arraes?

O Cézar Vasquez falava no primeiro dia, muito interessante, da questão das operações assistidas, de como o Sebrae, realmente, tem essa vontade de que o empreendedorismo dê certo em todas as suas formas e regiões.

Quero, então, convidar para fazer uso da palavra a Senhora Geovana Silva, Coordenadora de Projetos Sociais da Pastoral do Menor.

A SRA. GEOVANA SILVA – Boa noite aos Excelentíssimos Vereadores, especialmente ao nosso Vereador Cláudio Castro, que é muito próximo da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Boa noite a todos.

Estou aqui representando a Pastoral do Menor e a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, trazendo o abraço de todos da Arquidiocese e a alegria do convite. Nós estamos aqui, eu e a Maria Escóssia, para falarmos um pouco da nossa experiência prática: o que a Pastoral do Menor da Cidade do Rio de Janeiro faz diante da situação em que vivemos hoje no País.

São 33 anos de atuação na Cidade do Rio de Janeiro, com pessoas em situação de vulnerabilidade social, com comunidades e com famílias. Então, vamos relatar um pouco esses dados da nossa experiência.

Obrigada pelo convite.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Convido para fazer uso da palavra a Senhora Maria das Graças Escóssia de Oliveira, psicóloga do Programa de Aprendizagem da Pastoral do Menor.

A SRA. MARIA DAS GRAÇAS ESCÓSSIA DE OLIVEIRA – Boa noite a todos.

Como foi dito, eu sou psicóloga do Programa Jovem Aprendiz da Pastoral do Menor, que insere jovens de comunidades carentes e de risco no mercado de trabalho, com o primeiro emprego.

Eu gostaria muito de agradecer a todos. Depois, então, nós vamos mostrar alguns pontos para vocês.

Obrigada e boa noite.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Finalmente, então, o Senhor Wainer Guimarães, mestre em empreendedorismo, com atuação em ações sociais.

O SR. WAINER GUIMARÃES – Boa noite a todos. É um grande prazer estar aqui com vocês.

Eu quero, em primeiro lugar, agradecer ao Vereador Zico Bacana e ao seu chefe de gabinete, o Marcos Dias, por me convidarem para estar aqui. Eu sei que tanto o Vereador Zico Bacana quanto o gabinete estão preocupados com o desenvolvimento econômico e o empreendedorismo em Anchieta e em Guadalupe. Participar dessa conversa é um presente para mim.

Fiquei muitos anos fora do Brasil, trabalhando em várias maneiras nas áreas de desenvolvimento social, tanto com empreendedorismo, como nas por meio das artes, da tecnologia, do aprendizado de línguas... Nesses anos que tenho estado no Brasil, indo e voltando, estou envolvido nesses projetos também.

Eu usaria slides, mas, como a hora está avançada, vou apenas mencionar. Posso começar a falar ou devo fazer uma introdução agora?

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Pode, então. Vamos começar logo, para agilizar.

O SR. WAINER GUIMARÃES – Então, está bom. Não quero fugir do protocolo. Estou feliz de ver o amigo de alguns anos, que admiro, o Vereador Alexandre Arraes. É muito bom revê-lo.

Eu não vou usar os slides. Vou apenas me referir a alguns pontos relevantes que quero passar para vocês.

Vou falar para vocês de conceitos de empreendedorismo adquiridos na prática. Eu creio que é importante aprender os conceitos, é importante estudar as matérias, mas eu venho de um transfundo de Teologia. Eu estudei Teologia, estudei também a parte de empreendedorismo, mas sempre voltados para o como fazer na prática.

Está mostrando algumas coisas ali que vocês podem seguir. A minha experiência vem de encontrar um processo de empreendedorismo que dá certo, que tem dado certo há mais de 20 anos, em vários países no mundo. O que vou compartilhar dos princípios, de novo, está ligado ao sucesso por causa de números. Eu creio que não se pode colocar preço em tudo. Einstein disse: “Há muita coisa que tem valor e não tem preço, e muita coisa em que se coloca preço não tem valor”.

Existem coisas em que não se pode colocar número, mas em empreendedorismo, as empresas têm que ser bem-sucedidas numericamente, ou seja, se você tem uma empresa, você precisa ter lucro e continuar o seu processo. Caso contrário, você vai à falência. Nos EUA, onde ainda passo bastante parte do meu tempo e, onde estive por 27 anos, 85% dos negócios vão à falência nos primeiros 18 meses. Nos primeiros 18 meses, 85% dos negócios vão à falência. Trabalhei para a Cidade de Riverbank, no norte da Califórnia, em um processo de empreendedorismo. Estou dando uma estatística que ainda é real nos EUA. Quando estive com o Sebrae, logo que voltei, em algumas conversas com o pessoal de lá, dá a impressão de que 90% dos negócios vão à falência nos primeiros 18 meses no Brasil. A pergunta é: o que está errado?

Um exame feito nos negócios iniciados ou negócios que se aceleraram mostra que 85% são bem-sucedidos examinando as empresas em cinco, 10 e 15 anos adiante. Por que isso? Porque essa metodologia tem dado certo nos Estados Unidos, em vários estados, e na Austrália, onde começou – o fundador é italiano, mas foi para a Austrália aplicar praticamente o seu doutorado na área de transformação econômica em comunidades. No Canadá, na África, na Inglaterra, no Reino Unido, no País de Gales e em vários outros países há locais experimentando essa metodologia.

Em primeiro lugar, o empreendedor precisa reconhecer, descobrir a sua paixão. Ou seja, com a metodologia do Sirolli, a primeira parte que o facilitador de empreendedorismo aprende é sentar com esse empreendedor e saber dele qual é a paixão e o que ele realmente quer com o seu empreendedorismo, com a sua empresa, seja pequena ou grande.

O tripé do sucesso de todas as companhias que funcionam bem, no Brasil e no mundo é: você faz bem o produto ou o serviço. Você tem o marketing que comunica o que você tem, porque você pode ter o melhor produto ou o melhor serviço, mas se ninguém souber, não vai adiante. Se você tem um marketing que não funciona bem, também não vai adiante, porque você vai perder clientes. E você tem um gerenciamento financeiro, que não é simplesmente um gerenciamento voltado à conta que se faz: o contador está sempre olhando no retrovisor o que aconteceu, para que no fim do ano você preste suas contas ao Governo. Está certo, mas você precisa ter alguém que entenda como o seu negócio tem de funcionar, o preço, o local e entenda os pormenores de cada negócio.

Qualquer uma dessas três partes falhando, destrói o negócio. O que a gente tem dito ao empreendedor? “Você tem de aprender as três áreas”. Só que o empreendedor é como todos nós, há áreas da nossa vida por que temos paixão, e áreas de que não gostamos. Quando nos metemos a fazer aquilo de que não gostamos, não fazemos bem. Quando fazemos o que amamos, fazemos lindamente. Quando alguém vai para a cozinha porque gosta de cozinhar – não sei quem viu o Masterchef ontem à noite – é outra coisa.

O primeiro ponto da metodologia do Sirolli é: avaliar aquele que quer empreender. Segundo ponto é: ajudá-lo a entender que nesse tripé de sucesso, se ele não tiver, ele precisa saber que ele não terá as três áreas de paixão na sua vida. Ele pode ter a paixão pelo produto que ele faz, ou pelo serviço que ele quer oferecer; ele pode até ter uma paixão de fazer o marketing, mas não terá a da parte econômica. São dois diferentes tipos de personalidades.

Então, quando a gente força o empreendedor a fazer todas as áreas, uma delas vai falhar seriamente. E uma delas falhando, o negócio vai abaixo.

Um pequeno exemplo de uma companhia que estava, aparentemente, dando certo! Nós trabalhamos com eles no norte da Califórnia. Esse senhor tinha um local de Café, e estava sempre cheio de gente. Mas, no final do mês, sempre perdendo cerca de US$ 1.000,00. Foi-se fazer assessoria com ele para descobrir o que estava acontecendo. Ele achando que precisava de mais marketing para vender mais café.

E a pergunta simples foi: quanto lhe custa fazer cada copo de café? A resposta dele: Custa US$ 0,75. E, aí, o esperto, o que é capaz de entender os custos, começou a fazer-lhe perguntas sobre como ele chegou à conclusão de US$ 0,75; e quanto que ele cobrava. Ele cobrava US$ 1,50, ou seja: 100%! Aparentemente, lucrando! Mas chegou-se à conclusão de que cada copo de café estava lhe custando US$ 1,55! Quanto mais café ele vendesse, mais ele perderia.

Com um ajuste de US$ 0,10, o café dele continuaria bom? O cliente não reclamaria? Ele passaria a deixar de perder US$ 1.000,00 e passaria a ganhar!

Porém, o empreendedor que não entende que ele precisa de outro, ele acaba sendo sufocado, acaba pressionado; aquilo que ele ama fazer, acaba sofrendo, porque ele já não tem tempo. E com a pressão, ou do marketing, ou das finanças, ele perde a sua capacidade.

Então, a metodologia do Sirolli é voltada para: acessar o empreendedor; ajudá-lo a conhecer a sua paixão; e criar, junto com o empreendedor uma equipe de pessoas – uma, pelo menos uma a mais – que vai estar ao lado dele para que o negócio dele seja bem-sucedido.

Trabalhei com o Instituto Sirolli no norte da Califórnia, por vários anos. Experimentei ver as mudanças, em negócios que até já estavam estabelecidos há muitos anos. Quando você começa a avaliar esses negócios que estão sobrevivendo, o dono já está quase que pagando para manter o seu trabalho vivo, porque não sabe mais para onde ir. No final, esse dono desses negócios, de vários negócios, em existência por muitos anos, estava custando para manter, simplesmente, por falta de entendimento desse tripé de transformação econômica.

Deixem-me terminar dizendo que, estando de volta ao meu Brasil, creio que, há alguns anos, eu tenha visto que a ONU, fazendo uma avaliação de empreendedorismo, coloca o Brasil em primeiro lugar. Eu creio que nós temos a capacidade criativa, como brasileiro, como ser humano. Temos sido forçados a sair à busca de negócios, buscar maneiras de sairmos da nossa situação econômica! Mas eu creio – eu quero crer, eu continuo crendo – que nós podemos entender que não devemos fazer sozinho; que empreendedorismo em equipe é melhor; que empreendedorismo vai trazer o sucesso que esperamos!

Temos contra nós uma grande desconfiança, falta de confiar um dos outros. Contudo, creio que, estabelecendo um processo em que existe um facilitador de empreendedorismo, que vai trabalhar e criar o processo, e a equipe junto com o empreendedor, nós podemos encontrar saída para que o empreendedorismo, no Brasil, no Rio de Janeiro, possa ser saudável, feito em equipe e bem-sucedido, porque os números do Instituto comprovam que é melhor quando ele é feito nesses termos, que parecem ser mais uma filosofia de trabalhar junto, de amizade, do que aplicação para negócios. Quando estamos trabalhando em confiança, com parceiros que estão na busca, é sempre muito melhor do que quando estamos sozinhos. Isso, em tudo na vida. Pensem bem se não é!

Espero poder trazer, então, para o contexto do empreendedorismo, em nossa Cidade, em nosso Brasil, essa metodologia que, quiçá, para muitos não seja nova, mas a “praticalidade”, o treinamento e o processo estão disponíveis. Aqueles que têm acesso ao YouTube podem entender melhor. Existe uma palestra do Doutor Ernesto Sirolli, o fundador, no chamado TED Talk, que mais de 2 milhões de pessoas assistiram. Se você quiser ver essa palestra, você pode entrar no site: http://www.e3brasil.com.br e ali você pode ver a palestra que está legendada em português e entender melhor o conceito que estou apresentando hoje à noite.

Uma vez mais, muito obrigado ao Marcos Dias; muito obrigado ao Vereador Zico Bacana; muito obrigado à Mesa; e a todos vocês, pela oportunidade de falar sobre esses princípios diante de vocês.

Obrigado.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Nós é que agradecemos. Muito obrigado, Professor Wainer.

Passo a palavra a Maria Cláudia Vianna, gerente do Programa Nacional de Educação Empreendedora do Sebrae.

A SRA. MARIA CLÁUDIA VIANNA – Retomando a linha, quem quiser se aprofundar no que o Sebrae está fazendo dentro do Programa Nacional, basta acessar o portal www.sebrae.com.br.

A iniciativa que o Sebrae teve em disseminar a cultura empreendedora já dentro das escolas vem complementar a educação que, naturalmente, eu não tive quando eu me formei, ou seja, a atitude empreendedora em sala de aula. Há ainda no Brasil uma forma cartesiana de aprendizagem e a gente vem trazer metodologias de aprendizado mais ativo, em que são estimulados comportamentos empreendedores desde a infância. Acreditamos que, com isso, o jovem, quando estiver na vida madura, tenha oportunidades de um alto emprego ou mesmo de conquistar uma vaga no mercado de trabalho.

Como é, então, que o Sebrae atua, na prática? O Sebrae forma parcerias com as instituições de ensino. A gente não tem professores para atuar nas salas de aula. Então, a gente tem um grupo de consultores habilitados nessas metodologias e formata-se uma parceria com a instituição de ensino, capacitam-se os docentes que são selecionados por essas instituições parceiras para que eles, então, multipliquem essas metodologias aos seus alunos.

Desde 2014, quando o Programa Nacional começou a rodar no Brasil. Já temos um número fechado, até 2016, de mais de 2,2 milhões de alunos capacitados nos três níveis de ensino. A nossa capacitação, até o momento, tem sido feita de forma presencial, ou seja, transfere-se a metodologia ao professor em sala de aula e este a executa também presencialmente. O Sebrae está trazendo algumas formas de tradução dessa metodologia também a distância. Para não ficar só na base presencial, é importante, também, que se consiga traduzir isso a distância. Uma grande referência do que a gente já trabalhou a distância foi o antigo Pronatec Empreendedor, em que o Sebrae, para o ensino médio técnico, criou também a metodologia de ensino a distância. A gente capacitou os professores a distância e eles, então, puderam repassar aos alunos presencialmente.

Falei em 2,2 milhões, no Brasil, de 2014 a 2016. Foram mais de 50 mil professores capacitados. Só no Rio de Janeiro, em 2016, capacitamos 12 mil alunos, sendo a maioria no ensino médio técnico. Agora, com o fim do Pronatec Empreendedor, a gente vai continuar trabalhando com esse segmento de ensino, mas sem a chancela do Pronatec, mas trabalhando com a educação profissional.

Então, a ideia do Sebrae é cada vez mais fortalecer as parcerias diretamente com as escolas, em âmbito municipal e estadual.

Muito obrigada.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Muito obrigado. Passo a palavra, então, para a Senhora Geovana Silva, Coordenadora de Projetos Sociais da Pastoral do Menor.

A SRA. GEOVANA SILVA – Trouxemos um relatório anual, que vem falando um pouco da Pastoral do Menor, uma das pastorais sociais da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Ela tem como missão, que vem das diretrizes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), trabalhar e promover ações para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

A página sete do relatório que distribuímos tem o território de atuação da Pastoral do Menor. Atendemos, hoje, 152 comunidades favelizadas da Cidade do Rio de Janeiro. Todo o trabalho da Pastoral passa pela questão econômica, pela geração de renda. Trabalhar com a criança e com o adolescente significa ter como pano de fundo as famílias e essas comunidades que são atendidas pela Pastoral.

Em um panorama geral, temos oito programas interligados. Vou citar, aqui, alguns.

O Programa Pleitear visa a atender crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social no contraturno escolar, com parceria com o Exército e a Marinha. Temos sete unidades da Marinha e duas unidades do Exército. Ou seja, essas crianças de áreas favelizadas participam no contraturno escolar, dentro desses espaços que têm convênio com a Arquidiocese do Rio de Janeiro. O que eles fazem? Esporte, alimentação, palestras com um cunho educacional de preparação para o mundo do trabalho. As ações empreendedoras perpassam pelo contexto de discussão com essas crianças e adolescentes. No ano de 2016, tivemos 982 participantes desse projeto.

Numa segunda etapa, a formação para esse mundo do trabalho é a aprendizagem. Então, o Pleitear tem duas vertentes. Uma das vertentes é a iniciação no mundo do trabalho, que é a aprendizagem. A Maria das Graças Escóssia vai falar com mais detalhes sobre o acompanhamento da aprendizagem.

É importante destacar que estamos pautados na Lei nº 10.097/2000, que fala do programa de aprendizagem. A Arquidiocese é habilitada pelo Ministério do Trabalho e Emprego para exercer a função de entidade capacitadora. A prioridade dessa capacitação é do Sistema “S”. Como não conseguem suprir, aí vêm secundariamente as entidades e as organizações sociais. Por isso, a arquidiocese é habilitada para fazer essa capacitação.

Nós estamos aí, há alguns anos, fazendo esse caminhar, porque essa criança das áreas favelizadas que entra lá nas unidades militares visa à geração de renda. Ela visa, junto com a sua família – que vive, em sua maioria, em extrema pobreza – a gerar renda e sair dessas condições. Então, começa em um projeto que vai envolvê-la em ações, com preparação postural para o mundo do trabalho ou para ações empreendedoras.

Nós temos também um espaço no Centro Sócio Esportivo Comendador Armindo da Fonseca, em Madureira, que é um espaço comunitário de atendimento à criança e adolescente e suas famílias. Em que contexto? De atividades lúdicas e pedagógicas. As famílias solicitaram à Pastoral do Menor da Arquidiocese do Rio de Janeiro algumas ações de geração de renda. Nós temos lá o Senac capacitando as famílias para geração de renda com os cursos. Hoje, nós vamos começar o curso de doces e salgados, solicitado pelo Complexo do Fubá, nas comunidades atendidas pelo Centro Sócio Esportivo Comendador Armindo da Fonseca. Temos informática, esporte, complementação escolar, pensando o tempo todo na promoção humana dessas pessoas e da população.

Nós temos o Programa de Inclusão Digital, que são escolas de informáticas dentro dessas áreas favelizadas, muitas vezes vinculadas à paróquia. Mas não significa que para fazer curso lá tem que ser católico, porque isso fere a Constituição Federal. Nós atendemos todos os segmentos: crianças, adolescentes e as suas famílias. Nós tivemos, no ano de 2016, 2.788 pessoas capacitadas. Essas pessoas geram renda – muitas vezes, com ações empreendedoras. É uma ferramenta que vai prepará-los para o mercado de trabalho, porque sem a tecnologia da informação, a informática, é muito difícil uma inserção. Também, alguns já conseguem gerar renda na sua própria comunidade, seja imprimindo os currículos, trabalhos, ou utilizando essa ferramenta para geração de renda de alguma forma.

Nós temos um projeto específico, que é uma ação com famílias, porque nós acreditamos que a criança e o adolescente estão em um contexto familiar. Essa família pode ser de diversos arranjos familiares. Então, nós temos uma psicóloga que faz um trabalho específico com essas famílias e também com os agentes da Pastoral, que são aqueles que voluntariamente vão captar esses jovens, essas crianças, e fazer o acompanhamento deles ao longo do processo.

Nas famílias, com os agentes da Pastoral, nós temos algumas ações, também, de empreendedorismo, vendendo produtos, seja na Feira da Providência – que é um espaço que nós utilizamos também para que essas pessoas possam vender os seus produtos –, seja nas suas próprias comunidades, desenvolvendo ações diversas de geração de renda.

Nós temos o Passaporte da Cidadania, que é um projeto voltado para criança e adolescente em situação de rua. Hoje o projeto está na Praça Sáenz Peña atendendo através da ludicidade, para que essa criança e esse adolescente sejam atraídos e para que possamos acionar os equipamentos públicos para reinserção familiar desses jovens. Temos um que quer vender batatas na Praça, no Largo do Machado. Nós temos um grande desafio. Não conseguimos legalizar. Nós já conseguimos a ferramenta para que ele possa gerar renda. Ele saiu da rua. Nós estamos encontrando dificuldade na Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro para esta licença. Estamos lutando desde dezembro para que ele possa gerar renda vendendo e para que isso seja fruto do seu trabalho. A questão legal também é um fato impeditivo em muitas situações.

Nós temos uma Unidade Móvel de Saúde Bucal, que faz atendimento nessas 152 comunidades a essas famílias, para que possam buscar os seus espaços no mercado de trabalho. Um dos cartões de visita é a questão odontológica: ter os dentes. Temos dificuldade de acessar esses serviços nos equipamentos da Prefeitura e do Estado.

Nós temos, também, assistência religiosa aos adolescentes privados de liberdade, ou seja, um acompanhamento junto aos adolescentes que estão no Degase (Departamento Geral de Ações Socioeducativas).

Eu falei, grosso modo, dos diversos projetos da Pastoral do Menor, para que se possa falar agora especificamente da aprendizagem. Como esses 125 jovens, em 2016... E aí vocês vão perguntar: “Mas é muito pouco diante do contexto do Rio de Janeiro, não é?” Nós tivemos uma defasagem com essa crise. As empresas não aceitaram mais jovens por conta das suas demissões. Então, tivemos uma redução do número de aprendizes nas empresas, porque o cálculo é feito através de um percentual do número de funcionários.

Digo para vocês que esse tema é superimportante para a Pastoral do Menor da Arquidiocese do Rio de Janeiro, nos diversos projetos em que nós atuamos, que estamos desenvolvendo, mas também para as outras pastorais sociais da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Queremos pensar melhoria da qualidade de vida, pensar na promoção humana através da geração de renda, através não só dessa inclusão em programas sociais, mas que a gente possa, de fato, fazer com que essas pessoas que vivem a situação de pobreza consigam sair dessa condição pelo fruto do seu trabalho, vendendo a sua força de trabalho e construindo outras estratégias.

Nós estamos à disposição para essa discussão e para as demais e nos colocamos também à disposição para as visitas e acompanhamento.

Vamos agora ao recheio do bolo. Como é a aprendizagem da Arquidiocese do Rio de Janeiro e da Pastoral do Menor? A Maria Escóssia é a psicóloga que brilhantemente desenvolve esse trabalho lá no Complexo do Fubá.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Antes de passar a palavra para a Dona Maria Escóssia, quero dizer que nós já estamos com as inscrições abertas. Quem quiser falar levanta a mão que alguém vai aí, ou então se dirija ao Cerimonial para se inscrever e fazer uso da palavra.

Com a palavra, Maria das Graças Escóssia de Oliveira, psicóloga do Programa de Aprendizagem da Pastoral do Menor da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

A SRA. MARIA DAS GRAÇAS ESCÓSSIA DE OLIVEIRA – Boa noite.

Como Geovana já falou sobre o nosso programa, eu vou falar especificamente sobre o Jovem Aprendiz, que é a segunda parte do Programa Pleitear. Hoje nós contamos apenas com um curso. Estamos tentando legalizar outros.

Desde 2010, a Pastoral do Menor começou nesse mercado de aprendizagem, em que o jovem, junto com a empresa, se forma para ter a inserção no mercado de trabalho. Ou seja, eles passam quatro dias da semana na empresa, com supervisão de todo seu trabalho; e uma vez por semana eles vão, no mesmo período de quatro horas, a Campinho, onde eles têm o curso técnico. Vamos fazer uma demonstração:

(É feita uma apresentação de slides)

A SRA. MARIA DAS GRAÇAS ESCÓSSIA DE OLIVEIRA – Aí é a parte da seleção. O que acontece? Quando a empresa nos abre uma vaga, nós entramos em contato com os outros projetos, com todas as comunidades, os 29 agentes de Pastoral, e informamos sobre esse processo seletivo. Eles, então, vão mandar os adolescentes de 16 até 22 anos incompletos, que são as idades para as quais temos permissão, para essas seleções. Sempre participamos – eu como psicóloga; a Francisca como assistente social; e um representante do RH da empresa – e é sempre acordado quem é aprovado ou não entre nós.

Essa é uma frase que usamos muito, de um psicólogo Gestalt-terapeuta. Ele diz que, ao encontrar sentido para os eventos da vida, a pessoa pode se apropriar de suas experiências e se tornar capaz de ser responsável pela construção da sua história. Hoje, para nós da Pastoral, isso é muito, muito verdadeiro. Temos jovens, como, por exemplo, o Luiz, um menino baixinho e magrinho. Seu primeiro salário – a bolsa que recebem – foi para colocar telha e janela na sua casa. Hoje, ele está terminando Recursos Humanos e foi um dos contratados pela empresa. Então, é muito gratificante.

Agora estamos mostrando como são ministradas as aulas. Tentamos ao máximo fugir do padrão escola, mas é claro que, em certos momentos, não há como fugir. Eles têm aulas de português, matemática, sustentabilidade, administração e todas as técnicas administrativas. Para incentivar, inclusive, o interesse deles na área da educação, instituímos o Vale Saraiva. No início, foi simplesmente engraçado. Na primeira vez que aconteceu, foi engraçado, mas começamos a perceber que aqueles que não ganharam começaram a lutar. Então, foi um orgulho muito grande ver que, quando houve a formatura, o último aluno, que ficava sempre em último lugar, acabou entre os 10 primeiros. Não demos o Vale Saraiva a ele, pois não teve direito, mas ele também ganhou um prêmio. Isso é muito gratificante para a gente.

Também fazemos passeios com eles: passeios educativos para que eles se apoderem da sua cidadania. Fomos ao Museu do Amanhã, à Nave do Conhecimento, em Madureira, e ao MAR – Museu de Arte do Rio –, sempre junto com os educadores. Depois, os professores fazem todo um trabalho relacionado a isso. É muito interessante, porque, quando entram, eles passam olhando com cuidado. A gente diz: “O que houve?” e eles falam: “Nossa, é bonito aqui”. E você diz: “Sabia que isso é de vocês?”. E até hoje, com muito orgulho, nunca tivemos uma reclamação de nenhum local visitado.

Eles começam a aprender, a ver que aquilo é deles e que eles têm possibilidades de evoluir. Estava, inclusive, falando com o Wainer hoje como é engraçado. Quando entram, fazemos uma pesquisa com eles. Para eles, quando vêm de comunidade, quem termina o ensino médio é o máximo. Quando começam a ter contato não só conosco, mas também com as empresas, isso modifica. Então, hoje já temos alunos formados em Serviço Social, Psicologia, Administração, Farmácia. Isso é muito interessante.

Dentre as atividades, eles são também levados ao Feap – Fraternidade Espírita Amor e Paz. Esses são os últimos que ganharam Vale Saraiva, e é interessante, porque agora também ampliamos a nossa biblioteca a pedido deles. Cada vez mais eles têm procurado pegar livros para ler, e isso é bom. Nós, inclusive, mostramos que eles passam a ter mais conhecimento e as suas probabilidades no mercado aumentam muito.

Isso foi na Feap, quando fizemos uma apresentação. Ali estão as empresas que participaram, empresas coligadas nossas, e os alunos. Ali tínhamos alunos atuais e alunos que foram nossos e hoje fazem parte da empresa. São eventos de educação, em que eles sempre passam para os outros tudo que foi aprendido. Essa é uma frase que nós temos lá muito interessante: “Não acredite em tudo que vê, muito menos no que ouve”. E a gente diz o seguinte: “Lembre-se de que até o sal tem a mesma aparência do açúcar”. Então, de várias formas eles podem ser tentados, mas que eles verifiquem bem a diferença. Hoje nosso saldo é positivo nesse sentido.

Só para falar o nosso quadro hoje. Desde que nós iniciamos, para vocês terem uma ideia, já houve 539 jovens aprendizes e 209 concluíram o curso. Eles abandonaram? Não. Alguns sim, por vários motivos: viagem, doença, estava interferindo no rendimento escolar e muitos, também, foram contratados antes do término. Nós temos 217 – isso dá quase 40% de todos esses jovens que entraram no programa Jovem Aprendiz da Pastoral do Menor – que hoje estão empregados, têm carteira assinada. Ou eles foram efetivados nas empresas onde fizeram aprendizagem ou, graças ao nome dessa empresa e a todo o programa, estão em outras empresas. Inclusive em concurso público nós temos. Nós temos 49 que ainda são universitários. São 39, através de concurso, que entraram para as Forças Armadas: Marinha, Exército, Aeronáutica, e que seguem carreira. E 51 participam de cursos extras: com o salário que recebem, pagam um curso a mais.

Nós ainda temos, também, jovens que, como a Geovana falou, montaram seus negócios em suas comunidades. É pena que não dá, senão mostraria a vocês uma gravação que nós temos. Nós temos um que montou uma pizzaria, e hoje ele mesmo veio dizendo, agradecendo, porque vem ultrapassando as suas metas. Nós temos aqueles que se uniram para mexer com informática. Temos aquele que a mãe cozinhava bem, então ele começou um negócio e está hoje servindo e vendendo doces e salgados.

Então, tudo isso nos leva a crer que o que nós estamos fazendo é muito válido. Eu acho que acreditar neles é muito importante, porque muitas vezes eles são vistos de maneira estranha pelo lugar de onde vieram. Nós, todas as quartas-feiras, fazemos visitas às empresas. Isso é um diferencial da Pastoral. Nós vamos conversar com todos os supervisores, vamos fazer um levantamento do comportamento dele, do que é necessário, do que não é. Isso é muito importante, porque as empresas se sentem também apoiadas e eles também se sentem apoiados.

Eu poderia falar aqui por 10 horas, porque uma paixão que eu tenho muito grande é esse programa. Mas eu gostaria de deixar apenas uma palavrinha no final: os adolescentes consideram-se maduros e não gostam de dar satisfações, mas precisam, e o ideal é fazer com que isso aconteça naturalmente, sem a necessidade de cobrar explicações. Se os adolescentes forem tratados com respeito, geralmente retribuem da mesma maneira. O importante é dar espaço para que o adolescente desabafe, partilhe, sem que sinta medo de ser julgado. E, hoje, essas palavras são muito verdadeiras para nós. Nós vemos isso no dia a dia.

Então, por favor, quem puder cada vez mais investir no empreendedorismo desses adolescentes que o faça, porque eles são maravilhosos e os resultados são muito bons.

Muito obrigada.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Muito obrigado.

Abrindo, então, para a palavra na Tribuna, queria convidar o Senhor Marcos Dias, Chefe de Gabinete do Vereador Zico Bacana, que também é membro da nossa Comissão Especial. Infelizmente, o Vereador hoje tem um problema de ordem pessoal e não pode estar aqui, teve de ir mais cedo.

Queria convidar o Marcos, para que fizesse uso da palavra.

O SR. MARCOS DIAS – Senhor Presidente, senhores que compõem a Mesa, boa noite. Boa noite a todos.

Em uma semana, é a segunda vez que subo a esta Tribuna; estou ficando acostumado, Presidente. É muito emocionante participar de um debate como este. Confesso ser o primeiro debate de empreendedorismo que participo e, ao longo dos meus 45 anos, eu tenho grandes experiências para compartilhar sobre empreendedorismo. Vários cases de sucesso e de fracasso, justamente por não ter tido orientação sobre pilares importantes que foram falados nesta noite, como organização e coisas simples como calcular o lucro e o custo do seu negócio.

Este Debate é uma iniciativa brilhante do nosso Vereador que preside a Sessão, junto com o Vereador Alexandre Arraes e o Vereador Zico Bacana, que, como já foi justificado, não pôde comparecer. Por se tratar de Município do Rio de Janeiro, é de tamanha importância que, após esse Debate e outros que virão, seja encaminhado ao Executivo uma visão de necessidade no investimento do jovem e do adolescente – é de essencial necessidade.

Ainda ontem, eu estava passando pelo prédio fechado da Gama Filho e fiquei imaginando que desperdício aquela estrutura toda abandonada quando alguém poderia encampar para fazer ali uma incubadora de negócios. Nós temos na Zona Norte um lugar ideal – não sei quais seriam as questões burocráticas – para termos incubadoras de projetos e de ideias novas e orientação de como conduzir. Eu estive em algumas viagens mundo afora e uma das grandes experiências que tive foi no Kibutz – que significa “união”, “juntos” – em Israel. Ali, o jovem tem toda a lição de trabalhar em conjunto pelo êxito.

Existe a necessidade de orientação. Eu percebo muito, falando rapidamente, que os meus grandes erros nos meus negócios – eu sou funcionário público, mas gosto de ter negócios paralelos – foram por não ter orientação de cada etapa de negócio. Você abre um negócio hoje, mas já abre dependendo daquilo para comer, o que é um erro absurdo. Por que aconteceu isso? Porque eu não fui orientado. Eu tenho certeza de que eu pude aprender, e aprendi na pancada da vida, no sofrimento, e tenho tido sucesso. Mas nem todo mundo tem essa chance de acertar com o tempo, e nós vemos muitas pessoas com potencial muito grande para oferecer, porém mal aproveitadas.

Tudo o que os palestrantes já falaram nesta noite são necessidades reais a serem implementadas na rede de ensino. Se não for na rede de ensino convencional, que criem fóruns e debates sempre constantes na nossa Cidade, porque certamente temos vocação para o sucesso. O Rio de Janeiro é uma Cidade com vocação internacional para o sucesso, se nós tivermos o cuidado por parte do Executivo e se primarmos por esse cuidado e investimento no jovem e no adolescente, sem esquecer também dos maiores de idade.

Tenho certeza que, brilhantemente, o nosso Vereador Cláudio Castro e a relatoria desta Comissão vão levar isso à frente. O que está acontecendo? Muitas pessoas, depois de 45 anos, quando perdem o emprego, não conseguem mais colocação no mercado. Então, o empreendedorismo também é muito importante de ser debatido para esse pessoal que está ficando desamparado. A pessoa que trabalha em uma instituição até 40 ou 50 anos e depois é dispensada, o que ela vai fazer? Ela fica sofrendo, porque tem que levar o sustento para casa. Percebo que existe uma necessidade muito grande com o adolescente, com o jovem, trazendo na essência da formação, mas também não podemos nos esquecer, Vereadores, do cuidado com as pessoas que estão perdendo oportunidades no mercado de trabalho.

Eu vou sintetizar, mas a minha vontade é de falar muito; estou empolgado. Eu aprendi muito nesta noite. Encerro a minha fala parabenizando a iniciativa e a todos que participaram deste Debate.

Boa noite.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Muito obrigado.

Com a palavra, o Senhor Anderson Graniço, consultor.

O SR. ANDERSON GRANIÇO – Boa noite. Saúdo a toda a Mesa.

Gostaria de comentar sobre a fala da Pastoral do Menor no que diz respeito ao empreendedorismo. É uma coisa muito constrangedora ouvir da Pastoral do Menor que não há uma retribuição do Poder Público. Consegue-se até formar empreendedores dentro do Município, mas não conseguimos transformá-los em empreendedores de uma forma correta, porque há a ausência do Poder Público nessa ação. Quero dizer que já fui empreendedor em vários outros segmentos e já fui frustrado em vários deles, talvez por não ter tido o apoio ou uma base de sustentação para tudo isso.

Gostaria de me dirigir à Senhora Geovana e perguntar o que o Poder Público pode fazer, através desta Comissão Especial sobre empreendedorismo, para ajudar na Pastoral do Menor. Na verdade, essa é uma pastoral social da nossa Igreja Católica, da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Queria saber também como a Pastoral do Menor pode entrar em contato com todos esses cidadãos que estão aqui e que querem ser empreendedores nesta Cidade.

Obrigado.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Muito obrigado. Pode responder, Geovana.

A SRA. GEOVANA SILVA – Agradeço mais uma vez pela atenção e por pensarem um pouco nessa pastoral social no que diz respeito a esse tema. A Pastoral do Menor é uma das pastorais sociais da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Acho que é um tema que perpassa todas as pastorais e todas as ações, não só da Igreja Católica. Gostaríamos de discutir isso mais de perto. Temos o público. São diversos adolescentes, diversas famílias. Precisamos saber como fazer com que, de fato, essas famílias e essas comunidades consigam gerar seus recursos, fazer todo esse processo.

Espero que a gente possa, em parceria com os senhores, proporcionar capacitação e orientação para que esses negócios não cheguem a falir. A gente vive um momento especial de crise no Brasil. Que essa crise econômica e de valores possa ser traduzida em ações concretas.

Estamos abertos para as parcerias, tanto de capacitação desses grupos, como também de operacionalização e sinalização dos pontos em que a Prefeitura está falhando. Não conseguimos a licença para um adolescente. Temos o número do processo, temos todo o caminhar, desde dezembro, mas ele ainda não conseguiu colocar para funcionar sua barraca de batata frita. Temos diversos caminhos e estamos dispostos a caminhar com os senhores.

Muito obrigada.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Agora, com a palavra, o Senhor Apolo Lira, diretor da ACE.

O SR. APOLO LIRA – Boa noite. Obrigado pelo convite. É a primeira vez que venho à Câmara, e por um motivo tão nobre, que é discutir empreendedorismo.

Vou contar rapidamente a minha história. Pode não parecer, mas tenho 28 anos. O empreendedorismo também acaba com as pessoas. Tudo tem a ver com pressão, impacto, dedicação ao que você se propõe a fazer. Agora o meu relato: criei uma startup aqui no Rio, que se chama Nutrebem. Na verdade, eu criei um cartão de alimentação pré-pago em que os pais podem colocar créditos para que os filhos possam usá-lo dentro do colégio. Não sei se o colégio de alguns já tem isso, provavelmente sim. É uma ideia de seis anos atrás.

Eu comecei a desenvolvê-la e já captei R$ 12 milhões em fundos de investimento, com sócios. Hoje temos mais de 22 sócios. É uma experiência brilhante, uma jornada sensacional, mas a paixão de que estamos falando aqui é determinante para que nós consigamos fazer, diante de todos os desafios. Eu me lembro do meu pai me falando que, se quiséssemos ter uma empresa, a primeira coisa que teríamos de ter era um contador. E, hoje, se você me falar para termos uma empresa, a primeira coisa que eu vou olhar é a equipe, quem vai estar comigo no barco para entendermos qual será o desafio, o que vamos conseguir fazer.

Hoje a Nutrebem movimenta em torno de R$ 50 milhões por ano nos cartões que eu criei, com mais de 120 mil alunos usando. Por enquanto, só está na rede privada no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Sul do País. Tem uma pegada de nutrição muito forte. Foi uma coisa que vimos que era fundamental. Hoje o pai também pode bloquear um alimento para o filho não consumir. Enfim, é uma empresa fantástica.

Como em qualquer processo de amadurecimento, eu aprendi que a dificuldade de você criar e manter uma padaria é tão grande quanto a de ter captado R$ 12 milhões. Não é menor. É tão difícil quanto, porque funcionário vai faltar, ele é caro, há um custo muito alto para administrar o negócio inteiro, você tem que funcionar de domingo a domingo, o pão tem que estar pronto às 6h30. Óbvio que são desafios diferentes dos que eu tinha, mas são tão grandiosos quanto.

Uma coisa que percebi nessa trajetória é que o empreendedor também precisa amadurecer conforme o tempo do negócio, e o meu negócio foi criado para amadurecer mais rápido. Então, eu mesmo não tinha mais condição de gerir uma empresa que vale R$ 40 milhões, com 28 anos. Era impossível fazer isso e eu saí da empresa no ano passado. Pensei no que iria fazer para poder me dedicar ao empreendedor e ao empreendedorismo. Então eu descobri a ACE, uma aceleradora de startups. Lá, nós temos contato o tempo inteiro com empreendedores, pessoas que começam uma ideia. Fazem um MVP, o mínimo produto viável; ele prova um conceito e depois começa, de fato, a crescer.

E qual a diferença da aceleradora para o caminho que eu percorri? O meu caminho foi muito mais doloroso, como percebido na fala de outros. Meu caminho foi muito mais na tentativa e erro para conseguir aprender; e obviamente você gasta muito dinheiro com isso; não só dinheiro como tempo; e você acaba se frustrando. A aceleradora consegue tirar um pouco isso do empreendedor. Você consegue ter um pouco mais de mentoria, acesso a capital, etc. É possível. Eu captei esses R$ 12 milhões e não conhecia ninguém. Eu entrei mandando um e-mail com o projeto que eu criei. Meu primeiro aporte veio do Gávea Angels, uma associação de investidores anjos do Rio. Então, é possível fazer.

Há alguns meses, eu estava em São Paulo com o fundador da empresa Nubank, que é uma startup de ponta no Brasil. Ele não é brasileiro, é americano – se não estou errado – e trabalhou em um dos maiores fundos de investimento dos Estados Unidos. Ele veio para cá justamente para empreender. Esse fundo investiu quase R$ 500 milhões na Nubank. Quando eu o perguntei por que ele saiu dos EUA, que todos dizem ser um mar de rosas, e o que ele estava fazendo aqui, ele simplesmente me falou que as pessoas não têm a dimensão da quantidade de oportunidades que existem no Brasil. Falta muita coisa. Como falta muita coisa, é possível que o empreendedor consiga mobilizar um local, talvez uma área um pouco maior, até mesmo uma cidade, uma região e o País inteiro. Eu acho que esse tipo de força, bem canalizado, vai, de fato, conseguir vencer qualquer desafio.

Então, acho que as minhas palavras, aqui, são muito mais de estímulo, por realmente acreditar na força jovem. Acho que a gente está passando por um momento complexo. Há relatos de pessoas que acabaram de se formar nas melhores universidades do País e, quando chegam com a ideia dela na aceleradora, falam assim: “Cara, mas isso aqui não tinha nada a ver com o que eu aprendi nos meus últimos cinco anos; o meu desafio não é aquele”. Então, o jovem vai precisar se esforçar mais, porque o conteúdo não vai estar sempre à disposição no meio tradicional.

Para vocês terem uma ideia, tem um colégio no Rio que cobra mais de R$ 5.000,00 de mensalidade e, quando você vai ver o que tem na essência dele, existe uma coisa que é primordial e que define muito bem o empreendedor: é o nível de pergunta e onde você vai pesquisar. Em vez de as pessoas te falarem o que você deve fazer, você vai lá, entra na internet, procura a resposta, e você vai tornando isso um hábito de sua vida até o momento em que você consegue ser quase um “tudólogo”, podendo falar sobre muitos assuntos, porque você consegue ler sobre isso.

Então, eu acho que tem muita oportunidade. Acredito que o Poder Público esteja pensando nisso. É claro que a gente tem muitos impostos, aquela burocracia toda, é óbvio. A gente não vai conseguir mudar isso numa noite, talvez, nem em um ano; mas eu acho que falar disso já é muito importante e eu fico muito feliz. Eu vou levar essa mensagem para todo mundo que conheço.

É engraçado, pois eu conheço muitos empreendedores aqui no Rio e não vi ninguém aqui. Então, realmente a gente vai precisar aproximar muito o Poder Público do universo de startups, dos empreendedores e de quem está fazendo também empreendedorismo de ponta, social, tudo isso.

É isso. Obrigado, pessoal.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – E agora, com a palavra, o Senhor Carlos Antônio, empresário.

O SR. CARLOS ANTÔNIO – Boa noite aos componentes da Mesa. Boa noite, Senhor Presidente. Coloquei empresário na ficha, mas não é só isso. Somos tantas coisas na vida, não é? Mas ficou resumido.

Quero parabenizar, mais uma vez, o Vereador Cláudio Castro pela iniciativa. Já é a terceira reunião que eu faço questão de participar, porque é um tema tão importante, tão bacana. A gente tem que trabalhar não só a questão do empreendedorismo, mas o tema desse encontro: o primeiro emprego.

Aliás, queria, rapidamente, fazer uma saudação aqui para a Geovana para a Pastoral do Menor, por quem eu tenho um enorme carinho e o prazer de conhecer o trabalho realizado. Nós já fomos parceiros em algumas ações, principalmente de inclusão digital, com o Passaporte da Cidadania, com o ônibus que está lá na Tijuca, na Praça Sáenz Peña. Eu moro na Tijuca, passo lá e vejo lá o ônibus. Numa das vezes em que eu estive lá, estava com Dom Orani. Ele foi até lá com a ideia de multiplicar o ônibus, o Passaporte da Cidadania, que já faz um serviço belíssimo, mas tem uma dificuldade mesmo.

E, aí, a gente volta para essa questão de burocracia, não é? Se você pensar que até para parar o ônibus na Praça, quando eu estava na Prefeitura, a gente tinha uma grande dificuldade de conseguir autorização, mesmo em lugares que não têm movimento e que pode parar. Mas tinha uma burocracia, que eu sei que é necessária para o funcionamento do Estado, mas, nesse caso, exagerada.

Vejamos a história desse rapaz, o primeiro emprego, o primeiro negócio e tal. A gente tem vários perfis sobre o que você quer fazer com o jovem. O jovem ou vai ter seu primeiro negócio, buscar trabalhar; ou vai para o caminho empresarial, para ser um jovem aprendiz, para conseguir seu primeiro emprego.

Aliás, fico muito feliz de ver que o Sebrae continua participando das reuniões. É muito importante. O Sebrae é um grande parceiro, que faz um trabalho interessantíssimo. Desse eu não sabia, das escolas, é um trabalho muito legal, muito bacana.

Bom, vou ser breve. Sobre a ideia de você ter o jovem com o seu negócio, querendo legalizar, em que podemos ajudar para que a Comissão pense em ideias para facilitar esse caminho? Como é que vai facilitar o registro de um novo negócio? A Prefeitura já teve isso no passado, em um projeto chamado Empresa Bacana, que facilitava o registro de pequenas empresas, principalmente em comunidades carentes da Cidade. Mas como é que a gente facilita isso para o jovem que quer começar o seu negócio? Eu sempre fico na dúvida. Como é que faz para quem tem aquela barraquinha, ali, ou quer começar? Como é que conseguiu isso? Qual é a velocidade?

E não é só a questão de legalizar uma startup do jovem que quer começar um negócio e quer ser um empreendedor; como é que a gente capacita esses jovens, para que tenham um viés mais técnico? A Prefeitura tem um projeto que é o Forsoft-Rio, que já existe há alguns anos. Ele capacita jovens para serem programadores de computador ou trabalharem com a parte de redes de empresas como Cisco e Oracle. Alguns jovens já saem dali para empresas que são sensibilizadas a dar a eles o primeiro emprego, mas outros querem montar o seu negócio. Então, é um caminho, não é? Como é que se trabalha isso? Como é que a gente facilitaria essa inserção deles no mercado de ambas as formas?

Basicamente, eu me lembro de quando eu comecei a trabalhar. Primeiro eu trabalhei, queria ajudar a minha mãe. A gente tem aquela coisa de ajudar em casa e, então, fui vender chaveiros e coisas na rua há muitos anos. Em seguida, fui para o Banco do Brasil, que, na época, tinha um projeto de Menor Aprendiz. Com 13 anos, comecei a trabalhar no Banco do Brasil. Mas era uma outra época, em que você tinha uma facilidade. Parece que havia, eu não sei se existiam mais projetos de Menor Aprendiz como há hoje em dia. Eu não sei! Essa é uma questão.

Tinha o curso de datilografia no Senac, que, se não tivesse no currículo, não conseguia entrar no mercado. Hoje em dia, a gente tem essa questão de capacitar os jovens. É só para a gente deixar para a Comissão esse pensamento: como facilitar a legalização de novos negócios? Como sensibilizar mais as empresas ou mesmo as pequenas empresas? Não precisam ser empresas de grande porte. Mas, como é que a gente pode sensibilizá-las? Com algum tipo de desconto? Não sei. Diminuindo a tributação, para que ele absorva mais essa mão de obra desse jovem que está querendo entrar no mercado?

É isso!

Muito obrigado, boa noite.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Com a palavra, o Senhor Gabriel Guimarães, Coordenador da Juventude do Democratas do Rio de Janeiro.

O SR. GABRIEL GUIMARÃES – Eu gostaria de agradecer a presença de todos, novamente, e a dos Excelentíssimos Vereadores.

Eu tenho 18 anos. Como jovem, não posso falar com conhecimento de causa. No entanto, acredito que eu tenha uma propriedade por causa da idade. Este Debate Público trata-se muito mais do que apenas um debate. Ontem, nesta Casa, viu-se algo semelhante à Noite das Garrafadas, na época da Monarquia. Um verdadeiro retrocesso. Retrocesso no sentido de que aumentar tributação – numa ótica extremamente equivocada – pode gerar um aumento de receita. E é justamente o contrário! Portanto, esse Debate representa muito mais do que um simples encontro com a sociedade civil. Trata-se de um grito de resistência! Um grito do desespero! Que desespero é esse? O desespero da burocracia.

Discute-se em âmbito federal, estadual e municipal os malefícios que a burocracia traz para o nosso País. E isso já é muito antigo! E não vamos resolver isso neste ano, nem no ano que vem. O que nós, como população e juventude, devemos fazer para solucionar esse tipo de problema? A redução da carga tributária, e não o aumento do IPTU e do ITBI. Isso não! A redução da carga tributária, sim! Somente isso pode garantir o verdadeiro incentivo que nós, população e futuros empreendedores, precisamos na nossa Cidade.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Com a palavra, o Senhor Rodrigo Luz, jovem estudante da Uerj.

O SR. RODRIGO LUZ – Boa noite a todos, à Mesa, aos que estão aqui hoje!

Inicialmente, eu quero dizer que eu estou muito feliz com essa iniciativa, por estarmos debatendo, discutindo, sobre empreendedorismo no meio da juventude. Eu, hoje, venho representar não só a juventude da Uerj, mas também a juventude católica do Ministério Jovem, cuja equipe estadual integro.

Gostaria de dizer, inicialmente, que é uma oportunidade imensa para nós, jovens, estarmos aqui, com a oportunidade de falar ao microfone. Quero parabenizar vocês da Pastoral do Menor. Eu sou um desses números que vocês citaram, participei do processo seletivo para Jovem Aprendiz, fui efetivado. Meu primeiro emprego foi no CDPI, cuja foto está aqui: um jovem trabalhando lá. O Diogo trabalhou comigo, na época. Então, é uma alegria muito grande poder ver vocês aqui também.

Hoje, nós estamos aqui para falar sobre empreendedorismo, não é? Então, nada melhor do que pensar na minha história e na da juventude que eu também vejo nas ruas. Eu venho de uma comunidade carente, a Vila Kennedy, que é vítima da violência exacerbada.

Quero compartilhar com vocês não só a minha história, mas a história de dois jovens que muito me tocaram. Gostaria muito que eles estivessem aqui para falarem, com suas próprias, sobre essa história de empreendedorismo. Um dos jovens que eu quero citar é o Vitor.

O Vitor é um jovem que também cresceu na Vila Kennedy e tinha um sonho: mudar o mundo, como todo jovem. E ele começou fazendo a sua parte, ali na comunidade. Ele criou uma barbearia, conhecida, popularmente, como Barber Shop, onde há também serviços de bar, e outras funções, além das tradicionais. Ele não tinha como contratar profissionais da área para o serviço. O que ele fez? Basicamente, pegou alguns jovens que tinham talento de cortar cabelo e fazer barba.

O Diogo, por exemplo, era um jovem da minha rua, que botava, no quintal da sua casa, com um pequeno espelho, e começou a cortar o cabelo das pessoas que estavam interessadas por R$ 10,00. Ele pegou o Diogo e outros jovens nesta mesma situação, colocou dentro do espaço em que ele alugou, inicialmente, e começou a capacitar, dando um curso a esses jovens.

Hoje, o Vítor tem a barbearia chamada Dom Petrux, lá na Vila Kennedy, que é um grande sucesso! Pessoas de fora vão para poder utilizar os serviços. E o Diogo saiu da barbearia da Vila Kennedy e, hoje, trabalha numa barbearia profissional na Barra da Tijuca. Ele teve uma profissão a partir dessa atitude.

O que eu gostaria de trazer, aqui, como moral dessa história que eu venho contar, é como nós podemos pensar em empreendedorismo dentro das comunidades, utilizando das habilidades que os jovens têm e que muitas vezes o Poder Público desconhece. Basta apenas chegar; conhecer a realidade; identificar quais são os talentos; e, assim, promover capacitação, para que o jovem consiga ser inserido na sociedade.

Outro exemplo que eu venho trazer é o da minha amiga, estudante da Uerj, Carla Laiz. Ela teve o seu primeiro emprego como professora de inglês, que ela estudou desde os seis anos. Isso foi importante para dar a ela, não só o primeiro emprego, mas uma postura de cidadã, de trabalhadora, de pensar também empreendedorismo. Esse primeiro emprego da Carla gerou nela uma sede empreendedora de fazer outras coisas também. Então, hoje, a Carla tem uma loja virtual, trabalha com marketing multimídia. E agora também está começando os seus trabalhos para dar aula no YouTube, como professora de inglês.

O que eu quero trazer como moral da história da Carla é justamente o fato de que ela estudar inglês desde os seis anos, uma oportunidade que os pais puderam dar, deu a ela, aos 18 anos, a chance ser professora de inglês, o que é uma raridade hoje em nossa Cidade, em nossa sociedade.

Como a gente pode pensar, então, em chegar às comunidades carentes? Carla teve os pais, mas muitas pessoas não têm ninguém para ajudar a custear o curso. Como nós, pensando como Poder Público, podemos investir em cursos de línguas estrangeiras para capacitar os jovens aos seis, aos 10 anos, para quando chegarem aos 18, 20 anos, na idade do primeiro emprego, terem uma história de sucesso para contar e inspirar outros jovens, como a Carla? Devido à necessidade, muitas vezes, os jovens têm que entrar no mercado de trabalho até antes disso.

Para terminar, eu queria agradecer por essa citação do Papa Francisco que, na minha opinião, é hoje o maior incentivador de empreendedorismo junto à juventude. Ele diz o seguinte:

“Jovens, por favor, não se ponham na cauda da história. Sejam protagonistas, joguem no ataque. Chutem para frente e construam um mundo melhor, um mundo de irmãos, de justiça, de amor, de paz, de fraternidade, de solidariedade. Não deixem para os outros serem protagonistas da mudança! Através de vocês, entra o futuro no mundo. Também a vocês eu peço que sejam protagonistas da mudança. Continuem a vencer a apatia, dando uma resposta cristã às inquietações e políticas que estão surgindo em várias partes do mundo. Não olhem, da sacada, a vida! Mergulhem nela, como fez Jesus!”.

É assim que eu termino.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Com a palavra, o Senhor Mateus Teixeira, Coordenador da Juventude do DEM.

O SR. MATEUS TEIXEIRA – Boa noite a todos.

Quando entrei, não pretendia falar, mas ouvi tudo que a Mesa disse e isso me fez lembrar de uma experiência que me marcou muito, no ano passado.

Tenho apenas 18 anos e terminei o ensino médio. Era muito comum eu conversar com meus colegas sobre perspectivas de futuro. Numa ocasião, estava conversando com uma colega justamente sobre o empreendedorismo, ou seja, as chances que a vida nos dá e que, às vezes, nós não aproveitamos, ou não temos capacidade para aproveitar. Ela me disse então: “O empreendedorismo é um discurso muito bonito, mas é um discurso que não funciona.” Retruquei: “Não funciona? Por que não funciona?” Ela respondeu: “Porque isso é papo de livro de autoajuda”. E eu constatei, depois, que essa é uma mentalidade recorrente.

Foi uma situação que me deixou triste, porque eu constatei que o ensino médio brasileiro tem uma mentalidade servil, uma mentalidade que subjugou o nosso País por muitos anos. Desde que existe uma unidade nacional, o Brasil depende econômica, política e socialmente de outros países. O empreendedorismo, a meu ver, é a chave para que o Brasil possa se afirmar como Nação soberana. Essa é a verdade!

O discurso do Senhor Wainer me inspirou muito, porque a experiência que ele traz para o Brasil pode dar a nós, cariocas, mais uma vez, a oportunidade de levar para todo o País e ser a vanguarda da mudança política, econômica e social, como fomos muitas vezes: na Independência, na República, na Revolução de 1930. O Rio de Janeiro sempre foi o palco de grandes mudanças! Nós podemos e temos essa capacidade.

Este Debate prova a nossa capacidade, apesar de todas as dificuldades que temos no Rio de Janeiro com relação a vereadores, empresários e políticos que não estão interessados em beneficiar o povo, mas, sim, no benefício vazio, nos votos imediatos. Como o meu amigo Gabriel disse, é muito triste que tenhamos que fazer este Debate como um grito de resistência, por conta da má ação de nossos políticos cariocas. Mas tenho certeza de que, a partir disso aqui que está acontecendo hoje, grandes mudanças virão.

Então, quero agradecer muito a quem organizou, à Mesa, à juventude do Democratas, que me inspira politicamente, ao Vereador Cesar Maia, que hoje não faz parte dessa ação, mas que é um homem que me inspira muito politicamente, ao Bruno Kazuhiro, que é assessor dele, a quem considero como grande amigo. E quero agradecer a todos vocês que, nesta noite fria para nós cariocas, estão aqui presentes, fazendo parte dessa mudança.

Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Muito obrigado.

E, para finalizar, o Senhor Alex de Souza Oliveira, Presidente do Conselho Comunitário de Segurança da 9ª Área Integrada de Segurança Pública (AISP).

O SR. ALEX DE SOUZA OLIVEIRA – Boa noite a todos.

Desculpe, talvez, a minha voz esteja um pouco rouca, devido ao frio. Sou Alex de Souza Oliveira. Alguns me conhecem como Alex Brizola, porque estudei no “Brizolão”, na Fazenda Botafogo. Então, recebi esse codinome ou apelido. Enfim, quero dar boa noite a todos, saudá-los e agradecer por esta oportunidade.

Presidente, é muito louvável esse momento. Interessante, porque vivemos uma situação de segurança pública muito complicada no Rio de Janeiro. E empreendedorismo tem a ver com segurança. Mas o que tem a ver uma coisa com a outra, Alex? Quero, antes de tudo, dizer para os senhores que fui convidado da minha amiga Inês, que Deus a abençoe, que sempre tem me guardado e cuidado de mim, no PSC. E é uma benção na minha vida. Agradecer também à Mesa. A palavra das senhoras foi maravilhosa, quanto ao trabalho que vocês têm no Fubá, que também é nossa área. Representamos Madureira, Cascadura, Quintino, Marechal Hermes, Bento Ribeiro, todos os bairros que são da área do 9º Batalhão o Conselho de Segurança da 9ª AISP. Hoje estou Presidente do Conselho Comunitário de Segurança da 9ª AISP.

Entendo que empreendedorismo é sair da inércia, é fazer o movimento de tentar mudar alguma coisa, porque a gente para e pensa: muitas vezes, o nosso Estado literalmente se preocupa muito mais com as comunidades, com favelas, com morro, do que com o asfalto. “Ah, mas isso é um pouco de ciúmes”. Não, não são ciúmes. De fato, sei de casos, notícias de pessoas que saíram do asfalto e estão dando problemas na rua, quanto ao crime, ou à moradia, ou à droga; e não moravam na comunidade. E pessoas da comunidade que nunca deram dor de cabeça para o Estado.

Então, entendo da seguinte forma. Até não sei se pode ser colocada em pauta aquela questão. Porque, muitas vezes, a gente quer inventar, quer fazer coisa nova. E, de fato, já temos, lá, a gerência da Comlurb. E por que a gente não pega alguns jovens da comunidade, já que muitas vezes, a Comlurb não pode entrar na comunidade para fazer a coleta de lixo, e pega essas crianças, esses adolescentes, nesse Jovem Aprendiz, e coloca nele uma camisa coral, amarela, que seja, que identifique ele como aprendiz da Comlurb, e ele faça o trabalho da Comlurb. Como a gente tem visto agora, no Jacaré, a Comlurb não tem podido entrar.

Além de outras coisas, como conservação, já que já existe uma conservação na Prefeitura. Aí, digo para a senhora que, de fato, a gente passa isso, lá, no Parque Madureira, que já está em Honório, mas continua com o nome de Parque Madureira, porque é um logotipo. Ali, as empresas que têm lucro explorando o mercado alimentício, dentro do Parque, são só empresas grandes. Só deixam colocar o camelô. Então, esse camelô talvez pudesse ser um pai ou uma mãe daquela criança que não tem condições de pagar o inglês, como a nossa colega fez. Graças a Deus, que os pais puderam fazer.

Enfim, gente, muitas vezes, nós queremos fazer algo muito grande, quando, de fato, nós poderíamos começar pequeno. Podia começar bem pequenininho. Outra coisa que nós poderíamos fazer: nós temos falado na escola. Por que não se ensina sobre o CTB, o Código de Transito Brasileiro, na escola? Quando a criança completa 17 anos, faz uma triagem, para que ela possa receber uma habilitação com 18 anos. Eu, de fato, digo para vocês com toda sinceridade que aquele rapaz que tem cometido crime com 16, 17 anos, com aquele incentivo de, aos 18, ter a sua habilitação, não vai ter que andar ilegal de moto ou fazer qualquer outra coisa, trabalhar ilegal na pizzaria, ele com certeza vai ter estímulo para não fazer coisa errada. “Ah, mas Alex, de 1.000, só 10 vão conseguir...” Mas não menos de 10, entenderam?

Eu quero agradecer às senhoras e pedir que olhem um pouco mais para aquele cantinho ali do Cajueiro. Nós sabemos que está bem complicado ali e se pudermos levar esse projeto seria bom. Quero pedir ao Senhor Presidente que, assim, nas reuniões que houver, nas Audiências... Eu sei que o Sesi é federal. Mas foi fechado o de Honório. Como é que falamos em empreendedorismo, se estão fechando o que estimula? Estão fechando o que dá serviço, o que ensina. O Sesi fechou. Eu não sei quantas pessoas eram formadas ali, mas eram mais de 100 por mês – eu acredito que é muito mais.

Esse é o nosso pedido e agradeço a vocês por essa oportunidade. Quero dizer para vocês que nós temos reuniões mensais na área no 9º Batalhão. Estão todos convidados. A nossa próxima reunião é no Parque de Madureira. Quem quiser fazer parte da reunião, nós conversamos sobre tudo isso e tentamos levar para as autoridades, como essa questão de trabalho e trazer a polícia para dentro das escolas.

Quero dizer para vocês, também, com relação a essa barraquinha que esse rapaz não está conseguindo: fala para ele colocar a barraca, depois que tiver colocado e chegar alguém para tirar, ele fala: “Eu quero a minha autorização”, que aí eles vão dar um jeito de conseguir. É sempre assim. É diferente. Tem que botar primeiro o que está errado, para depois fazer o certo.

Gente, um abraço. Obrigado.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Vamos, agora, passar para as considerações finais, abrindo com a Senhora Geovana Silva.

A SRA. GEOVANA SILVA – Além de agradecer, eu quero dizer para vocês que nós da Arquidiocese sonhamos com vocês o sonho de uma sociedade diferente. É claro que, aqui, nós quase choramos ao ver um ex-adolescente da Pastoral do Menor com tanta desenvoltura, com um caminhar, com uma história da qual fizemos parte em algum momento. Não é uma visão messiânica, é uma visão real, que é possível. Nós precisamos acreditar na juventude. Também é bom ver um parceiro que tanto contribuiu no Passaporte da Cidadania, que é um trabalho com criança e adolescente em situação de rua, e no Programa de Inclusão Digital.

Para nós, é muito familiar ver esses olhares e dizer para vocês que nós acreditamos em uma sociedade diferente: não com uma visão messiânica, mas com uma visão de cidadania e que, de fato, nós levantamos, todos os dias, para esse trabalho, acreditando nisso, que é possível. O Gilberto foi um menino em situação de rua e, hoje, está com uma esposa e com um filho querendo vender batatas lá no Largo do Machado. Nós vamos lutar todos os dias para que ele consiga.

Muito obrigada. Queremos sonhar muitos sonhos com os senhores. Obrigada, Igor, por ter se lembrado da Pastoral do Menor. Obrigada, Vereadores.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Muito obrigado. Para as considerações finais, a Senhora Maria das Graças Escóssia de Oliveira.

A SRA. MARIA DAS GRAÇAS ESCÓSSIA DE OLIVEIRA – Eu só posso reiterar tudo que a Geovana falou. Realmente é um prazer inenarrável quando vemos um Jovem Aprendiz que está continuando o caminho dele. A nossa pretensão é entrar em todas as áreas, todos os bairros, todos os locais. Nós temos essa vontade, mas, também, às vezes, para cadastrar um novo curso, tem muitas dificuldades. Mas nós estamos tentando, sim, e vamos torcer para chegarmos lá.

Eu quero agradecer também a todos que compareceram, a todos que falaram, aos nossos parceiros e pedir a vocês que passem adiante. É importante, é bom o Jovem Aprendiz, porque se não fosse, as empresas não os estariam contratando. Significa que eles são fora de série.

Muito obrigada. Boa noite. Estamos juntos, se Deus quiser.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Para as considerações finais, Senhor Wainer Guimarães.

O SR. WAINER GUIMARÃES – Eu quero agradecer pelo momento, aqui, hoje à noite. Recebi uma injeção de esperança ouvindo as histórias, ouvindo que há uma seriedade nesse grupo de Vereadores e de outros, quiçá, para buscar outros caminhos, não só empreendedorismo, que é preciso, mas de várias maneiras.

Então, eu saio daqui encorajado. Obrigado, Marcos Dias. Obrigado, Vereador Zico Bacana. E aos jovens de 18 anos, a palavra de vocês foi fora de série. Nosso Brasil tem muito talento. Que Deus nos ajude a colocar esses talentos nas plataformas, no apoio que é necessário, porque nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos. É o que precisamos.

Obrigado.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Com a palavra, nosso Relator, Vereador Alexandre Arraes.

O SR. VEREADOR ALEXANDRE ARRAES – Presidente, para encerrar, queria dizer que acompanhei atentamente todas as falas e, já esboçando nosso relatório dessa terceira reunião da nossa Comissão, vou recapitular rapidamente.

Wainer apresentou aqui o tema “Inovação, um método de gestão – reduzindo as dificuldades e aumentando as chances de sucesso das iniciativas empreendedoras”.

Depois, ouvimos representante do Sebrae trazendo o trabalho do Sebrae em parceria com diversas instituições de ensino com números, sem dúvidas, muitos expressivos: 50 mil professores capacitados, 12 mil alunos. Isso cria uma cultura do empreendedorismo, uma vez que está associado à educação e facilita, indiscutivelmente, no momento da chegada ao mercado de trabalho.

Depois, ouvimos Geovana Silva contando dos programas da Pastoral, programas interligados, convênios com parceiros como Marinha, Exército. Sempre falando da participação da família junto do menor, do jovem, da criança em situação de vulnerabilidade. Muito importante os trabalhos de inclusão digital e capacitação sempre para a geração de renda e entrada no mercado de trabalho.

Em seguida, ouvimos Maria das Graças falando um pouco mais detalhadamente sobre aprendizagem e a capacitação que é dada no curso que a Pastoral é certificada para administrar, como o Recebendo Aprendizes. Marcou aqui uma frase daquelas que foram apresentadas: “Tornar os jovens capazes de construir e serem os senhores de sua própria história”. Muito importante. E ainda, a ideia dos passeios que sempre me chama muito atenção, porque é uma oportunidade de os jovens que, muitas vezes, passam as suas vidas nessas comunidades sem ter uma oportunidade de ter conhecido o resto da Cidade, de se apropriarem desta Cidade, a sensação de pertencimento que isso pode ajudar a criar nos jovens, abrindo possibilidades, compreensão do que é o Município, o espaço público são de todos. Isso é muito importante.

Várias falas muito interessantes. Experiências, casos de sucesso, empreendedorismo político, os rapazes da juventude do DEM aqui com discurso político muito apropriado para esse momento: o Gabriel Guimarães, o estudante da Uerj, o ex-aprendiz que contou sua história; a história de absoluto sucesso do Apolo Lira, da aceleradora, acho que fez um link bastante interessante com o que se falou sobre capacitação. E depois, já em segundo momento, a montagem das pequenas empresas e a existência de aceleradoras das startups.

Acho que foi um mix bastante interessante, Cláudio, que deu um bastante aberto e completo das ações de empreendedorismo do segmento e qual é a realidade hoje no Rio de Janeiro. Queria só chamar a atenção, pois foi recorrente em diversas das falas, na maioria das falas, para a reclamação – vamos dizer – dos obstáculos colocados pelo Poder Público frente às iniciativas empreendedoras. Foi falado de que forma a Comissão poderia ajudar, incentivar o Poder Público a facilitar, retirar obstáculos, não atrapalhar. Na verdade, fica aqui a pergunta que a gente vai, por meio da Comissão, tentar responder: qual é o papel do Poder Público? Até aonde o Poder Público pode e deve ir quanto ao incentivo do empreendedorismo nessa faixa etária do primeiro emprego?

Foram essas as considerações. Agradeço a presença de todos e vamos ao trabalho.

Obrigado.

O SR. PRESIDENTE (CLÁUDIO CASTRO) – Desde já, queria agradecer a todos que vieram. Queria agradecer ao Marcos Dias, que veio em nome do meu querido amigo Vereador Zico Bacana; agradecer ao nosso Relator, Vereador Alexandre Arraes; a Pastoral do Menor; aos componentes da Mesa; agradecer a cada um que veio hoje, como disse o nosso jovem do DEM, nesta noite fria em que estamos.

Acho que esse é um marco para a história do Legislativo. Faço minhas as palavras do Vereador Alexandre Arraes: estamos aqui exatamente para tentar responder algumas dessas perguntas, para saber como o Legislativo Municipal do Rio de Janeiro pode ajudar a fomentar o empreendedorismo. Como podemos ajudar a desburocratizar para aqueles que têm vontade de empreender? Queria agradecer muito a presença da juventude do DEM. Acho muito bonito quando uma juventude vai meio que de encontro ao que aconteceu ontem aqui, em que seu próprio partido ficou rachado: metade votou a favor e outra contra. Acho muito legal quando uma juventude vem aqui e se posiciona claramente, mesmo contra os seus próprios correligionários às vezes. Acho que esse também é um papel de democracia. A gente está aqui para exercer essa democracia e cidadania.

Só alguns dados que a minha equipe tirou do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – e já vou agradecer muito à minha equipe e ao cerimonial desta Casa, sempre brilhante na condução, sempre carinhoso e generoso com os nossos debates. Só uns dados importantes, muito rapidamente. Segundo o IBGE de 2015, infelizmente é o último dado disponível: “5 milhões de brasileiros entre 14 e 24 anos estão em busca de emprego, representando 42% de desempregados do País. Empreendedores na faixa etária de 18 a 24 anos são os que mais estão crescendo. Somente em 2017, a crise e a mudança cultural levam 20% dos jovens a empreender. A taxa de empreendedorismo de quem tem de 14 a 24 anos saltou de 16.2%, em 2014, para 20.8% em 2015” – hoje já deve ser muito mais. “Infelizmente, 71% de empreendedores são homens e somente 29% mulheres”. Infelizmente. É um número triste. Para finalizar: “42% tem ensino superior; 39%, pós-graduação; 12%, ensino médio; 5%, mestrado; 1% somente, doutorado; e 1%, ensino fundamental”. Então, essa é a grande prova de que temos realmente muito que evoluir ainda. Muito, muito mesmo.

Agradeço a presença de todos, aos assessores, à equipe técnica da Câmara Municipal, ao Serviço de Debates, Atas, Taquigrafia, ao Serviço de Som e à Ascom da Casa.

Dou por encerrado este Debate Público.

Muito obrigado. Boa noite a todos.

(Encerra-se o Debate Público às 20h56)

(*) ANEXOS

APRESENTAÇÃO 23-08-2017 - CÂMARA VEREADORES.ppt APRESENTAÇÃO 23-08-2017 - CÂMARA VEREADORES.ppt Na-CAMERA-de-VEREADORES1.pptx Na-CAMERA-de-VEREADORES1.pptx