Discurso - Vereador Otoni De Paula -

Texto do Discurso

O SR. OTONI DE PAULA – Excelentíssimo Senhor Presidente desta Sessão, Vereador Inaldo Silva – a quem eu tributo o meu respeito, o meu carinho –, senhoras vereadoras, senhores vereadores.
O que me traz aqui a esta tribuna é, como representante do PSC, ser uma voz a reverberar do nosso candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, do nosso partido, o Doutor Wilson Witzel.
Sei que tenho sido acusado aqui pela esquerda, a cada pronunciamento meu falando sobre um candidato, seja ele quem for, de fazer neste Plenário campanha política. Porém, Vossa Excelência jamais verá nenhum vídeo na Rio TV Câmara pedindo voto a quem quer que seja. Estou apenas me posicionando.
Senhor Presidente, em um momento em que a política vive tanto de fisiologismo, ver um político que tem lado é muito difícil. Mas eu tenho um lado. Eu tenho princípios. Eu defendo os meus valores e as minhas crenças. Nunca misturei e jamais vou misturar a minha religião com a minha vida pública.
Aliás, o princípio da laicidade do Estado foi o princípio defendido pelo protestantismo. Não interessa aos protestantes ter uma república evangélica ou protestante, já que o princípio daquele que nós servimos como senhor e mestre é o princípio da divisão entre o que é de César e o que é de Deus. Foi Ele mesmo quem disse, quando a História conta de seu julgamento, quando Pôncio Pilatos o interrogava, e ele respondeu: “Não se preocupe. O meu reino não é deste mundo”. Portanto, se algum evangélico, se algum cristão deseja criar uma republiqueta evangélica neste país, ele está fora dos princípios norteadores do mestre Jesus.
Mas as pessoas confundem a defesa de princípios com valores religiosos, e não tem nada a ver. Senhor Presidente, nós somos uma sociedade formada sobre uma cultura histórica judaico-cristã. Nossas leis, nossos ordenamentos jurídicos também têm a influência dessa mesma cultura. É uma influência histórica, tanto que a Constituição brasileira, a nossa Carta Magna, começa invocando as bênçãos de Deus. Aliás, hoje, e em todos os dias em que as sessões ou atos solenes desta Casa são abertos, se invocam também as bênçãos de Deus. Aqui, neste Plenário, e em várias repartições públicas, nós vemos a cruz representando a fé cristã.
Agora, isto não é confundir ou tirar a laicidade do Estado. O Estado é laico, mas ele não é laicista, ou seja, ele não é ateu. E por que o Estado brasileiro não pode ser ateu? Porque o seu povo não é ateu. E o Estado representa o seu povo. Se o seu povo fosse ateu, o Estado deveria ser ateu. Mas o seu povo não é. O seu povo crê em Deus. O seu povo crê no Cristo, portanto, o Estado de alguma forma expressa isso, mas garantindo a liberdade de culto, de adoração a quem quer que seja. Seria a mesma coisa que nós exigirmos que a China não tenha mais Buda nas suas repartições públicas, sendo que lá os chineses são seguidores de Buda. Ora, isso ofende a laicidade do estado? Pelo contrário, Senhor Presidente, esta é uma prova de que o Estado é laico, porque garante aos de maioria cristã a mesma liberdade que dá àqueles que não creem nem na existência de Deus. E que devem ser respeitados de igual modo. Essa é a beleza da laicidade do Estado. Agora, Senhor Presidente, quando subimos aqui para defender princípios, isso não é religioso. Os princípios constituem a base da nossa sociedade, sobre a qual ela foi erguida.
Fazendo uma rápida analogia, querido prefeito e Vereador Cesar Maia, é como se uma casa estivesse precisando de uma reforma e, então, quem olha para essa casa diz: “Bem, precisamos reformar as paredes, precisamos mudar o telhado, mas tudo está no lugar. Vamos manter no lugar e reformar o que tem que ser reformado”. Essa é uma visão conservadora; respeita-se a base e reforma-se e adequa-se à realidade atual o que precisa ser adequado. Agora, a visão progressista, socialista, é diferente. Vê uma casa que precisa ser reformada, então, nega-se tudo. Nega-se até a fundação. E diz: “Vamos arrancar tudo e construir tudo de novo, porque nada presta”. Senhoras e senhores, uma sociedade que já está erguida sobre fundamentos que nos levaram até agora. Princípios de família, princípios de relacionamento, princípios de direitos, ora, tudo isso está na cultura judaico-cristão. O respeito ao próximo, o respeito ao que é do próximo, não invadir o que é do outro. Uma visão capitalista do Estado, ou seja, cada um ganha por aquilo que faz, por aquilo que produz. São os princípios que nós defendemos. Agora, porque isso está nos anais da Bíblia Sagrada ou nos anais da Torá, seria por isso que nós estamos misturando religião com o estado brasileiro? Não, Senhor Presidente, e eles sabem que não, mas vêm com esse discursozinho piegas, raso, baixo, para tentar desvalorizar, para tentar esvaziar princípios verdadeiros que são defendidos por aqueles que creem naquilo que estou falando.
Portanto, Senhor Presidente, subo aqui para celebrar a democracia. E celebrar a democracia significa a celebração da liberdade de eu falar o que eu penso e de ouvir o que eu não quero. Quem não sabe conviver com isso, com o direito de se falar o que quer e de se ouvir o que não quer, não sabe viver na democracia.
Muito obrigado, Senhor Presidente.