SESSÃO - EXTRAORDINÁRIA
Comunicação De Liderança




Texto

O SR. TARCÍSIO MOTTA – Senhores vereadores, venho aqui fazer esta comunicação de liderança em nome do PSOL. Não podemos mais esperar para dar ciência aos senhores, em nome da bancada, do seguinte acontecido.
“Na terça-feira, 4 de dezembro, o Vereador Carlos Bolsonaro, do PSC do Rio de Janeiro, sem motivo fundamentado, além do ódio que manifesta aos que não pensam como ele, postou em seu perfil do Twitter uma mensagem caluniosa e ameaçadora contra nosso companheiro Vereador Babá e contra o próprio PSOL.
Na postagem, coloca mensagens próprias das fake news denunciadas pela Folha de S. Paulo, como a de relacionar nosso partido, o PSOL, ao ataque à faca sofrido por seu pai, Jair Bolsonaro. Nada mais descabido e calunioso! Também apela à baixaria, chamando o Vereador Babá de “chupa cana”, um mote preconceituoso usado contra nordestinos para estigmatizá-los como preguiçosos.
Mas o mais preocupante é que Carlos Bolsonaro finaliza a nota fazendo um chamado à Polícia Federal para que intervenha contra o companheiro Babá e/ou contra o partido, como se, por ser filho do presidente eleito, tivesse a prerrogativa de mobilizar a PF para satisfazer seus desejos pessoais.
A ira do Senhor Bolsonaro foi por críticas emitidas pelo Vereador Babá, desde a Tribuna, à Reforma da Previdência defendida por seu pai, assim como à votação da PEC nº 95 que congela gastos da saúde e da educação por 20 anos. E também por manifestar posição contrária a um projeto, do qual o Vereador Bolsonaro é coautor, que autoriza o porte de armas letais à Guarda Municipal, algo que só vai servir para aumentar a violência urbana.
Queremos chamar atenção para estes graves fatos. O que deveria ser motivo de debate legislativo, o Vereador Bolsonaro transforma em deboche, calúnia e ameaça intimidatória para silenciar qualquer crítica de conteúdo político. Mas engana-se o dito vereador se pensa que pode amordaçar a voz da oposição. Não vamos tolerar essa postura truculenta e antidemocrática.
Importantes setores do jornalismo, dos partidos políticos e dos movimentos sociais já criticam muitas das medidas anunciadas pelo novo governo. Com certeza essas críticas irão se multiplicar quando efetivamente começar a governar. O Vereador Carlos Bolsonaro vai ter que se acostumar a aceitar as críticas e fundamentalmente a participar dos debates de forma honesta e na Tribuna da Câmara, onde raramente é visto. Como muito bem descreve o jornal O Estado de S. Paulo numa matéria dedicada ao vereador: “Discreto na Câmara e barulhento nas redes sociais.”
Esta é a comunicação da liderança do PSOL. Muito obrigado, Senhor Presidente e senhores vereadores.

O SR. CESAR MAIA – Senhor Presidente, comunicação de liderança.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Para comunicação de liderança, o nobre Vereador Cesar Maia, líder do Bloco Independente Por Um Rio Melhor, que dispõe de cinco minutos.

O SR. CESAR MAIA – Senhor Presidente, ontem eu li um artigo de um colunista do Washington Post, analisando a situação dos conflitos na França. Hoje vou ler outro artigo, de um colunista do The New York Times, Adam Nossiter, a respeito da mesma matéria.
“Foi pouco e tarde demais. Essa foi a reação dos manifestantes franceses ao repentino recuo do governo. Os “coletes amarelos”, que levaram a França ao tumulto com violentos protestos querem mais – impostos mais baixos, salários mais altos. Essas demandas profundas conectam levantes populistas no Ocidente, incluindo Reino Unido, Itália, EUA e a Europa Central.
O que une essas insurreições, além das exigências, é a rejeição aos partidos, sindicatos e instituições governamentais. Mas o que torna a revolta da França diferente é que ela não seguiu o costumeiro manual populista. Não está ligada a um partido político. Não se concentra em raça ou migração e essas questões não aparecem na lista de reclamações. Não é liderada por um único líder raivoso e de retórica incendiária. O nacionalismo não está na agenda. A revolta é essencialmente orgânica, espontânea e autodeterminada. É sobre classe econômica. É sobre a falta de condições de pagar as contas. Nesse sentido, é mais parecida com os protestos contra Wall Street, dirigidos pelos trabalhadores pobres no Occupy dos EUA do que com o líder da Hungria, Viktor Orbán.
Os “coletes amarelos” afastam os políticos e rejeitam os socialistas, a extrema direita, o movimento político do presidente Emmanuel Macron e tudo mais que estiver no meio. Permanecem relativamente desestruturados e ainda não foi sequestrado pela nacionalista de extrema direita Marine Le Pen ou pelo líder de extrema esquerda Jean-Luc Mélenchon, por mais que esses tentem. “É o mesmo medo, raiva e ansiedade na França, na Itália e no Reino Unido”, disse Enrico Letta, ex-primeiro-ministro da Itália, que leciona na Universidade Sciences Política, em Paris. ‘Esses três países têm o mais elevado nível de defasagem de classe’, disse ele. Nos 30 anos após a 2ª Guerra, ‘eles estavam no topo do mundo, viviam com um nível muito elevado de bem-estar médio’, disse ele. ‘Agora, há um grande medo de ver tudo isso escapar.’
Esse medo transcende todos os outros. Na França, há um paradoxo no atual impasse, já que a ascensão de Macron se baseava em varrer os partidos políticos existentes e na rejeição de intermediários tradicionais, como os sindicatos trabalhistas. Seu livro de campanha era chamado Revolução e expressava uma espécie de desprezo pelas partes que entregaram poder umas às outras por 50 anos. Macron, ao personalizar o poder e rejeitar o que viera antes, ajudou a criar o mundo da fraqueza institucional em que os “coletes amarelos”, agora, florescem. Mas sua base, na época e agora, era extremamente pequena, pressagiando a sua atual rejeição. Ele ganhou apenas 24% dos votos no primeiro turno no ano passado – enquanto seus adversários na extrema direita e extrema esquerda, juntos, levaram mais de 40% dos votos. Esses números agora retornam para assombrá-lo.
Macron tenta promover reformas para tronar a França mais favorável aos negócios, como a Grã-Bretanha fez na década de 1980 e a Alemanha na década de 1990. Enquanto isso, a reação global já está em alta, alimentada pelas disparidades de renda que essas mudanças introduziram. A combinação de descontentamento e desconfiança tornou os “coletes amarelos” uma força em expansão. O protesto já mudou de uma revolta por um pequeno aumento do imposto sobre a gasolina para demandas por salários mais altos.
A resposta do governo é especialmente preocupante. De uma parte, autoridades manifestam simpatia, sem ousadias, pois há amplo
apoio ao movimento. De outra parte, as mesmas autoridades estão zangadas com o violento desafio à estrutura institucional da França. O resultado é uma espécie de paralisia, revendo ajustes, o que provavelmente só convidará a mais desafios”.
Muito obrigado