Discurso - Vereador Marcello Siciliano -

Texto do Discurso

O SR. MARCELLO SICILIANO – Boa tarde, Senhor Presidente, senhoras e senhores vereadores, membros desta Casa.
Eu hoje venho aqui rompendo um silêncio de praticamente sete meses, respeitando toda a investigação pertinente a essa tragédia que aconteceu no dia 14 de março de 2018: o assassinato da Vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes.
Eu preferi ficar quieto, a partir do dia 8 de maio, porque um criminoso, um miliciano réu confesso, apareceu espontaneamente na Delegacia de Homicídios (DH), alegando saber todas as versões pertinentes a esse crime. Miliciano esse que, ao longo das investigações, se mostrou inimigo de outro miliciano, Orlando Curicica, que estava preso numa penitenciária do Rio de Janeiro; e essa pessoa teria trabalhado para ele, alegando ter participado de diversos crimes junto com ele e ter visto, em um restaurante no Rio de Janeiro, eu solicitar tamanha brutalidade.
Ao longo dessas investigações, foi provado que eles eram inimigos declarados e que, por medo, esse delator de nome Ferreira teria procurado a DH, através de dois delegados da Polícia Federal – um ex-delegado da Polícia Federal e um delegado da Polícia Federal, que hoje está na função de delegado sob liminar judicial, que responde por diversos crimes enquanto estava na Polícia Federal, por crimes de coação, por crimes de tentativa de suborno etc. Na expressão dita, era um cara que criava inquéritos mentirosos para chamar pessoas para depor onde ficava a sua especializada e, com isso, tentar prática de extorsão, coagindo pessoas, alegando que elas estariam cometendo crime.
Supostamente esquisito demais um policial militar acordar um dia e dizer que quer perder a carteira porque sabe de tudo, vai confessar que é miliciano e vai falar uma história tão trágica como essa.
No dia em que meu assessor foi preso, quatro dias depois de eu ter prestado depoimento, como todos os vereadores aqui prestaram depoimento nesta Casa, esse delator... Para mim, ele é um X-9, não é um delator. É um X-9 e mentiroso. Porque um X-9, na expressão vulgar da palavra, no meio policial, é uma pessoa que passa informações verídicas. Esse para mim é um bandido, que ainda está em tempo de se redimir. A verdade é essa. Ainda está em tempo, porque, quando essa verdade for descoberta, ele acha que só será responsabilizado por falsa comunicação de crime e calúnia? Não. Tem muito mais crime aí em cima dele do que ele imagina. Então, acho que ainda dá tempo, vale a pena refletir, procurar a polícia de forma correta e falar o motivo pelo qual ele cometeu tamanha barbaridade de tentar me colocar num crime desses.
Enfim, faleceu o Alexandre Cabeça, um colaborador meu. O delator pediu, segundo matérias do jornal no dia da denúncia contra mim, das acusações que foram feitas contra mim, ele teria convocado o delegado Rivaldo ao Círculo Militar da Urca, junto com outros dois delegados e com um jornalista de nome Werneck. Então, teriam conversado durante horas para fazer essa informação toda que foi dita na mídia, para fazer essas acusações mentirosas que ele fez, e dali a 10 minutos foi publicado nas redes sociais, sem o mínimo de apuração do que ele estava dizendo.
Ora, ponto um: me causa tamanha estranheza, em um inquérito que estava sob sigilo da justiça, sob sigilo de inquérito, em que nenhum vereador aqui levou cópia do seu depoimento que prestou no dia da delegacia, a polícia aceitar um jornalista na mesa, no Círculo Militar da Urca, na hora em que um mentiroso vai dizer que sabe de uma história a respeito de uma morte que está sendo investigada sob sigilo. É a primeira estranheza.
Segunda estranheza: de que forma isso tudo foi criado, porque, segundo informações vinculadas em veículos de comunicação também, teria tido uma reunião uma semana antes, desse tal informante junto com o delegado, na sede da Polícia Federal, para preparar a história, para preparar o campo, para se fazer essa denúncia uma semana depois no Círculo Militar da Urca.
Primeiro ponto: uma delegacia tão séria, uma investigação tão séria. Não estou aqui julgando a instituição Polícia Civil, pelo amor de Deus. Tenho um respeito muito grande pelo Judiciário, pelo Ministério Público e pela Polícia também da Cidade do Rio de Janeiro. Aliás, tenho respeito a todos. Mas, nesse caso, infelizmente, eu tenho que colocar algumas dúvidas aqui, que foram ditas pela própria imprensa.
Então, essa pessoa, uma semana depois, resolveu se reunir para prestar esses esclarecimentos, mas ele não foi à delegacia, ele teve que preparar isso com ajuda de policiais federais, sendo que policial federal numa história meio conturbada, com dúvidas a respeito do seu caráter, da sua lisura, da sua idoneidade, coisas contraditórias que vieram acontecendo ao longo desse processo, dessa acusação. Enfim, seguiram nessa acusação. As investigações foram feitas. Eles disseram que o meu assessor foi queima de arquivo. O inquérito que diz respeito ao assassinato do colaborador que participou do meu trabalho político durante algum tempo já está concluído. As pessoas já estão denunciadas. Os agentes que esse tal Ferreirinha acusa que estavam no carro no dia da morte da Marielle, que participaram da trama da morte da Marielle, foram indiciados e denunciados no crime do meu colaborador Alexandre Cabeça.
Gente, vou ter que fazer esse parêntese aqui, porque chega a ser engraçado: esse rapaz foi assassinado pela bagatela de R$ 3.000. Um assassino recebeu um pouco mais de R$ 1.000, outro assassino um pouco mais de R$ 1.000, e o outro assassino uns R$ 500. É essa a acusação que faz o delator, que dizem que é o delator, delator que é um informante, a testemunha-chave a respeito de um crime tão sofisticado, como foi o crime da Vereadora Marielle Franco e do seu motorista Anderson Gomes. Um crime de R$ 3.000. É o que o delator fala que quem praticou o crime da Vereadora Marielle Franco estava na noite do crime e dentro do carro.
Então, esse inquérito já foi concluído. O Alexandre Cabeça faleceu porque falou a respeito da esposa, ou namorada, ou companheira de uma pessoa daquela região, que teria dado a ordem de dentro de um presídio para que o executassem. Graças a Deus essas pessoas envolvidas nesse crime não tiveram o cuidado devido; houve apreensão do telefone celular de uma das pessoas, e a história está toda lá contada no Whatsapp, como está no próprio inquérito policial, na própria Justiça, no processo que já está tramitando. Não está em segredo de justiça, então eu posso falar isso. Meu advogado tirou cópia de todo o processo, e tudo que eu estou falando está dentro do processo, provando que o meu colaborador, Alexandre Cabeça, morreu por divergências de ter acusado uma senhora, uma moça, de algumas coisas das quais o companheiro dela não gostou e mandou matá-lo por R$ 3.000. Isso já está concluído, as pessoas denunciadas e o inquérito encerrado e a Justiça esperando que eles sejam ouvidos e o crime seja responsabilizado.
Então, vamos lá: o Ferreira, que era inimigo confesso do Orlando, vai à DH, através do Círculo Militar da Urca, com delegados da Polícia Federal, sendo que esses delegados da Polícia Federal deveriam ser um ex-delegado da Polícia Federal, ou ex-agente, e um delegado, que deveria investigar as ligações que eles têm, as amizades que eles têm, os interesses pessoais que eles têm, de ter abraçado uma pessoa dessa na região que essa pessoa tinha influência da milícia, saber que tipo de acordo essa pessoa poderia fazer, que tipo de benefício essa pessoa poderia trazer para começar daí a entender o porquê de tamanha covardia que fizeram comigo, a partir daquele momento.
Seguiu tudo isso, e nada foi provado. Imediatamente, quando essa pessoa fez essa denúncia a meu respeito, procurei a delegacia com meu advogado, e me coloquei à disposição da Justiça, coloquei-me à disposição da Polícia e coloquei a minha vida 100% transparente para eles tirarem qualquer dúvida, me investigar no que fosse preciso.
Meu advogado apresentou uma petição para que nós tivéssemos acesso aos autos de investigação, para entender baseado em que essa denúncia contra mim estava sendo feita. A resposta demorou mais ou menos uma semana, e foi a seguinte: “Não, você não pode ter acesso porque você é testemunha. Você não configura como nada diferente de testemunha”.
Tamanha estranheza e insistência, meu advogado compareceu à Justiça, protocolou uma petição ao juiz, com o seguinte teor: “Excelência, tendo em vista uma acusação tão séria, que foi à mídia, colocando meu cliente como acusado por ter cometido, junto com outras pessoas, um crime de tamanha barbaridade, sendo acusado de ser o mandante, ele gostaria de ter acesso aos autos para que a gente possa entender e esclarecer tudo que for preciso”. A resposta do juiz foi: “O seu cliente não pode ter acesso aos autos porque ele é testemunha na investigação do processo do caso Marielle Franco e Anderson Gomes. Ele é testemunha”.
Muito bem, sete meses se passaram, no meio dessa trajetória toda, o promotor desacreditou as acusações dessa testemunha-chave, que de testemunha-chave não tem nada – é um mentiroso, que, se Deus quiser, a Justiça vai provar na frente, e ele vai pagar tudo que fez, ele e a corja dele, toda! Todos que estão em volta dele, porque ele não fez nada sozinho, isso foi muito bem arquitetado, muito covardemente bem arquitetado.
Nesse compasso, decorridos sete meses, quando não havia mais argumentos para dizer que aquele pedido num restaurante prosperasse, as pessoas envolvidas naquela denúncia – do tal Ferreirinha – já não faziam mais nenhum tipo de sentido, eles começam a suscitar a possibilidade de discussão fundiária, briga por discussão fundiária, e isso teria sido o motivo da contratação da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes.
Bom, voltando um pouquinho, desculpem, mas não posso esquecer.
Ele alegou, lá atrás, que a minha motivação de briga com a Marielle é que ela teria interferências comigo na Cidade de Deus, na Curicica e na região da Zona Oeste, onde ela vinha crescendo muito seu trabalho.
Eu não tive voto na Cidade de Deus, eu não tive voto na Curicica e muito menos eu e Marielle não tínhamos divergências políticas. O trabalho da Marielle era totalmente diferente do meu. Só esse parêntese, que fique claro. Depois disso, surge essa curiosidade, essa curiosa acusação da localidade Novo Palmares, uma briga fundiária em Novo Palmares. Marielle Franco nunca esteve... Ocorreram 13 reuniões, reportadas pela própria mídia, foram 13 reuniões nessa comunidade para discutir legalização fundiária. Marielle não esteve em nenhuma, o Vereador Marcello Siciliano muito menos. Eu não estive em nenhuma! E a assessora da Marielle Franco teve em duas, dizendo que foi uma passagem muito discreta e que não teve nenhum tipo de interferência minha ou de alguma pessoa do meu gabinete, e que meu nome nunca tinha sido citado em nenhuma dessas reuniões que ela compareceu – e tenho certeza que em nenhuma das 13 reuniões que tiveram a respeito disso.
A última vez que eu estive na Comunidade Nova Palmares – e, talvez, por cinco vezes, se eu tive, foi muito – foi na minha campanha de 2010, durante a qual o Deputado Federal Pedro Paulo resolveu fazer uma parceria comigo naquela região das Vargens, isso na minha primeira tentativa de mandato. E nós escolhemos algumas áreas para caminhar juntos, e a presidente da Comunidade Nova Palmares tem uma ligação muito grande com o ex-Prefeito Eduardo Paes e com o seu grupo político. Então, ele me abraçou, e nós tivemos uma reunião na creche. E ali, naquele ano, pediram voto para mim. Em 2012, trabalhei na campanha do ex-vereador Guaraná, mas lá não estive. Já em 2014, a comunidade apoiou o então subprefeito da Barra da Tijuca, Tiago Mohamed. Em 2016, essa mesma comunidade apoiou Alex Costa, ex-subprefeito e ex-Secretário Municipal de Ordem Pública, que fazia parte do grupo do Eduardo Paes e do Pedro Paulo.
Tentaram pegar alguma história minha relacionada à região das Vargens. E todo mundo sabe aqui que eu tenho pela localidade um carinho especial, porque foi quem me colocou como representante, tentando vir candidato pela primeira vez, em 2010.
Moro lá, na região, desde 1998, e vejo o poder público entrar e sair pedindo voto, e indo embora sem fazer nada. E tenho um carinho, isso é claro e notório. E isso não muda nada a respeito da minha vida, da minha idoneidade, da minha dignidade. Tentaram mais uma vez – com certeza, frustradamente, isso vai ser provado, que eu não tenho ligação nenhuma com a Comunidade Novo Palmares. E que qualquer tipo de parcelamento de solo, grilagem, envolvimento com coisa errada, eu nunca tive!
Única experiência que eu tive de um loteamento, que foi um fracionamento de terra – agora, vocês vão ficar perplexos – foi em 1998. Exatamente 20 anos atrás. Aos meus 26 anos de idade, trabalhando, eu entrei de sócio em um terreno na região das Vargens, a Vargem Grande, especificamente, com outros dois sócios. Terreno esse com escritura definitiva, terreno esse no meu nome, pessoa física, Marcello Moraes Siciliano, escritura de compra e venda.
Fizemos um condomínio para morar com a minha família e criar meus filhos. Eu, meus dois sócios na ocasião, no nome deles, pessoas físicas, também, o condomínio. E hoje o condomínio está lá. Passaram-se 20 anos, e meus pais moram nesse condomínio, meu irmão mora nesse condomínio, minha casa está nesse condomínio e não tem fracionamento de terra, de grilagem, não tem nada disso.
Eu fui surpreendido na minha residência, junto com a minha esposa, com a minha filha, com a minha família, submetido ao constrangimento tamanho de sexta-feira passada, depois de ver nas redes sociais e na televisão que a Delegacia de Homicídios partiu a fazer uma mega operação de apreensões e prisões relacionadas ao caso Marielle, inclusive, quadrilhas especializadas em carro clonado etc. Aquilo ali soou como uma felicidade muito grande para os meus e para mim, porque ali a gente estava vendo – graças a Deus – a possível solução do caso Marielle. E esse pesadelo dessa acusação, desse vagabundo, marginal, bandido, cairia por terra, e ia tudo acabar. Eu poderia, dessa forma, passar o Natal tranquilo com a minha família, e uma vida nova a partir do ano que vem.
Bem, o dia passou, e a única matéria que passou na televisão foi um tiroteio dentro de uma comunidade de tráfico, em Angra dos Reis. E não foi noticiada a prisão de ninguém, nem apreensão de nada, nem nome foi falado. E na sexta-feira, 6 horas, vão à minha casa, vão a seis endereços relacionados a mim, para fazer busca e apreensão para instruir um inquérito formado em paralelo ao inquérito da morte da Marielle. Porém, vocês olhem a petição, o pedido ao juiz pra que se faça busca e apreensão na minha casa, na minha vida, o meu telefone, em desfavor da minha família, várias coisas, vários documentos, inclusive, encaminhamentos a DH. Eles botam isso na Secretaria de Conservação Meio Ambiente para maquiar e continuar não me dando acesso e direito de defesa no caso Marielle. Por quê? Porque, se me derem o direito de defesa, claro e óbvio que eu vou desconstruir essa farsa, em dois segundos, desse Ferreirinha. Então, eles têm que me manter longe disso o mais possível, o mais distante possível. Então, criaram uma busca na minha casa, baseada em suspeita de grilagem, lavagem de dinheiro e associação a crimes.
Acabei de falar aqui, anteriormente, que o único envolvimento que eu tive de parcelamento de solo e fracionamento foi há 20 anos. Ninguém faz um crime e fica ali. Minha família está ali há 20 anos. Meu irmão está ali. Eu estou ali, todo final de semana, eu estou lá. Meus amigos moram ali, eu só fiz amigos. Meu condomínio – que eu construí – está ao lado de área de favela. Apesar de ser um fracionamento fora do Código de Obras, você tem a prerrogativa de, quando você tem a invasão do Poder Público em áreas vizinhas de onde você tem o terreno, o Código de Obras deve ser mais permissivo. Isso eu vou provar. É mais uma contraprova de que, ali, fora do Código de Obras, não teve nenhum tipo de fracionamento etc. Porque é permitido e é jurisprudência, sim! Mas eu volto a dizer: é um condomínio de classe média alta, com uma taxa de ocupação, dentro de grupamento residencial, de 20%, que é permitido por lei.
Então, apreenderam todos os meus documentos. Todos! Foram contratos de aluguel, escrituras de compra e venda de imóveis que eu adquiri ao longo desses 20 anos etc. Está tudo ali. Agora, eu quero entender por que não me pediram antes. Eu me coloquei à disposição da Justiça nesses sete meses. Estão tentando inventar uma outra estória contra mim.
O general Braga Neto, em uma entrevista recente, falou que seria a coroação da intervenção apresentar o culpado e o mandante do caso Marielle. Nós estamos a 15 dias do final das intervenções. Eu não posso ser essa coroa. Não posso permitir que isso aconteça comigo e nem com a minha família. Sou um homem de bem. Sou um pai de família. Tenho cinco filhos e três netos; tenho pai; tenho mãe. E tenho uma história de vida ilibada. Minha história de vida está aí, todo mundo vê. Eu só tenho amigos. Nunca fechei uma porta por onde passei. Onde passei, ao longo da minha vida, só fiz amigos. Se eu não pude ajudar alguém, nunca atrapalhei.
Fora minha história de vida, essa estória é sem pé nem cabeça. Eu conheci a Marielle aqui, no início do mandato, que começou em março; depois, teve o recesso de junho. Nós tínhamos uma ótima relação no Plenário. Todo mundo viu. Eu tive alguns embates com alguns vereadores, inclusive com um amigo de infância, que é o Vereador Carlo Caiado – todo mundo presenciou –, por causa de demanda. Todo mundo sabe meu jeito de ser: quando tenho alguma coisa contrária àquilo em que eu acredito que é certo, discuto. Isso que foi feito com ela foi uma covardia! Foi uma coisa premeditada. Foi uma coisa arquitetada. Foi uma coisa covarde. Eu fui ao local do crime, fui ser solidário à família, aos meus amigos no local do crime. Vim ao sepultamento. Prestei um depoimento aqui. Eu fiz uma homenagem para a Marielle na Tribuna. Postei coisas na minha rede social.
Será que um cara é tão covarde? Será que um cara consegue maquiar tanto? Será que o cara consegue fingir tanto um negócio de tamanha crueldade? Olha para mim. Olha o meu olho. Olha o meu jeito. Olha como eu falo com as pessoas. Olha como eu sou. Eu sou transparente. Todo mundo sabe que, quando eu não concordo com alguma coisa, eu falo, boto para fora. Acusarem a mim de uma barbaridade dessas, tentando me botar para Cristo, eu não posso admitir, não posso permitir!
A Delegacia de Homicídios foi posta em xeque. Há denúncias de corrupção na Delegacia de Homicídios. Há denúncias de corrupção contra o secretário, o Delegado Rivaldo. Eu não estou aqui acusando ninguém. Não quero ser leviano. Mas não quero e não posso ser condenado por um crime que eu não cometi. Não posso!
Estão devassando a minha vida inteira. Ótimo! Devassem a minha vida! Eu vou me defender de tudo o que estão me acusando. Mas não tentem plantar um crime que eu não mandei cometer, não cometi e não cometeria. Eu sou um cara do bem. Eu sou um cara de bem, um pai de família.
Então, venho aqui neste momento, mais uma vez, faltando um dia para o recesso judicial, faltando um dia para começar uma nova fase de transição do novo governo, que eu espero, torço e acredito que vai trocar toda a Delegacia de Homicídios; e, aí, sim, vão começar a ver todo o trabalho que foi feito; vai começar uma investigação séria.
Mas, independentemente disso, a Procuradora Raquel Dodge criou suspeitas sobre a investigação e colocou a Polícia Federal nesse caso. Como pode a Polícia Federal investigar a investigação, Presidente Otoni? Como pode, Otoni?! Você, hoje, investigando um crime que é um atentado contra a democracia, contra os direitos humanos! A Anistia Internacional, o mundo está de olho nesse crime. O mundo quer a verdadeira resposta desse crime. Várias pessoas já falaram: nós queremos a verdade, não o culpado. Várias pessoas falaram: Vereadora Marielle não tinha atuação forte em parcelamento de terra, em legalização fundiária, etc.
E outra. O Minha Casa Minha Vida é uma construção do Governo Federal. É legalizado. E aparece no jornal, a toda hora, que a milícia manda e desmanda, e tira de dentro de casa e bota dentro de casa. O que muda para a milícia uma legalização fundiária, uma legalização de posse, um parcelamento para pessoas pobres? Não muda nada! Quando a milícia está presente, está aí, as matérias dizem, legal, ou não legal, eles cobram, eles te tiram e te botam e acabou. Isso não muda, não muda nada. Então, é mais um fantoche, mais uma falácia que estão tentando inventar para conseguir construir esse castelo de areia, esse castelo mentiroso de areia movediça.
E por que me colocar como agente desse crime? Por quê? Eu quero entende, quero entender! E pelo fato de eu querer entender; pelo fato de – mais do que ninguém – eu estar, aqui, querendo transparência, em respeito à minha família; em respeito à família da Marielle; em respeito a todo mundo que quer, de verdade, de verdade, a verdadeira resposta desse crime, vou enviar uma petição hoje, ao Presidente, para que encaminhe à Procuradora Raquel Dodge, pedindo à federalização desse caso, para que, mais do que nunca, haja transparência quanto a essa investigação.
Eu não posso me calar. Eu não posso permitir que me calem. Marielle foi calada por um tiro. E estão tentando aproveitar esse tiro para acabar com a minha vida também. E eu não vou permitir que isso aconteça! Não vou e não posso!
Faço, aqui, um apelo a todos vocês, independentemente de partido, independentemente de divergências políticas, independentemente de qualquer coisa: é uma vida, uma família, um ser humano! Não permitam covardia! Peçam transparência e lisura, que eu tenho certeza de que todos aqui desta Casa prezam por isso. Todos desta Casa querem que este crime seja verdadeiramente, verdadeiramente descoberto, verdadeiramente investigado, e verdadeiramente concluído. E não do jeito que estão fazendo.
Então, fica aqui o meu apelo. Fiquei calado esse tempo todo. Não posso me calar mais. Durante sete meses eu fiquei calado. Permaneci como testemunha, apesar das notícias de jornal, “o suspeito, o acusado, o vereador acusado por uma testemunha-chave”. Que eu não entendo que testemunha-chave é essa?! Que testemunha-chave? Que delator? Delator participa de um crime, esse cara não participou de crime. Esse cara não esteve em lugar nenhum comigo. Que testemunha-chave é essa?! Que chave que ele tem? Só se for a chave da desgraça da vida dele, que ele está buscando com tanta mentira que vai ser descoberta. É isso. E o meu nome aí. Eu apanhando, apanhando, apanhando. Envergonhado. Um cara que sempre andou rindo, de cabeça erguida, falando com todo mundo. Ao levar a minha filha à escola, as pessoas me olhando: “Será que é?”. Porque a mídia vende de uma forma, as notícias são colocadas de forma que, realmente, você não entende o que está acontecendo. E eu passando por diversos constrangimentos, Fernando! Diversos constrangimentos!
Chega! Chega! Fizeram uma busca na minha casa e em seis endereços. Chega! Está tudo lá. Que investiguem e me chamem para prestar esclarecimento de tudo o que está lá. Porque tudo o que está lá tem seu motivo, tem sua origem, é meu de direito. Eu conquistei com o suor do meu trabalho e da minha vida, trabalhando desde os 16 anos, sendo pai aos 19 e fazendo de tudo com dignidade, sem pisar em ninguém por onde eu passei; sempre deixando uma porta aberta, para ganhar o meu dinheiro para levar o leite e o pão para dentro de casa, para os meus filhos.
Essa é a minha história de vida. E eu não vou permitir mais que alguém tente fazer de forma diferente, como estão fazendo.
Agradeço por terem permitido a extensão do prazo para eu discursar aqui da tribuna. Fica aqui o meu pedido, Presidente, mais uma vez, para que eu tenha o apoiamento dos vereadores, para que a Procuradora Raquel Dodge se sensibilize de forma técnica e não só coloque a Polícia Federal nesse caso, mas também definitivamente na investigação. Não só investigue a investigação, mas investigue tudo, porque tenho certeza que já já, estarei aqui comemorando e agradecendo, depois de passar por esse pesadelo, o apoio e a colaboração dos meus colegas durante esses meses todos.
Muito obrigado. Desculpe se me alonguei e não me fiz entender em algum aspecto.
Quero deixar claro só mais uma coisa: a Delegacia do Meio Ambiente só fez essa busca na minha casa, porque cumpriu um mandado de outro processo que foi criado a respeito de grilagem de terra e parcelamento irregular de solo, coisa que já foi esclarecida aqui. Se vocês olharem o processo, que é público, o mandado é público e tem várias coisas relacionadas ao caso Marielle. Fica mais claro do que nunca que estão tentando fazer uma salada de frutas para me incriminar. Não vão conseguir. Não vão conseguir.
Hoje, não poderia deixar de falar – depois de tudo o que eu disse – que eu respeitei muito, apanhei calado, porque achava que isso não iria prosperar. Eu tinha certeza que essa mentira não iria prosperar, mas vendo tamanha insistência, me preocupa porque eu não sei financeiramente como isso está acontecendo para chegar aonde chegou, Tarcísio. Eu não entendo, porque não tem elementos. Mas eles continuam, continuam, continuam... Eu quero entender!
Hoje, me preocupa tamanho dinheiro que está sendo investido para me colocar como culpado nessa história! Quem está por trás disso para tentar acabar com a minha vida? Para me vender? Para me entregar como um troféu, uma mentira para solucionar um caso? Agora, mais do que nunca, minha família está preocupada comigo, meus amigos estão superpreocupados comigo. Não posso deixar de terminar minha fala, pedindo, mediante a tudo o que falei, que façam as suas avaliações.
Realmente, eles não conseguiram me incriminar por meio desse delator Ferreirinha, não vão conseguir me incriminar por meio da grilagem de terra e sabe-se lá se o próximo passo será me matar, dizendo que iriam falar, que eu ia falar, que isso e aquilo.
Todo mundo que trabalha no meio da polícia, todos que trabalham no meio jurídico – inclusive, vários vereadores desta casa – falaram para eu pedir proteção policial, isso e aquilo. Vou seguir a minha vida como sempre segui. Vou andar de cabeça erguida como sempre andei, mas não posso deixar de registrar: se acontecer alguma coisa comigo, com certeza será fruto dessa organização criminosa que está tentando fazer de tudo para me calar e não vai conseguir.
Agora, eu respeitei esse tempo todo, Tarcísio, mas, mais do que nunca é questão de honra eu ajudar e fazer de tudo para que o verdadeiro culpado seja preso e que pague pelo que fez. E que pague pelo que fez. Temos certeza que, quando tudo isso acabar, tudo vai fazer sentido, inclusive essa acusação que tentaram me imputar – o porquê do Marcelo Siciliano, o porquê do vereador que entrou trabalhando como um trator, que fez seis mil ofícios e se tornou atuante em várias áreas da Cidade do Rio de Janeiro, principalmente onde se elegeu e começou a atrapalhar e a pisar no calo de outras pessoas.
Muito obrigado.