Discurso - Vereador Renato Cinco -

Texto do Discurso

O SR. RENATO CINCO – Obrigado, Senhor Presidente. Senhores Vereadores, Senhoras Vereadoras. Há muito tempo, eu deveria estar com os meus vinte e poucos anos, eu assisti a uma polêmica no Senado Federal. O Senador Antonio Carlos Magalhães ía para a Tribuna e atacava o Senador Jader Barbalho. Eles trocavam de lugar na Tribuna, Jader Barbalho respondia. Era engraçado, porque os dois estavam brigando horrores. E eu concordava com os dois: um atacava o outro e os dois pareciam que estavam com a razão.
Recentemente foi assim com a Globo e com o Crivella. A Globo denunciou o Crivella por contratos sem licitação, por contratos fantasmas, e o Crivella respondeu questionando os contratos sem licitação da Rede Globo, da Fundação Roberto Marinho com a Prefeitura de Eduardo Paes.
Essas horas são interessantes. Eles se atacam, e a gente concorda com os dois. O problema é quando essa turma se junta. Hoje, você pega a Globo, a Record − o ACM não, porque já faleceu, mas o seu neto, o ACM Neto −, Jader Barbalho, Bolsonaro, Crivella, Witzel, todos unidos para enganarem e convencerem o povo brasileiro de que a reforma da Previdência é boa para a população.
Impressionante! Esse é um exercício que a gente tem que começar a realizar: sempre que você ligar na Globo, ligar na Record e as duas estiverem falando a mesma coisa, desconfiem que as duas estão mentindo juntas. Falando a verdade juntas vai ser muito difícil, muito difícil. Porque são meios de comunicação que têm como principal tarefa convencer o povo de que os interesses dos super ricos são os interesses do povo.
Hoje, qual é o palco dessa disputa? A reforma da Previdência. Vocês vejam que a Globo e a Record falam que a reforma da Previdência é necessária. Nenhuma delas diz que a CPI da Previdência provou que a Previdência não é deficitária, é superavitária! Nenhuma explicação de como é que se financia a Previdência Social. Nenhuma fala dos milhões devidos à Previdência Social, não é? Só o Banco Itaú deve centenas de milhões de reais à Previdência Social, tem todas as condições de pagar à Previdência. Você não vê as emissoras de televisão explicando que a quantidade de trabalhadoras e trabalhadores no Brasil fora do mercado de trabalho formal deixam de contribuir para a Previdência! Que a formalização desses trabalhadores poderia ajudar a enfrentar o déficit da Previdência. Não, eles querem enganar o povo!
Hoje, a receita da enganação tem alguns elementos fundamentais. O primeiro de todos é uma cara de pau sem tamanho, como a imprensa brasileira ficar dando a notícia da reforma da Previdência como se a reforma já tivesse sido aprovada. Não são jornalistas, são mentirosos de plantão!
Outro dia eu estava ouvindo, no podcast de O Globo, o Ancelmo Gois e o Lauro Jardim. Sem nenhum pudor, ficaram meia hora no podcast repetindo, como se a reforma da Previdência já tivesse sido aprovada. Que isso, Ancelmo Gois? Você é jornalista? Vocês têm que falar a verdade para o povo. São quatro votações, no mínimo, da reforma da Previdência! Até agora, só aconteceu uma votação. Ainda faltam uma votação na Câmara dos Deputados e duas votações no Senado, isso se os senadores não mudarem nada do que a Câmara fez! Senão, o projeto tem que retornar para a Câmara dos Deputados.
Não estão fazendo essa confusão à toa. Querem anestesiar o povo. Querem que o povo dê como fato consumado a aprovação da reforma da Previdência. Porque eles sabem que, se a população estudar o que está em jogo, se a população se mobilizar, eles não têm condições de aprovar essa reforma. Eles precisam que essa mídia asquerosa, mentirosa, fique repetindo esse mantra de que a reforma é necessária; de que a reforma já foi aprovada. Sinceramente, são empresas jornalísticas que ainda têm a cara de pau de dizer que a internet inventou a fake news! A Globo produz fake news a três por quatro, desde 1965, sem parar. E agora está aí com o revólver na mão, a Globo com revólver na mão, a Record com revólver na mão apontando para o trabalhador brasileiro e roubando o trabalhador, assaltando o trabalhador brasileiro!
E ainda ficam dizendo, como bons mentirosos que são, que a reforma da Previdência vai atacar privilégios. Privilégios de quem? Dos militares não vai, estão de fora da reforma; dos magistrados não vai, estão de fora da reforma. Quem é o privilegiado que vai perder? É o trabalhador que vai precisar de 40 anos de carteira assinada para poder se aposentar. Vai ser o trabalhador que, em vez de ter a sua Previdência calculada em cima das maiores contribuições, vai passar a ter a sua Previdência calculada em todas as contribuições. Obviamente, diminuindo o valor da aposentadoria. Serão a viúva e o pensionista que vão perder valor nas suas pensões que são os privilegiados que estão sendo atacados por essa reforma da Previdência?
Olha, sinceramente, o povo brasileiro precisa se revoltar. O povo brasileiro precisa entender o seguinte: nós vivemos em um país periférico do sistema capitalista. Nunca na história nenhuma população de país da periferia do sistema capitalista teve direito ao bem-estar social. Nunca, nunca! Só que, agora, nós somos a periferia de um sistema capitalista em crise.
E o que é o capital? O que é a burguesia? Resolver a sua crise aumentando o arrocho sobre os trabalhadores, as trabalhadoras. É para isso que serve a reforma da Previdência! Querem economizar R$ 1 trilhão. O Paulo Guedes fala isso: “Precisamos de uma reforma para economizar R$ 1 trilhão.” O que o canalha não fala é o seguinte: “Paulo Guedes, seu canalha, fala para o povo que você não está querendo economizar R$ 1 trilhão tirando do além”. Esse um R$ 1 trilhão vai sair da aposentadoria do trabalhador e da trabalhadora. E para que o Paulo Guedes quer esse R$ 1 trilhão? Para gastar com o capital, para remunerar juros da dívida pública, para gastar dinheiro com obra de empreiteira, para roubar! É R$ 1 trilhão que sai do bolso do aposentado e vai para os bolsos dos amigos do poder. Por isso é que a turma do Banco Itaú... O Bertolt Brecht – que não é Bertoldo Brecha –, poeta alemão, uma vez perguntou: “Quem é o ladrão? É quem assalta o banco ou é quem funda o banco?”. Eu não tenho dúvida de que é quem funda o banco.
E os ladrões banqueiros do Brasil são os maiores interessados na reforma da Previdência. Sabem por quê? Porque quem tiver um pouquinho de dinheiro a mais neste país não vai se submeter ao INSS reformado, pagando aposentadoria sabe-se lá quando e de qual valor. Vão para a previdência privada. Vão fazer da mesma maneira.
A ditadura militar destruiu a educação pública no Brasil, a classe média correu para a escola privada. A ditadura, o Sarney e os primeiros governos da nova República destruíram a saúde pública, a população correu para os planos de saúde privados. Agora, querem destruir a previdência social para que quem tenha dinheiro corra para a previdência privada.
Só que a classe média esquece, em vez de lutar pela educação pública, ela correu para a escola privada. A escola privada só produz idiota, porque quer formar gente para passar no vestibular, não quer formar cidadãos, pessoas com senso crítico. Os planos de saúde não cumprem os contratos, não podem cumprir, nunca vão cumprir. Está lá na gravação. Quando explicaram para o Richard Nixon como funcionava o plano de saúde, o Nixon falou: “Mas isso aqui vai à falência”. E a resposta do mafioso que estava inventando o plano de saúde foi: “Mas quem disse que vamos cumprir os contratos?”. Aí, Nixon dá um gargalhadão. Isso em 1968: “Ah, vocês são geniais!”.
O plano de saúde foi feito para roubar, escola privada foi feita para ganhar dinheiro de otário e formar idiota. E agora o plano de previdência privada... Corre o risco de acontecer com vocês, com quem aderir ao plano de previdência privada o que aconteceu com a minha tia-avó: se aposentou pelo Aerus e ganhava R$ 0,18! Essa foi a aposentadoria que a minha tia-avó teve depois de trabalhar 35 anos na Varig, porque tudo o que ela investiu na previdência privada da Varig foi roubado pelos gestores da Fundação Ruben Berta.
Então, povo brasileiro, hoje, dia 6, às 17 horas, estaremos na Cinelândia para dar uma corrida nesses ladrões que querem assaltar a previdência do povo.