A SRA. SONIA RABELLO - Srs. Vereadores presentes aqui no plenário, em seus gabinetes, senhores assessores, cidadãos de um modo geral, Sr. Presidente, espero ser hoje muito breve.
Só para assinalar algumas questões que, na semana passada e no final da semana, aconteceram em nossa cidade, que é objeto de constantes manifestações do nosso mandato e que nós não podemos deixar de acentuar aqui. As três questões dizem respeito a áreas de preservação do município, a parques, APAs, que vêm sendo diuturnamente destruídas.
A primeira diz respeito ao Parque do Flamengo. Mais uma vez eu volto à questão: há duas, três semanas que a área denominada Marina da Glória, área essa pertencente à área integral do Parque do Flamengo, nesse fim de semana, nos últimos dias, foi objeto da montagem de uma feira agrícola chamada Brasil Rural Contemporâneo. Já é a 2ª edição dessa feira, como também vem sendo objeto, essa mesma área, de montagens de feiras, eventos, casamentos e festas. Uma área do Parque do Flamengo, que é tombado no seu projeto e cuja área é destinada a lazer da população, de uso comum do povo. As estruturas montadas na área da Marina da Glória, por ocasião dessa feira e de outras, eram megaestruturas, Sr. Presidente, enormes, galpões enormes, alimentados por geradores enormes, que foram transportados por caminhões imensos, que circulavam pelo Parque do Flamengo.
Muito bem: infelizmente, dessa vez, essa feira foi palco de um acidente. Um acidente que matou uma senhora de 64 anos e feriu outros dois. A imprensa, evidentemente, não podia não noticiar esse fato, mas, se nós compararmos a notícia de eventuais desastres em parques públicos, como roda-gigante, com essa noticia que aconteceu, em uma área pública do Parque do Flamengo, nós vamos ver que a repercussão de um fato grave como esse, de ter matado uma mulher dentro da feira, quase não foi noticiado, porque não convém, Sr. Presidente. Porque não convém dar publicidade que aquela área pública vem sendo apropriada, cercada, tomada, privatizada pela nova empresa contratada para gestão daquela área, que é a empresa EBX, de propriedade do multimilionário Eike Batista. E é evidente que tudo o que acontece que envolva o nome desse empresário a imprensa tende a abafar o máximo. E hoje se procura investigar os responsáveis, mas é também responsável o Governo Federal, que, não obstante, sabe que ali não é a área apropriada para se fazer essas montagens provisórias. Não só autoriza o uso daquela área pública — de uso comum do povo, repito — para esse tipo de montagem precária, provisória, insegura, com imperícia, como também dá dinheiro público para fazer essas montagens. Dizem que o Ministério de Desenvolvimento Agrário deu cerca de 20 milhões de reais para fazer essa feira, numa área pública de lazer. Dizem que o Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional queria não autorizar, como dizem que não autorizou, mas, ficou, por assim dizer, vexado, e deixou para lá, porque, na verdade, um outro Ministério tinha dado milhões de reais para a montagem da feira. E mais, a Prefeitura do Rio de Janeiro vem fazendo não só ouvidos moucos, como tem se omitido e até incentivado que nesse local sejam feitos megaeventos, festas, casamentos, apropriação privada dessa área pública.Sua cerca só foi diminuída na área do Bosque de Piquenique, não em função de uma benesse da Prefeitura, mas em função de uma ação popular de dois cidadãos cariocas, que pediram a desocupação da área do Bosque de Piquenique da Prainha. E dizem até que a destruição interna, a descaracterização do Hotel Glória por parte do novo proprietário, já teria obtido – e é bom que se investigue, senhores, uma autorização para esse empresário usar a praça pública em frente ao hotel -, mais de R$ 200 milhões do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social para fazer essa reforma, que descaracterizou um dos mais tradicionais hotéis do Rio de Janeiro.
Então, Sr. Presidente, é absolutamente lamentável que a Prefeitura siga no seu projeto de destruição de áreas verdes e parques. E nele, Sr. Presidente, para concluir – ainda não entrei no segundo assunto – se nós ligarmos o que está acontecendo no Parque do Flamengo, na Marina da Glória, sua privatização; juntarmos com a destruição de 15% da APA de São José; juntarmos com o projeto que está em tramitação nesta Casa, que visa a doar para o Campo de Golfe parte da área pública do Parque de Marapendi, que está prevendo também a construção de um Campo de Golfe em Área de Conservação da Vida Silvestre; que autoriza um hotel internacional, um resort dentro de uma APA sem Relatório de Impacto de Vizinhança e sem licenciamento municipal de Meio Ambiente- só do INEA; se juntarmos com a destruição da Mata Atlântica em Deodoro, com a destruição de mais de 700 árvores na Ilha do Governador, vemos que é lamentável. E mais, com a destruição do Patrimônio Esportivo Educacional e Atlético do Maracanã, nós vemos que é galopante a política de demolição e destruição do Patrimônio Ambiental e Cultural da nossa Cidade do Rio de Janeiro.
Por isso, deixo esse registro, que se soma à nossa luta constante em nosso site, que noticia todo dia o que vem acontecendo. É lamentável que a Prefeitura, que brada tanto pelo patrimônio de dinheiro dos royalties, não saiba cuidar do patrimônio natural e cultural do Rio de Janeiro.
Obrigada.