Discurso - Vereador Paulo Pinheiro -

Texto do Discurso

O SR. PAULO PINHEIRO – Senhor Presidente dos trabalhos, Vereador Rocal; senhores vereadores presentes; funcionários da Casa; senhores assessores da Casa; pessoas que estão visitando a Casa; aqueles que estão nos assistindo pela TV Câmara, que nos assistirão, depois, pelas redes sociais – é mais tranquilo, não é, Vereador Brizola, quando falamos em um ambiente mais vazio? Toda vez – eu gosto de insistir nisso – eu tenho absoluta certeza de que eu estou sendo ouvido nos 51 gabinetes. Estão todos os vereadores lá, prestando atenção exatamente no que estamos falando aqui, da mesma maneira que prestam atenção quando estão aqui no Plenário. Muito!
Nós tivemos, ontem, um episódio nesta Casa que repercutiu muito mais aqui dentro da Casa do que do lado de fora. Inclusive, não deu tempo de a imprensa formal repercutir. E saíram algumas notícias estranhas. Sempre temos muita preocupação quando essas matérias são feitas rapidamente, quase no meio da noite, de que algumas notícias saiam. Saiu uma notícia e nós, da bancada do PSOL, vários de nós fomos procurados hoje pela manhã, porque num órgão de imprensa, exatamente na coluna Radar, da revista Veja, que é uma coluna on-line, saiu uma notícia de que nós estaríamos, hoje, apresentando uma proposta de impeachment do prefeito Crivella. Olha, não falta vontade, mas não é verdade. Não preparamos absolutamente nada. De manhã, nós da bancada, conversamos pelo WhatsApp da bancada – porque todos fomos surpreendidos pela notícia – e não temos nenhuma pauta bomba preparada para isso. Não faltam argumentos, não faltam motivos. Mas as coisas ainda não chegaram a esse ponto.
O que aconteceu ontem: nós temos opiniões divergentes aqui dentro da Casa. Eu acho que a nossa conduta foi correta, porque tentaram atribuir essa história de que se nós, a bancada do PSOL, tivesse votado ontem, nós, hoje, estaríamos preparando o impeachment do Crivella. Não é bem assim, porque nós não estamos aqui... Apesar de todos nós termos uma grande vontade de acabar com a esculhambação que é o Governo Crivella – não tenho dúvida disso, disse isso ontem aqui –, não queremos a qualquer preço.
Nós não queremos, não achamos que seja correto que o Rio de Janeiro tenha um novo prefeito eleito pela Câmara de Vereadores. Essa foi a nossa grande divergência ontem. Nós não achamos que, feito o impeachment do Governo Crivella, a Câmara Municipal devesse escolher o seu sucessor – e era isso que estava em discussão ontem.
Muita gente não entendeu bem o que aconteceu. É preciso esclarecer para que possamos entender com detalhes Ontem aconteceu o seguinte: havia um projeto do Vereador Prof. Célio Lupparelli que era sobre pagamento do 13º salário, para o prefeito não atrasar o pagamento do 13º salário. O projeto já vem há longo tempo, já tinha tido uma 1ª votação, já estava na 2ª votação e, aí, aconteceu algo que só quem trabalha na Câmara conhece bem. Quem não é da Câmara não entende esse termo: “enfiaram um bacalhau no projeto”. O que é isso? Pegaram um projeto que estava pronto para ser votado e enfiaram uma emenda que não tinha nada a ver com o projeto. O projeto falava em pagamento do 13º salário, não havia atraso de pagamento, e a emenda falava sobre mudar a Lei Orgânica do Município. Não entende nada, ninguém vai entender nada, porque é realmente para não entender.
E o que se queria com isso? Algo que já está sendo tentado há algum tempo. E aí que fica a maluquice, realmente, da nossa vida hoje. Como é que vamos entender que um grupo de vereadores desta Casa, um grupo razoavelmente grande de vereadores desta Casa, brigou, defendeu o Governo Eduardo Paes durante os seus oito anos de governo, ficou aqui e fez coisas do arco da velha para defender o Governo Eduardo Paes, achou que era o melhor governo, fez de tudo para eleger o Pedro Paulo e, quando mudou o governo, boa parte dele se virou para fazer o mesmo com o Crivella. São eles todos – a maior parte deles –, por exemplo, o Líder do Governo na Casa agora. O líder do Prefeito Crivella era o mesmo Líder do Governo Eduardo Paes. É um líder que serve a dois senhores. Muito bem. Não há nada de ilegal, não.
Agora, é difícil entender, já que um governo critica o outro, entende? E o pior de tudo: ontem, este líder, que era do Eduardo e passou a ser do Crivella, votou contra o Crivella. Só enchendo isso aqui de psicanalistas e, mesmo assim, acho que não vamos nos entender. Mesmo com 51 psicanalistas aqui nos ajudando, nós não vamos entender isso. Então, o que aconteceu ontem é...
É evidente, nós apresentamos aqui um pedido de impeachment do Crivella no ano passado, nós temos discutido e temos feito críticas globais ao Governo Crivella no transporte. Teve uma CPI aqui presidida pelo Vereador Tarcísio Motta, que foi esclarecedora sobre o que está acontecendo no transporte. O Governo Crivella não aproveitou nada. Não aproveita nada do que foi denunciado, mostrado claramente, apresentado na CPI.
Tivemos aqui discussões sobre o secretário de educação. Houve uma briga e derrubaram o secretário de educação, colocaram outra secretária de educação e não tivemos nenhuma diferença nisso. Discutimos aqui, constantemente, a questão do BRT, a questão do transporte urbano, a questão das escolas, a questão da climatização dos ônibus, a questão da climatização das escolas. Na saúde, então, é matéria todo dia. Todo dia, basta abrir qualquer órgão de empresa, entrar na internet. Nós temos, todo dia, matéria mostrando o caótico programa de saúde municipal vigente hoje em dia. Problemas todos os dias. Falta completa de gestão. O Prefeito Crivella, quando se coloca o microfone na sua boca, aquilo vira uma arma, uma arma contra ele. Eu já disse várias vezes que o Governo Crivella tem uma doença autoimune. O Governo Crivella tem uma doença autoimune: ele mesmo se destrói.
E o que aconteceu ontem foi isso. É preciso que tomemos cuidado para o dia seguinte ao terremoto, que é hoje. O que nós vimos ontem, aqui, foi que vereadores... Eu fiquei impressionado, houve uma coisa que eu classifiquei ontem como pobre, um ataque ao Jacaré.
Aqui, nesta segunda cadeira, o Vereador Tiãozinho do Jacaré, que é um Vereador novo na Casa, é suplente, está ocupando a vaga de outro Vereador do partido do governo, deixou para votar por último. Tinham 33 votos ali, e com um voto a mais era aprovado o fim do Governo Crivella, definitivamente, a partir do dia seguinte, que é hoje. Ele não sabia como votar – coitado –, foi pressionado, seguraram na mão, tentaram segurar o Jacaré pelo pescoço, não conseguiram domar o nosso querido Jacaré, e ele ficou “vota, não vota” uns 10 minutos.
Vereadores aqui que defenderam o governo até anteontem, vereadores que querem implantar projetos com o apoio do governo aqui neste microfone estavam lá, puxando o braço do “Jacarezinho”, para que ele votasse contra o governo, e ele acabou não votando contra o governo. O voto dele, realmente, foi decisivo, para o bem do meio ambiente não houve a caça do Jacaré com sucesso ontem, não aconteceu, claramente, não aconteceu.
O que nós estamos vendo é: e hoje, como é que será a tarde de hoje, naquele microfone ali, o Líder do Governo pedindo para se aprovar um projeto do governo no dia seguinte em que ele votou contra o projeto do governo? Projeto que poderia acabar com o governo do qual ele é o Líder? Realmente, é para a gente poder ter calma para entender o que está acontecendo nesta Casa – e a nossa posição foi muito clara.
Nós não temos nenhum projeto pronto de impeachment do Prefeito, nós já fizemos dois, por duas vezes tentamos, e alguns dos vereadores aqui ficaram aborrecidos, por exemplo, quando a gente explica para a população lá fora – e aconteceu isso comigo, vieram aqui reclamar de mim, que eu estava sendo antiético porque coloquei no meu Facebook os nomes dos vereadores que votaram a favor do Crivella, para ele não ser retirado da Casa. Aí, fizeram uma crítica a mim, dizendo que isso era antiético, que isso era para ser discutido aqui dentro.
Da mesma maneira, votaram a favor do aumento do IPTU – o que significa isso? Significa que esses vereadores não querem que haja publicidade do seu voto, mas eles têm todo o direito de votar em quem quiser. Agora, eu acho que não serve para esses vereadores, eu acho que não devemos dar a eles o direito de escolher o Prefeito, acho que nós não podemos fazer isso. Eu lamento essa situação.
Estou vendo aqui presente o nosso querido ex-Vereador Professor Uoston. Ele, quando chegou ao “campo de combate”, o morro todo caiu em cima dele ou do lado dele. Graças a Deus não o afetou! O senhor está incólume aí, está vivo, perfeito, escapou do terremoto de ontem com poucas escoriações, mas o que é que nós temos que ver aqui, dentro desta Casa? O que nós vamos fazer a partir de agora?
Eu não tenho dúvida de que daqui a uma, duas, três, quatro semanas, no máximo, a CPI comandada pela Vereadora Teresa Bergher sobre a Comlurb, terá – já tem, pelo que eu ouvi ontem, pelo que ouvi de outras vezes –, ou melhor, já tem argumentos suficientes para mostrar que o Prefeito Crivella participou, organizou e a máquina pública foi usada na campanha eleitoral a favor de seu filho e de outros candidatos que estavam lá. Nós vimos ontem, aqui, os responsáveis pela Comlurb, diretores da companhia, motoristas no outro dia, que claramente utilizaram a quadra da Escola de Samba Estácio de Sá para palanque eleitoral – não tenho dúvida disso.
Outras denúncias correm pela Casa a respeito de uma série de irregularidades. Se a gente quisesse rapidamente mostrar em que o Governo Crivella foi pior, bastava pegar as publicações de jornais, a internet, as televisões, os programas de rádio, todos os dias, pois, diariamente, o Prefeito Crivella vai ao microfone e diz coisas que o pior inimigo não imaginava que ele fosse dizer – e ele vai lá e diz isso.
Vejam só os absurdos que são ditos, ou seja, a cidade... Alguém precisa dizer ao Prefeito: “Não fala isso, Prefeito”. Ele vai, leva aquele bando de pessoas ao lado dele, vai lá no Hospital Salgado Filho, junta os funcionários que estão aborrecidos com ele, doidos para jogar um ovo na cabeça dele, mas ficaram lá quietinhos do lado dele, e ele inaugura o tomógrafo. Tomógrafo necessário, Prefeito. Não é possível estar há um ano o Hospital Lourenço Jorge sem tomógrafo, o Souza Aguiar sem tomógrafo. Sabe o que é tomógrafo? Se você der uma pancada com a cabeça e for para o hospital, a tomografia é essencial para saber o que vai fazer com você. E nós temos as principais emergências do Rio sem tomógrafo; apesar de ter tomógrafo, o tomógrafo parou. E por que não tem conserto? Porque o Prefeito não paga as empresas. As empresas não fazem a manutenção do tomógrafo. Aí ele comprou outro. Brilhante! Parabéns, comprou nove tomógrafos. Vai ao Souza Aguiar, mostrando que não tem assessoria, que não tem alguém, pelo menos o filho dele para dizer: “Pai, não faça isso”. Ele vai e diz o seguinte: “Cidadão, estamos inaugurando um aparelho que custou R$ 1,4 milhão, com dinheiro meu, das emendas que eu fiz quando era senador. A partir de amanhã, 4.500 pessoas por mês vão ter a tomografia. Podem usar. Vejam que me criticaram, está aqui o tomógrafo”. Esqueceram de dizer a ele que o tomógrafo não funcionaria no dia seguinte. O que aconteceu? No dia seguinte, a imprensa está lá para mostrar que o tomógrafo não está funcionando, que o tomógrafo tem de ser calibrado. Precisava dizer a ele que tomógrafo não é pen drive, que você enfia no equipamento e utiliza. O tomógrafo tem de ter calibragem. O pessoal que vai trabalhar naquele equipamento tem de ser treinado. Esse é um pequeno exemplo, igual ao que ele fez no ano passado, que levou a televisão para mostrar a chegada de um caminhão de soro ao depósito da Prefeitura. Vejam! Ele esqueceu que aquele caminhão de soro não dá para metade do mês no Souza Aguiar.
Portanto, o resultado disso é o que estamos tendo hoje no Rio de Janeiro: uma cidade abandonada, uma cidade largada, um governo que não tem condições de continuar dessa maneira. Mas nós aqui continuamos defendendo. Queremos que esses vereadores que tiveram essa oportunidade... O que eles queriam ontem, eles tiveram oportunidade no início do ano, quando foi votado aqui, por duas vezes, o pedido de impeachment do Prefeito. Por que não fizeram lá? Sabe por quê? Porque lá, se houvesse o impeachment do Crivella, quem elegeria o novo Prefeito seria o povo lá fora. O povo é que elegeria, não os vereadores.
Eles querem tirar o Prefeito, mas querem tirar o Prefeito para que a Câmara vote o nome de outro candidato. É com isso que nós não concordamos. Nós queremos muito, temos sido oposição ao Governo Crivella o tempo inteiro, mas não podemos pedir, solicitar e querer que o Prefeito seja retirado por uma modificação na regra do jogo. Não tem tapetão para nós nisso aqui. Não pode mudar a regra do jogo. Queremos mudar a regra? É preciso mudar a regra? É preciso. Vamos mudar a regra para a próxima Legislatura, a partir do ano que vem, a partir do outro ano. Quando terminar a Legislatura do Prefeito atual, vamos mudar a legislação, vamos fazer com que nos dois primeiros anos seja eleição direta e nos dois anos seguintes seja eleição indireta, como manda a Constituição. Nós topamos isso. Não topamos é fazer isso agora na calada da noite, porque queremos tirar o Crivella e botar alguém que queremos.
Finalmente, Senhor Presidente, estou muito preocupado, porque tenho dito o tempo inteiro, vou encerrar com essa frase, e o Senhor Presidente vai entender bem minha frase. Eu tenho dito o tempo todo, qualifiquei aqui um cidadão que trabalha para o governo há muito tempo e tenho sido crítico desse cidadão. Hoje estou preocupado para entender como está a vida desse cidadão. Eu falo daquele que chamei de “primeiro-ministro” do Prefeito Crivella, o ex-Vereador Paulo Messina. Estou preocupado. Como tem aquele jogo “Onde está Wally?”, não é isso? Onde está o Messina?