Discurso - Vereadora Teresa Bergher -

Texto do Discurso

A SRA. TERESA BERGHER – Senhor Presidente desta Sessão, senhores vereadores, senhoras vereadoras, funcionários, boa tarde a todos.
Especialmente hoje, eu subo a esta Tribuna para parabenizar um projeto vitorioso, um projeto que é exemplo de vida, de amor e de tolerância. Ontem, a Orquestra Maré do Amanhã inaugurou a sua sede na comunidade. Foi, sem dúvida, um dos momentos mais emocionantes que eu vivi naquela região. Eu não poderia deixar de aplaudir, de parabenizar o Maestro Carlos Eduardo dos Prazeres pela sua luta junto à iniciativa privada, às empresas, ao BNDES e ao próprio governo do estado, que contribuiu bastante para que aquela sede saísse do papel.
Agora, com conforto, com toda uma perspectiva de melhora na vida dessas crianças, desses jovens, eu parabenizo aqui mais uma vez o projeto. Eu tive o orgulho de aprovar nesta Casa, por unanimidade, a Medalha Pedro Ernesto para a Orquestra Sinfônica Maré do Amanhã.
A história desse projeto é muito bonita. O Maestro Armando dos Prazeres foi assassinado em 2006. E vejam que coisa impressionante: ele foi assassinado possivelmente por bandidos da Maré. O curioso é que seu filho, o Maestro Carlos Eduardo dos Prazeres, resolveu abraçar aquela comunidade e tentar salvar crianças e jovens das barras do tráfico. E, para isso, ele escolheu exatamente a Maré. Segundo confirmação, dali teria saído o assassino ou teriam saído os assassinos responsáveis pela morte do seu pai. Ele implantou o projeto Orquestra Sinfônica Maré do Amanhã e teve um êxito fantástico.
A Orquestra já se apresentou no Vaticano para o Papa Francisco. Hoje, ela já atende mais de 3.000 crianças. E um detalhe: parece-me que na gestão do nosso ex-Secretário César Benjamin, todas as escolas da Maré passaram a ter aulas de música. Então, acho que nós aqui desta tribuna, não poderíamos deixar de parabenizar esse homem, esse ser humano fantástico, que respondeu ao ódio, à intolerância, à maldade com amor. Parabéns ao nosso querido maestro Carlos Eduardo dos Prazeres. E também, fiz um registro há pouco, um dos vereadores que me antecedeu falou da questão da Saúde. E eu, muito rapidamente, Senhor Presidente, queria dizer que o Prefeito Marcelo Crivella, que prometeu cuidar das pessoas, ele retirou nada mais, nada menos, nos últimos dois anos, aproximadamente um R$ 1 bilhão da Saúde. Isso é muito sério, isso é muito grave.
Ele, que prometeu, durante a sua campanha, que a cada ano, a Saúde seria beneficiada com R$ 250 milhões. É lamentável, é triste, e isso a gente não precisa dizer aqui de público, que o prefeito retirou um R$ 1 bilhão da Saúde, que isso está tão claro nas nossas unidades de Saúde. Falta tudo nos nossos hospitais. Imaginem uma mulher dando à luz no chão de uma emergência. Confesso aos senhores que naquela situação, embora os profissionais prestadores de serviço não estivessem recebendo, eu acho que também houve uma falta de humanização, uma falta de respeito à dignidade daquela mulher. Então, aqui nesta Casa, temos uma Comissão de Saúde, temos vários colegas médicos e eu acho que tem que haver um levante sim. Criar-se, talvez, uma frente parlamentar de atenção, de propostas urgentes para a nossa Saúde que está tão abandonada. Sem a menor sombra de dúvida está no CTI.
E falando em Saúde e falando no assunto inicial, que foi a minha ida à Maré na inauguração da sede da Orquestra Sinfônica Maré do Amanhã, eu quero dizer aos senhores, Presidente, a Maré está num abandono total. São pilhas e pilhas de lixo por toda a região. E o que significa isso? Isso significa proliferação de doenças. É muito grave a situação que vive a Maré hoje. Também, Saúde totalmente abandonada. Clínica da Família não funciona.
Uma clínica nova, inclusive, uma das clínicas inauguradas bem recentemente. Tudo funcionando precariamente, mas eu vi também esse descaso com o lixo, com a limpeza que só pode proliferar e trazer um número maior de doenças para a região. E ainda falando em Comlurb, Senhor Presidente, eu não poderia deixar, aqui, neste momento, também, de fazer uma referência e perguntar ao senhor prefeito onde andam, para onde foram levadas as papeleiras do Rio de Janeiro. Não é somente da orla não – como denunciou recentemente o Jornal O Globo – mas também de toda a cidade.
Eu escrevi alguma coisa no meu Facebook sobre o assunto e foram inúmeras as regiões: “Ah! Eu moro em Campo Grande e as lixeiras sumiram todas”. “Eu moro em Cavalcante e todas as papeleiras sumiram”. Inúmeros locais onde as papeleiras, essas lixeiras sumiram. Eu conversava até com uma funcionária do meu gabinete que me relatava que, no Recreio dos Bandeirantes, a própria Comlub retirou as papeleiras.
Então, nós, claro, vamos entrar com um requerimento de informações junto à Comlub e queremos saber o destino, sim, dessas lixeiras. Possivelmente, também por conta disto, a nossa cidade esteja tão suja, tão abandonada. Eu já não reconheço a Comlurb do passado, que era a empresa mais bem avaliada pela população. Não reconheço mais o trabalho extraordinário que realizava a nossa Comlub.
Mais ainda, Senhor Presidente: no governo que não foi o do atual prefeito, e parece-me que nem do Eduardo Paes, talvez do prefeito Cesar Maia, a Comlurb recebeu outra atribuição, que foi a poda de árvores. A nossa cidade está abandonada também nessa questão, e aí a iluminação fica muito mais deficiente, propiciando mais crimes, mais violência. Infelizmente, também, este trabalho, que é de competência da Comlurb, não vem sendo realizado. Ou, se vem sendo realizado, vem sendo de maneira muito precária.
Senhor Presidente, vou além: eu me lembro de que, no passado, quando nós pedíamos a poda de árvores, as árvores eram realmente podadas porque existiam técnicos e existiam pessoas qualificadas para fazer aquela poda. Muitas vezes, a árvore estava doente, ela precisava ser tratada, e era feito todo um trabalho de recuperação das árvores no nosso Município do Rio de Janeiro, um trabalho que merecia o nosso aplauso porque árvore, sombra, verde é vida, é cuidar, sim, do meio ambiente.
Infelizmente, hoje, isto não acontece. Você chama a Comlurb para podar as árvores na sua rua, e o que acontece? Eles condenam de maneira absurda essas árvores, vão cortando imediatamente, na minha avaliação, sem nenhum critério técnico. Eu olho, por exemplo, a Rua Barão da Torre, em Ipanema, e tenho quase certeza que foi para atender a interesses que eu desconheço. Era uma rua arborizada, uma rua saudável, uma rua bonita. Hoje, não tem praticamente árvores na Rua Barão da Torre.
Sou uma privilegiada, moro no Flamengo, numa rua também bastante arborizada e o que aconteceu? Tinha uma árvore em frente ao meu prédio, eu mesma liguei para a Comlurb pedindo a poda. Quando olhei, a árvore simplesmente foi cortada. Uma rua pequena... Hoje acredito que, nos últimos dois ou três anos, já tenha tido o corte de aproximadamente quatro árvores.
Então, chamo a atenção dos senhores vereadores para esta questão, a questão da Comlub, que já foi uma grande empresa, sim. Como eu disse, a empresa mais bem avaliada da Cidade do Rio de Janeiro, e hoje seus serviços também estão precaríssimos, Senhor Presidente.
Muito obrigada.