Discurso - Vereadora Teresa Bergher -

Texto do Discurso

A SRA. TERESA BERGHER – Senhor Presidente desta Sessão, boa tarde; boa tarde a todos, vereadores e vereadoras.
Eu confesso ao senhor que o meu objetivo inicial de vir a esta Tribuna não era exatamente este com que vai servir a minha fala, que foi uma parte do pronunciamento do nobre Vereador Paulo Pinheiro. A gente fica até estarrecida.
A questão que me traz aqui é que o que ele abordou vem mais ou menos ao encontro do assunto que nós estávamos abordando na CPI dos Camarotes. Então, lá estávamos falando de Carnaval e, coincidentemente, cheguei aqui e encontrei o Vereador Paulo Pinheiro falando do mesmo assunto, que é muito preocupante. Muito preocupante porque a gente percebe que essa questão do carnaval é grave, sim. Eu me lembro que, em 2007, fiz a CPI do Carnaval e até aquela época o Ministério Público proibia que a Prefeitura subsidiasse o Carnaval carioca. Depois veio o governo Eduardo Paes e eu acho que se criaram mecanismos que passaram a permitir que a Prefeitura ajudasse o maior evento da cidade. Mas também eram outras épocas.
Em 2007, as escolas recebiam dinheiro de todo mundo: do governo federal, da Petrobras, do governo do Estado, então era uma realidade econômica bem diferente daquela que nós vivemos hoje. Mas muito bem colocado pelo Vereador Paulo Pinheiro, quando ele diz que no carnaval carioca, o turismo acaba injetando na cidade quase R$ 4 bilhões, ou seja, R$ 3,8 bilhões, o que é muito bom para cidade.
O Rio de Janeiro é o estado com maior índice de desemprego, um dos maiores do Brasil, e quando nós temos a oportunidade de ouvir que deve se investir nas nossas crianças, deve se investir no sei em quê, tem que se investir em tudo, claro! Mas o Carnaval também é importante, porque ele traz aí R$ 3,8 bilhões, o que significa mais empregos para cidade, um movimento grande na economia da nossa cidade.
Também ouvia, quando se falou na questão do que está se gastando com publicidade, e é assustador. Por que é assustador? Porque falta dinheiro para tudo! Falta dinheiro para educação, as nossas crianças estão recebendo uma merenda péssima e está lá uma propaganda enganosa dizendo que a escola abre aos sábados e a criança recebe também a refeição. O que a gente sabe que não é bem assim. Caiu assustadoramente o investimento na merenda escolar. Ora, se o investimento é menor, é evidente que a qualidade não pode ser melhor. Esta é uma realidade.
A outra realidade, como eu disse, falta dinheiro para tudo, mas não falta para publicidade. São R$ 54 milhões à disposição do senhor prefeito para ele investir em publicidade. O que é bastante, Senhor Presidente, é o que eu entendo. Então acho que a gente tem prioridade, sim. Compreendo muitas vezes a decisão do prefeito, que às vezes não deve ser fácil até em função da questão econômica do nosso município, mas priorizar publicidade, principalmente quando se trata de propaganda enganosa, eu considero muito grave.
Agora eu vou exatamente ao assunto que me traz a esta Tribuna. No domingo foram até a minha portaria três ou quatro moradores da minha região, me implorando para conseguir que fosse retirada uma árvore que tinha caído na Rua Gabriela Mistral, que é uma rua muito próxima à minha, em frente ao nº 10. Eles já haviam ligado para o 1746, já haviam falado com não sei quem, com uma porção de pessoas até, segundo uma das senhoras, pessoas influentes, e que não estavam conseguindo resolver o problema da retirada da árvore.
E essa árvore estava impedindo o acesso à garagem desse prédio nº 10 da Rua Gabriela Mistral. Desse lado, aliás, só tem um prédio; do outro são mais antigos. Eu também talvez não seja a pessoa mais certa para conseguir agilizar essas questões, para dar celeridade nesse processo, então, fiz o que qualquer cidadão faria: liguei para 1746. A pessoa que me atendeu, uma senhora, foi muito atenciosa, sem nenhum problema, mas me disse que o prazo máximo era de 24 horas. Eu liguei por volta das 14 horas e, à noite, novamente, a reclamação de que não iria ninguém de madrugada. Ontem, pela manhã, eu já tinha com quem falar diretamente na Comlurb, até com o Gabinete da Presidência, não com o Presidente, porque acho que isso é um direito do cidadão; não tenho que estar incomodando o Presidente.
Mas liguei para a Presidência, falei com uma senhora chamada Márcia – não sei qual é a função dela –, e ela me garantiu que iria tomar as providências necessárias, que seria enviada uma equipe o mais rápido possível. E, para nossa surpresa, Senhor Presidente, essa equipe chegou – devo ter ligado às 10 horas da manhã – 28 horas depois do meu pedido de ontem, e a árvore ficou quase 72 horas no meio da rua impedindo o acesso de veículos, especialmente a esse edifício nº 10 da Rua Gabriela Mistral.
Então, o que a gente percebe é que tudo está no abandono total. Eu questionei, aqui, o presidente da Comlurb, meu contato com ele tem sido permanente, porque ele também já participou da CPI das Enchentes; já veio, também, para a nossa CPI da Comlurb; e aqui, no Plenário, quando nós estávamos discutindo a LDO. Então, o que a gente percebe é a nossa cidade, realmente, está, como foi colocado numa manchete de um jornal, caindo aos pedaços!
As ruas estão numa buraqueira total! Isto em todos os locais da cidade. Todos! Moro no Flamengo, todo dia pego o mesmo itinerário. É muito buraco. A gente não vê disposição no Prefeito em resolver os problemas da cidade. Imagine o senhor desses R$ 54 milhões para publicidade, quantos buracos não poderiam ser tampados na nossa cidade? Quantas ruas não poderiam ser asfaltadas?
Esse “tapa-buraco”, que sempre existiu na cidade, hoje, não existe mais. Não se tapa mais buraco na cidade, ela está num abandono total. Asfalto, eu posso afirmar, não teve nada nesta gestão, que está quase terminando, e nós continuamos esperando que o Prefeito cuide das pessoas, e é isso que ele deveria fazer: cuidar efetivamente das pessoas, e não com publicidade enganosa em horários nobres da TV. É lamentável que nós tenhamos que viver esta realidade
Meu foco, hoje, é Comlurb, pois o Prefeito reduziu assustadoramente seu orçamento. Então, não podem acontecer milagres.
O que nos surpreende é que o presidente, quando vem a esta Casa, era a oportunidade que ele teria, se ele realmente fosse um servidor responsável, para cobrar de nós, vereadores, uma melhora nesse orçamento da Comlurb; mas não é assim. Ele chega e diz que todo funciona muito bem, que o número de veículos é suficiente, que o número de garis é suficiente, quando nós sabemos que não é.
Até bem pouco tempo atrás, nós íamos às ruas e víamos o gari de um lado para o outro trabalhando, circulando. Hoje, é muito difícil se encontrar um gari realizando seu trabalho. Sinceramente, eu não estou aqui para criticar o trabalho dos garis não, pois esses trabalhadores são eficientes, são comprometidos com a atividade deles. O que acontece é que não se pode fazer milagre! E o que a gente continua vendo é que, lamentavelmente, os gestores chegam aqui na hora de discutir a LDO e simplesmente não cobram nada dos senhores vereadores. É lamentável! E mais lamentável ainda é que só haja preocupação com investimento naquilo em que não deveria haver preocupação.
Vamos fazer propaganda sim. Nada contra. Eu acho que um bom governo tem que mostrar os seus feitos sim, não tenho nenhuma dúvida. Todos fazem isso. Mas, quando efetivamente acontecem bons feitos na cidade, quando efetivamente acontecem coisas do interesse do cidadão. Lamentavelmente não é o que vem acontecendo na gestão Marcelo Crivella.
Muito obrigada, Senhor Presidente.