Discurso - Vereador Renato Cinco -

Texto do Discurso

O SR. RENATO CINCO – Senhor Presidente, senhores vereadores, senhoras vereadoras, senhores e senhoras, eu acho que todos que acompanham os meus discursos aqui na Câmara Municipal sabe que eu sou um orador um tanto quanto explosivo. Às vezes me irrito, me revolto, fico indignado, mas hoje eu estou triste, muito triste, quase deprimido.
Eu percebi que nesses anos aqui na Câmara, tem uma coisa que me deixa triste, não me deixa tão... claro, é revolta, é indignação mas o resultado é tristeza, que é assistir a derrota sem luta.
Ontem, foi um dia trágico para a classe trabalhadora brasileira porque a reforma da Previdência foi aprovada em segundo turno na Câmara dos Deputados. Mas o triste é ver o nível de traição das centrais sindicais, dos partidos de esquerda e dos movimentos sociais brasileiros. A reforma da Previdência foi votada sem luta. Eu percebi que é esse tipo de coisa que me deixa triste. Porque eu fiquei triste quando a reforma trabalhista foi aprovada sem luta, fiquei triste quando os impeachments, as duas votações do impeachment do Temer foram rejeitadas sem luta. De novo, a burocracia sindical brasileira, a burocracia dos partidos políticos do Brasil traiu o povo brasileiro. Traiu!
Ontem, havia uma manifestação convocada e todas as centrais sindicais, com exceção de uma, desmobilizaram a luta de ontem. Os partidos de esquerda desmobilizaram a luta de ontem. Os movimentos sociais desmobilizaram a luta de ontem. Essa é a pior tragédia que pode acontecer para classe trabalhadora de um país: ela ser fragorosamente traída por quem deveria mobilizar, informar, chamar para luta.
Sinceramente, hoje de manhã eu acordei sem nenhuma vontade de vir para cá. Qual é o sentido? Vir para cá militar, fazer política e na hora crucial da luta da classe trabalhadora brasileira a gente olha em volta e não encontra aqueles que deviam ser os nossos companheiros.
Ontem, teve um ato, deveria ser um ato convocado com todas as centrais, mas anteontem as centrais decidiram desmobilizar. Tinha três militantes da CUT na rua, 150 do CSP Conlutas, três da CUT, ninguém da Força Sindical, ninguém da UGT, ninguém da CGT. Os partidos de esquerda – não vou nem criticar senão vou ter que criticar o meu também – não estavam, não estavam nas ruas. E aí um dos companheiros ainda vem brigar comigo porque eu fiz um discurso inflamado, reclamando dessa traição.
“Não, você vai ver o dia 13! O dia 13 é que vai ser a luta!”
“Dia 13? A reforma foi ontem, dia 6!”
Aí o dia 13 é para quê? É para fingir que estão lutando contra a reforma da Previdência e ao mesmo tempo ser uma manifestação bem longe do primeiro e do segundo turno do senado, para os senadores ficarem tranquilos também em aprovar a reforma da Previdência sem previsão.
Olha! A classe trabalhadora brasileira precisa refletir profundamente sobre o que significa ser traído da maneira que ela está sendo traída pelos seus dirigentes sindicais, pelos seus representantes dos partidos políticos de esquerda e pelos movimentos sociais. Eu vou parar por aqui para eu não começar a entrar no nível de agressividade que eu possa me arrepender depois porque a classe trabalhadora brasileira ainda precisa desses líderes, desses dirigentes para tentar derrotar a reforma da Previdência nas duas votações do Senado
. Sinceramente, não acredito que vá ocorrer essa mobilização. Acho que parte da esquerda quer a reforma da Previdência aprovada, porque tem a esperança de voltar ao poder depois e não precisar sujar as mãos com a reforma da Previdência. E parece que uma parte dos sindicatos está negociando, secretamente, o seu silêncio em troca do retorno do imposto sindical.
Bom, espero que a classe trabalhadora brasileira perceba o que está acontecendo e faça uma bela de uma faxina nos sindicatos, nos movimentos sociais e nos partidos de esquerda.
Por enquanto, sigo aqui, mas sinceramente, sem ver muito sentido em seguir.