ORDEM DO DIA
PELA ORDEM


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Data da Sessão:09/04/2019Hora:04:42 PM
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Texto da Ordem do Dia

O SR. MAJOR ELITUSALEM – Senhor Presidente, caros colegas de Câmara. Ontem, enquanto nós debatíamos aqui, alguns afirmando que a Polícia Militar é uma polícia assassina, que entra na comunidade para ceifar a vida de inocentes, naquele exato momento oito policiais foram emboscados na UPP da Fazendinha, Complexo do Alemão. Eu disse oito policiais!
Um policial, dois policiais serem emboscados é um absurdo. Quando se fala em oito policiais, Senhor Presidente, é uma força de guerra! E por que oito foram emboscados? Porque é uma zona de guerra. O Rio de Janeiro se tornou uma zona de guerra. Eu poderia falar aqui, Senhor Presidente, durante horas sobre o que levou a esse estado, não é? Hoje, nós lutamos para evitar a implantação do “narcoestado”. A maior parte do território carioca e fluminense está sob o domínio de facções; portanto, retomar esses espaços, enfrentar essas facções é um dever do Estado lato sensu: Município, Estado e Brasília.
Durante esse ataque, Senhor Presidente, três policiais foram feridos. Dentre eles, um foi gravemente ferido: o Cabo Neves. O Cabo Neves pode ser só um nome para alguns aqui, mas ele era um pai de família, um marido, um filho. E, nesse ataque, ele foi vitimado fatalmente. O Cabo Neves deixou esposa e dois filhos.
Então, para aqueles que são críticos contumazes da polícia, eu vou fazer um apelo: falem do que sabem; se não sabem, não se manifestem. Querem conhecer a realidade policial? Eu os levo em qualquer UPP, em qualquer batalhão. Entrem na favela comigo. Não vamos avisar a associação de moradores, não, vamos entrar como policiais, e aí vocês vão saber como o policial é recebido. Você pode entrar com a arma nas costas, pendurada, sem arma na mão, que vão atirar contra você. E foi o que aconteceu, ontem, Senhor Presidente: atiraram contra o cabo Neves, atiraram contra a equipe dele. Foram três policiais feridos, ele não resistiu e morreu. Então, por favor, respeitem essa profissão.
Ontem, o Vereador Babá falou do alto índice de suicídios. Vocês sabem o que leva um policial a ter um conflito existencial? É porque ele faz um juramento perante a bandeira, perante a família dele, e, quando ele se lança contra o crime, ele entende que ele é um herói, que está fazendo aquilo pela sociedade de bem, enfrentando o mal. Ele está enfrentando o mal. Isso foi a minha carreira durante 19 anos: me lançar sob fogo para salvar pessoas de quem não sei nem o nome. Eu salvei uma senhora, certa vez, vítima de sequestro, gerente do Ponto Frio. Eu não sei o nome dela, mas quando eu consegui salvá-la do sequestro relâmpago, ela me abraçou e disse que Deus que me mandou.
O policial tem esse ethos de salvar a sociedade. Só que, quando uma autoridade abre a boca para dizer que o policial é assassino, isso afeta toda a instituição. Nós, o Parlamento, o Executivo, as autoridades da mídia, temos que chancelar a atuação policial, e não chamar o policial de assassino, de criminoso, por estar defendendo a sociedade. Ter vítimas de bala perdida é lamentável, é triste, não queremos isso, mas numa guerra é isso que acontece. Dois terços da população da Europa que morreram na Segunda Guerra eram inocentes. Então, por favor, se a gente não quer, Vereador Babá, continuar tendo um alto índice de suicídios nas instituições, vamos dar valor sim, com escola boa e salário bom, mas que a autoridade tenha a responsabilidade de, antes de abrir a boca e ofender a instituição, que ela saiba que isso mexe com o emocional daqueles homens e mulheres que estão ali para nos defender.
Senhor Presidente, eu queria pedir, em homenagem a esse combatente de Deus, esse combatente da luz, que o plano espiritual o receba de braços abertos. Quero pedir um minuto de silêncio para o Cabo Neves.

O SR. PRESIDENTE (ROCAL) – A Presidência acolhe a solicitação de Vossa Excelência.

(Faz-se um minuto de silêncio)

O SR. BABÁ – Pela ordem, Presidente.

O SR. PRESIDENTE (ROCAL) – Pela ordem, o nobre Vereador Babá, que dispõe de três minutos.

O SR. BABÁ – Quero me dirigir ao Vereador Elitusalem. Repito aqui que eu chamo várias vezes o Governador Witzel de assassino porque é isso que ele é.
Digo mais: no dia em que aconteceu aquele fato lamentável na Ponte Rio-Niterói, o governador, em vez de ficar lá no palácio esperando a hora para ouvir a notícia de que mataram, de que a Polícia Militar foi e atingiu aquele rapaz para salvar as pessoas que estavam dentro do ônibus, ele deveria ter sido o primeiro a pegar o helicóptero, descer na Ponte Rio-Niterói para negociar com aquele rapaz transtornado que estava ali dentro. Era a tarefa dele. Mas não. Ele ficou lá no Palácio do Governo. Aí, quando mandaram a notícia: “Olha, foi morto; o pessoal liberado.” Aí ele foi para lá de helicóptero para dar os seus pulinhos na ponte para tentar tirar daquilo um dividendo eleitoral. Isso é lamentável!
Nós estamos em busca do mandante do assassinato de Marielle, correto? O que o governador é, e o chamo de assassino porque ele é um mandante.
Quero colocar aqui que naquele mesmo dia, Vereador, ou no dia anterior – não estou bem lembrado aqui – um policial do Bope, um rapaz jovem, que teve um confronto anterior, decidiu que iria fazer um curso de Direito para poder se formar em advogado para poder sair, inclusive, do Bope. Aquele rapaz, um jovem, nesse dia foi, na verdade, fazer uma academia e, nos exercícios que ele fez, teve um ataque cardíaco e morreu. Sabe quantas vezes o governador assassino foi lá junto à família dele para dar os pêsames? Sabe quantas vezes ele se preocupou com aquele policial que teve um ataque dentro da academia e morreu? Nenhuma vez.
Essa situação é grave! Quando você falou do suicídio de policiais militares, é porque a vida é dura para todo mundo, inclusive para a Polícia Militar, que recebe um salário miserável, um salário vergonhoso – e acho que essa é a bandeira de todos que têm que defender policial. Eu defendo que eles tenham o mesmo salário do policial de Brasília.
O Witzel, que manda nessa situação, sabe quantas vezes ele se manifestou pela aprovação da PEC 300? Nenhuma. Assim como já passaram vários governadores aqui e também não aprovaram.
Mas Vossa Excelência falou que nós defendemos bandidos. Eu quero dizer a você que o bandido Sérgio Cabral, o bandido Pezão, todos que estão presos lá. Na época em que eram governadores, eles deram muitas ordens a policiais militares para arriscarem suas vidas. Eles sim são verdadeiros bandidos.
Quero colocar essa situação porque eu considero o governador deste estado um assassino. Porque quem, na verdade, quer faturar em cima da morte de pessoas não pode ser tratado de outra forma. E eu acho que Vossa Excelência tem que fazer uma crítica dura ao governador Witzel, porque ele não quer a aprovação da PEC 300, que está lá dormindo na Câmara dos Deputados há anos. Passou por vários governos: do FHC, do PT, do Temer e agora Governo Bolsonaro. Está lá. E os governadores não querem, eu finalizo aqui, sabe por quê? Porque a responsabilidade pelo aumento salarial dos policiais militares para se equipararem ao policial militar de Brasília é do Governo Federal e dos governadores e nenhum deles quer a aprovação disso aí porque não querem gastar, na verdade, para ter uma polícia que não fique desesperada para quando chegar à casa não ter uma alimentação digna pra dar para os seus familiares. Isso gera crise. E ao mesmo tempo, enfrentamentos que são colocados.
Agora, os verdadeiros bandidos, na verdade, como Sérgio Cabral, como Pezão, esses é que são causadores da crise total que a gente vive também.

O SR. PRESIDENTE (ROCAL) – Pela ordem o Vereador Tarcísio Motta, que dispõe de três minutos.

O SR. TARCÍSIO MOTTA – Senhor Presidente, virei aqui na semana que vem no horário de 2 às 4 pra fazer o debate sobre segurança pública. Muito importante o que o Major Elitusalem coloca aqui, mas queria também nesse pela ordem rapidamente, até para a gente ver se consegue votar mais alguns projetos de lei, pedir um minuto de silêncio pelo pedreiro José Pio Bahia Júnior, de 45 anos, que morreu ontem na Vila Kennedy, na laje. Eu não tenho nenhuma dúvida de que tanto ele quanto o cabo Rafael dos Santos Neves, a quem a gente acabou de homenagear corretamente aqui a Câmara são vítimas de uma política de segurança equivocada. Mas o debate sobre a política de segurança equivocada eu farei na próxima semana, mas acho que a cidade, a Câmara de Vereadores da cidade, o Legislativo da cidade também deve render sua homenagem póstuma, infelizmente póstuma, ao Juninho da Vila Kennedy, pedreiro de 45 anos, que tal qual o cabo Neves de 39 anos, idade muito próxima de muitos que estão aqui, faleceram vítimas deste processo que a gente tem vivido no Rio de Janeiro. Então, Senhor Presidente, eu peço um minuto de silêncio por José Pio Bahia Júnior, o Juninho da Vila Kennedy.
O SR. PRESIDENTE (ROCAL) – A Presidência acolhe a solicitação de Vossa Excelência.

(Faz-se um minuto de silêncio)