Discurso - Vereador Renato Cinco -

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Data da Sessão:05/08/2019Hora:03:31 PM
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Texto do Discurso

O SR. RENATO CINCO – Obrigado, Senhora Presidente, senhores vereadores, senhoras vereadoras, senhores e senhoras.
Depois das chuvas catastróficas que atingiram a nossa cidade este ano, provocando morte, destruição, alagamentos, deslizamentos, o que era de se esperar? Que o Poder Público ficasse mais sensível à necessidade de preservar as áreas verdes da nossa cidade, porque preservá-las é proteger a cidade de inundações, de deslizamentos.
Bom, infelizmente, a notícia que temos para hoje é a de que o Presidente Jair Bolsonaro, o Governador Wilson Witzel e o Prefeito Marcelo Crivella se uniram para destruir a Floresta do Camboatá, em Deodoro. Está aqui a notícia do Jornal O Dia, de hoje, dizendo: “Bolsonaro assina, hoje, Termo de Compromisso para Fórmula 1 voltar ao Rio”. Até aqui eu estaria feliz, sou a favor de a Fórmula 1 voltar ao Rio de Janeiro, sou a favor de termos um novo autódromo na nossa cidade. O problema é o subtítulo: “Novo autódromo será erguido em Deodoro, na Zona Oeste do Rio”. E, na matéria, fica muito claro que o que está se falando do terreno onde fica a Floresta do Camboatá.
Gente, eu estou ficando com dificuldade de entender as coisas. Ontem, eu brinquei aqui dizendo que eu tenho dificuldade de entender um presidente que corta verba da educação como tenho dificuldade de entender alguém que acha que pode dirigir e digitar no celular ao mesmo tempo. Agora, boto outro exemplo: como alguém pode defender a destruição de uma floresta para construir um autódromo, ainda mais numa cidade com os problemas ambientais do Rio de Janeiro, ainda mais quando nós temos alternativas?
Na sexta-feira, nós vamos fazer uma Audiência Pública para discutir a Área de Proteção Ambiental da Floresta do Camboatá. A APA já foi aprovada em primeira votação aqui, na Câmara Municipal. Temos que fazer a Audiência Pública para, depois, colocarmos em segunda votação. Eu vou apresentar, pelo menos, três alternativas para a construção do autódromo, de áreas de fácil acesso e já degradadas, onde não é necessário destruir nenhuma floresta para construir o autódromo.
Gente, é irracional! A floresta absorve cerca de 80% das águas da chuva. O que vai acontecer com os vizinhos da Floresta do Camboatá quando ela for retirada e for colocado um autódromo? Vamos ter mais enchente no Rio de Janeiro.
Algumas pessoas argumentam que o autódromo vai ser bom para a comunidade no entorno, porque vai trazer investimentos. Sei... Igual às Olimpíadas, igual à Copa do Mundo. Alguém no Rio de Janeiro ainda acredita em legado olímpico ou automobilístico? Ao contrário, é importante aquela população saber: se o autódromo foi instalado ali, quando tiver Grande Prêmio, o que estado vai fazer para garantir a segurança dos milionários que vão assistir aos Grandes Prêmios? Vai ter uma operação de guerra cada vez que os milionários resolverem visitar o autódromo em Deodoro?
Na verdade, aquela população, não só como o resto do Rio de Janeiro, não vai ver legado nenhum da construção do autódromo. Se tiver legado, vai ser negativo. Vai ser a presença constante de operações que podem violar os direitos dos moradores para garantir a entrada e saída tranquila dos milionários que vão assistir aos Grandes Prêmios.
Precisamos debater isso com tranquilidade. É importante que os apaixonados pelo automobilismo entendam o seguinte: nosso movimento não é contra a vinda do autódromo. Nosso movimento é contra a destruição da floresta. Insistir em fazer o autódromo na floresta pode atrasar em anos a construção do autódromo. Pode levar à criminalização dos responsáveis pela obra, porque a destruição daquela floresta é crime ambiental. Fere a lei de proteção da Mata Atlântica. Além de ser uma floresta em plena regeneração, o que já garante a proteção, ela ainda é Mata Atlântica em região de planície, que é mais raro, que é mais protegido pela legislação.
Então, eu faço um apelo ao Presidente Bolsonaro, ao Governador Wilson Witzel, ao Prefeito Marcelo Crivella e aos líderes do automobilismo: vamos juntos procurar uma alternativa que garanta a construção do autódromo sem a destruição da floresta. Quem quiser um autódromo no Rio de Janeiro, em um prazo curto ou médio, tem que ajudar a encontrar uma alternativa. Esse caminho de destruição da floresta vai levar à judicialização da construção do autódromo. Aí, ninguém sabe quanto tempo a Justiça vai levar para se decidir.
E, olha um exemplo também do que pode acontecer: em uma das audiências públicas que eu fui para discutir o autódromo, um dos defensores da construção do autódromo – pena que me escapou a cidade, eu não sei se a minha assessoria já me respondeu – deu como exemplo um autódromo parque construído na Alemanha dentro de uma floresta. Os ambientalistas presentes na audiência pública começaram a dar gargalhada. Um deles levantou o braço e gritou: “Já mandaram fechar. Vocês trouxeram o exemplo de um autódromo que destruiu uma floresta e, depois, foi fechado”. Foi fechado depois de se gastar milhões com a construção do autódromo. Uma das razoes é porque parte do automobilismo internacional tem compromisso ambiental e não concorda em fazer corrida em autódromo fruto de crime ambiental.
Ainda podemos ter esse problema. Gastamos milhões, destruímos a floresta e, depois, podemos ter, na verdade, pressão de vários setores do automobilismo para fechar o autódromo fruto do crime ambiental. Então, vou encerrar repetindo a frase que, para mim, marca essa luta: “Autódromo sim! Na floresta do Camboatá, não!”. Vamos arrumar outro lugar para esse autódromo poder ser construído.