Discurso - Vereador Eliseu Kessler -

Texto do Discurso

O SR. ELISEU KESSLER – Senhoras e senhores vereadores, boa tarde. Senhora Presidente, o que me traz a Tribuna hoje é um evento de grande importância que acontecerá no ano de 2020: o Congresso Mundial de Arquitetura. E eu, como profissional da área, não poderia ficar de fora, de lado, à mercê de um evento de tamanha importância que vai acontecer nesse período. E ele será realizada pela União Internacional de Arquitetos (UIA), do país e do mundo.
Trata-se do 27º Congresso Mundial de Arquitetura da União Internacional de Arquitetos. A UIA é uma organização internacional sediada em Paris, na França; foi criada na Suíça, em 1948, no final da Segunda Guerra Mundial, objetivando unir e representar os arquitetos de todo o mundo, sob uma perspectiva intercultural, multiétnica e multiarquitetônica, bem como ser o órgão federativo das organizações nacionais dos arquitetos pelo mundo. E, no nosso caso brasileiro, do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB).
A UIA atualmente agrega organizações profissionais de 124 países e territórios que representam mais de 3,2 milhões de arquitetos em todo o mundo. Não somos poucos. É reconhecida como a única organização mundial de arquitetura pelas agências da Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo aí a Unesco, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização mundial do Comércio (OMC), entre outras organizações geopolíticas. Ela realiza seus congressos de três em três anos, ao redor do mundo, sempre em países escolhidos previamente por critérios absolutamente técnicos.
Para mim, na qualidade de arquiteto e parlamentar carioca, sendo o único representante da minha classe nesta Casa de Leis, é um privilégio e uma honra poder conclamar todos os vereadores e vereadoras a participarem deste momento singular, uma oportunidade única para que a Câmara Municipal do Rio de Janeiro se integre, participe e aproveite os debates e eventos correlatos que acontecerão durante o congresso e que, certamente, produzirão inovações e soluções para os inúmeros problemas urbanos ao redor do mundo. Afinal, nós, vereadores, somos agentes ativos na implementação das leis e diretrizes urbanísticas da nossa cidade, não apenas como elaboradores, mas também como fiscalizadores dessas ações que tanto impactam a vida dos cidadãos cariocas.
Essa é realmente uma oportunidade valiosíssima, volto a afirmar, porque nesses 71 anos de existência, a UIA nunca realizou um congresso no Brasil. E considerando toda a América Latina, a última vez foi no México, em 1979, há exatos 40 anos.
Além disso, entre todas as capitais do Brasil de relevância histórica e arquitetônica, o Rio de Janeiro, para a nossa alegria, foi a cidade escolhida. Afinal, mesmo com todos os nossos problemas, o Rio de Janeiro ainda é o retrato do Brasil no mundo. Somos uma referência arquitetônica pelo simples fato de termos sido a capital da colônia portuguesa, do Império e da RepúbliCa. Por isso agregamos os mais variados estilos arquitetônicos, desde o colonial até o modernismo, passando pelo ecletismo, o Art Noveau e outros tantos, a cidade sempre sintonizada, nesses séculos de sua existência, com os momentos históricos e as transformações sociais e urbanas do Brasil e do mundo.
E mais: para este congresso, a UIA introduziu também o título de Capital Mundial da Arquitetura para as cidades que a partir de agora vierem a sediar seu congresso mundial. Então, o Rio de Janeiro, com este título, passa a ser a primeira capital mundial de arquitetura, reconhecida pela Unesco, a agência da ONU para a educação, a ciência e a cultura. Lembrando que o Rio de Janeiro ainda é reconhecido por ter recebido outros títulos pela Unesco, tais como o título de Primeira Paisagem Cultural Urbana, declarado Patrimônio Mundial Cultural e a Paisagem Carioca, além do Patrimônio Arqueológico do Cais do Valongo.
Paralelamente ao Congresso Mundial de Arquitetura, que ocorrerá na semana de 19 a 24 de julho de 2020, a UlA também irá promover o Primeiro Fórum de Cidades da Capital Mundial da Arquitetura, cuja agenda seguirá a agenda do Congresso, e receberá os prefeitos das cinco últimas cidades que sediaram o evento: Seul, na Coreia; Durban, na África do Sul; Tóquio, no Japão; Turim, na Itália; e Istambul, na Turquia, além do nosso prefeito e do prefeito da próxima cidade sede, Copenhagen, e demais autoridades envolvidas na realização do fórum.
A organização do evento inicia-se já neste ano de 2019, com diversos eventos preparatórios a serem realizados em todo o país – palestras, debates, concursos –, envolvendo os profissionais, os estudantes de arquitetura e a sociedade em geral.
Para finalizar, quero discorrer um pouco sobre o tema geral que dá nome a este 27º Congresso de Arquitetos: "Todos os Mundos, Um Só Mundo, Arquitetura 21".
Todos os Mundos — são muitos os mundos urbanos que, em sua diversidade e complexidade, exigem dos arquitetos, urbanistas, gestores e legisladores um olhar específico e cauteloso quanto às ações de planejamento, de projeto e da construção, que impactam diretamente a vida das pessoas no mundo. E aí ressalto e repito que nosso papel, como legisladores e fiscalizadores, é fundamental neste processo.
Um Só Mundo — porque todos vivemos uma mesma era, um só mundo integrado pelas novas tecnologias, pela velocidade das informações e também pelos impactos econômicos, políticos e sociais desta nova ordem mundial. E as cidades, que refletem tudo isso, podem conter as soluções para este intrincado mundo, via modos diversificados de intervenção urbana, cultural e ambiental para que as cidades se tornem mais humanas, aprendendo com sua história para atender às necessidades das próximas gerações.
Arquitetura 21 — São os desafios das novas arquiteturas para este século XXI. Das arquiteturas da pobreza e da riqueza que convivem lado a lado, dia a dia; do espaço público de interação e de integração; das arquiteturas monofuncionais e multifuncionais; das novas cidades e velhas cidades no mesmo espaço urbano.
Assim sendo, pretendo ir me aprofundando na discussão desses temas que serão debatidos à medida que os eventos preparatórios forem ocorrendo neste ano que antecede à realização do Congresso. Procurarei trazer aqui os detalhes dos preparativos e conclamo mais uma vez que a Câmara Municipal se integre a esse grande evento e tenha a oportunidade de dar sua contribuição às discussões sobre o futuro de nossa cidade no que diz respeito ao seu desenvolvimento urbano, social, ambiental e cultural.
Eu quero deixar aqui registrado: o arquiteto, as grandes cidades, pequenas cidades, cidades de pequeno porte, elas são planejadas. Ruas, lotes, terrenos, quadras, todas elas, no mundo inteiro, são idealizadas e projetadas por arquitetos. O arquiteto é o grande planejador; é o grande idealizador dos espaços onde eles não existem. Brasília, por exemplo, nossa capital federal, ela foi planejada em forma de avião – seu corpo central e as duas asas. Então, Brasília foi projetada por um grande arquiteto, pensando na forma de um avião. E muitas arquiteturas, nos dias de hoje, são pensadas ou pelas diversidades das suas criações, dos seus grandes nomes, dos seus grandes arquitetos – e nós acreditamos muito, também, na nova geração, nos arquitetos que estão se formando, porque vêm com ideias brilhantes, ideias que vêm dar formosura e beleza às cidades do mundo inteiro.
Então, é um orgulho muito grande o Rio de Janeiro sediar este grande congresso internacional. Para nós, capital, é de uma importância tamanha; para a nossa nação e, principalmente, para o Estado do Rio de Janeiro e sua capital. Porque nós estaremos recebendo nomes famosos do mundo todo, que estarão aqui discutindo as novas tendências arquitetônicas, os projetos existentes, os projetos passados, mas que, acima de tudo, estarão discutindo um mundo melhor, através da arquitetura.
Quero deixar aqui o meu registro em ser um parlamentar desta Casa, arquiteto, que tem um grande prazer em se envolver neste evento que estará acontecendo em julho de 2020. Quero participar ativamente da elaboração do Congresso. Estou recebendo, hoje, no meu gabinete, a Comissão Organizadora do Congresso Mundial de Arquitetura. Eu subirei, agora, para me encontrar com eles, porque o Legislativo precisa participar, precisa discutir, precisa se envolver, precisa estar inteirado de tudo aquilo que vai acontecer num momento tão importante quanto este.
Muito obrigado, Senhora Presidente.