Discurso - Vereador Tarcísio Motta -

Texto do Discurso

O SR. TARCÍSIO MOTTA – Senhor Presidente, Vereador Rocal, senhores vereadores e vereadoras aqui presentes, trabalhadores desta Casa, aqueles que nos assistem pela Rio TV Câmara, ou pela Internet, boa tarde!
E o Governo Bolsonaro, hein?! Que desgraça! Que desgraça! Que horror! Não passa um dia que esse tipo de pensamento não passa pela cabeça de uma grande parte da população brasileira! Acho que pode ainda não ser a maioria! Mas, se as pessoas pararem para pensar com um pouquinho de senso crítico no que está acontecendo, é muita coisa!
Infelizmente, Jair Messias Bolsonaro se mostra na Presidência da República aquilo que ele sempre foi, e que alguns achavam que, quando eleito Presidente ele podia mudar alguma coisa! Ele sempre foi um deputado medíocre! Que nunca participou de nenhum grande debate nacional!
Digam-me vocês qual o debate de importância nacional, Bolsonaro produziu ao longo das décadas que foi parlamentar, algum conhecimento importante sobre isso?! Talvez um ou outro consiga pescar uma fala dele sobre Segurança Pública, lá no senso comum, que tem que matar, que tem que bater! Mas, mesmo nessa área, a produção de Bolsonaro, como parlamentar, é medíocre! Como assim está sendo na Presidência da República!
Esta é uma questão muito além de ser um presidente de direita, ou um presidente autoritário, Bolsonaro é um presidente medíocre! Sem importância!
E, aí, eu queria dizer que, pela primeira vez, talvez, talvez na história do horário de verão, também, mas pela primeira vez, ontem, eu concordei com Bolsonaro: quando ele se comparou com Johnny Bravo! É aquele personagem do desenho animado, que eu acho que se alguém, aqui, nunca viu, vale à pena dar uma “googada” para descobrir quem é!
O Johnny Bravo era aquele personagem musculoso, com grande topete louro, que tinha uma característica fundamental: o seu egocentrismo! Ele era tão centrado em si mesmo, que isso fazia com que ele fosse incapaz de perceber a própria estupidez. Ele está tão centrado nele mesmo, nos seus mais próximos, na sua obsessão, que ele não percebe o quão idiota é!
E aí, o absurdo dos absurdos! Parece que o Presidente da República não entendeu o desenho animado! Não entendeu a ironia! Não entendeu a crítica que está implícita naquele desenho! “Portanto, eu não tenho problema”! Sim, Bolsonaro, você é um Johnny Bravo! Você é uma pessoa tão centrada em si mesmo, que sequer consegue fazer qualquer avaliação crítica sobre seus atos; qualquer questionamento dos seus princípios, das suas convicções! Nem mesmo quando um dado científico lhe é apresentado, consegue dizer: “É, então, eu posso, quem sabe, ter falado, ter errado nisso...!” Mas, também, tem como guru um terraplanista, que acredita que a Terra é plana!
Eu queria dizer, inclusive, naquele dia do debate sobre a Zona Leste, aqui, que nem na terra plana Barra e Recreio estarão na Zona Leste do Rio de Janeiro! Mas, é difícil, porque tem gente agora que é terraplanista, Vereador Rocal! Onde foi que erramos?! Para que uma parcela, como professores, para qual parcela da população ache... Na Idade Média e na Antiguidade, todo mundo sabia que a Terra não era plana!
Mas, eu não quero, porque o problema não são os atributos ou a falta de atributos pessoais de Bolsonaro, porque, se fosse a questão pessoal, a gente teria como dar tratamento. A questão é a política. Essa pessoa medíocre, esse Johnny Bravo virou o Presidente da República. Johnny Bravo está no Palácio do Planalto. Portanto, isso traz implicações muito sérias. A gente precisa dizer para aqueles eleitores de Bolsonaro que não viraram fanáticos, que ainda não são fanáticos, para aquele eleitor que votou sinceramente esperando alguma mudança: “Vocês foram enganados!”. E não adianta agora dizer que o PT é isso, o PT é aquilo. Foram enganados por Bolsonaro! Não se trata mais de falar de PT, de esquerda ou do que quer que seja. Vamos chegar juntos e ver quais são as alternativas para sairmos dessa desgraça em que estamos vivendo. Para isso, quero destacar três características do Governo Bolsonaro, que, em minha opinião, até têm relações com sua personalidade, mas são questões políticas da mais alta importância.
Primeira: o Governo Bolsonaro é corrupto! Em que sentido? Ele usa os cargos públicos, como, aliás, sempre o fez, para beneficio pessoal e familiar. Nepotismo! Uso do helicóptero para levar familiar a casamento; nomeação de filho para a Embaixada; milhões no cartão corporativo. São apenas exemplos de quem usa o cargo público para benefício pessoal e familiar. Mas não é só aí. O Governo Bolsonaro é corrupto também quando usa as mesmas táticas dos governos anteriores para aprovar a reforma da Previdência. Compra maiorias parlamentares, cede ao jogo sujo de quem quer dinheiro, cargo e obra para votar a favor ou contra uma proposta. Ele prometeu ser diferente disso, e não o é.
Segunda característica: o Governo Bolsonaro é um governo para os poderosos de sempre. Os dois principais grupos que o sustentam, e para os quais ele governa, são o agronegócio e o setor financeiro. O que dizer da chuva tóxica de agrotóxicos liberados, um atrás do outro, para favorecer os produtores rurais, não o pequeno produtor que produz alimento, mas o grande agronegócio exportador, que gera divisas para o Brasil, sim, mas a que custo? Com que projeto? Com que sustentabilidade? E com que consequências para a nossa saúde? O que dizer da perseguição às terras indígenas? Não a partir de um debate sobre os direitos indígenas, mas na lógica de que elas impedem os fazendeiros. O que falar sobre como Bolsonaro trata a questão do garimpo, dos garimpeiros? Há um conflito na Amazônia, e ele vai lá se reunir com garimpeiros? O desmatamento! É o agronegócio na sua face mais crua, não da produção de alimentos do pequeno produtor, mas do grande latifúndio predatório.
E o sistema financeiro? A reforma da Previdência está aí para mostrar um caminho que vai empurrando cada vez mais e mais pessoas para a “financeirização”. A gente pode pensar que esse projeto agora, travestido de projeto para a Educação, que é o “Future-se”, também é um projeto que viabiliza – ou tenta viabilizar – a abertura do negócio “Educação” para um capital financeiro cada vez mais interessado em áreas para investir. E diria até mesmo o saque do FGTS. Muito trabalhador vai agradecer, porque está numa situação difícil. Mas, ao fim, ao cabo, vai levar a um endividamento maior dos trabalhadores, porque os bancos agora poderão oferecer empréstimos adiantando os saques dos FGTSs que virão. Os bancos, que seguem tendo lucros e mais lucros, terão ainda mais.
Ainda sobre essa segunda característica: Bolsonaro é um governo para poderosos. Tem algo que merece nossa atenção. Vocês já notaram como Bolsonaro fala sempre do lugar do patrão e do fazendeiro? Uma frase dele: “Trabalhador que critica patrão deveria empreender para ver como é barra pesada”. Patrão deveria viver com salário mínimo para ver como é barra pesada. A questão é de que lado você vê a história, de que lado você enxerga o mundo.
O trabalho escravo, a legislação do trabalho escravo atrapalha o produtor, e aí o produtor que está lá, de repente, perdeu, e a família do produtor vai estar sem terra, sem casa, porque tinha trabalho escravo. Ele pensa as coisas a partir da lógica dos poderosos. É uma forma de ver o mundo e é uma forma de governar.
Meu tempo está acabando, mas a terceira característica, que eu já pincelei aqui na fala, é que o Governo Bolsonaro é um governo anticiência, anticonhecimento e antieducação. Os cortes na Educação, a perseguição e a transferência do oceanógrafo José Martins da Silva Júnior para o sertão pernambucano. O que um oceanógrafo, Fernando William, vai fazer no sertão pernambucano? Desperdiçando 30 anos de trabalho, de pesquisa, de ciência, “para distribuir melhor os quadros”. Acho que nem o Leandro Lyra, que prega essa eficiência com o funcionário público, vai concordar com um negócio desses, não dá. A demissão do Ricardo Galvão, presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da forma como foi feita.
É um governo anticiência, anticonhecimento e antieducação, porque, em parte, é um governo chefiado por alguém que parece nunca ter passado da fase concreta da vida, aquelas fases que o Piaget define entre nós. Ele considera aquilo que ele vê como a única coisa que é a realidade. Não consegue abstrair, e aí, é claro, a ciência é sempre um problema. É o sol que gira em torno da terra, porque é isso que eu vejo. Não dá pra abstrair que, quando eu vejo, isso é, na verdade, o movimento da terra. Não consegue, e aí ataca a Educação, e aí a gente vê um ministro da Educação que consegue falar que a aspirina foi inventada por nazistas. É um ministro da Educação – não é o meu aluno de 8º ano, que não consegue ter a lógica cronológica da vida, da história – que começa a falar de Paulo Freire não para criticar as teorias de Paulo Freire, mas sequer as conhece.
Por isso e por outras coisas, está na hora de a gente ir para a rua. Está na hora de admitir que não dá para continuar com esse desastre, esse horror que é o Governo Bolsonaro. Dia 13 de agosto, na próxima terça-feira, eu estarei nas ruas, como estive em grande parte do tempo dos Governos Lula e Dilma, como estive no Governo Temer. Estarei lá, mais convicto do que nunca de que a roda da história segue girando, mas que é preciso que a gente a ponha para girar novamente.
Johnny Bravo não vai salvar ninguém, ele só pensa em si mesmo, ele só enxerga o próprio ego, ele não consegue pensar fora de si. Jair “Bravonaro” não serve para ser presidente do Brasil.