Discurso - Vereador Babá -

Texto do Discurso

O SR. BABÁ – Queremos registrar aqui a situação que vamos aproveitar para falar, sobre o que estamos atravessando em nosso país, onde se vê um Presidente desabando e tentando intimidar a sociedade, dizendo que no dia 26 vai fazer uma mobilização nacional, querendo se contrapor àquela mobilização de mais de um milhão de pessoas no Brasil inteiro e que só no Rio de Janeiro foram 250 mil jovens, trabalhadores e professores.
O que eu já subi na Tribuna desta Casa para protestar contra o tratamento abusivo que o Presidente deu àqueles trabalhadores... Se ele pensa que os trabalhadores e jovens vão parar, está redondamente enganado, porque, no dia 30, já haverá uma nova mobilização dos estudantes e trabalhadores, como forma de preparação para a Greve Geral do dia 14 de junho, para barrar esta Reforma da Previdência que ataca fortemente os interesses da classe trabalhadora e que quer, na verdade, levar trabalhadores e trabalhadoras deste país – porque é o que quer Paulo Guedes – a um processo de Previdência em forma de capitalização. E o que significa isso?
É bom que todos estejam atentos, porque com esse sistema de capitalização os patrões ou governo não têm mais que contribuir, e acabam com a Previdência Pública, como fizeram no Chile.
Insisto e repito aqui, porque você pega 10% do seu salário para depositar em bancos, um deles é o banco Pactual – que, se vocês não sabem, o Paulo Guedes é um dos proprietários. Portanto, quer legislar em causa própria e em defesa dos grandes bancos, porque eles mesmos já disseram que tanto a Caixa Econômica como o Banco do Brasil não podem entrar nesse sistema. E nós não queremos que Caixa Econômica e Banco do Brasil entrem, mas nós não queremos que banco nenhum venha a tomar o dinheiro dos trabalhadores e aplicar no mercado de capital para, no final de suas vidas, dizer: “Infelizmente, a vida de vocês está acabada”. No Chile, 90% dos aposentados chilenos recebem, hoje, menos que meio salário mínimo. Essa é a realidade!
É isso que ele quer fazer com os trabalhadores brasileiros que, na grande maioria, se aposentam, hoje, com salário mínimo – e que não é corrigido corretamente. Mas mesmo esse salário mínimo, o que querem Paulo Guedes e Bolsonaro? Reduzi-lo à metade, dar golpe nos trabalhadores, porque ninguém sabe os investimentos que esses bancos podem fazer. E a essa situação a resposta já vem sendo dada e, efetivamente, nós estamos na luta para poder impedir que esses fatos continuem acontecendo.
É para essa situação que nós, aqui, queremos colocar todo o nosso apoio aos trabalhadores brasileiros e à juventude brasileira que vai sair massivamente às ruas, dia 30, agora. E vamos continuar a nossa mobilização para poder, no dia 14 de junho, fazer a maior greve geral que esse país já teve. E isso é uma luta, porque, no governo do Temer – todo mundo se lembra –, a reforma que ele não conseguiu passar foi, justamente, porque nós fizemos a maior greve geral que esse país já teve, no dia 28 de abril de 2017. Barramos a reforma da previdência. E, infelizmente, não barramos a reforma trabalhista, porque as grandes centrais negociaram com Temer o imposto sindical e suspenderam aquela greve. Só a Conlutas manteve o desejo de fazer aquela greve; mas, sozinha, não dava.
E, justamente, a reforma trabalhista, para a tal nova carteira de trabalho verde e amarela, eles diziam que aquilo iria ampliar o emprego no país. Uma grande mentira! O que aconteceu é que, hoje, nós temos 14 milhões de trabalhadores desempregados, fora outros que não estão nessa listagem porque já cansaram de buscar empregos – e esse número pode chegar a 23 milhões de pessoas. Isso é para entender a crise.
E agora, o que faz Bolsonaro? Sinicamente tenta dizer que, no dia 26, agora, vai fazer uma mobilização no Brasil inteiro, mas até setores ligados a ele não estão concordando. Tem até deputada ligada a Bolsonaro que diz que não vai e que está ameaçando, inclusive, sair do partido do governo. E ele mesmo está percebendo o quanto essa situação é grave. Ele já disse que não vai à mobilização; que está, na verdade, dizendo aos seus ministros para não irem, porque ele sabe que vai ser um grande fracasso. E isso nós vamos demonstrar, porque, no dia 30 de junho, uma nova massa de estudantes e trabalhadores sairá às ruas para preparar a greve geral do dia 14 de junho.
Queria também aqui colocar que, no próprio dia 26, estará acontecendo, às 10h30 da manhã, em Copacabana, uma marcha das favelas para responder ao governador deste estado, e dizer o seguinte: “Parem de nos matar”! Esse é o mote da marcha que vai acontecer, onde os trabalhadores descerão das favelas, os trabalhadores da cidade também participarão, onde estaremos participando desta marcha como protesto pela quantidade de pessoas que estão aí morrendo. Portanto, encerramos aqui para dizer que a marcha do Bolsonaro, que vai ser um fracasso, um fiasco no dia 26, mas, no dia 30, os estudantes voltam às ruas para poder preparar a poderosa greve geral que nós vamos fazer no dia 14 de junho. Muito obrigado.