Discurso - Vereador Otoni De Paula -

Texto do Discurso

O SR. OTONI DE PAULA – Senhora Presidente desta Sessão, Vereadora Teresa Bergher, senhoras e senhores vereadores presentes no Plenário e, também, os que estão em seus gabinetes, boa tarde.
Eu subo a esta Tribuna pela última vez nesta Legislatura, já que, no dia de hoje, eu me despeço desta Casa para um novo desafio: representar não só mais os cariocas, mas o povo do meu Estado, que me conferiu 120.498 votos nesta última eleição.
Algumas palavras eu quero dizer neste momento de bastante emoção. A primeira delas foi que ao chegar a esta Casa, eu sabia que tinha uma missão a cumprir. Esta missão era de representar o povo com o respeito que ele merece. Até porque nós somos pagos pelo povo. O povo é o patrão de cada um de nós que aqui estamos. E o patrão precisa ser ouvido. O patrão precisa ser respeitado para que, amanhã, você não seja demitido. E, ao chegar a esta Casa, procurei fazer um mandato participativo. Talvez, aí esteja o segredo de termos chegado a esta Casa como o antepenúltimo vereador mais votado da cidade, com 7.801 votos, facilitados pela explosão de votos do Vereador Carlos Bolsonaro, que nos permitiu chegar até aqui.
Como saltamos de 7.801 para os 120.498 votos? Não há mágica nisso. O que houve foi que, durante um ano e meio, aqui, nesta Casa – Vereador Val Ceasa, que assume a Presidência agora –, nós fizemos um mandato participativo, olhando nos olhos do povo, através das “lentes” das redes sociais, falando a verdade, deixando o coração falar mais do que a razão, defendendo princípios.
Aqui, nesta Tribuna, eu não fui ator. Aqui, nesta Tribuna, eu não vesti uma máscara. Aqui, nesta Tribuna, eu não fiz deste lugar um palco de exibições, não! Defendi aquilo que eu acredito; defendi os meus princípios e os meus valores. Aqueles que se coadunaram, que se alinharam aos meus pensamentos, princípios e valores, me retribuíram com o seu voto – o seu voto de confiança. O que eu mais ouvi nesta caminhada foi a frase: “Não me decepcione, Otoni”. Essa, talvez, seja a frase que eu levarei para o resto da minha vida parlamentar, política. Eu não sei quanto tempo durará só Deus sabe, mas o sentimento que eu carrego é que a nossa eleição se deve a um momento de exaustão, de fadiga, que o povo viveu durante todos esses anos – o que fez com que o povo desacreditasse de nós, políticos, e até mesmo das instituições deste país.
Mas, como numa onda de esperança, surgiu um novo caminho de ânimo e de fé. E foi nesse caminho que o povo – que até então todos acreditavam que não iria comparecer às urnas pela decepção que carregavam em seu peito –, foi, de uma maneira militante e aguerrida, às urnas de todo o país, dizendo: “Prefiro a incerteza do novo à certeza do roubo”. Foi isso que levou Wilson Witzel ao Governo do Estado do Rio de Janeiro e Jair Messias Bolsonaro à Presidência da República. E foi isso que nos levou à Câmara Federal.
Portanto, Senhor Presidente, assumo essa nova missão, e aproveito para parabenizar Vossa Excelência, Vereador Val Ceasa, pela sua belíssima votação e diplomação hoje.
Carrego o sentimento de que o dever ainda não foi cumprido. A mudança é que saímos do cenário municipal para o nacional. Desta Tribuna, prometo, a cada um – não somente aos 120 mil eleitores – dos fluminenses e cariocas que pagam o nosso salário e a nossa estrutura de gabinete, e que esperam de nós apenas uma postura ética na condução da política deste país, prometo que honrarei cada um dos votos. Honrarei também aqueles que não votaram. Torno-me deputado de todos esses. Honrarei também aqueles que não votaram, e jamais votariam, mas esperam de mim, mesmo discordando, uma postura ética e digna de um representante do Estado do Rio de Janeiro. É isso que faremos com a graça e a misericórdia do Senhor.
Com minha fala carregada de emoção, agradeço à minha equipe de trabalho, à minha assessoria. Nenhum de nós chegaria aonde chegamos sem uma equipe de trabalhadores ao nosso lado. Obrigado a cada um deles. Agradeço à minha família: aos meus pais, que estão vivos para ver o sucesso do seu filho, graças a Deus; e, por fim, agradeço à minha esposa, Silvana, e aos meus filhos Otoni, Ester e Israel, porque estão ao meu lado, vivendo as dores, as alegrias e os sacrifícios próprios da vida parlamentar, da vida política.
Termino relembrando uma história que contei aqui logo nos meus primeiros pronunciamentos. Vi duas crianças brincando de mocinho e bandido. E uma delas disse para a outra: “Mãos ao alto”. Olhando a cena, observei que aquela criança aparentemente era o policial, e estava prendendo o bandido. Meti-me na brincadeira daquelas crianças e perguntei a que estava como policial: “Quem é você?”. Ele disse: “Sou da Polícia Federal, tio”. Perguntei: “E ele?”. O menino respondeu: “Esse é o político corrupto que acabei de prender”. Quando vi essa brincadeira, o meu coração se encheu de esperança, porque a minha geração nunca viu político corrupto e bandido na cadeia. A minha geração nunca viu criminosos de colarinho branco pagarem pelos seus crimes. Mas essa próxima geração verá – e eles já começam a brincar de prender político bandido. E a minha oração, o meu desejo é que muitos outros ainda sejam presos, porque lugar de bandido – quer da favela, quer da comunidade, quer do asfalto ou bandidos aqui dentro desta Casa, ou de qualquer outra Casa de Leis – é na cadeia. Porque quem rouba tem que pagar pelos seus crimes, sejam aqueles que usurpam, devido ao poder político que o povo lhes deu, sejam aqueles que colocam uma arma para assaltar a esperança do trabalhador.
Viva a democracia! Viva o Brasil! Viva o povo brasileiro!
Muito obrigado, Senhor Presidente.