Discurso - Vereador Paulo Pinheiro -

Texto do Discurso

O SR. PAULO PINHEIRO – Senhor Presidente dos trabalhos, Vereador Leandro Lyra, senhores vereadores, funcionários da Casa.
Eu queria usar esses nossos 10 minutos para fazer um comentário que é cheio de preocupação. Nos últimos dias, nós estamos vendo esta Casa sofrendo uma nova transformação. Transformou-se há algum tempo e agora volta a mudar a sua feição. Eu me refiro às condutas desta Casa em relação às CPIs e ao processo de impeachment do Prefeito Marcelo Crivella.
O meu recado é o seguinte: nós, vereadores dessa Casa, não podemos achar que lá fora tem um grupo de idiotas que vai achar que tudo o que nós estamos falando aqui eles vão aceitar. Nós precisamos entender que ninguém é idiota a ponto de acreditar em determinadas histórias.
Então, o que me preocupa inicialmente são duas coisas que não se finalizaram, mas que me dá a sensação que, ao finalizar, teremos problemas que são os relatórios finais da CPI da Comlurb e o relatório final da CPI do Sisreg.
Eu vou dar rapidamente os exemplos do que me preocupam. O que foi a CPI do SisReg? Foi a denúncia de que o Prefeito Marcelo Crivella fez uma reunião no Palácio da Cidade – não importa quem eram as pessoas, não há questão religiosa em jogo – e as pessoas presentes foram orientadas pelo Prefeito Crivella – isso não é mentira porque o áudio foi ouvido por todos – para, caso tivessem um problema – ele ia gastar um bom dinheiro para fazer 15.000 cirurgias de catarata – tinham que procurar a Márcia porque, em duas semanas, ela resolveria o problema. Isso não é verdade, porque ninguém em duas semanas resolve o problema da fila hoje de 90 mil pessoas do SisReg.
Depois disse o seguinte: se o problema for com o IPTU, procure o Seu Milton, ele vai te ajudar a resolver o IPTU. Aí vem a CPI.
E nós hoje ouvimos – não tínhamos visto. O relatório da CPI já foi publicado hoje? Não – de manhã pela televisão um resultado inicial – ainda não foi votado – do relatório da CPI da SisReg, cujo relator é o Vereador Prof. Célio Lupparelli. Eu não sei se é esse relatório que vai ser votado mesmo, mas se for, a gente precisa pensar com muita calma.
O relatório – segundo a reportagem diz e de acordo com a nota mandada pelo relator – diz que a CPI vai dar um puxão de orelha no Prefeito Crivella. Uma frase iluminada, sensacional, que a nossa função é não mentir para a população, é sermos corretos, termos uma família. Disse uma série de coisas que não tem nada a ver com a CPI, mas tudo bem. Foi uma frase de efeito do relator.
Agora, a CPI diz que o Prefeito mentiu. Por quê? Porque ele disse, todo mundo ouviu, que se quisesse em duas semanas ser operado de catarata, que falasse com a Márcia. Aí veio a Márcia.
Eu sou suplente dessa Comissão. Eu tinha sido autor do pedido de CPI, mas por uma das coisas surreais dessa Casa, a porta estava fechada aqui e a porta de lá ficou aberta, e aí o representante do outro vereador entrou por lá, 20 segundos antes de eu chegar, eu tinha deixado aqui um assessor desde cedo, mas abriram a porta de lá e mantiveram essa fechada. Não posso reclamar, 20 segundos antes, numa prova de Fórmula 1, chegou o outro vereador e a CPI foi para ele.
Não tenho o que reclamar, a não ser do fato estranho. Mas isso não é problema do outro vereador, nem meu. É problema da Casa. E aí eu participei como suplente. E como suplente eu vim a quase todas as reuniões; quando faltava o titular, eu entrava.
No dia em que a Márcia veio depor, eu entrei e perguntei para Márcia. E o que a Márcia disse não tem nada a ver com o que o relatório está dizendo. No relatório, se for esse o relatório que foi publicado hoje na imprensa, a Márcia sofreu perseguição por um fato que ela não cometeu. Meu Deus do céu! A Márcia disse, na minha pergunta, que ela é funcionaria da Comlurb, que tem um salário bastante razoável na Comlurb.
Eu perguntei: “Se a senhora é funcionaria da Comlurb o que a senhora estava fazendo do lado do prefeito? Era uma atividade da Comlurb?” – “Não. O prefeito constantemente me chamava para eu orientar as pessoas.” – “Mas a senhora não trabalha na Comlurb? A senhora orientava sobre coleta de lixo?” – “Não, não. Orientava sobre cirurgias, orientava sobre uma série de coisas.” –“Mas a senhora não é da Comlurb? Quer dizer, no horário que a senhora trabalha na Comlurb, a senhora ia ajudar o prefeito em outro lugar? E o que a senhora fazia lá?” – “Eu explicava como é que era.” – “Mas o que a senhora explicava como é que funciona para entrar para fila do Sisreg, se a senhora só fazia isso, isso aí você não precisa explicar, é só ligar para o 1746 que ele vai dizer para senhora. A Secretaria de Saúde tem todas as informações de como faz para entrar na fila do Sisreg. E não é a senhora que faz, quem faz é o médico na Clínica da Família”.
Eu até fiquei com pena da funcionária, porque ela não conseguia falar nada que se aproveitasse, ou seja, ela, claramente, foi utilizada; claramente, foi utilizada. Mas ela tem um problema sério. No horário em que ela devia estar no Comlurb, ela estava trabalhando para o prefeito, numa outra função que não era a dela, e não era referente a nenhuma função sobre a Comlurb que o prefeito a levava. É um fato complicado. Isso é um fato complicado para gente poder entender. Ela realmente disse isso. No final, a gente chega a conclusão, se o relatório realmente for esse, de que o prefeito mentiu. Se o prefeito disse: “Procura a Márcia que ela vai fazer.” E a Márcia vem aqui e diz que ela não fez nada, nós não podemos mais acreditar no prefeito. Porque o prefeito dizia uma coisa e a Márcia não... A mesma coisa posteriormente, quando o senhor Milton, que resolveria todos os problemas de IPTU, o senhor Milton disse que não fez nada. Ele apenas estava ali para ajudar as pessoas. Mas para ajudar as pessoas nisso já têm os órgãos da Prefeitura prontos. Não precisava ainda do senhor Milton e nem precisava da dona Márcia.
Ou seja, me preocupa a maneira como essas CPIs, nós não temos esses relatórios votados. Eu estou somente falando sobre o que eu ouvi hoje na televisão.
A outra preocupação é o relatório da comissão da Comlurb. Da mesma maneira, as pessoas foram punidas, os responsáveis pelos caminhões foram punidos porque levaram as pessoas erradamente e, no final, a CPI chega à conclusão de que não é nada, de que o prefeito não tem responsabilidade alguma. O prefeito pede voto para o filho dele, leva, obriga os responsáveis pelos ônibus a levar os ônibus com o pessoal da Comlurb para assistir na escola de samba Estácio de Sá e, no final, a CPI chega à conclusão de que nada disso ocorreu.
Essa é a minha preocupação porque, lá para fora, a desmoralização será para todos nós. Ninguém é tão idiota de acreditar numa história como essa. A mesma coisa em relação ao impeachment. Está conduzindo a opinião pública para dizer que não há DNA do prefeito nisso. Como não é DNA do prefeito? O prefeito nada tem com isso. Se naquela cadeira ali o então procurador do município, Doutor Antonio Sá, disse claramente: “Eu não tive tempo de ver melhor o que eu estava fazendo, não deu para fazer os cálculos porque o prefeito me pediu celeridade.” Como o prefeito não participou disso? O próprio procurador disse aqui, está gravado, basta ver! Por que ele queria celeridade? Ah, bom, ele queria porque ele precisava de dinheiro para pagar o funcionalismo, porque não tinha dinheiro. Porque ele não tinha dinheiro para pagar o funcionalismo? É a história que nós estamos tanto ouvindo agora: os fins justificam os meios e os meios justificam os fins?
Ou seja, vereadores desta Casa, precisamos entender o que vamos falar para fora. Agora só peço uma coisa: não achem que todo mundo é idiota. Não vamos partir da premissa que qualquer coisa vale para defender. Ate porque, quando essas CPIs foram abertas, parece que essas pessoas todas não achavam isso do prefeito. De um tempo para cá, as pessoas mudaram de opinião, várias pessoas mudaram de opinião sobre o que o prefeito fez e não fez. Só que esse jogo todo, aqui de dentro lá para fora é outra coisa. E aí, não tem jeito, cada um vai ter que sentar aqui, botar o dedinho no terminal e no painel vai aparecer o que ele acha. Cada um precisa participar. Cada um dos vereadores que participa das CPIs, precisa ir para a opinião pública e dizer o porquê de ele achar isso. É preciso dizer: “Olha, não tem nada, o prefeito não tem nada a ver com isso, tudo isso foi uma mentira, o prefeito não falou nada”. As pessoas não podem se esconder. E é comum isso, aqui, agora. Os vereadores que participam dessas comissões não querem dar declarações públicas. Não querem falar sobre. Alguns até reclamam que a gente incita o voto deles aqui na Casa. Ninguém pode esconder o que está fazendo, é preciso que haja essa clareza.
Então, antes que esses fatos aconteçam, os relatórios ainda não foram aprovados, ainda terão que ser aprovados nas CPIs; a Comissão Processante não acabou o seu relatório. Eu espero que todos esses que estão participando das CPIs, dos relatórios entendam que nós não estamos vivendo, trabalhando e podendo dar informações como se no outro lado tivesse um bando de idiotas, que vai acreditar em tudo o que a gente vai falar. Não é bem assim.
Um abraço. Obrigado.