A SRA. SONIA RABELLO – Sr. Presidente, Srs. Vereadores, não sei se o nobre Vereador Guaraná ainda se encontra no recinto, acho que não, mas eu faço questão de fazer uma apreciação sobre a manifestação que ele fez aqui em relação a Praça Nossa Senhora da Paz.
Primeiro, Sr. Presidente, que ninguém nega, absolutamente ninguém aqui está a negar que o pedido de tombamento da Praça votado nesta ocasião é em função sim de uma ameaça de sua descaracterização. E é evidente que a existência da ameaça se construir ali na Praça, conforme finalmente anunciado pelo Governo do Estado, uma Estação do Metrô no qual, repito, está previsto arrancar, arrancar 113 arvores é mais do que motivo para uma reação imediata e uma tentativa de tombamento da Praça. Para que não se cobre desta Casa ou dos Vereadores que votaram a favor uma omissão nessa ameaça iminente. Diria num processo não legislativo, mas judicial, seria um processo legislativo de liminar preventiva, que nós não conseguimos o seu deferimento. Gostaria de falar aqui e registrar que quando os Vereadores desta Casa se posicionam em relação a Linha 4 do Metrô de maneira nenhuma os Vereadores que defendem o Metrô em rede estão questionando qualquer tipo de outro transporte que não seja o Metrô. Seria infantil o argumento de que pelo fato de alguns Vereadores defenderem um Projeto original que é defendido pelo Clube de Engenharia, instituições de engenharia, CAERJ, 26 associações de moradores da zona sul, inclusive Barra, Leblon, Ipanema, é delirante! É delirante falar que todo esse mundo de gente é ignorante, não sabe o que diz, não tem interesse no Metrô. É evidente que 26 associações de moradores, inclusive do Leblon, Ipanema, Copacabana (várias de Copacabana), Humaitá, Zona Sul inteira, Barra, São Conrado. São 26 associações que não sabem o que querem? Não querem Metrô? Isso é delirante! Infantil dizer que isto é o argumento de quem não quer Metrô. O argumento é que nós queremos o Metrô para a sociedade e que evidentemente os donos dos deferimentos, das concessões não querem ouvir a sociedade que vai usar o Metrô, que usa o Metrô. Talvez esses que decidem, Vereador Edison da Creatinina, que participa desse movimento, usem os tais helicópteros que V. Exa. se manifestou poluem de barulho infernal, de poluição infernal a Cidade. Para concluir, Sr. Presidente, eu gostaria de chamar a atenção de quem diz que nós estamos agora na cidade do Rio de Janeiro atingindo, com essas grandes obras, o grande desenvolvimento da cidade do Rio de Janeiro.
Publicado recentemente, quem quiser conferir é no blog do Deputado José Dirceu, que tem um blog informativo interessante, ele publica colunistas importantes e gostaria de destacar um artigo publicado pelo economista Paulo Rabello, que por acaso é meu irmão, mas não é por isso que estou mencionando, e ele fala sobre um artigo recentemente publicado pela revista inglesa “The Economist” que recentemente fez uma lista das 60 cidades mais competitivas do mundo.
Pasmem os senhores quem nem o Rio de Janeiro, nem São Paulo, nem nenhuma cidade sul americana, nenhuma cidade africana entrou na lista das chamadas hot pots da “Economist”, porque nenhuma das nossas cidades são competitivas para essa revista.
O que chama atenção, o que é espantoso é que o Rio de Janeiro mesmo as vésperas de todos os eventos que estão por vir... São Paulo emplacou a 62ª posição, e o Rio de Janeiro amargurou com a sofrível 76ª posição, mesmo com a perspectiva da Rio+20, da Copa do Mundo e das Olimpíadas.
Santiago do Chile, uma cidade muito menor do que o Rio de Janeiro, ficou na 68ª posição e a Cidade do México ficou na 71ª posição.
Só para concluir o economista quer definir, ou saber por que uma cidade com tantos investimentos, com tanta atração de investimentos, de capital e obra, não consegue ser, do ponto de vista econômico, uma cidade competitiva, uma hot pots como eventualmente a imprensa tenta dizer que o Rio agora está com uma vantagem competitiva maravilhosa. Não está. Está amargurando a 76ª posição, apesar de tudo isso.
Ele chama atenção para uma frase do Prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que diz o que cada cidade tem que fazer para se tornar mais competitiva: “Talentos atraem capital de modo mais eficaz do que capital atrai talento”
Ou seja, nós devemos investir nessa cidade em qualidade de vida para ela ser atrativa. Nós não devemos pensar que fazendo obras sem planejamento, porque cidades sem planejamento não são competitivas, atraem a qualidade de vida, ou se tornam melhores, não. É o talento, o planejamento coletivo que torna uma cidade competitiva do ponto de vista internacional, competitiva economicamente. Portanto, não vale a afirmação de que o Rio de Janeiro nunca viu tantas obras, nunca viu tanto buraco cavado. Quer dizer que o Rio de Janeiro, por conta da quantidade de buracos cavados, e quantidade de arvores destruídas ela se tornou uma cidade competitiva. Essa é uma afirmação leviana.
Não conseguimos por conta desse tipo de política pública até hoje nos tornarmos uma cidade de talento, e portanto, uma cidade competitiva.
Muito obrigada.
