ORDEM DO DIA
Pela Ordem



Texto da Ordem do Dia

O SR. BABÁ – É lamentável ver o pronunciamento do Vereador Jones Moura. Esperava-se que ele viesse aqui pedir a investigação para ver quem foi que assassinou Marielle, mas esse joguinho dele, na verdade, de vir falar aqui – o “bolsonarista” que ele é – para depois divulgar, isso é jogo velho. Na verdade, deveria pegar umas aulas com o Vereador Otoni. Só espero que depois você, como disse o Vereador Reimont, não venha requebrar aqui no Plenário. É lamentável. A companheira foi assassinada e você não levantou uma palavra pedindo a investigação, para que seja concluída. Faz um jogo para a sua filmadora aqui – não é ? – para passar para a sua rede. Lamentável, vergonhoso, eu diria.
A companheira Marielle não merece, aliás, estou substituindo a companheira Marielle, porque eu era seu 1º suplente. E me orgulho muito de todo o trabalho por ela realizado, e gostaria que ela estivesse aqui, neste momento, e não eu, por causa do ataque que foi feito a ela – e não era apenas a ela.
Qual é o pronunciamento do Vereador Jones Moura? Só faltou ele se virar para ali e arrancar a placa. Vergonhoso! Há coisas que são vergonhosas! Você deveria ter orgulho de ter Marielle atrás de você, quando você estivesse falando. Ela era uma mulher de luta, negra, que enfrentou tudo, e por isso foi assassinada – e até hoje, não foi concluído o inquérito.
Era isso o que se esperava do Vereador Jones Moura, o mesmo que quer armar a Guarda Municipal, aliás, congregado ao filho do Bolsonaro, para que o guarda corra risco de morte. Em última instância, o que você quer é colocar a Guarda Municipal armada para enfrentar bandidos nesta cidade e para muitos guardas municipais terem o mesmo destinado de policiais militares que, nesse confronto incessante, também são assassinados nas ruas dessa cidade.
Queremos colocar aqui que Marielle transcende qualquer partido, qualquer vereador que venha aqui. Queremos colocar aqui e acentuar, mais uma vez, que lamentamos! Você deveria ter vergonha de ter feito o pronunciamento que fez há pouco aqui, obviamente com a sua filmadora – não é? –, para colocar na sua rede. Isso aí é jogo manjado, para você subir um pontinho com o Bolsonaro.
Concluo repudiando o pronunciamento do Vereador Jones Moura e lamentando que ainda haja pessoas com esse nível de cabeça para fazer um pronunciamento tão baixo nível como ele fez.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPEE) – Com a palavra, pela ordem, o Vereador Tarcísio Motta, que dispõe de três minutos.

O SR. TARCÍSIO MOTTA – Senhor Presidente, senhores vereadores, boa tarde.
Relutei um pouco, até em fazer essa manifestação, mas acho bastante curioso como as coisas acontecem. Cheguei a falar, agora, ali, com Vereador Willian Coelho que, talvez, ele devesse ter vindo procurar as autoras do projeto, a Mesa Diretora, ter discutido algum eventual desconforto e ter consultado sobre a possibilidade do deslocamento. Concordar ou não com a localização de uma placa, pode ser algo importante, talvez alguém tenha pedido que a placa do Maurício Azêdo, que está ali atrás, ou a estátua do Rui Barbosa, que fossem deslocadas ou que efetivamente tenham sido colocadas em outro lugar.
O Vereador Willian Coelho fez, no momento da homenagem, uma fala – e eu cobrei. E ele disse: “Reconheço que fiz no momento errado, da forma errada”. Mas aí, vem o Vereador Jones Moura... Senhor Presidente, uma coisa é a seguinte: estamos aqui abertos para fazer o debate e conduzimos as duas Sessões Extraordinárias da Marielle com todo o mundo, até com a bancada fundamentalista, de forma a chegar a um acordo. Não havia qualquer problema. Nós, do PSOL, não discutimos, não apresentamos, não fui eu que colei a placa ali nem ninguém da bancada do PSOL.
Portanto, é óbvio que as autoras do projeto deveriam ser ouvidas. São todas mulheres. E digo mais, Jones Moura: Tânia Bastos, do PRB de Crivella; Rosa Fernandes, do MDB; Luciana Novaes, do PT; Teresa Bergher, do PSDB; Vera Lins, do PP, do governador em exercício; e Veronica Costa, do MDB. Não há uma única vereadora do PSOL. O nome do PSOL sequer está na placa, não fizemos questão disso.
Agora, se o senhor tem vergonha de aparecer no discurso com a cara da Marielle atrás é porque o senhor é um cínico! Alguns meses atrás o senhor dizia para mim: “Eu só não sou de esquerda porque sabe como é que é a política.” Sua família vinha dizer. Agora vem aqui fazer a política do jeito mais baixo, do menor jeito possível para ser filmado e ter os votos daqui a dois ou quatro anos, de “opositor da esquerda”. Isso não é política.
E vou falar olhando no seu olho: isso não é política; isso é cinismo. O senhor é um cínico. Faz isso não porque quer resolver um possível desconforto de fazer a fala ao lado da Marielle Franco. O senhor é que deite a cabeça no travesseiro à noite e pense sobre isso, sobre todas as vezes em que conversamos quando ela estava viva. Esse é um problema seu.
Mas saiba, Senhor Presidente, que, se eu estava disposto, até o momento da fala do Vereador Willian Coelho, de conversar com as autoras do projeto sobre qual seria a melhor localização, agora eu não estou! Esta placa fica aqui! Vamos lutar para esta placa ficar. É preta e favelada? Vamos esconder! É socialista? Vamos esconder!
Não é o símbolo de um partido; é o símbolo de alguém que trabalhava nesta Câmara e que foi assassinada pelo trabalho que fazia; como vocês fazem.
Não há mais acordo! Não há mais negociação! Não calarão a voz de Marielle! E eu preferia mil vezes estar com ela aqui do que ter que fazer este discurso. Até a minha filha preferia, porque chora até hoje porque sabe que a amiga dela morreu assassinada.
Ponham a mão na consciência! Ninguém está fazendo politicagem com isso. Na verdade, sim: esta porcaria de discurso para ser filmado, para aparecer, daquele “antiesquerda”!
Pois, nós, da esquerda, já resistimos a muita coisa. Já resistimos a muito fascismo. O herói deles nem está aqui para discutir. Não vota nem as principais leis que estão lá. Mas nós resistimos. Não nos calarão.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Vereador, rogo concluir.

O SR. TARCÍSIO MOTTA – Eu vou terminar e muito obrigado por ter me dado esse tempo, Presidente Jorge Felippe – a quem eu sei que está incomodando a forma como este debate está sendo feito; lamentando que não tenha sido feito da forma como deveria, na conversa, no diálogo, como sempre foi.
Pois agora, nós vamos lutar para que a placa permaneça aqui. Marielle presente!

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Com a palavra, pela ordem, o Vereador Reimont, que dispõe de três minutos. Lembro que o Vereador Reimont é o terceiro a falar, pela ordem. Por isso, votaremos o projeto e voltaremos às questões de ordem.

O SR. REIMONT – Senhor Presidente, senhoras e senhores vereadores, na verdade estamos vivendo uma discussão totalmente desnecessária, de um baixo nível por parte desse vereador guarda municipal, que chega ao mau caratismo. Como se dissesse: “Eu preciso ter um vídeo para mostrar, porque eu não estava naquele caminhão, naquele comício quando quebraram a placa de Marielle e eu queria estar lá porque aquilo é que deu voto”. Chega às raias do mau caratismo. Mau caráter!
Essa placa de Marielle, querendo ou não, vai soprar nos seus ouvidos, Jones Mora, para dizer: “Aqui é lugar de fazer a grande política; não é lugar de mesquinharia, não”.
O senhor, que outro dia nos disse aqui: “Eu agora vou tomar o lugar de fazer um discurso para aparecer, para ter uns votinhos a mais, porque, pela leitura das urnas de 2018, está claro que somente são eleitos aqueles que contrariam a esquerda, que batem na esquerda.”
Pelo amor de Deus! Querendo ou não querendo, o senhor vai sentir um ventinho na nuca, porque Marielle está aqui, presente. O senhor não vai calar a boca dela!
Senhor Presidente, pelo nível do mau caratismo, eu queria solicitar à Mesa Diretora que providencie uma câmera permanente aqui dentro, para vigiar a placa, porque vão quebrá-la, como quebraram a placa de Marielle Franco em cima do caminhão, no comício. Nós não admitiremos isso. Isso é contra o decoro e quem o fizer estará colocando seu mandato em risco, porque nós haveremos de colocá-lo no Conselho de Ética, haveremos de pedir seu mandato, porque isso é desrespeitar uma decisão das mulheres vereadoras desta Casa.
Então, queria solicitar, Senhor Presidente – fica como solicitação à Mesa Diretora –, uma simples câmera que esteja dia e noite vigiando a placa de Marielle, porque tem o mau-caratismo do Vereador que veio aqui. Ele tem muita coragem de fazer aquilo que fez aquele deputado eleito, que teve 400 mil votos. Eu não troco os 400 mil votos dele, Presidente, por um voto sequer que eu tive nas urnas. Um voto sequer. Sabe por quê? Fico pensando no Vereador que veio aqui falar, no Vereador da Guarda Municipal, em como será para ele de noite chegar à sua casa e olhar nos olhos do filho, um filho inocente, que diz “Puxa, papai é um político, papai é um político”, e saber o que está passando nos olhos do seu filho, que sabe ler com a sua generosidade infantil, que sabe ler nos olhos do pai o mau-caratismo que foi estabelecido, porque ele apenas está pensando em voto. Apenas está pensando em angariar eleitores! Apenas está pensando em ter mídia! Apenas está pensando em ter um vídeo! Apenas está pensando em bombar nas mídias! Apenas está querendo ter mais pontos no Facebook e no Instagram! Apenas isso e mais nada!
Política não é para pequeno, não. Quem for pequeno pode durar 100 anos na política, mas vai para a lata do lixo da História. Quem for pequeno pode durar 100 anos, pode ter mil mandatos, mas vai para a lata do lixo da História! Marielle presente, sim! Marielle presente, sim!

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Rogo concluir, Vereador.

O SR. REIMONT – Ela haverá de soprar nos ombros, nos ouvidos daqueles que se colocarem nesta Tribuna: “A política desta cidade precisa olhar para os pretos, para os pobres, para os favelados, para os pequenos, para discutir a democracia”.
Muito obrigado, Senhor Presidente.