Discurso - Vereador Babá -

Texto do Discurso

O SR. BABÁ – Companheiros e companheiras. Vou tratar de dois assuntos.
O primeiro deles é que:

“Hoje, 11 de setembro, às 16 horas, nas Escadarias da Câmara Municipal do Rio, será realizado um ato de solidariedade ao Tiago e sua família. Tiago é um funcionário do Metrô que sofreu um acidente enquanto trabalhava.
A exploração patronal sobre trabalhadoras e trabalhadores leva o Brasil a ser um dos países campeões de acidentes no mundo do trabalho. No Metrô do Rio não tem sido diferente. Os explorados não podem contar com a solidariedade de quem os explora. A solidariedade só pode vir de seus companheiros, dos que sofrem a mesma exploração e dos que estão ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras. Por isso, hoje, quarta-feira, 11 de setembro, estaremos nesse ato em solidariedade ao Thiago e sua família. Só a união e a luta de todos explorados dará um fim à exploração e aos exploradores da classe trabalhadora. Força, companheiro Thiago!
Mas o assunto que me traz aqui agora é justamente a greve dos Correios. Hoje, começou a greve nacional dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios. Essa categoria que está há muitos meses tentando negociar com o governo. Tentaram de tudo. Foram muitos meses de negociação, mas a intransigência e o autoritarismo do governo Bolsonaro e da empresa levaram a essa greve.
Eu estive, orgulhosamente, ontem, na assembleia geral da categoria com mais de 2.000 trabalhadores. Hoje, às 4 horas da manhã, estava junto com os dirigentes sindicais, tanto do sindicato como da Conlutas, companheiros da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), lá em Benfica, participando do piquete em solidariedade aos trabalhadores em greve.
Esses trabalhadores precisam saber que não estão sozinhos nessa luta. Nós, da bancada do PSOL, estamos juntos e apoiando esta luta.
E vocês sabem qual é a proposta do governo para esses trabalhadores e trabalhadoras? Perda salarial e retirada de direitos. Um reajuste abaixo da inflação e a retirada do Plano de Saúde de pais e mães dos empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
Esses trabalhadores e trabalhadoras já sofreram com anos de perdas salariais. Tentaram de tudo para sucatear os Correios e entregar para as empresas privadas, mas só aquilo que dá lucro – o Sedex.
O governo Bolsonaro quer dar de presente aos empresários que querem a privatização de Sedex para lucrar com o que lhes interessa. Enquanto isso, chamamos atenção para o fato de que todos os 5.570 municípios no país que utilizam os serviços dos Correios de correspondências ficarão sucateados.
O governo Bolsonaro não está minimamente preocupado com a qualidade do serviço para o povo trabalhador. Por isso, ataca os empregados e empregadas dos Correios e defende privatizar uma empresa que dá lucro, e muito.
Por isso, toda nossa solidariedade aos companheiros e companheiras da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Muita força nesta luta!
É preciso agora, companheiros, unificar os trabalhadores e trabalhadoras dos Correios que estão em greve nesse momento, mas também companheiros e companheiras da Petrobras, da Eletrobras e de outras empresas que Bolsonaro quer privatizar. E uma grande mobilização de greve contra as tentativas entreguistas desse governo autoritário, reacionário e antipovo.
E é por isso que eles estão lá no Senado agora, querendo aprovar de qualquer jeito a reforma da previdência. E são cara de pau! Seus filhos, ele e o Ministro da Fazenda, que, é bom acentuar aqui, é banqueiro; um dos donos do Banco Pactual. E a reforma da previdência está ligada intimamente aos bancos, para dar lucro a eles. Da mesma forma que querem privatizar a Petrobras, eles dizem que a reforma da previdência é necessária e que o governo brasileiro vai economizar R$ 933 bilhões, segundo os dados da Câmara, e, agora, R$ 870 bilhões, segundo dados do Senado, em 10 anos. Vejam bem: 10 anos! Mas sabem quanto o governo entreguista de Bolsonaro vai pagar, este ano, aos banqueiros, de juros e amortização da dívida? Será R$ 1,450 trilhão. É isso!
É aí que está o grande problema desta nação. Por isso, nós defendemos a auditoria da dívida e a suspensão do pagamento, pegando esse dinheiro para investir em empresas como Correios, Petrobras, Eletrobras, e não entregá-las na mão do capital internacional, porque é isso o que este governo faz permanentemente.
É por isso que nós estamos apoiando a greve dos companheiros dos Correios. Estive ontem na assembleia, representando a bancada do PSOL. Estive hoje nos piquetes, às 4 horas, em Benfica, acompanhando o piquete de greve, quando, de repente, chega um pelotão da Polícia Militar com fuzis, como se ali estivessem bandidos.
Na verdade, a Polícia Militar se organizar para exigir melhores salários. Sabem quanto recebe um soldado, já com o curso? Recebe R$ 1,6 mil. Sabem quanto recebe um policial militar em Brasília? Recebe R$ 6 mil. Soldado! Não é capitão; não é tenente. São esses soldados que eu quero ver, um dia, se virarem contra o governador deste estado, que ataca a classe trabalhadora. Aí, sim, eles estariam cumprindo a sua tarefa; e não indo para piquetes de greve.
Encerro aqui dizendo que, na madrugada, vai ter novamente piquete de greve em Benfica; nós estaremos acompanhando desde as 4 horas, porque é uma luta digna; é uma luta em defesa das Empresas Brasileiras de Correios e Telégrafos e em defesa do direito daqueles trabalhadores.
É isso aí, companheiros. Um grande abraço a todos os grevistas. Força! Muita luta para levar esta greve a uma vitória!
Muito obrigado.