A SRA. SONIA RABELLO – Sr. Presidente, Vereador Ivanir de Mello, srs. vereadores no plenário, em seus gabinetes, assessores, senhoras e senhores, estamos num período em que, além de nossos trabalhos ordinários, estamos também nos comunicando intensamente, em função de campanha, com moradores de vários bairros do Rio, sendo um momento, inclusive, em que estamos captando várias reivindicações de vários bairros.
Hoje, então, estamos aqui para falar, basicamente, de três bairros. Começaremos pelo bairro de Jacarepaguá e adjacências, incluindo a Freguesia. No bairro de Jacarepaguá, captamos três grandes aflições de seus moradores. O primeiro, me parece que todos que moram naquela região já conhecem, é com relação à questão do intenso licenciamento para novos prédios, enormes, naquele bairro. Muitas pessoas, no Rio de Janeiro, foram para Jacarepaguá, saindo de vários bairros da Zona Sul e da Zona Norte, 25, 30 anos atrás, porque os bairros de Jacarepaguá e Freguesia eram bairros que comportavam casas grandes, chácaras, sendo bairros muito arborizados.
Infelizmente, Sr. Presidente, a legislação foi mudando, e foi mudando sem o devido cuidado! Recentemente, há alguns anos, foi aprovado o novo PEU, chamado PEU da Taquara, que mudou os índices construtivos do bairro. É evidente que essa mudança somente poderia ser feita em adequação, para os novos prédios e enormes condomínios, ao Relatório de Impacto de Vizinhança. O Estatuto das Cidades, em seu artigo 2º, quando fala das diretrizes do desenvolvimento urbano, exige que para serem aprovados novos prédios é necessário que haja infraestrutura adequada que comporte o crescimento numérico daqueles edifícios e daquela nova população.
Isto significa que os bairros da Taquara, Freguesia e Jacarepaguá mudaram a legislação, porém o licenciamento não está sendo feito com respeito a uma lei maior que é o Estatuto das Cidades. Quem mora em Jacarepaguá sabe perfeitamente que os prédios estão crescendo, porém que as caixas das ruas são as mesmas, ou seja, pequenas. Além disso, Jacarepaguá vive hoje um engarrafamento brutal para quem sai de casa. Para quem sai de Jacarepaguá e vai para a Barra num trajeto que se fazia em quinze/vinte minutos, hoje demora mais de uma hora, às vezes uma hora e meia. Porque o tráfego fica completamente parado no bairro de Jacarepaguá.
Além disso, Vereador Dr. Edison da Creatinina, há uma verdadeira – repito o que disse ontem – dizimação da cobertura arbórea de Jacarepaguá, motivo pelo qual a população se localizou lá. Estamos, a população está horrorizada com a forma da retirada de árvores de Jacarepaguá. Por exemplo, na Rua Xingu, que é uma rua importante lá, os moradores dizem que dezenas de árvores foram tiradas com e sem licença por conta dessas novas edificações. O que é um absurdo total porque a cidade do Rio de Janeiro precisa manter sua cobertura arbórea. Não concordamos com a postura da prefeitura, no sentido de autorizar a retirada de árvores adultas, em função de um plantio de futuras árvores no dia do são nunca, todo mundo sabe, a título de compensação. É um verdadeiro desvirtuamento do instituto da compensação por dano ambiental. Então, em Jacarepaguá e Freguesia estão dizimando sua cobertura arbórea.
Autorizações para localizações de fábricas industriais como, por exemplo, a localização do Frigorífico da Rica, na Rua Caribu, faz com que espalhe um cheiro de matadouro de aves por toda a região, o que é um absurdo total fazer isso numa área residencial. Esse é um aspecto seriíssimo de dizimação de árvores que esta acontecendo no bairro de Jacarepaguá e Freguesia.
Outro bairro que merece um cuidado especial pela cobertura arbórea e também para a criação de novas praças pequenas, novas áreas de lazer é Bonsucesso. Em Bonsucesso, por exemplo, está hoje publicado em meu blog e em meu site, há verdadeiros lixões ao lado da Estação Ferroviária e também da primeira Estação do Teleférico que sobe para o Alemão; verdadeiros lixões no Bairro de Bonsucesso. Além disso, a estação de Bonsucesso fechou o acesso de um lado para o outro. Quem mora do outro lado da praça das Nações não tem a mesma passagem, hoje em dia, para o outro lado, para a Praça das Nações. E o elevador que está localizado na estação de Bonsucesso não funciona. Está por acaso aberto até o dia 23, por conta de um evento, mas ele é permanentemente fechado, e a prefeitura não se responsabiliza por ele. Ou seja, crianças, velhos, idosos e cadeirantes têm a sua passagem, no meio do bairro, dificultada. Bonsucesso reclama da passagem, reclama dos lixões e reclama do corte de árvores.
Então, Sr. Presidente, nessa atividade de percorrer mais intensamente os bairros, vemos que precisamos intensificar nossa postura aqui na Câmara Municipal, não apenas de fiscalização, mas também de indicações e, talvez, até de alguns projetos de lei que, infelizmente, vão demorar um pouco a tramitar aqui na Casa; mas que obrigue mais o Poder Executivo a ter um critério mais sério em autorizar o corte de árvores na Cidade do Rio de Janeiro, melhorar a passagem dos pedestres e também não licenciar edificações quando não há comprovadamente infraestrutura nos bairros para receber essa densificação das edificações. Nós queremos, e ainda há tempo, salvar a qualidade de vida do bairro da grande Jacarepaguá.
Muito obrigada, Sr. Presidente.