Discurso - Vereador Paulo Pinheiro -

Texto do Discurso

O SR. PAULO PINHEIRO – Senhor Presidente dos trabalhos, Vereador Rocal, vereadores presentes, funcionários da imprensa, os senhores que estão nos assistindo aí pelas redes sociais, boa tarde!
Finalmente, voltamos à Casa. Voltamos aqui, não é Vereador, para continuar discutindo os problemas da cidade dentro desta Casa. Acho que todos, hoje, têm absoluta consciência do que é administração do Prefeito Crivella na Cidade do Rio de Janeiro. Eu fico até curioso em ouvir os vereadores que apoiam o Prefeito Crivella nesta Casa. Eu queria saber se algum deles vai, em algum momento, usar o microfone para tentar defender aquilo que o Crivella falou durante o dia de ontem.
É absolutamente estarrecedora a maneira como o Prefeito Crivella se comunica. Ele disse algumas coisas que a gente não acredita, que o Prefeito tenha usado uma rede de televisão para falar o que ele disse. No momento da crise, para aqueles que estavam assistindo isso pela televisão – ou pelas redes sociais – ele diz, que naquele momento, na noite de segunda-feira: “A Prefeitura está na rua! Eu tenho 20 homens na rua!” Eu, na hora, inclusive, liguei para uns colegas aqui do nosso mandato e perguntei: Eu ouvi bem? Ele falou 20? Serão 20 mil? Eu achava que 20 mil eram muitos. Na verdade, no dia seguinte, eram 5.500, mas eram 20 mesmo. Ele achava que estava ajudando a cidade, colocando 20 pessoas da Prefeitura na rua.
É impressionante, a maneira... Eu tenho certeza de que ele falou aquilo orientado por alguém. Alguém disse: “Prefeito, acho que...”. Tenho certeza de que ele foi enganado pelos seus assessores. Devem ter dito para ele: “Já estão na rua” – só que chegaram atrasados.
Uma pergunta que a jornalista fez: “Por que, Prefeito, não tinha nenhum secretário aqui presente?” – eu vou defender, aqui, pela primeira vez, o Paulo Messina, o nosso “Primeiro-Ministro” do Governo Crivella: quando o Paulo Messina ainda era “Primeiro-Ministro”, eu duvido que ele não estivesse lá, no COR, para tentar tomar algumas atitudes. Eu não tenho dúvida da falta que ele está fazendo, o “Primeiro-Ministro” Messina. Parece que é muito mais importante, pelo que eu estou vendo, ele estar aqui na Casa que defendendo o governo – ou será que ele não vai mais defender o governo?
Então, foi patética a participação da Prefeitura. Ninguém aqui vai desmentir... E todos nós do PSOL, e alguns dos nossos companheiros têm atividades na área do meio ambiente, temos dito, há muito tempo, sobre os graves problemas que o mundo está passando, por esta maneira predadora com a qual os países têm tratado o meio ambiente.
O presidente Donald Trump diz que essa estória de modificação do meio ambiente é tudo mentira. Daqui a pouco, um desses ministros do presidente Bolsonaro vai dizer que quem trata do meio ambiente é comunista. Porque, agora, todas as vezes que acontece um problema desses, eles dizem que isso aí é coisa da esquerda. Defender o meio ambiente é coisa de comunista.
O que nós estamos vendo é que a cidade... o Prefeito Crivella, ao dizer que foi surpreendido... Olha, Prefeito Crivella, eu nunca vi um cidadão ser surpreendido tantas vezes pelos fenômenos da natureza! As declarações dele sobre a ciclovia já foram motivo de galhofa, motivo de desmoralização. Primeiro, ele diz que ciclovia era atacada por cima; depois, que era atacada por baixo. E agora, foi atacada por onde?
Fica claro que o governo não tem propostas; o governo não tem planejamento. E a briga interna – quem leu matérias nos jornais, falando sobre uma briga interna no Governo Crivella? –, os assessores o enganaram; os assessores o levaram, novamente, a um erro primário, ao fazer as declarações que fez.
Em fevereiro, quando aconteceu aquela enchente... E aí, a gente tem que lembrar que os problemas não são somente na Zona Sul. As imagens aéreas mostradas, de áreas como Guaratiba, Sepetiba, são claras. Aquela área sofreu tanto quanto a Zona Sul. E quando se fala nas questões da Zona Sul é porque ali é um corredor de trânsito, como a Rua Voluntários da Pátria e a Rua São Clemente, são áreas de acesso a um corredor de trânsito de quem vem da Zona Oeste, e vem trabalhar na Zona Sul ou vem utilizar os equipamentos públicos da Zona Sul. Não é porque o sujeito mora na Zona Sul que vai ser privilegiado por isso. Essas áreas são necessárias para todos os moradores da cidade.
E na Zona Oeste? E em Rio das Pedras? E Santa Cruz? O que aconteceu nesses locais? Houve pouca cobertura do que aconteceu nas comunidades, como Vidigal e Rocinha, que foi a mesma tragédia que aconteceu em outros lugares.
O que nós temos claro é que, se não houvesse motivos, se não existissem motivos para o afastamento – e eu não quero discutir aqui o impeachment – não! –, quero discutir o afastamento... O Prefeito Crivella deu demonstrações – e se tivesse um vestibular para prefeito, o Crivella não passava na primeira prova... Está claro que o Governo Crivella não atua naquilo que é necessário.
Há uma surpresa entre todos nós. Quem assistiu, aqui, às declarações do Secretário de Fazenda, que também dizem que já está com a corda no pescoço, ele dizia, aqui, sobre a melhora importante
da arrecadação da Prefeitura, graças ao trabalho que ele diz que fez no Rio de Janeiro. Ele mostrou aqui que, em 2018, houve um aumento de arrecadação de R$ 2,7 bilhões. De 2016 para 2017, do Governo Eduardo Paes para o primeiro ano do Governo Crivella, houve uma queda de arrecadação, em 2017, de R$ 3,1 bilhões, sendo que parte teria sido recuperada nesse ano de 2018, com uma arrecadação maior.
Aí a gente pergunta: se aumentou a arrecadação, para onde o Governo Crivella destinou esses recursos novos que chegaram? Não foi para a saúde, onde ele fez cortes brutais. Não foi para o meio ambiente. Não foi para as encostas. Não foi para a drenagem da cidade. Nós estamos vendo. Essa situação é clamorosa. Em fevereiro, quando a Rua Jardim Botânico estava cheia, a televisão mostrava uma imagem, por volta das 22 horas, de quatro servidores com roupa da Comlurb, com um pedaço de ferro na mão, fazendo buraco, tentando tirar a obstrução dos bueiros – quatro, mas estavam lá. Dessa vez nada, ninguém. A única instituição pública que claramente trabalhou nesse momento foi a dos bombeiros. Os bombeiros foram com um barco para a rua e a população da Zona Oeste fez a mesma coisa que os bombeiros. Vários moradores da Zona Oeste pegaram barcos, pegaram caixas d’água para suprir a carência do Poder Público em um momento tão grave como esse que a cidade vivia.
Portanto, se nós formos avaliar tudo que está acontecendo no Governo Crivella, é claro que o governo acabou. É claro que hoje não há possibilidade nenhuma de ninguém vir aqui, a esse microfone, defender o Governo Crivella. E eu acho que a desmoralização do Governo Crivella é um dos motivos de parte desta Casa ter abandonado ou estar abandonando o barco do Crivella. É claro que isso está acontecendo.
Portanto, senhores, o que nós vimos é que é preciso entender que nós não podemos evitar que as chuvas venham dessa maneira. E virão mais. É claro que nós teremos mais fenômenos desses, calor inusitado. Hoje até o Vereador Leonel Brizola falava sobre isso, sobre o calor que estamos vivendo no outono. Isso é claro que não é culpa do Eduardo Paes, não é ninguém que quer atrapalhar o Crivella. Isso é a realidade do que o homem está fazendo com o meio ambiente.
Então, é claro que nós não íamos evitar uma série de problemas. Mas muitas coisas poderiam ser contornadas. É evidente que atitudes têm que ser tomadas preventivamente. O que o Prefeito Crivella, primariamente, disse? Ele mandou as pessoas. Ele mandou os caminhões. Mas aí estava tudo engarrafado. É claro, chegaram atrasados. A sensação que se tem é que é um paciente precisando de cinco bolsas de sangue. Já se sabia que ele ia precisar das bolsas de sangue e, em vez de mobilizar as bolsas de sangue antes que ele precisasse, o governo resolveu pegar as bolsas de sangue depois. Aí não teve como levar as bolsas de sangue ao paciente que estava em estado pré-terminal.
Portanto, senhores, todos nós estamos muito curiosos. Todos nós estamos muito preocupados em como esta Casa vai se portar daqui para diante, em como é que nós vamos encarar esse problema. A questão do Vereador Messina: está claro que o Vereador Messina, “ex-primeiro-ministro”, veio para esta Casa no intuito de ajudar o Prefeito Crivella. Mas, agora, mais uma vez, o Prefeito Crivella errou. Ele teria sido muito mais útil lá no governo do que aqui na Câmara. Porque aqui na Câmara é difícil, é muito difícil ele apresentar qualquer tipo de defesa para o Governo Crivella. Portanto, eu acho que nós temos que ter bom senso. Temos que entender que esta Casa resolveu abrir o espaço.
Eu estou vendo o nosso querido morador de Santa Cruz chegando aqui, o Vereador Willian Coelho, que apareceu muito bem na televisão. Não sabia que o senhor também tinha habilidades para trabalho hidroviário, não é? Pelo que eu vi, o senhor foi entrevistado como se fosse o morador que é, não é? O senhor é morador, não é mentira. É um morador, mas é um morador de Guaratiba, Santa Cruz, não sei qual é a área que ele mora... Sepetiba! Então, é um morador de Sepetiba.
Então, esses fatos todos nos levam a ter uma preocupação:
o que será da Cidade do Rio de Janeiro daqui para frente, com um governo falido, um governo morto? A imagem que nós temos do Governo Crivella é de um governo que está no CTI, respirando por aparelhos, e esses aparelhos são os mesmos em que o Prefeito não colocou dinheiro para fazer manutenção, e hoje ele acaba morrendo pelo uso dos próprios aparelhos.
Eu mais uma vez digo, já tenho dito isso há muito tempo: o Governo Crivella tem uma doença autoimune, ele mesmo se destrói, não precisa de oposição para se afundar; e toda essa lama que desceu, tudo isso que desceu das encostas do Rio de Janeiro, está sobre a cabeça do Prefeito Crivella.
Eu espero que esta Casa tenha a sabedoria para se conduzir nos próximos momentos e, como já disse aqui o Vereador Babá, da mesma maneira que nós achamos que o Vereador Messina deveria ter renunciado ou não concorrido a uma vaga na comissão processante, nós também achamos que o Prefeito Crivella deveria ser bem orientado e pedir a sua saída já, porque ele não tem mais condições políticas de administrar a Cidade do Rio de Janeiro. É uma cidade sem governo.
Obrigado.