Discurso - Vereador Tarcísio Motta -

Texto do Discurso

O SR. TARCÍSIO MOTTA – Senhor Presidente, senhores vereadores, trabalhadores e trabalhadoras desta Casa, profissionais de imprensa e aqueles que nos acompanham pela Rio TV Câmara, boa tarde.

Em primeiro lugar, nobre Vereador Rocal, eu acho que os questionamentos do Vereador Leonel Brizola, alguns deles se mantêm presentes. Esse, por exemplo, da questão da obrigatoriedade de abertura de uma conta, é importante que a gente possa fazer um esclarecimento. O comunicado é um passo importante, mas, eu acho que a gente deve se esforçar coletivamente para encontrar uma solução que resolva o problema dos trabalhadores e das trabalhadoras terceirizadas desta Casa sem que elas tenham prejuízos para suas vidas em relação a isso que está colocado.
Bom, esperando, inclusive, que a Mesa Diretora possa avançar em saídas criativas, dentro da lei, mas, que possibilitem a continuidade da vida regular daquelas pessoas que trabalham nesta Casa.
Pois bem, nos quatro minutos que eu tenho nesta fala, eu quero me dedicar a fazer duas breves menções: a primeira delas é que hoje estamos lembrando os 100 dias sem governo, ou os 100 dias sem rumo ou os 100 dias sem coisas boas para falar. Hoje, tanto o Governo Bolsonaro quanto o Governo Witzel completam 100 dias.
Aí, nós temos, de um lado, um verdadeiro show de horrores de um governo federal que assumiu o seu lugar ao lado de ruralistas, atacando direitos indígenas, que produziu uma série de polêmicas nas redes sociais, criando fantasmas ideológicos para mobilizar uma base absolutamente reacionária, que mobilizou um discurso de ódio, mas que, de concreto, nada fez pela Educação, pela Saúde, pela Segurança, pelo trabalho e pelo emprego do nosso povo.
Ao contrário, a única pauta é a reforma da Previdência que, embora seja apresentada como algo que vai cortar privilégios, vai, na verdade, piorar a vida dos mais pobres, dificultando o acesso à aposentadoria e entregar de mão beijada para o capital financeiro, para os bancos, um sistema de capitalização que será uma tragédia nos próximos anos.
Governo esse acompanhado pelo Governo Estadual, o Governo de Wilson Witzel – e aí, os dois, Reimont, têm aqui uma coisa muito peculiar. Embora gostem muito de usar o tema Segurança, mas, na verdade, manipulam o medo legítimo da população para implantar políticas de sanha autoritária, punitiva, na lógica do armamento e na lógica da repressão, os dois silenciaram diante daquele crime do fuzilamento acontecido em Guadalupe de mais de 80 tiros desferidos por soldados do Exército sobre o carro de uma família que estava indo para um chá de bebê.
Se a responsabilidade daqueles soldados precisa ser apurada, é muito importante que a gente não se esqueça da responsabilidade daqueles que estimulam o ódio, o armamentismo, que estimulam essa lógica do “atira primeiro e pergunta depois”. Na lógica e da forma como a gente segue, matando corpos negros nas periferias brasileiras e segue mobilizando o medo porque isso faz todo o sentido para quem quer continuar vendendo armas e vendendo essa política que garante a permanência desses mesmos autoritários no poder.
Meu tempo está se esgotando – um pouco mais curto – mas, me reinscreverei para falar depois sobre a questão das enchentes na Cidade do Rio de Janeiro. Mas, é certo que, nesses 100 dias, sigo onde estava: mobilizando a população para resistir aos desmandos desse Governo Bolsonaro; resistir e, sobretudo, derrotar a reforma da Previdência; resistir a essa lógica punitiva e autoritária que nos governa.
Que o show de horrores pare! Que a gente siga na luta, porque só a luta muda a vida.