Discurso - Vereadora Teresa Bergher -

Texto do Discurso

A SRA. TERESA BERGHER – Senhora Presidente desta Sessão, vereadores e vereadoras, funcionários, boa tarde a todos.
Eu ouvia a todos com bastante atenção. Eu sempre procuro ouvir os colegas vereadores, com o maior respeito, com a maior atenção, e, assim, a gente aprende tanto. Mas me chamou atenção, muito especialmente, a última fala do Vereador Brizola, com relação ao aumento absurdo de crimes de estupros. Porque se há um levantamento de que crimes violentos que decresceram no país, por outro lado, a questão dos estupros, que é um crime da maior violência, abominável sob todos os aspectos, subiu assustadoramente.
E as pesquisas mostram que em 2017 e 2018... Em 2018, nós tivemos 66.041 estupros no nosso país. Teve aí um aumento assustador mesmo. Porque, se em 2011 esse número já era bastante alto, 43.800, agora, chegamos a 66 mil. E o que é mais assustador é que um crime que, na maioria dos casos, em um percentual bastante elevado, mostra que são praticados contra crianças com menos de 13 anos. O que se chama, inclusive, de estupro de vulneráveis, porque envolve essas crianças indefesas, que não têm como se defender. E, na maioria das vezes, esse crime é praticado por pessoas conhecidas das crianças ou pessoas da intimidade da família, ou, muitas vezes, até familiares, o que é assustador no nosso país. Eu acho que isto tem que ser combatido com muita firmeza.
Oportuno também registrar, alguns vereadores que me antecederam, em sua grande maioria, falaram da questão bastante autoritária do Prefeito Marcelo Crivella, quanto à questão do livro que ele tentou retirar dos estandes da Bienal. Agora, é uma coisa que me surpreende muito, pois com tanto problema na nossa cidade, com tantos problemas que vivem as nossas crianças...
Olhem, primeiro, eu, sinceramente, não li o livro. Eu não tenho como fazer uma análise profunda desse assunto. Até ontem, falei aqui com o Vereador Renato Cinco, ele estava com o livro, e perguntei a ele onde tinha comprado, porque eu também tenho a curiosidade de ler o livro. Aliás, o Prefeito Marcelo Crivella foi um divulgador fantástico do livro. Eu acho que, a qualquer momento, ele deve estar sendo contratado por todas as editoras que vendem livros direcionados, principalmente, à comunidade LGBT. Com toda certeza, ele vai ser contratado, porque vai vender muito livro. Ele sabe, ele é especialista em propaganda.
Mas eu acho que a nossa cidade vive problemas muito sérios e não era de competência do Prefeito lidar com aquela situação – muito menos como Prefeito. Ele até poderia, como pessoa física, apelar para a justiça e tentar, quem sabe, uma liminar. Eu vou dar um exemplo: o advogado Ary Bergher, no ano passado, conseguiu, através da justiça, do Tribunal de Justiça, que o livro Mein Kampf, do assassino Hitler, fosse retirado das prateleiras. Mas foi uma decisão judicial. E, agora, a editora tentou trazer o livro para venda na Bienal do Livro. Bastou uma notificação, mostrando que o livro tinha sido proibido pela justiça, para que ele não fosse vendido. E não foi vendido absolutamente nenhum livro Mein Kampf do Hitler, porque havia já uma decisão judicial. Então, se o Prefeito, realmente, por motivos religiosos, não o Prefeito, mas, sim, o Marcelo Crivella, pessoa física, quisesse proibir aquele livro, que apelasse à Justiça, somente a Justiça poderia agir naquela situação.
Então, é lamentável quando vemos nossas crianças, Vereador Brizola, a questão do estupro é muito grave, a questão dos crimes praticados contra a mulher é gravíssima, o feminicídio cresce a cada dia no nosso país, são casos e casos todos os dias...
Mas eu já vou terminar, Senhora Presidente. O que as nossas crianças recebem, ou melhor, não recebem absolutamente nada, aí, abandonadas nas ruas, nos abrigos não lhes dão a menor dignidade. Eu visitei abrigos de adolescentes, posso afirmar e dizer isso aqui publicamente nesta Tribuna.
Isso tudo, que me desculpe o Senhor Prefeito, o que ele quis foi aparecer – e lamentavelmente conseguiu.
Eu sei que meu tempo se esgotou.
Muito obrigada, Senhora Presidente.