Discurso - Vereador Renato Cinco -

Texto do Discurso

O SR. RENATO CINCO – Boa tarde, Senhor Presidente, senhores vereadores, senhoras vereadoras, senhores e senhoras.
Enquanto o Prefeito Marcelo Crivella, o Governador Wilson Witzel e o Presidente Jair Bolsonaro se unem para derrubar 200 mil árvores da Floresta do Camboatá e construir um novo autódromo na Cidade do Rio de Janeiro, a revista digital Vice publicou a seguinte matéria, no dia 4 de junho de 2019 – uma matéria publicada, originalmente na Vice dos Estados Unidos, por Nafeez Ahmed, e traduzida aqui no Brasil por Marina Schnoor. Eu quero ler a matéria para que todos tenham conhecimento.
“Novo relatório sugere grande probabilidade da civilização humana chegar ao fim em 2050.
A análise sobre mudanças climáticas foi escrita por um ex-executivo da indústria de combustíveis fósseis e apoiada por ex-chefe do exército australiano.
Uma análise de cenário angustiante, mostrando como a civilização humana pode entrar em colapso nas próximas décadas com as mudanças climáticas, foi endossada por um ex-chefe da defesa e comandante sênior da marinha real australiana.
A análise, publicada pelo Breakthrough National Centre for Climate Restoration, uma think tank de Melbourne, Austrália, descreveu as mudanças climáticas como ‘uma ameaça existencial de curto a médio prazo para a civilização humana’ e definiu um cenário plausível para onde a abordagem ‘negócios como sempre’ pode nos levar nos próximos 30 anos”.
O artigo argumenta que os “resultados extremamente sérios” em potencial de ameaças de segurança relacionadas com o clima são muito mais prováveis do que o que acreditamos convencionalmente, mas quase impossíveis de quantificar porque “estão fora da experiência humana dos últimos mil anos”.
Na nossa trajetória atual, alerta o relatório, “o sistema planetário e humano vai atingir um 'ponto sem volta' até o meio do século, onde a perspectiva de uma Terra em grande parte inabitável levará à queda de nações e da ordem internacional”.
O único jeito de evitar os riscos desse cenário é o que o relatório descreve como “uma mobilização de emergência numa escala de Segunda Guerra Mundial” – mas desta vez focada em construir rapidamente um sistema industrial de emissão zero que coloque nos trilhos uma restauração do clima seguro.
O cenário alerta que nossa trajetória atual provavelmente vai acabar com pelo menos três graus Celsius de aquecimento global, que por sua vez pode desencadear um feedback amplificado de mais aquecimento. Isso levaria ao colapso de ecossistemas-chave, “incluindo o sistema de rifes de coral, a floresta Amazônica e o Ártico”.
Os resultados seriam devastadores. Cerca de um bilhão de pessoas seriam obrigadas a tentar se deslocar de condições impossíveis de sobreviver, e dois bilhões encarariam escassez de água. A agricultura entraria em colapso nas áreas subtropicais, e a produção de alimentos sofreria dramaticamente no mundo topo. A coesão interna de nações como EUA e China seria desfeita.
“Mesmo com 2ºC de aquecimento, mais de um bilhão de pessoas poderão precisar ser deslocadas e em certos cenários, a escala da destruição está além da nossa capacidade de lidar com a grande probabilidade da civilização humana chegando ao fim”, aponta o relatório.
O relatório foi escrito por David Spratt, diretor de pesquisa do Breakthrough, e Ian Dunlop, ex-executivo da Royal Dutch Shell, que já foi presidente da Australian Coal Association.
No prefácio do relatório, o almirante aposentado Chris Barrie – chefe das Forças Armadas Australianas de 1998 a 2002 e ex-vice-comandante da Marinha Australiana – elogia o texto por mostrar ‘a verdade nua e crua sobre a situação desesperadora dos humanos e do nosso planeta, pintando um retrato perturbador da possibilidade real da vida humana na Terra estar rumando para a extinção, do jeito mais horrível’.
Barrie agora trabalha para o Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade Nacional da Austrália, Camberra.
Spratt disse a Motherboard que uma razão-chave para o risco não ser compreendido é que ‘muito conhecimento produzido por políticos é conservador demais. Como os riscos agora são para nossa existência, uma nova abordagem de clima e segurança é exigida usando análises de cenário’.
Outubro passado, a Motherboard relatou sobre evidências científicas de que o relatório da ONU para governos sobre as mudanças climáticas – cujas descobertas já eram amplamente reconhecidas como ‘devastadoras’ – na verdade era otimista.
Enquanto o cenário do Breakthrough aborda possibilidades de ‘maior risco’, geralmente não é possível quantificar sua probabilidade. Como resultado, os autores enfatizam que abordagens de risco convencionais tendem a minimizar cenários de ‘pior caso’, apesar deles serem plausíveis.
O cenário de 2050 de Spratt e Dunlop ilustra quão fácil pode ser acelerar sem freio na estrada das mudanças climáticas, que leva a um planeta praticamente inabitável em apenas algumas décadas.
‘Esse cenário de 2050 encontra o mundo em colapso social e caos total’, disse Spratt. ‘Mas existe uma pequena janela de oportunidade para uma mobilização de emergência global, onde experiências logísticas e de planejamento dos setores de segurança do mundo podem ter um papel valioso’”.
Bom, é uma matéria que apresenta um cenário dramático, mas vamos prestar atenção em alguns detalhes, porque essa matéria já foi acusada de ser sensacionalista.
Primeiro detalhe é o seguinte: esse relatório não diz que inexoravelmente a Humanidade entrará em colapso em 2050. Ele diz que, mantidas as tendências atuais, mantidas as políticas atuais, a Humanidade entrará em colapso em 2050. Então, existe, sim, ainda uma possibilidade de a gente evitar o colapso ambiental, mas, para evitá-lo, é necessária uma grande mobilização da Humanidade para eliminar nas próximas décadas – não é no próximo século, é nas próximas décadas – os elementos que fazem o aquecimento global.
Bom, os dois autores do relatório são oriundos da indústria do petróleo e das forças armadas da Austrália. Não são militantes comunistas da esquerda e talvez por isso o relatório deles não aponte, pelo menos a matéria não registra isso, que é impossível evitar o colapso ambiental, mantendo o modo de produção capitalista.
O modo de produção capitalista é insustentável. O modo de produção capitalista exige um crescimento infinito da economia. O modo de produção capitalista é avesso ao planejamento econômico necessário para superarmos a crise ambiental. O modo de produção capitalista é viciado em produzir mercadorias que quebram, que ficam obsoletas e que precisam ser substituídas por novas mercadorias.
Então, esse é mais um alerta vindo da academia, da ciência, demonstrando que os riscos para a Humanidade hoje são gravíssimos. E a ameaça não é para os humanos que viverem no século XXII. A ameaça é para nós, que estamos vivos hoje e que pretendemos estar vivos, saudáveis e felizes em 2050!