Discurso - Vereador Reimont -

Texto do Discurso

O SR. REIMONT – Senhora Presidenta, senhores vereadores, vereadoras, importante esse debate aberto aqui já pelo Vereador Rocal, que é o nosso 1º Secretário em exercício. E, primeiro, escutei parte da sua fala, Vereador. Eu estava aqui terminando a reunião ordinária da Comissão de Cultura, em que nós debatíamos sobre três temas importantes: o patrimônio da cidade, os monumentos; falávamos também sobre a Orquestra Sinfônica Brasileira, que tem uma questão de dívida ativa com o município e, de maneira equivocada, agora ganha na justiça por uma liminar; e terceiro, falamos sobre o monumento ou memorial do Holocausto a ser construído ali no Morro do Pasmado, que será fruto de uma audiência pública no dia 4 de junho próximo. Então, escutei parte da sua fala.
Em primeiro lugar, dispensa, dispensa eu dizer aqui que Vossa Excelência é um homem que é disponível, que é de fácil acesso. Vossa Excelência não precisa afirmar isso, porque nós sabemos disso. Em segundo lugar, não precisa também reafirmar, mas reafirmo, porque é preciso falar nesse mundo, é preciso nos expressarmos nesse mundo de tantas fake news, fake news que ganham até a presidência da República, imagina se não destroem uma vida, uma relação!
Então, gostaria de dizer que, quando discutimos sobre os trabalhadores aqui da Câmara Municipal, dos servidores aqui da Câmara Municipal que estão contratados por essas empresas prestadoras de serviço, nós estamos fazendo aquilo que é nossa obrigação. E eu, particularmente, tenho muita clareza de que lado eu estou. Eu estou do lado dos trabalhadores. Que a Laquix, ou qualquer das outras empresas que vierem aí, saiba disso: eu, Vereador Reimont, estou ao lado dos trabalhadores, sempre, sempre.
Dom Pedro Casaldáliga, bispo contra todas as cercas, fazendo 92 anos de idade, lá no Araguaia, tem uma expressão que eu trago para a minha vida: “Quando você sabe o seu lado, é muito bom, porque, se você não sabe o lado em que você está, na hora do aperto, você pula para o lado do opressor”. E eu não quero estar do lado do opressor.
O que temos aqui, Vereador Rocal, é um fato que é o tempo todo recorrente. Ele é recorrente aqui na Câmara Municipal, ele é recorrente na Assembleia Legislativa, ele é recorrente no Tribunal de Justiça, ele é recorrente na Prefeitura do Rio de Janeiro, onde essas empresas estão prestando serviço. O mesmo problema acontece sempre, sempre. Uma empresa sucede a outra e, às vezes – aqui não é uma denúncia, porque não sou leviano – mas quando uma empresa sucede a outra, às vezes, portanto, eu falei “às vezes” acontece de só mudar o CNPJ. Porque é tudo a mesma coisa. Os mesmos donos. Agora vai parar de entrar nesse bolso e vai começar a entrar nesse bolso. É mais ou menos isso.
Para darmos um exemplo metafórico, para podermos compreender o que acontece – e quem, na verdade, fica penalizado, sempre são os trabalhadores empobrecidos que trabalham ao nosso lado – nós temos o nosso subsídio, que recebemos mensalmente, e sem atraso. Estou aqui há 10 anos, 10 anos, em 10 anos de Câmara só tive o meu subsídio atrasado alguns dias, em um mês, por uma questão aí que aconteceu uns quatro, cinco meses atrás ou um ano atrás, não me lembro agora. Mas atrasado cinco, seis dias.
Os trabalhadores da Câmara Municipal, nós acompanhamos isso de perto, Vossa Excelência também acompanhou de perto, eles não têm dinheiro para vir trabalhar.
A gente não vai expor os trabalhadores, porque, é claro, diante dos engravatados que somos nós, esse pessoal que varre a nossa Casa, que faz o nosso café, que limpa o nosso banheiro, esse pessoal que faz a reposição do nosso material, às vezes, fica muito humilhado, infelizmente.
Queria eu não ser o engravatado que mete esse tipo de medo nessas pessoas, porque são tão dignas quanto eu, quanto qualquer um de nós. São tão dignas na sua atividade laboral como qualquer um de nós. Mas, na verdade, não é isso o que acontece. Há um distanciamento, porque a nossa sociedade é classista, infelizmente. Nós vivemos num país que teve quase 400 anos de escravidão; e o regime de escravidão está novamente colocado, a partir do momento em que a reforma trabalhista vem e permite a “pejotização”, permite que essas empresas sejam covardes com os mais pobres.
Senhor Presidente, tenho aqui os nomes de 12 pessoas, trabalhadores da Câmara Municipal, que estavam de férias no mês de março. E quando voltaram, no dia 1º de abril, trabalharam o mês inteiro; quando chegou no dia 1º de maio, não tinham salário. Disseram para eles: “Não vão receber”. E até hoje não receberam. Quem paga o leite do filho deles? Quem paga o aluguel deles? Quem paga o direito que eles têm de tomar uma cerveja, de comprar um quilo de carne, como qualquer um de nós tem?
Então, é esta a realidade. Então, quando estamos falando isso... Eu outro dia... Eu digo com muita clareza: eu não me furto a falar com ninguém. Todo mundo sabe que eu tenho o maior respeito para com todos os meus colegas vereadores, com os que pensam distante de mim, os que estão lá na extrema-direita, os que estão à frente, atrás, do lado, em cima, embaixo, não importa; a todos eu respeito, e respeito muito. Mas há algumas questões que a gente não pode admitir, não pode admitir que se durma tranquilo, que vá para casa tranquilo, deixando os trabalhadores da Câmara, que são os que dão condições a nós de trabalharmos, nessa situação. Imagina se os garis, na cidade do Rio de Janeiro, deixassem de fazer limpeza por dois dias?
Quer pensar um pouco menor: imagina se os que fazem café nesta Casa ficassem sem trabalhar uma semana; se os que lavam os banheiros ou que varrem os corredores; que vão aos nossos gabinetes recolher o lixo das nossas lixeiras estivessem de braços cruzados durante cinco dias; qual a condição de trabalho que nós teríamos? Nós não teríamos. Então, temos que resolver essa questão de uma vez por todas.
Quando o pessoal da Globo me pediu para falar, eu falo com a Globo, falo com a Record, falo com o SBT, eu falo nas redes sociais. Todos os dias, ao final da terça, da quarta e da quinta-feira, às 18 horas, eu faço uma transmissão ao vivo nas minhas redes sociais para dizer as pessoas o que está acontecendo e o que aconteceu na Câmara Municipal, porque eu considero que isso é minha obrigação, pelo serviço que eu presto como vereador, como parlamentar que recebeu a delegação do povo para representá-lo.
É minha obrigação dizer que a relação com esses trabalhadores aqui, na Câmara, não é de agora, Vereador Rocal – quando Vossa Excelência é 1º Secretário em exercício –; há 10 anos é uma relação injusta, é uma relação covarde. Quando a empresa termina, os trabalhadores ficam superfragilizados, porque não sabem se vão ser aproveitados, não sabem se vão receber a rescisão, não sabem se vão receber as férias que tiraram. Então, essa é uma realidade.
Vossa Excelência, ocupando o espaço na matéria da Globo por uma mensagem que mandou, certamente gravada do celular, disse: “Eu vou pessoalmente”. Aí, é uma questão discricionária do senhor. O senhor está certo, sabe por quê? Porque chegou às raias do absurdo. Imagina se a televisão diz que essa empresa não existe e nós aqui estamos com um contrato milionário com essa empresa. Como é que vai ficar? Isso não pode! Então, é um pouco isso.
Eu quero terminar aqui com as palavras de Dom Pedro Casaldáliga, repetindo, porque já falei no meio do meu discurso: “Quando a gente tem lado, não importam os momentos de dificuldade ou os momentos de bonança. A gente não passa para o lado do opressor.”
E essas empresas que têm prestado serviços para a Câmara Municipal, aqui também na Rio TV Câmara, pessoas de trabalho humilde e gente superprofissional na área de telecomunicações é o mesmo grupo. O que nós temos? Temos um pessoal que está com medo de falar, infelizmente. E não deveria. Nossa fala aqui, Vereador Rocal, é exatamente para isso, para que os trabalhadores da Câmara Municipal, a quem me dirijo agora, saibam: não tenham medo de se expressar. Não tenho muita força, sou um vereador simples, que não tem força na Mesa Diretora. Respeito os vereadores da Mesa Diretora. Eles me representam, porque eu acolhi a Presidência desta Casa. Portanto, eles me representam. Tenho o maior respeito por eles, mas é preciso que a gente tome providências, porque lá no dia a dia, as pessoas estão com medo de falar com a gente. Imaginem se eu vou ocupar um posto em que as pessoas têm medo! Se por um acaso houver qualquer retaliação a qualquer trabalhador, por mais humilde que seja ele, saibam que eu estarei do lado dele, contra quem quer que seja.
Eu estou muito feliz e vou apresentar mesmo hoje uma questão de ordem por escrito, porque é importante. É bom para a Mesa Diretora, é bom para os trabalhadores, é bom para a empresa que presta serviços e é bom para nosso trabalho parlamentar.
Então, quero aqui agradecer a oportunidade que o Vereador Rocal me proporcionou, impulsionando a conversa e dizer primeiro do meu respeito pela Mesa Diretora, sabendo que vocês vão dar o encaminhamento correto. Sabendo disso, fico mais tranquilo e mando um recado direto para os trabalhadores daqui da Câmara Municipal: não tenham medo de reivindicar seus direitos.
Amanhã eu vou estar nas ruas contra o Governo de Bolsonaro que quer acabar com a Educação, goste ele ou não. Portanto, trabalhador aqui desta Câmara, gostando ou não os vereadores da reclamação deles, reclamem! Não abandonem a luta por seus direitos. Nós não abandonamos a nossa. Imaginem se cortarem o nosso combustível, nosso cartão de combustível! A gente vai, no mínimo, querer saber o que aconteceu. Imaginem se a gente recebe metade do subsídio! A gente vai bater na porta da Mesa, dizendo: Olha, cortaram metade do meu subsídio!
Então, acho que é esse o movimento que a gente tem que fazer. Mas estou muito tranquilo em relação a isso, porque uma coisa de que não abro mão é respeitar meus colegas.
Um abraço a todos e muito obrigado.