Discurso - Vereador Renato Cinco -

Texto do Discurso

O SR. RENATO CINCO – Boa tarde, Senhor Presidente; senhores vereadores, senhoras vereadoras, senhores e senhoras.
Nesse domingo, saiu uma nota no jornal Extra, essa intitulada:
“Candidato surpresa?
Um evento do Vereador Renato Cinco está deixando alguns figurões do PSOL com a pulga atrás da orelha. O Vereador carioca está convidando correligionários interessados para um debate, amanhã, sobre... um programa de governo para Cidade do Rio de Janeiro.
Alguns acreditam que o moço está lançando a sua pré-candidatura para a Prefeitura do Rio no ano que vem.
Coragem
Mas será que ele vai enfrentar a estrela do partido, o Deputado Federal Marcelo Freixo, nas prévias do PSOL?”.
Bom, essa nota foi publicada no domingo no jornal Extra e, evidentemente, eu preciso fazer alguns esclarecimentos. Em primeiro lugar, dizer o seguinte: nós fizemos ontem, realmente, essa atividade no Espaço Plínio, o espaço político e cultural do nosso mandato. O nome da atividade era “A Conjuntura e o Programa Socialista Ecológico e Libertário para a Cidade do Rio de Janeiro”. E é verdade que nós estamos iniciando um processo de construção de uma proposta para ser levada ao próximo congresso do PSOL, esse que versa sobre o programa para a Cidade do Rio de Janeiro. Agora, não há nada decidido em relação a pré-candidaturas. Seria legítimo e normal que vários pré-candidatos se apresentassem à Prefeitura do Rio pelo PSOL, porque é importante a gente encarar a questão do debate interno partidário com bastante tranquilidade.
Porque eu sempre falo isso: partidos políticos são parecidos com as universidades, pelo menos em um aspecto. Um partido político vivo é um partido político que tem debate interno; assim como uma universidade viva é uma universidade que tem debate interno. Então, o fato de eu apresentar a minha pré-candidatura, o Freixo apresentar a pré-candidatura dele, o companheiro Vilmar já se apresentou como pré-candidato, isso não quer dizer, de jeito nenhum, que há uma luta interna, fratricida, que essas pessoas se odeiam, não se respeitam, são inimigas. Não! Pré-candidaturas podem representar, apenas, a vivacidade do debate interno de um partido. São muitas teses, muitos dilemas. As questões da política, da economia, da sociedade não são simples, são complexas.
Eu quero esclarecer de antemão que, pelo menos por enquanto, não existe a minha pré-candidatura à Prefeitura do Rio. O que existe, o que foi combinado, por algumas correntes do PSOL, pelo nosso mandato, pelo companheiro Babá – o Babá estava lá presente ontem também – e outras figuras do partido é que nós vamos realizar um processo de construção de uma proposta de programa que tem como princípio fundamental a defesa da ideia de que o bem-estar social do povo brasileiro e uma relação harmônica da sociedade com o meio ambiente são irrealizáveis sob o capitalismo. Nossa ideia é que um programa eleitoral representa uma tática, e uma tática precisa corresponder a uma estratégia.
Então, nós queremos fazer o debate sobre um programa socialista, ecológico e libertário para a Cidade do Rio de Janeiro, a partir de uma perspectiva estratégica. E qual é a nossa perspectiva estratégica? A revolução socialista. Essa é a nossa perspectiva estratégica. A nossa atuação nos parlamentos, nos executivos, os programas que a gente apresenta para a sociedade, na concepção das correntes e dos militantes do PSOL, que estão construindo esse processo de debate programático, na nossa concepção, a nossa estratégia fundamental é a revolução socialista, a construção da revolução socialista. Isso não é porque a gente, algum dia, acordou de manhã, achou bonita a ideia do socialismo e resolveu defendê-la. É porque a nossa análise, a nossa leitura, a partir da realidade concreta, histórica, do nosso país e do mundo, é de que não há espaço para o bem-estar social das populações das economias da periferia do sistema capitalista. Por isso é que a vida do povo brasileiro é tão dura, porque nós somos uma economia da periferia do sistema capitalista. Enquanto, por exemplo, a Noruega, que tem o maior Índice de Desenvolvimento Humano do planeta, tem US$ 32 mil para gastar por ano com cada habitante, aqui no Brasil nós não temos nem 10% disso: são US$ 2,8 mil por ano por habitante que o nosso Estado tem para financiar tudo o que precisa financiar. O estado do bem-estar social é impossível! Da mesma maneira, é impossível, nos marcos do capitalismo, a gente administrar a Prefeitura do Rio de Janeiro garantindo o bem-estar social para a população do Rio de Janeiro.
Nós não podemos ir para a disputa eleitoral defendendo nenhum tipo de ilusão. Não podemos ir para a disputa eleitoral dizendo apenas que basta inverter as prioridades do Estado para a gente resolver os problemas da nossa população.
Ano passado, a Prefeitura do Rio de Janeiro teve R$ 4 mil por habitante para gastar, no seu orçamento. Foram R$ 4 mil, isso sem descontar a parte da dívida. Porque, assim, cai mais uns 10%. Chega-se a uns R$ 3,6 mil por habitante, no ano passado, para financiar a Prefeitura do Rio de Janeiro. É impossível! É impossível!
É muito difícil mudar a realidade brasileira, porque nós precisamos sair da condição de periferia do sistema capitalista ou não é possível financiar o bem-estar social da nossa população. E a alternativa que, em tese, seria a mais fácil, que é: “então, temos que sair da periferia e ir para o centro do capitalismo”; é impossível.
Primeiro, porque o centro do capitalismo não nos quer lá. Segundo, porque as classes dominantes, no Brasil, não representam uma burguesia moderna, que quer fazer uma revolução burguesa no Brasil, que quer trazer a sociedade liberal para o Brasil. As nossas classes dominantes sempre foram hegemonizadas: primeiro, pelo capital agrário, atrasado, que quer o Brasil preso às estruturas do tempo da colônia; e, agora, além do agronegócio, pelo mercado financeiro, que também não tem interesse nenhum em disputar qual é a posição do Brasil na divisão internacional do trabalho.
Também temos a questão ambiental. O modo de vida da sociedade capitalista chegou ao limite. É impossível para os países que, hoje, estão na periferia do sistema querer fazer o mesmo caminho dos que estão no centro. Não há planeta que suporte esse caminho. Não há planeta capaz de suportar a manutenção do modo de vida do centro do capitalismo, quanto mais expandir esse modo de vida para a periferia.
Nós temos pouco tempo para dar resposta a uma crise ambiental gravíssima, que vem assolando esse planeta. E a resposta a essa crise ambiental significa a reinvenção da sociedade. Ela significa mudanças dramáticas, drásticas, profundas no nosso modo de viver, no nosso modo de consumir. E isso precisa estar representado no nosso programa para as eleições em todas as esferas. O programa eleitoral do PSOL tem que representar o programa político e estratégico do partido.
O programa eleitoral do PSOL seja na esfera municipal, seja na esfera estadual, seja na esfera nacional, precisa dialogar com a nossa estratégia. Na minha concepção, a nossa estratégia tem que ser a superação da sociedade capitalista, a superação dessa civilização industrial e capitalista. Nós vamos fazer uma série de encontros. Ontem foi apenas o primeiro. Serão, pelo menos, cinco encontros temáticos e mais um encontro para fazer uma plenária final.
Vamos criar também um fórum na internet para o debate prosseguir, além de lançar um manifesto programático. Todos os militantes e simpatizantes do PSOL que concordarem e subscreverem o manifesto com os princípios programáticos vão poder participar de todo o processo de debate, apresentando propostas e participando democraticamente das decisões nas plenárias finais. Estamos organizando um processo interno de debate programático que se pretende democrático e transparente. E, no final, vamos apresentar essa proposta de programa para os congressos municipal, estadual e nacional do PSOL. Por um programa socialista, ecológico e libertário para a Cidade do Rio de Janeiro.