ORDEM DO DIA
Pela Ordem



Texto da Ordem do Dia

O SR. FERNANDO WILLIAM – Hoje, a Câmara quase criou um problema para si mesma, porque, quando votou a lei que altera de 0,01% para 2% o ISS dos ônibus, eu fiquei empolgado com o Poder Legislativo e, por um raro momento, passou pela minha cabeça voltar a me candidatar. Olhem o problema que vocês iam criar! Um cara chato como eu, que fala em hora indevida, corria o risco de ganhar e ficar enchendo o saco de vocês aqui por mais quatro anos. Aí, vem o Jones Moura e diz para mim: “Fernando, não dá, volta sua opinião, porque realmente não dá”.
Será que não podemos passar um dia de felicidade aqui, um dia imaginando que isso aqui é uma Casa altiva, uma Casa que merece todo o respeito? Eu já havia dito aqui, e acertei na mosca, que o Vereador Jones Moura, percebendo o sucesso do Vereador Otoni de Paula – que, aliás, depois de eleito, raras vezes aparece, raras vezes fala –, resolveu seguir exatamente a mesma conduta e a mesma orientação na fala aqui, de forma radical, com a postura extremamente conservadora faz com que haja essa reação que houve aqui, que leva o Vereador quase a êxtase sexual, provavelmente. Se alguém acha aqui que incomodou o Vereador Jones Moura, está equivocado. O Vereador está quase em êxtase ali.
Algumas coisas já foram ditas aqui e são mais do que óbvias. Há problemas, situações como essa que, se quisessem resolver como um Parlamento altivo, o Vereador, ao invés de querer reproduzir seu voto com base em um determinado discurso, reproduziria seu voto pelo trabalho que ele realiza na comunidade, ou pelo trabalho político que ele realiza aqui. Ele não precisa botar uma pessoa aqui filmando e fazer um discurso extremamente conservador, radical, que provoca a ira, que provoca tudo isso a que nós estamos assistindo aqui, agora, para poder depois botar nas suas redes sociais e se capitalizar politicamente.
Eu posso afirmar que esse tipo de voo político é um voo curto. Viu, Vereador Jones Moura? Pode ter certeza. O senhor é muito maior do que isso. Não precisa repetir situações que, aliás, a gente nem sabe como daqui a dois anos a situação do país estará. Pode ser que esteja tão degringolada, tão complexa, que esse tipo de discurso será ridicularizado. Aliás, ele é ridículo hoje, e será ridicularizado pela população como um todo.
Agora, eu vou convidar os meus colegas aqui, que tem uma posição, digamos, um pouco mais à esquerda – eu não gosto desse negócio de direita e esquerda – para passar a dar um outro tipo de tratamento a este tipo de conduta. Então, já que o Vereador me sucederá na questão de ordem, eu vou lhe perguntar o seguinte: Vereador Jones Moura, se o senhor puder, responda: quanto é o orçamento da Prefeitura que nós estamos votando para o ano que vem? Quanto desses recursos está destinado para a Saúde? Quanto desses recursos está destinado para a Educação? Quanto está destinado para Assistência Social? Porque isso é importante! Isso vale! Não é para responder amanhã, depois de ler no Diário Oficial, não. É para responder agora!
Pode ser que eu esteja equivocado, mas eu duvido muito que o senhor saiba o que é essencial os vereadores saberem. A gente precisa parar com este modelo de fazer política pelas aparências, botar uma máscara. Vou ser franco. Ás vezes, a gente coloca máscara de esquerda também, ou máscara de direita. A gente tem de começar a falar as coisas que a gente acha que são realmente importantes para o interesse público.
Eu deixo aqui essas perguntas. Daqui por diante, vou fazer perguntas bem objetivas, que eu acho que todo vereador tem de saber, para ser um bom vereador. O bom vereador não é aquele que faz aqui um discurso extremamente radical de um lado ou extremamente radical de outro, não. É aquele que sabe, minimamente, as coisas que estão acontecendo e sobre as quais ele tem que ter uma posição clara, uma posição que expresse confiança para a população.
Não se ganha voto conservador, que está em moda aí, e depois vai ser um ridículo Deputado Federal, que, em Brasília – eu fui Deputado Federal, o Babá também foi –, você fala uma vez por mês, se falar. Então, essa coisa que o Otoni de Paula fez aqui, de chegar todo dia aqui e fazer esse discurso radical, provocativo, de baixo nível, para gerar uma comoção e, com isso, aparecer nas mídias sociais dele ou na imprensa, isso não vai acontecer, não.
Vai ser um deputado federal – se continuar desse jeito, espero que não seja – medíocre, que, certamente, muito em breve, estará recorrendo aos votos dos munícipes para voltar à Câmara ou voltar a sua Igreja. Eu não sei qual é exatamente a Igreja, mas voltar a sua Igreja. Não estou fazendo esse comentário de Igreja para criticar a Igreja, não.
É só isso. Vamos tratar de coisas sérias, como nós fizemos ao votar o projeto que aumentou a receita da Prefeitura, aumentando de 0,01% para 2% o ISS.
Obrigado.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Pela ordem, o nobre Vereador Jones Moura, que dispõe de três minutos.

O SR. JONES MOURA – Obrigado, Presidente.
Presidente, os discursos, os debates foram para um lado que, se nós não tivermos muito foco no que está sendo discutido, pode acontecer, sim, de algum vereador, alguém da sociedade ser ludibriado pelas manifestações que foram feitas aqui pelo PT, pelo PSOL e até pelo PDT.
Eu quero deixar muito bem claro aqui, como eu já falei anteriormente – está tudo registrado e eu vou repetir –, não temos nada contra a pessoa de Marielle Franco. Inclusive, foram colocadas aqui falas para tentar fazer as vereadoras, que muito bem fizeram o projeto, e depois em seguida tivemos a resolução, está tudo certo. Nós colocamos isso aqui. Mas, pelo amor de Deus, não é, volto a dizer aqui: Não vou aceitar, Presidente, que a placa tenha que estar ao meu lado! Isso, eu não preciso aceitar, aqui. Não sou só eu. Eu já conversei com praticamente a maioria. Não sou somente eu. Está levantando a mão, ali, o Vereador Italo Ciba. Não sou somente eu. Nós não vamos aceitar! Só isso. No mais, não é nada contra a Marielle Franco, não. Quero dizer, aqui, que o Vereador Reimont, do PT, falou: “Mas, da maneira como o Vereador Jones Moura fala, é preciso até pensar no Conselho de Ética”. Porém, veja só, o Vereador Leonel Brizola, do PSOL, me chamar de mau caráter, aqui, bem alto, isto é questão de Conselho de Ética; o Vereador Babá me chamar de cínico é questão de Conselho de Ética. Eu não fiz isso com nenhum vereador.
Para fechar, e ficar bem colocado: não adianta, Vereador Fernando William, do PDT, Tarcísio Motta, que fez um discurso muito emocionado... Olha, Vereador Tarcísio Motta, vocês não vão enganar vereador e nem a sociedade com discurso de que somos contra a Marielle Franco. Aqui somos contra a posição da placa. Essa placa não vai ficar aí!

A SRA. TERESA BERGHER – Pela ordem, senhor Presidente.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Pela ordem, a Vereadora Teresa Bergher, que dispõe de três minutos.

A SRA. TERESA BERGHER – Senhor Presidente, senhores vereadores e vereadoras, é lamentável o que está acontecendo nesta Casa hoje. Primeiro, todos os vereadores votaram favorável a que esta placa fosse colocada ali, na Tribuna. Segundo, é uma discussão tão pequena, tão absurda. Nós temos que homenageá-la. Eu me sinto especialmente honrada em poder ter aprovado esta placa, e, mais do que isso, ser coautora do projeto e resolução, que, diga-se de passagem, inicialmente foi proposto pela Vereadora Tânia Bastos, que veio a mim perguntar se eu queria ser coautora. Imediatamente, eu aceitei. E aceitei com muito orgulho. Marielle foi um orgulho para todas nós mulheres. A representação se fez presente aqui nesta Casa, durante todo o tempo. Eu tive, infelizmente, pouco contato com a Marielle, porque cheguei nesta Casa em setembro. Veio o recesso e ela foi assassinada no dia 14 de março. Então, não tive esse privilégio. Mas quero dizer aos senhores que me orgulho muito de Marielle. Marielle foi uma grande mulher; uma mulher que lutou pelos menos favorecidos. Uma mulher que lutou, como nenhuma outra, pela causa feminina. É absurdo e, acho, de muito mau gosto, infelizmente, o que foi colocado aqui.
Quero dizer mais ainda: eu vou lutar, até o último minuto, para que aquela placa continue ali, sim, Senhor Presidente. Tem que continuar, ou então nós vamos aprovar leis, aqui, para não serem cumpridas. É isto o que o Vereador Jones Moura está propondo? Lamentável. Como costumamos dizer na minha religião: que Marielle descanse em paz.
Viva Marielle sempre! Eu tenho certeza que os nossos queridos colegas vereadores não permitirão que aquela placa saia daquele lugar.
Muito obrigada, Senhor Presidente.