Discurso - Vereador Babá -

Texto do Discurso

O SR. BABÁ – Companheiros e companheiras que nos veem aqui e pela Rio TV Câmara, boa tarde. No Grande Expediente, eu vou colocar aqui em primeira conta a soltura de uma quadrilha que foi e continua comandada pelo Temer. E quem soltou o Temer? Foi o desembargador da Justiça Federal Ivan Athié.
Vamos à história deste senhor.
“O Desembargador Federal Antônio Ivan Athié, da 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que mandou soltar Temer e sua quadrilha, segundo a reportagem da Folha de S. Paulo, de 25 de março de 2019, chegou a ser alvo de uma ação penal, nela acusado de ter cometido os crimes – vejam bem! – de formação de quadrilha e estelionato, quando juiz no Estado do Espírito Santo”.
Ou seja, tem história! Por isso, solta bandidos e solta a quadrilha do Michel Temer.
“Em 2013, o Supremo Tribunal Federal, do qual faz parte o Ministro Gilmar Mendes, reconhecido nacionalmente por mandar soltar bandidos condenados pela Operação Lava Jato, determinou o trancamento da ação no Superior Tribunal de Justiça, por entender que o objeto era o mesmo de um inquérito contra o juiz que já havia sido arquivado em 2008
”.
O magistrado foi alvo de quebras de sigilo fiscal, bancário e telefônico. Em função deste inquérito – vejam bem, ficou sete anos afastado do cargo, sendo reencaminhado por decisão do STJ de 2011. Como sempre a justiça protegendo os seus corruptos de estimação.
“O mesmo magistrado já havia votado em 2017 pela liberação de outro corrupto, Othon Silva, ex- Presidente da Eletronuclear.
De acordo com o Ministério Público, Othon e a Estatal estariam envolvidos em um esquema de propina que resultou na prisão do corrupto Michel Temer e sua quadrilha, na semana passada.
Em fevereiro de 2017, o corrupto Othon estava preso preventivamente, acusado de ter recebido propina na construção da usina nuclear de Angra 3, da mesma forma como Temer e sua quadrilha foram acusados, na última semana.
Ainda, segundo o jornal Folha de S. Paulo, de acordo com o Ministério Público Federal, o ex-Presidente foi responsável – olhem bem! – pela indicação de Othon para a Presidência da Estatal, com o objetivo de garantir vantagens indevidas, ou seja, propinas”.
Juiz cara de pau e defensor dos corruptos! “propinas são apenas ‘gorjetas’”.
“Na Sessão em que votou pela liberação de Othon, o juiz Athiê afirmou, segundo o jornal O Globo, que os pagamentos de propinas – olhem bem! – podem ser apenas ‘gorjetas’”. Vejam o que afirmou o juiz Athié:
“Nós temos que começar a rever essas investigações. Agora, tudo é propina. Será que não é hora de admitirmos que parte desse dinheiro foi apenas uma gratificação, uma gorjeta? (...) Essas investigações, – e com toda a falta de moral dele, porque é assim – estão criminalizando a vida” – afirmou Athié.
Quer dizer que para o juiz Athiê, o valor de R$ 1,8 bilhão que o Ministério Público associa à quadrilha comandada por Michel Temer, a desvios numa operação que teve como foco um contrato firmado com a Eletronulcear e as empresas Argeplan, do Coronel Lima, que sempre foi o “testa de ferro” de Temer em suas corrupções, a AF Consulta Ltda e Engevix. Quer dizer, que para o Athié esse brutal assalto aos cofres públicos seria apenas “gorjetas”.
Quer dizer que os R$ 2 milhões que Temer recebeu em propinas para reformar a casa de sua filha em São Paulo seria apenas “gorjetas”?
“Ainda segundo acusação formulada pela Procuradoria Geral da República apontou a movimentação indevida de R$ 32,6 milhões entre empresas do setor portuário a firmas ligadas aos interesses de Temer.
De acordo com a investigação, a empresa Rodrimar, que opera no Porto de Santos, foi uma das empresas que garantiu propina ou ‘gorjeta’ – segundo o juiz – a Temer, por meio das empresas Argeplan, Eliland do Brasil, PDA Administração Ltda e PDA Projetos e Direção Arquitetônica, todas do Coronel Lima, o ‘testa de ferro’ de Temer – mas para o juiz Athié tudo eram “gorjetas”.
Temer, Moreira Franco, cuja esposa é sogra do Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o Coronel Lima e o restante da quadrilha, denunciados por corrupção, lavagem de dinheiro, segundo a Procuradoria, não poderiam ser condenados, segundo o juíz Athié, porque teriam recebido apenas algumas gorjetas.
Outra polêmica está presente na carreira do magistrado. Em 2016, Athié foi declarado suspeito para julgar casos que envolvessem o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta. A suspeita ocorreu a pedido do Ministério Público, que alegou que o juiz era amigo do advogado Técio Lins e Silva, que defendia Cavendish.
Poucos dias antes, Athié havia transformado a prisão preventiva do empresário, detido pela Operação Saqueador, em domiciliar. A decisão foi estendida para outros réus no caso, incluindo sabem quem? O contraventor Carlinhos Cachoeira. É esse juiz que quer ter moral para dizer-se juiz, para querer impor justiça.
Segundo Athié, ele revogou a prisão preventiva de Temer e de outros sete detidos da quadrilha comandada por Temer, que foram presos na semana passada, o ex-Ministro e ex-governador Moreira Franco; o Coronel João Batista Lima Filho e sua esposa, a arquiteta Maria Rita Fratezi; Carlos Alberto Costa e seu filho, Carlos Alberto Costa Filho; Wanderley de Natale e Carlos Alberto Montenegro Gallo. Todos eles, segundo o juiz Athié, receberam apenas gorjetas. Por isso, tinha que liberá-los. Isso é uma vergonha! Mas essa é a justiça de um amigo também do Gilmar Mendes. Esse senhor, se o Senado decidir abrir a CPI Lava Toga para investigar Gilmar Mendes e outros, vai ter que ser investigado. Essa situação deixa a população brasileira profundamente revoltada. Esperamos que Temer volte para a cadeia.
Mas agora eu gostaria de fazer uma denúncia que considero grave. O companheiro professor Pedro Mara, diretor de uma escola em Belford Roxo, escondeu-se. Escondeu-se porque sabem quem o estava investigando, quem o estava pesquisando na internet? Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle Franco, nossa companheira.
Vejam bem o absurdo. O Secretário de Educação, Pedro Fernandes, filho da Vereadora Rosa Fernandes – que deveria chamar-lhe atenção –, como se não bastasse o fato do companheiro Pedro Mara refugiar-se, naturalmente com receio, porque o assassino de Marielle o estava investigando, quer abrir um processo de exoneração do companheiro Pedro Mara, investigado pelo mesmo assassino da companheira Marielle e do companheiro Anderson, seu motorista, preso há pouco.
Portanto, nós vamos denunciar fortemente essa situação, como os companheiros do PSOL na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro estão fazendo. Não podemos aceitar que um companheiro brilhante, professor da rede estadual, eleito diretor da escola em Belford Roxo, e agora teve que se refugiar por um tempo com medo de ser assassinado, assim como a companheira Marielle Franco foi, porque estava sendo investigado pelo mesmo assassino da companheira Marielle.
Nós denunciamos isso aqui, esperamos que o Secretário de Educação volte atrás e esperamos também que a postura da Vereadora Rosa Fernandes, que sempre foi em defesa da população onde atua, seja de chamar a atenção de seu filho, pois ele não pode cometer esse brutal erro para abrir um processo de demissão por abandono de serviço. Eu queria saber se o Secretário de Educação Pedro Fernandes ficaria tranquilo se estivesse sendo investigado pelo Ronnie Lessa, o assassino da companheira Marielle, lá na Secretaria de Educação ou na sua casa.
Portanto, senhores, esperamos que esse fato não prospere e que o Secretário de Educação perceba que está cometendo um grave erro. É isso que nós da bancada do PSOL, aqui na Câmara de Vereadores e na Assembleia Legislativa, estamos fazendo. É isso aí. E todo apoio ao companheiro Pedro Mara, que estava sendo investigado pelo assassino da companheira Marielle Franco.
Muito obrigado.