Discurso - Vereador Otoni De Paula -

Texto do Discurso

O SR. OTONI DE PAULA – Senhora Presidente, Vereadora Tânia Bastos, eu subo a esta Tribuna com este guarda-chuva, que a imprensa e setores da sociedade acham que um sniper, que é um atirador profissional, vai confundir com um fuzil.
Bem, fechado, ele não se parece com um fuzil. A 1 km de distância ou a 500 m, com certeza, vai se parecer menos com um fuzil. Eu até vou fazer um teste que eu não fiz. Aberto ele também não se parece com um fuzil.
Mas, por que eu estou trazendo – e deixa eu fechar o meu fuzil aqui – essa discussão ao Plenário? Porque quando o governador eleito, Wilson Witzel, diz que vai treinar policiais e trazer snipers para abater traficantes que portem uma arma de guerra, como um fuzil, se vê a grande inversão de valores que nós temos na nossa sociedade. Ao ponto de, numa entrevista que o juiz Wilson Witzel estava dando à Globo News, a jornalista Maria Beltrão, disse ao juiz, em uma análise crítica: “Dr. Wilson, suponhamos que um cidadão – e ela disse cidadão, tá? – esteja com um fuzil.” O cidadão da Maria Beltrão é um traficante. “Suponhamos que um cidadão esteja com um fuzil de costas, sem apresentar nenhum perigo iminente para a sociedade, o Senhor acha certo ele ser abatido pelas costas? Afinal de contas, esse cidadão com o fuzil não está representando nenhum perigo iminente.”
Senhora Presidente, a que ponto nós chegamos. Quer dizer que o traficante é chamado de cidadão? É isso mesmo? Talvez, aí esteja o cerne da questão: quem é o traficante para você. Bem, como pastor que sou, eu diria que é uma alma precisando de libertação. Agora, se essa alma que eu entendo que precisa de libertação não quiser libertação? Então, se essa alma que precisa de libertação não quer libertação ele se torna para mim um mal a ser extirpado. É como um câncer. É como um câncer que não aceita negociação. Diante da possibilidade de uma quimioterapia. Ou alguém já viu um câncer regredir quando o médico ameaça entrar com quimioterapia? É como um câncer que não teme a ameaça e nem se curvará diante de um tratamento comum. A não ser diante de um tratamento eficaz e letal. É dentro dessa analogia que eu entendo que nós estamos confundindo câncer com dor de cabeça.
O governador não está autorizando tratar dor de cabeça com quimioterapia. Ou com uma cirurgia no cérebro. Não! Para dores existem analgésicos. Porém, o que está por detrás da dor de cabeça? Se for uma simples dor de cabeça, o analgésico serve. Agora, se for um tumor? Se for um tumor, o tratamento com analgésico se torna ineficaz, porque esse mal, o tumor, precisa ser eliminado. Um traficante que porta uma arma de guerra, não pode ser tratado pelo Estado como uma dor de cabeça. Ele tem que ser tratado pelo Estado como um câncer, que precisa ser eliminado, extirpado. O traficante que porta uma arma de guerra é um câncer.
Os que são contra tal medida do Doutor Wilson Witzel alegam que essa medida só poderia ser concebida em estado de guerra. Ora, senhoras e senhores, em que mundo nós estamos vivendo? Em que estado nós estamos vivendo? Nós estamos vivendo sim em estado de guerra. Está fácil virar bandido.
Agora, vai bastar o primeiro morrer.
Dois traficantes conversando: “E aí, cumpade, vamo levar quem? Vamo arrebentar com quem? Aí, meu irmão, eu tô querendo pega hoje lá na pista e eu arrebentar, porque...”
TUMM!!
“O que foi? O que foi? Godzilla, Godzilla, acorda, Godzilla.”
Aí, ele vai descobrir que o Godzilla tomou um tiro na cabeça.
Vão bastar três, três para fuzil virar batata quente na mão de malandro. O malandro vai querer voltar com a pistola, meu irmão. O malandro vai querer voltar com o 38, com o “três-oitão”. Sabe por quê? Porque traficante não é Estado Islâmico não, que dá a vida por uma causa; eles querem a coisa. Basta tratá-los como ratos da sociedade. Basta tratá-los não como cidadãos, mas como cânceres da sociedade a serem extirpados, que eu quero ver quem é que vai querer tirar onda com a sociedade portando fuzil.
A pergunta é: a quem interessa defender bandido? Quem está lucrando com essa atividade no Rio de Janeiro? Quando Wilson era candidato ao governo, faixas foram espalhadas pela comunidade, feitas pelos traficantes, dizendo para não votar no Wilson. E tinha o nome do concorrente do lado.
Bem, que bom saber que a cadeira do governador está sendo devolvida a quem tem autoridade. Que bom saber que os acordos, que sempre se faz durante a campanha e que passa pelo crime organizado, não passaram por esse governo que assumirá a partir de janeiro. Por isso, o governador tem autoridade para tratar cidadão como cidadão e bandido como bandido.
Senhora Presidente, eu quero aproveitar os três minutos finais para, rapidamente, falar sobre um tema que está sendo discutido em Brasília. Brasília discute a questão da Escola sem Partido. Está havendo um debate nacional entre apoiadores e divergentes da ideia. Bem, eu preciso ler qual é a proposta da Escola sem Partido. São seis propostas simples. O art. 3º do projeto diz que o professor:
“I – não se aproveitará da audiência cativa dos alunos, para promover os seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias.” Ok? Até aí, não tem nada de mais.
“II – não favorecerá, não prejudicará e não constrangerá os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas;
III – não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas.” Ok? A escola não é para isso.
“IV – ao tratar de questões políticas, sócio-culturais e econômicas, apresentará aos alunos, de forma justa, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito.” Ele vai apresentar os dois pontos de vista históricos, ideológicos.
“V – respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções;
VI – não permitirá que os direitos assegurados nos itens anteriores sejam violados pela ação de estudantes ou terceiros, dentro da sala de aula.”
Então, o projeto Escola sem Partido não pretende mexer no fundamento pedagógico que concerne à liberdade do professor de ensinar e à liberdade do aluno de aprender. Não, pelo contrário. A ideia do substitutivo é disciplinar o equilíbrio que deve ser buscado entre a liberdade que o professor tenta ensinar e a liberdade que o aluno tem de aprender, no âmbito da educação básica, em todos os estabelecimentos de ensino público ou privado.
Max Weber disse o seguinte: “Em uma sala de aula, a palavra é do professor, e os estudantes estão condenados ao silêncio. Impõem as circunstâncias que o aluno seja obrigado a seguir o curso de um professor, tendo em vista a sua futura carreira, e que ninguém dos presentes em uma sala de aula possa criticar o mestre. É imperdoável a um professor valer-se dessa situação para buscar incutir em seus discípulos as suas próprias concepções políticas, em vez de lhes ser útil, como é o seu dever, através da transmissão de conhecimento e de experiência científica”.
Portanto, Senhora Presidente, a proposição da Escola sem Partido defende a opinião de que a escola, o currículo escolar e o trabalho pedagógico realizado pelos professores em sala de aula não deve entrar no campo das convicções pessoais, valores familiares do aluno em detrimento da educação básica. Esses são temas para serem tratados na esfera privada de cada família. Isso prevê a Constituição quando fala do princípio da neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado. Isso prevê a Constituição quando fala da liberdade de consciência e de crença. Isso prevê a Constituição quando fala da liberdade de ensinar. Isso prevê a Constituição quando fala do pluralismo de ideias, sem falar da Convenção Americana de Direitos Humanos.
Eu encerro, Senhora Presidente, agradecendo a sua benevolência, a sua paciência, dizendo que a não aprovação da Escola sem Partido interessa apenas a setores da extrema esquerda que querem porque querem tornar a nossa educação desde a base até o Ensino Superior com a intenção da doutrinação ideológica. Portanto, pela liberdade dos nossos filhos e por uma nação que respeite a pluralidade, nós temos que dizer sim à Escola sem Partido.
Obrigado.