Discurso - Vereador Leonel Brizola -

Texto do Discurso

O SR. LEONEL BRIZOLA – Obrigado, Senhor Presidente.
Boa tarde a todos e a todas, ao povo do Rio de Janeiro e ao povo brasileiro. Em 1982, o Proconsult, empresa contratada para contabilizar os votos da eleição para o governo do Rio de Janeiro, tentou fraudar a eleição, tentou fraudar o resultado computando os votos em branco para o Moreira Franco, o “gato angorá”, tudo para impedir a vitória de Leonel Brizola. Isso, claro, com a cumplicidade da Rede Globo, o vídeogolpe eleitoral. Leonel Brizola era o inimigo a ser batido. Quando meu avô percebeu o golpe, denunciou-o à imprensa internacional. Só foi possível brecar essa tentativa de golpe por conta da denúncia do Brizola à imprensa internacional, que acabou frustrando a trama; e assim o desejo popular foi respeitado.
Em 1983, Leonel Brizola assume o governo do estado, ele que até hoje é o governador mais querido pelo povo do Rio de Janeiro. Eu faço o resgate desse fio da história para chegarmos ao dia 9 de junho de 2019, esse dia histórico também. Esse dia histórico em que o portal The Intercept – O Interceptador – trouxe a verdade do processo eleitoral que culminou na vitoria de Jair Bolsonaro. Após os vazamentos das conversas e, aí, abre um parêntese àquele que disse que era um crime vazar o celular tanto do Dallagnol como do senhor Sérgio Moro. Eram celulares pagos com o dinheiro do povo, portanto, o povo tem toda a legitimidade e o direito de saber o que eles conversavam ali secretamente. Não é invasão de privacidade.
Pois bem, após o vazamento pelo The Intercept entre os procuradores da Lava Jato e o juiz Moro, tivemos provas irrefutáveis daquilo que sempre suspeitamos, Senhor Presidente. O ex-juiz Sérgio Moro é o Proconsult do Judiciário. É aí que está a verdade. O juiz Sérgio Moro é o Proconsult do Judiciário. Ora, o ex-juiz e atual ministro da Justiça passou por cima do Estatuto dos Magistrados, do Código de Ética do Ministério Público e rasgou a Constituição brasileira.
Ora, a Lava Jato, Senhor Presidente, se tornou um partido político com claro projeto de poder antinacional. As conversas desmascaram o Judiciário. O rei está nu! Mas, para entender como o Moro e o Dallagnol transformaram o Judiciário em agente de assassinato de reputações, inclusive para poder coercitivamente ter seus depoimentos em cima de uma fraude, nós precisamos entender essa relação, interação e degradação ética com a big finança do senhor Paulo Guedes. Porque quem está comandando o nosso país, o desmonte dos direitos sociais, a destruição da indústria nacional e a reforma da previdência é justamente atrelado a esse interesse dos grandes grupos econômicos internacionais ao qual o Paulo Guedes está ligado umbilicalmente. A origem embrionária do senhor Paulo Guedes é justamente esse rentismo, esse capitalismo selvagem e vadio da banca internacional.
Senhor Presidente, senhoras e senhores, a Lava Jato atua como superestrutura jurídica do imperialismo, atua como capitão do mato para tornar o povo brasileiro escravo desse sistema rentista, que é o que está por trás.
Para atingir os seus objetivos, claro, foi fundamental para essa turma fraudar a eleição através da perseguição sistemática, jurídica, para impedir Lula de ser candidato já que ele estava à frente e ganharia o pleito.
É escandaloso o que está acontecendo em nosso país. É, historicamente, o maior escândalo da nossa história! O maior escândalo da nossa história! Em todo o mundo empresas são pegas em atos de corrupção, contudo, o combate aos roubos é feito preservando-se as indústrias. Foi assim nos Estados Unidos, na Inglaterra, enfim, em toda parte do mundo! Puniam-se os malfeitores sem destruir a empresa. O Goldman Sachs está aí, vivo, dando as cartas e ainda no mercado internacional. Diferente da Lava Jato que promoveu o desmonte entreguista da indústria nacional.
Ora, só vou lembrar um acordo. Pagaram, aos fundos abutres, os acionistas americanos, sem trâmite em julgado, sem sequer uma ação na justiça, US$ 10 bilhões de dólares aos acionistas americanos, sem pagar aos brasileiros. Que absurdo é esse? É o preço do golpe a destruição das indústrias nacionais, dos empregos? São R$ 180 bilhões de prejuízo! Mais de cinco milhões de desempregados! O Rio de Janeiro é uma das maiores vítimas desse processo de desmonte da indústria nacional. Vejam o Comperj, os estaleiros à banca rota. O Rio de Janeiro, hoje, sofre um processo agudo por conta dessa irresponsabilidade de um grupo que tinha o poder político para tomar de assalto a República.
Nesse sentido, quero apenas lembrar que a recuperação de dinheiro que a Lava Jato propaga é de cerca de R$ 10 bilhões. Essa conta é ótima, não é? Dá um prejuízo de mais de R$ 180 bilhões, deixa mais de cinco milhões de desempregados, destrói a indústria nacional, as grandes empresas, em combate à corrupção. Que corrupção é essa?
Da mesma forma que Brizola contou com a imprensa internacional, foi necessário que um jornalista de expressão internacional, norte americano, Glenn Greenwald, nos revelasse em um só tempo. E aí, eu peço a Mesa para publicar todo o diálogo criminoso, combinando datas, quem iria processar, manifestação política. Combinando provas, ação coercitiva.
Eu peço à Mesa que publique, na íntegra, todo esse diálogo do Senhor Sérgio Moro com o Dallagnol. É vergonhoso. O Intercept nos revelou, a um só tempo, as falcatruas e conluios da Lava Jato e, principalmente, a decadência da imprensa nacional. Uma vergonha. Assim como se comportou no Proconsult de maneira lesiva ao interesse do povo, a imprensa, novamente, se comporta da mesma maneira, anti-povo, lesa pátria!
Concluindo, Senhor Presidente, a sentença de Lula deve ser imediatamente anulada. Ele é um preso político. Moro tem que ter decência, vergonha na cara e renunciar ao Ministério. O TSE tem por obrigação convocar novas eleições. Uma fraude se abateu sobre o povo brasileiro, sobre a democracia. O povo brasileiro tem o direito de ter o voto respeitado.
Lula livre! Lula livre! Lula livre já!