Discurso - Vereador Babá -

Texto do Discurso

O SR. BABÁ – Companheiros e companheiras, hoje completam 100 dias do governo Bolsonaro. Isso com um desgaste brutal perante a população porque prometeu algo, não cumpriu e ainda quer atacar os trabalhadores. Obviamente, não era preciso esperar – tanto do governo Bolsonaro, quanto do Witzel – um posicionamento em relação ao que o Exército fez com aquela família, matando o pai – por quê? – porque era negro. Oitenta tiros. Segundo a esposa dele, os soldados do Exército ainda estavam zombando, debochando da família. Mas essa é a linha do governador deste Estado: colocar os helicópteros para, lá de cima, atingir a cabecinha, como ele próprio colocou. Os dois nção falaram nada, ficaram calados. Portanto, o que nós queremos colocar aqui é que não era preciso esperar esses 100 dias para saber o que Bolsonaro e Witzel, que não deram resposta a vários problemas da sociedade, seriam. Esse tempo foi suficiente para provar que fizeram exatamente do que se comprometeram durante a campanha.
Pergunto aos defensores desses governos: qual a política da extrema direita para enfrentar o problema do desemprego no país? Qual a proposta deles aos milhões que estão em casa, sem condições de trabalho? Qual é a solução à extrema pobreza? Ao contrário, a resposta é atacar os trabalhadores, matar em quantidade, como fez o Dória, lá em São Paulo, que foi laureado – porque a polícia de lá matou 11 – tanto pelo governador do estado quanto pelo Bolsonaro. Agora ficaram caladinhos quando um negro... Mais uma vez a população negra atingida por 80 tiros.
Na verdade, o que nós entendemos é que estamos vivendo aqui no Rio uma crise causada pelas fortes chuvas e pela falta de preparo para um evento como esse do Governo Crivella. O vereador que me antecedeu defendeu o indefensável, que é justamente o Governo do Crivella. E o que Bolsonaro e Witzel têm a ver com isso? Têm muito, porque eles fazem parte do mesmo jogo. Além de serem responsáveis pelo projeto ou a falta de projeto na área da cidade, eles representam uma concepção, vejam bem, que nega à ciência as crises ambientais, o aumento da temperatura dos oceanos, justamente pela crise ambiental que nós estamos vivendo.
O discurso contra a necessidade de mudanças ambientais no planeta impõe uma política de desprezo à preparação e prevenção de crises, crises essas que serão cada vez maiores – e piores. O alvo deles é, justamente, atacar a população, tanto os negros quanto os LGBTs, retirar direitos conquistados a duras penas e reduzir, ao mínimo, a qualidade de vida.
Frente aos problemas existentes, o alvo do governo qual é? Aposentadoria dos pobres, dos miseráveis, como o Ministro da Fazenda, Paulo Guedes, que trabalhou para o Pinochet e quer aplicar, aqui no Brasil, a capitalização da previdência. Hoje, no Chile, passados os 30 anos da ditadura do Pinochet, vai o Bolsonaro lá laurear a ditadura do Pinochet. Hoje, 90% dos aposentados chilenos recebem menos que meio salário mínimo. Essa é a realidade. E o índice de suicídio entre os aposentados chilenos é altíssimo. E eles querem implementar no Brasil! É essa a situação.
Portanto, eles não mencionam, na verdade, uma vírgula contra o capital financeiro. Pelo contrário, querem tirar do povo trabalhador para mais e mais poder enriquecer os banqueiros. Essa situação é gravíssima. Portanto, quanto a esse sistema de privilégios que têm os bancos no Brasil contra eles, contra os banqueiros, contra os bilionários, eles não fazem nada. São subservientes a eles, tanto Crivella, como Witzel, como Bolsonaro e seus parlamentares.
Querem aprovar essa reforma da previdência, mas nós vamos fazer greve geral, como fizemos contra o corrupto do Temer, em 2017, ocasião em que barramos aquela reforma. E eles, não satisfeitos, querem aprofundar a reforma que o Temer tentou implementar. Portanto, essa situação, para nós, ela é um processo gravíssimo.
Nós queremos dizer aqui, senhores, que, sobre o problema do sistema da dívida pública, eles não falam nada. O Temer pagou R$ 1,65 trilhão. No ano passado, 40% do orçamento foram para os banqueiros; 3,9% para a saúde, que é o caos que nós estamos vivendo; 3,7% para a educação, outro caos; e 0,01% para o saneamento básico, que é o que o senhor Crivella não fez. Isso vem desde outros governos. Eduardo Paes, culpado. Pezão, culpado. Fazem parte do mesmo jogo. E, por um acaso, vocês viram alguma crítica do Crivella contra Eduardo Paes ou contra o Pezão ou contra o Sérgio Cabral? Nenhuma. Queremos colocar essa situação para vocês para mostrar, na verdade, o que fez Crivella: cortou 90%, de 2017 para cá, do orçamento do controle de enchentes no Rio de Janeiro. Em 2015, R$ 308 milhões e, em 2016, R$ 389 milhões. Sabe quanto foi em 2017? Foram R$ 122 milhões. Caiu mais de 50% o investimento justamente no controle das enchentes que atingem a população pobre, e agora também na Zona Sul.
Ou seja, o Crivella é um caos! E isso não pode. O vereador que falou aqui, que saia na rua para defender o Crivella! Em 2018, foram R$ 144 milhões. Em 2019, eles estão dizendo que vão investir R$ 118 milhões. Mas, vocês sabem, pelos dados recolhidos pelo Vereador companheiro Paulo Pinheiro, os gastos de 2019 são: estabilização geotécnica, zero; implantação de sistema de esgoto na Zona Oeste, zero; implantação de sistema de manejo de águas pluviais, zero; manutenção do sistema de drenagem, zero; pavimentação e drenagem: zero. Isso agora em 2019, fora os cortes que fizeram na saúde – não basta apenas o corte da drenagem, que cortaram em mais de 50%. Assim eles fizeram também na saúde.
Esse é o problema que queremos colocar aqui, porque o senhor Crivella é o grande culpado por todo esse processo. Assumiu a Prefeitura já faz mais de dois anos. E o caos que acontece na saúde, na educação, no saneamento, no controle das enchentes tem culpa do Governo do Eduardo Paes lá atrás, que deveria ter investido muito mais; ou do Governo do Temer, o corrupto; e agora o Bolsonaro; do Governador Sérgio Cabral e, depois, do Pezão – ambos estão presos agora – e do Witzel. Vocês ouviram alguma critica deles ao Pezão e ao Sérgio Cabral? Nenhuma. Da mesma forma, o prefeito desta cidade.
Essa é a situação, companheiros, que a população não aguenta mais, porque ela paga o preço altíssimo pela falta de investimento. Isso é muito grave, porque a população que vai a busca de um posto de saúde vê o corte de verbas – porque a política do Crivella é cortar verbas dos postos de saúde, inclusive daqueles que estão funcionando para poder quebrar com saúde pública e terceirizar, cada vez mais, como acontece nessa situação. E digo mais: encontrei com uma médica que me falou o seguinte: “Estamos com receio de que chegue uma pessoa, como ontem e outros dias, com uma doença grave aqui, a gente chame as ambulâncias e não tenha motorista para poder atender”.
E mais: ontem fomos lá para mostrar para a população o que acontece com o lixo que é coletado pelos garis na cidade. Lá no Borel, o que acontece com aquele lixo que os companheiros catam com duros trabalhos? Eles largam lá, porque não vão, com os caminhões, coletar aqueles monturos de lixo para levar para os aterros sanitários. Encontramos com os garis que estavam, ontem, se virando, trabalhando com botas rasgadas, sem capa de chuva, passando problemas gravíssimos. E as Agentes do Preparo de Alimento (APAs), que são da Comlurb, sofrem dentro das escolas, porque também não têm o amparo da Comlurb nem do Prefeito Marcello Crivella. E aí, qual a resposta do Prefeito Marcello Crivella para esses trabalhadores garis e as trabalhadoras que fazem a comida de nossas crianças? Sabem quanto ele oferece de aumento? É até ridículo dizer aumento, ele oferece 3,73%. E não querem pagar a insalubridade, aumentar a insalubridade dos trabalhadores que carregam, que ficam naqueles caminhões de coleta de lixo. Esse último mês, eles não pagaram, e atrasaram o pagamento de R$ 200,00 daqueles companheiros que vão naqueles caminhões.
Eu gostaria de ver o Crivella atrás daquele caminhão, está certo? Para ele ver o que é a “barra pesada”. Ou que ele vá, na verdade, enfrentar a população pela falta de investimento no saneamento básico. O corte de verbas, esse é o problema! E aí, tem a culpa o Governo Bolsonaro, sim; tem a culpa o governo do Witzel, que só pensa em atirar, em matar; e do Crivella, porque está dirigindo esta cidade há dois anos, e é subserviente a política que era do Temer, e agora do Bolsonaro.
Portanto, a saída para população é se organizar para derrotar a reforma da previdência, como para enfrentar e exigir que a prefeitura, verdadeiramente, aplique o dinheiro nas encostas, no saneamento básico, e não o corte de verbas. Até o momento, em 2019, é de zero! Porque em 2017 e 2018 cortaram 50%. E isso ai só tem uma realidade, Senhor Presidente, é justamente...
Encerro aqui para dizer: Crivella, se fosse coerente com o seu discurso da época da eleição, deveria renunciar. Ele chama tanto Deus, chama essa situação utilizando o nome de Deus em vão, e para ser coerente, disse que iria ao inferno se ele não desse o 14º salário para os garis. Não pagou! Portanto, tem já uma vaga garantida no inferno, está certo? Como falei na semana passada. Mas agora a política para o Crivella, se ele fosse honesto com todo seu discurso, seria renunciar este mandato. Essa situação é o que a população que está aí fora quer, porque está cansada do Crivella.