ORDEM DO DIA
Comunicação De Liderança



Texto da Ordem do Dia

O SR. CESAR MAIA – Senhor Presidente, no dia 24 de março, na Folha de S. Paulo, o economista Marcos Lisboa, que é diretor do Insper de São Paulo, escreveu um texto que me pareceu muito importante para se entender melhor essa conjuntura. Ele o denominou de “A janela pode se fechar! Planalto parece dar um passo para frente e dois para trás!”
Enfim, Senhor Presidente, quero pedir que o desse como lido e registrado no diário oficial.

O SR. PRESIDENTE (ROCAL) – A Presidência acolhe a solicitação de Vossa Excelência.

O SR. CESAR MAIA – “A JANELA PODE SE FECHAR! PLANALTO PARECE DAR UM PASSO PARA FRENTE E DOIS PARA TRÁS!
(Marcos Lisboa – Folha de S. Paulo, 24 de março)

Quem sabe o susto imenso da última semana não ajude a evitar o desastre?
A expectativa de que o país conseguiria encaminhar uma agenda de reformas para interromper a degradação das contas públicas e evitar a volta da recessão foi solapada por uma proposta inoportuna e conflitos disfuncionais.
Em meio às negociações sobre a reforma da Previdência, o governo enviou ao Congresso uma proposta para as carreiras dos militares que procura corrigir distorções acumuladas por mais de uma década.
Difícil imaginar momento mais inadequado. Afinal, a Câmara começava a discussão sobre a nova previdência, que reduz benefícios de servidores públicos e aumenta o tempo de contribuição dos trabalhadores formais do setor privado.
No debate público, as percepções são tão relevantes quanto os fatos. É verdade que os salários dos militares estão defasados em comparação com outras carreiras do setor público. Também é verdade que o atual governo congrega militares nos principais cargos como não se via desde os anos 1980.
Qualquer aprendiz de político poderia antecipar que a proposta seria mal recebida. O governo parece conceder benefícios para as tropas enquanto propõe sacrifícios para os demais. Não é bem assim, mas o protagonismo na política pública cobra seu preço.
Quem lidera um país deve dar o exemplo. Se os militares querem estar à frente da política pública, então deveriam saber que têm de arcar com o ônus de não propor, neste momento, a recomposição de perdas de tantos anos.
Como se não fosse suficiente, a nova política parece jogar o bebê fora junto com a água do banho. Certamente a corrupção é inaceitável.
No entanto, tratar o presidencialismo de coalizão como equivalente à corrupção é condenar a vida cotidiana por conta das suas possíveis patologias. Algo como proibir os automóveis pela existência de motoristas psicopatas.
A boa política, a negociação sobre a agenda do governo e a nomeação dos seus gestores, permite à sociedade mediar conflitos e construir soluções. Seu benefício colateral é impedir o desastre das guerras.
O Planalto parece estar em uma estranha dança de um passo para frente e dois para trás. Faz gestos para negociar a reforma e, ao mesmo tempo, revela-se conivente com o desprezo pela boa política.
Sabemos que o presidente foi omisso sobre as reformas na campanha e tem um histórico de defender interesses corporativos com a virulência dos sindicalistas. Pois bem, agora lidera o governo e há um país que ameaça sangrar. Gestos de boa vontade e diálogo com a oposição são fundamentais para enfrentarmos os nossos graves desafios.
Há uma janela de oportunidade, mas ela pode se fechar.”