Discurso - Vereador Paulo Pinheiro -

Texto do Discurso

O SR. PAULO PINHEIRO – Senhora Presidente dos trabalhos, Vereadora Tânia Bastos, senhores vereadores presentes no Plenário no momento, vereadores nos seus gabinetes, funcionários da Casa.
Eu ouvi com toda a atenção aqui o meu companheiro Renato Cinco, no seu discurso brilhante, cheio de informações importantes para todos nós. Acho que deve continuar essa batalha. Ele é um batalhador dos temas nacionais, estaduais e municipais. É um parlamentar de excelente formação técnica e acho que a cada momento, a cada discurso feito aqui pelo Cinco, podemos concordar ou não com o que ele fala, mas todos nós vamos aprender um pouquinho.
No momento em que o país vive uma era tosca em que ser grosseiro passou a ser importante, a gente ouvir informações técnicas, informações culturais importantes como essas que o Cinco acabou de colocar são de muitíssimo valor para todos nós, mesmo que a gente não concorde. Mesmo aqueles que não concordam não podem negar que tem no Cinco um adversário que é importante ouvir.
Eu queria falar de outro lado do que o Cinco falou agora. A minha grande preocupação é que temos que seguir em frente com tudo isso, com todos esses dados que foram colocados. Esta Casa precisa discutir o que aconteceu no Rio de Janeiro nesses últimos dias. O que aconteceu no Brasil nesses últimos dias é estarrecedor. E as coisas vão passando com tanta facilidade que eu não quero nem discutir as razões que as pessoas têm para determinados pontos. Mas, vejam só, quando a gente vê uma fotografia nos jornais brasileiros com o filho do presidente com uma arma aparecendo propositalmente, qual é a razão que eu tenho pra visitar um parente meu no hospital que foi submetido a uma cirurgia, cuja arma foi o bisturi de entrar e andar e ostensivamente mostrar que estou armado?
Depois, o prefeito da cidade faz um absurdo, coloca o ex-comandante da Polícia Militar Coronel Wolney Dias para comandar um espetáculo de circo. Porque isso foi feito lá na Bienal. Os desdobramentos vão ser discutidos aqui. Mas o que me preocupa em tudo isso, mas eu não quero nem entrar mais, a foto do sujeito no carro do presidente, tantas coisas. Os discursos violentos contra as mulheres de presidentes de outros países. Tudo isso e não foi feito só pelo presidente da República, pelo resto, não é? O Senhor Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, que era tão venerado pelo mercado pisou direitinho e caiu no chão quando fez aquele discurso absolutamente descortês, vulgar e idiota a respeito da primeira dama da França. Mas o que me preocupa em tudo isso é que parece que isso é proposital. O Prefeito Crivella usou como nunca as redes sociais. Começou a mostrar e discutir parecia que no sábado e na sexta-feira o maior p
roblema da cidade do Rio de Janeiro era o livro que o Renato Cinco acabou de mostrar. E o que acontece? Isso tira a realidade do dia a dia. Com isso, o Prefeito se exime de explicar uma série de coisas.O SR. PAULO PINHEIRO – Obrigado, Senhora Presidente. Então, após falar sobre tudo o que o Cinco falou, ou parabenizá-lo por tudo, eu queria chamar atenção do discurso e da sociedade. Acho esse assunto importantíssimo, temos que discutir e não podemos permitir que o Prefeito continue fazendo aquilo que ele tentou, no final de semana, e só foi barrado pelo Supremo Tribunal Federal.
Não podemos nos esquecer de que estamos no mês de setembro, ou seja, já se passaram 12 meses de 2017, 12 meses de 2018 e estamos no nono mês, o de setembro. O que temos nessa cidade hoje? Com toda a crise que o país passa, com toda a crise econômica, é impossível que as pessoas não sintam que o Prefeito da cidade não quer discutir os problemas da cidade. Não lhe interessa. É muito melhor ele ficar discutindo beijo gay do que os problemas graves da cidade que ele não consegue resolver.
Nós temos uma cidade, hoje, que vai da saúde à ordem pública onde tudo é uma tremenda bagunça; nós temos uma cidade onde não existem recursos para as obras de contenção de encostas, uma cidade onde não existem recursos para desobstruir os bueiros. Temos uma cidade onde a Avenida Brasil se transforma num caos porque a obra não acaba; onde o BRT sofre uma intervenção e volta pior do que antes; onde a Praça Mauá e toda aquela orla está inteiramente abandonada.
Há, claramente, uma decretação de falência da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto (CDURP); há problemas com os museus da cidade – o Prefeito não resolve o problema. Se ele não quer continuar, se ele acha que não deve continuar gerindo o Museu do Amanhã, uma ONG ou uma empresa ligada às Organizações Globo, que ele faça uma licitação e coloque outra lá. Agora,
não pode é fechar e deixar de funcionar aquilo que é importante para a cidade, onde sumiram milhares de linhas de ônibus e ninguém fala mais nada sobre isso.
Uma cidade na qual o prefeito iniciou seu mandato dizendo que iria terceirizar a Educação através de creches contratadas por parcerias público-privadas. Não fez isso, nem conseguiu resolver o problema. E a gente está aqui calado sem cobrar do prefeito isso.
Uma cidade cujo sistema de saúde o prefeito destruiu. Se houve a colaboração do prefeito anterior, se o prefeito anterior deixou dívidas, se o prefeito anterior municipalizou hospitais, o que é verdade, foram erros cometidos; ele já teve dois anos e meio para resolver o problema.
E qual é o problema hoje, Senhora Presidente? A Secretaria de Saúde não tem recursos para pagar as OSs, para pagar os salários. Não estamos nem falando de compra de material. A rede pública de hospitais da administração direta está emprestando material para as OSs, porque estas não recebem o dinheiro que deveriam – e esse erro clamoroso o prefeito não resolve.
Nós temos uma cidade na qual as Clínicas da Família sofreram uma agressão brutal desse plano de organização da Atenção Primária que demitiu mais de 1.500 funcionários durante todo o ano passado e este ano. Demitiu mais de 900 agentes comunitários de saúde. E nós estamos aqui vendo o prefeito disputar se pode ou não pode aparecer o beijo entre dois homens.
Nós estamos aqui com o prefeito colocando parte de seus funcionários para “pagar um verdadeiro mico” dentro da Bienal, para discutir se vai ou não vai apreender os livros na Bienal. O prefeito sabe perfeitamente que essa é a melhor maneira de fugir às suas responsabilidades. A Avenida Niemeyer como se resolve? Como se resolvem todas as situações da cidade que estamos vendo? A Cidade do Rio de Janeiro nunca esteve tão ruim. A educação do Rio de Janeiro nunca enfrentou tantos problemas. As escolas não são consertadas, não têm prevenção de incêndio e não há aumento de unidades. Existe um número enorme de crianças que estavam e continuam sem vagas nas creches.
O atendimento na área da saúde é um verdadeiro absurdo. O prefeito canta e diz que resolveu o problema com os mutirões. É claro que quem foi operado no mutirão tem que agradecer, o que é uma belíssima atitude. Mas não estamos falando dos mutirões; estamos falando da necessidade do atendimento do dia a dia das pessoas. Todos os indicadores que a gente tem da saúde pioraram. A mortalidade materna no Rio de Janeiro é uma vergonha; a tuberculose no Rio de Janeiro é uma vergonha; a vacinação no Rio de Janeiro é uma vergonha; o atendimento hospitalar no Rio de Janeiro é uma vergonha. O que, no Rio de Janeiro, existe?
E, aí, o prefeito vai para uma zona de conforto na qual vai brigar para saber se deve ou não mandar funcionários da Secretaria de Ordem Pública para o Riocentro para prestar um atendimento que não é verdadeiro.
Então, eu queria chamar atenção de todos nós sobre isto: vamos combater esse absurdo que a sociedade toda está mostrando, que é o que ele tem feito com a cultura do Rio de Janeiro. E não vamos deixá-lo se esconder nisso para deixar de lado os problemas do dia a dia da cidade, de cada momento da cidade. Ele não pode se esconder atrás disso.
Essa figura a gente tem que entender. Se eu fosse um chargista, eu iria desenhar aqueles dois rapazes se beijando e o Prefeito Crivella escondido atrás deles. Esse é o quadro que a gente tem no dia de hoje.
Espero que possamos discutir nesta Casa um problema gravíssimo que temos: o orçamento do ano que vem. Temos que conversar aqui, nas reuniões pré-orçamento, com cada secretário de pasta, para que eles possam nos dizer aquilo que a gente já sabe de algumas secretarias. O secretário vai fechar o ano com que orçamento? Quanto a sua secretaria está devendo? O que o senhor vai deixar de pagar a partir do mês de setembro? Nós precisamos cobrar aqui dos secretários, para podermos discutir que orçamento nós vamos votar. Nós não podemos continuar fingindo que nós acreditamos naquilo que a Prefeitura manda para nós.
Encerrando, Senhora Presidente, nós não poderemos deixar de advertir para as declarações do Secretário Barbiero na última vez em que esteve aqui. Ele falou
claramente ali, sentado naquela cadeira, que a situação estava no caminho da melhora e que ele garantia que ninguém iria ficar sem salários este ano. Secretário, sua garantia já foi para o lixo. Já estão hoje sem salário vários profissionais da área da Saúde e de outras áreas da cidade. O senhor, realmente, não inspira mais nenhuma confiança, pois o que o senhor diz aqui não se repete 24 horas após suas palavras.
Muito obrigado, Senhora Presidente.