A SRA. SONIA RABELLO – Boa tarde, Sr. Presidente, Vereador Ivanir de Mello; todos os Vereadores presentes no Plenário, funcionários desta Casa, todos que nos ouvem: gostaria, primeiramente, de dizer que é com satisfação que volto a esta Tribuna para agradecer os votos recebidos e que continuo confiante que a nossa missão, Sr. Presidente, não se esgota no trabalho do Plenário. A nossa missão é composta de um ideário político. E o ideário político, na política, se faz em qualquer lugar. Portanto, nós vamos continuar seguindo essa luta.
Venho a esta Tribuna, Sr. Presidente, até para comentar sobre alguns pronunciamentos feitos, ontem, neste Plenário, especialmente o do meu caro e nobre amigo, Vereador Paulo Pinheiro, que teria dito que o PV teria se despido de suas vestes ao comentar um possível, um suposto acordo com o Governo Eduardo Paes.
Gostaria de dizer ao meu colega que o PV, nesta Casa, se compõe de filiação de três Vereadores até dezembro deste ano e que a Bancada do PV se compõe de dois Vereadores: do meu líder, Vereador Dr. Edison da Creatinina; e da minha pessoa enquanto Vereadora. Quero dizer que o outro Vereador, Paulo Messina, não compõe a bancada do PV. Portanto, ele não fala pelo PV aqui na Câmara. Quem fala pelo PV aqui na Câmara é o Vereador Dr. Edison da Creatinina.
Gostaria de relembrar que essa questão da Bancada do PV volta em 2012. Em 2011, pela Bancada, eu fui eleita líder do Partido. No início de 2012, por conta de algumas disputas de comissões, o Vereador Paulo Messina pediu ao Partido – e foi deferido – para ele sair da Bancada do PV. E o Vereador Paulo Messina compôs uma Bancada, onde até hoje ele permanece, com o PR, cuja líder é a Vereadora Márcia Teixeira. E se retirou da Bancada. A pressão continuou muito forte. E eu relato esses fatos para que fiquem registrados em Ata. E como restavam o Dr. Edison e eu na Bancada, nos reunimos e, para que houvesse uma harmonia e para tentar uma harmonia, resolvemos eleger – eu e Dr. Edison, que éramos os únicos da Bancada. O Dr. Edison como líder da bancada. Ainda assim, mesmo eu tendo saído da liderança, não foi suficiente para atrair nosso colega, Vereador Paulo Messina, de volta para a Bancada do PV. Portanto, até hoje a Bancada do PV tem só dois vereadores, Dr. Edison e eu. Ele é o líder e ele fala aqui na Câmara pelos verdes.
Por isso, queria dizer ao Dr. Paulo Pinheiro que o PV, enquanto nós dois estivermos aqui, veste e vestirá sempre a mesma nobre camisa da sustentabilidade. Não tirou o paletó.
A segunda questão é o que está na mídia sobre essa possível oferta e possível recusa de uma Secretaria, um emprego, um cargo, carguinho, seja lá o que for, em troca do apoio do PV. Quero dizer que até onde sabemos, não houve nenhuma oferta oficial nem reunião da Executiva Municipal para decidir o que quer que seja. Aliás, o Prefeito Eduardo Paes, na sua conhecidíssima habilidade política, o que ele fez logo após as eleições, nem 24 horas após as eleições, foi quase que humilhar o Partido Verde, como quem diz, como estava havendo um ti-ti-ti de que a candidatura seria fake, no dia seguinte ele já lançou a atração fatal para qualquer partido e, com isso, criou uma crise antecipada. Na verdade, essa aglomeração de ofertas em troca de cargos é um verdadeiro arrastão político, um arrastão de cargos na política eleitoral do país. Com isso, o que se faz é roubar ideologias através de moedas de troca de cargos. Isso é absolutamente lamentável, embora nós tenhamos que reconhecer a absoluta habilidade política do Prefeito Eduardo Paes de botar essas “cenourinhas”, essas atrações para, com isso, viabilizar essas moedas de troca política. Portanto, não há nenhuma decisão do PV sobre o que quer que seja. A reunião da Executiva ainda não se realizou, vai se realizar amanhã sobre o assunto, se é que vai se realizar.
A terceira questão é sobre a publicação ainda dos eventuais apoios dos “marineiros” a essa oferta de Eduardo Paes. Quero dizer que, em 2010, quando da candidatura da ex-senadora Marina Silva, houve, sim, um grande apoio do PV e de vários parlamentares do PV, que percorreram as ruas do Rio em apoio à candidatura da ex-senadora. Houve para esses políticos que se elegeram deputados de modo geral uma troca mútua de apoio. E se por um lado eles abriram os caminhos, as passagens nas vias fluminenses para a Senadora, por outro lado, a Senadora injetou uma verdadeira adrenalina política no ideário de esperança ética de muitas candidaturas proporcionais. Daí o altíssimo número de votos que ela teve, não só no nosso estado como na cidade. Portanto, as contas de 2010 bateram, elas estão quitadas de ambos os lados. Por isso, hoje, para as eleições de 2012, quero dizer que Marina Silva, e ela pede para dar esse recado, no Rio de Janeiro fala por si, não tem intermediários. Posso afirmar apenas que ela não apoia os governos e os partidos que adulteraram a legislação ambiental do Brasil, mormente o PT, PMDB, PDT, PC do B, e outros. Eles são os responsáveis pela adulteração fatal da legislação ambiental do país. Portanto, uma pessoa como Marina Silva não pode apoiar governos, ainda que municipais, mas que dão base para essa adulteração federal. Por isso, a imprensa, às vezes incorretamente usando o nome de marineiros, quer vincular o nome de alguns apoios à Marina Silva. Essa tentativa é ilegítima! Repito, Marina Silva fala por Marina Silva, e não apoia políticas comprometidas com práticas urbanas não sustentáveis, não sustentáveis ambiental e socialmente. E a Prefeitura do Rio de Janeiro não tem essas práticas. Se as tivesse, não dizimaria as suas lagoas, cumprindo o Estatuto da Cidade, nem dizimaria áreas de preservação ambiental com a Aparu de Jequiá, a APA de São José em Laranjeiras, a Serra da Misericórdia, a Mata Atlântica em Deodoro, o Parque do Flamengo, o Jardim Botânico, os parques públicos, dentre outros.
Por isso, fica o seguinte recado aqui: o Partido Verde, o ideário verde, continua. E não nos deixemos enganar pelo falatório que muitas vezes só cria conflito para aqueles que querem continuar com a sua missão.
Muito obrigada, Presidente.