Discurso - Vereador Leonel Brizola -

Texto do Discurso

O SR. LEONEL BRIZOLA – Obrigado, Senhora Presidenta desta Sessão, senhores e senhoras. Eu estava atento escutando o Fernando William falar aqui sobre a questão do Ministério do Trabalho. Não é por esse motivo que eu subo a esta Tribuna, mas realmente é extremamente preocupante.
Agora, senhoras e senhores, eu estava escutando a entrevista do Prefeito Marcelo Crivella, do Bispo Marcelo Crivella, sobre um tema que me assustou, Vereador Fernando William, Vereador Otoni de Paula – tenho certeza que o senhor também não deve concordar. Diz respeito a implementar no Rio de Janeiro um cassino.
Em um primeiro momento, eu fui escutar sobre o que seria um cassino. Talvez o ordenamento jurídico não permita um cassino só no Rio de Janeiro, aí é um estudo mais profundo. Mas eu fico pensando: o Porto Maravilha do Eduardo Paes, o porto prostituído, que foi transformado junto com um cassino, que nós sabemos que traz lavagem de dinheiro, jogos de azar, prostituição, tudo aquilo que não presta para a Cidade do Rio de Janeiro. Eu poderia até adentrar por aí: o Prefeito querendo mostrar que não mistura a religião dele com a administração da Prefeitura, o que é um grande engano. Isso é mentira. Basta ver o tratamento que ele dá ao carnaval carioca.
O que eu queria falar aqui, a minha fala é curta, é o meu repúdio à afirmação do Marcelo Crivella, do Bispo Marcelo Crivella, Prefeito da Cidade do Rio de Janeiro. Aqui não cabe um cassino; aliás, já há uma ciranda financeira na cidade. Inclusive, eles vão votar um Código de Obras que é nada mais do que especulação imobiliária da cidade, Teresa Bergher. É o estupro da Cidade do Rio de Janeiro. Prédio sem elevador e de cinco andares. Corredores estreitos de 1,20 m, em que não passam dois lateralmente. Se tiver um principio de incêndio, pule pela janela. Altura do teto de 2,20 m, 2,50 m. Se você esticar as mãos, ou nem com as mãos esticadas, já pequenininho você toca no teto. São habitações insalubres.
Olhe o que fizeram com o Porto Maravilha, ao invés de criarem unidades familiares, com dependências para as famílias morarem no Centro, criando vida no Centro, principalmente aos finais de semana, em que é um deserto; você não anda pelo Centro da Cidade aos finais de semana. Embora tenhamos excelentes equipamentos culturais. Inclusive o Museu da Disneylândia, o Museu da Amanhã, da Globo. Mas ela está dentro do nosso cenário. Temos um aquário, temos museus belíssimos, temos um quadrilátero da cultura aqui onde nós estamos. Tudo isso poderia ser aproveitado no final de semana, dando vida ao Centro da Cidade, gerando emprego, gerando serviço, gerando imposto. Não é um cassino, numa roda financeira de grupos estrangeiros, que vai trazer prosperidade para Cidade do Rio de Janeiro.
Senhor Prefeito, o senhor está muito enganado! No Rio, está faltando médico, está faltando remédio. O senhor tirou dinheiro da saúde! As escolas estão praticamente quebradas.
Os senhores sabiam que existem escolas com caixa d’água de amianto na Cidade do Rio de Janeiro? Existem escolas com caixa d’água de amianto – o que é proibido – servindo, inclusive, a creches, a bebês! Quero dizer, é o absurdo do absurdo do absurdo. E a preocupação do Prefeito é trazer um cassino para Cidade do Rio de Janeiro! E nós sabemos de onde partem essas ideias esdrúxulas: Made in USA – que é o que está por trás disso aí.
Então, olhem, eu fico muito preocupado. Nós, aqui, vamos votar o orçamento da cidade. O Prefeito deu uma demonstração clara, inclusive que desconhece as infraestruturas da Prefeitura. Só agora que ele começa a tomar ciência do tamanho da rede municipal, ainda assim desconhece. A cidade está abandonada. As ruas parecem um queijo suíço, de tão esburacadas. Não há iluminação, as calçadas abandonadas, há desordem urbana por todos os lugares. No entanto, o Prefeito quer trazer cassino para Cidade do Rio de Janeiro ou armar a guarda municipal com arma de choque.
O que mais me espanta é a declaração do Prefeito com essa questão da arma Taser, dizendo que quem falar mal do Prefeito: “Olha a ‘arminha’ aí”.
Então, a minha fala é de repúdio total a essa ideia, que é um escárnio de trazerem cassinos. Esta que é uma das maiores lavagens de dinheiro do mundo, porque você entra no cassino com qualquer dinheiro, você compra aquelas fichas sem precisar dizer qual é a origem desse dinheiro e você lavou o dinheiro. Simplesmente assim! Você lava o dinheiro, simples assim! O que está por trás disso aí, dessa máfia de Las Vegas, máfias de espanhóis, de americanos? Mais uma máfia para o Rio de Janeiro? Já não bastasse a Cidade do Rio de Janeiro sendo controlada pela milícia?
Aliás, esta Casa aqui gosta muito de falar das “bravaturas” daqueles que declaram que querem matar traficantes com um balaço na cabeça, mas não falam nada, um único “ai” sobre as milícias na Cidade do Rio de Janeiro. É engraçado, falam fininho com a milícia, mas esse que é o verdadeiro crime organizado, mas, por outro lado, gritam como um leão, no caso de um menino que tenha, porventura, por falta de infraestrutura, entrado em conflito com a lei.
Então, senhoras e senhores, eu termino aqui o meu repúdio a essa ideia estapafúrdia do Prefeito Marcelo Crivella, de querer trazer para cá cassinos. Essa que é uma das maiores lavagens de dinheiro para o crime organizado. Quem é que vai controlar esses cassinos, a milícia? Vamos regularizar o jogo de azar, a maquininha caça-níquel? Como é que é isso?
Muito obrigado.