Discurso - Vereador Babá -

Texto do Discurso

O SR. BABÁ – Boa tarde, companheiras e companheiros.

Eu queria ler uma nota, com relação à situação do incêndio que houve no dia 3 de novembro.

No último sábado, 3 de novembro, um incêndio destruiu o segundo andar da Coordenação de Emergência (CER) do Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, que serve de apoio às equipes médicas, com refeitório e dormitórios. O atendimento a doentes fica no primeiro piso. Mesmo não havendo vítimas diretas no incêndio, três pacientes em estado grave morreram durante a transferência, e no domingo foi confirmado pela Secretaria Municipal de Saúde o falecimento de uma quarta vítima.

O Sindicato dos Médicos informou que vinha alertando a Prefeitura para a necessidade de prevenção de incêndios nos hospitais da cidade. A diretora do sindicato, Nayá Puertas, também criticou a falta de organização na transferência dos pacientes: “Isso não era só um problema da CER Barra nem do Hospital Lourenço Jorge. Essa falta de manutenção, de brigada de incêndio e de equipamento de segurança nos hospitais é muito grande. Não ter brigadas organizadas para que seja possível uma rota de fuga, ponto de encontro e tirar os pacientes, isso é muito grave”.

Porém o Prefeito Crivella, em resposta, afirmou que a unidade não apresentava necessidade de obras. E, ainda, segundo o bispo prefeito: “Depois que ocorrem essas coisas inesperadas a gente fica prevenido, precavido. Não era exigido pela lei que tivesse sprinkler, mas acho que tem que ter, já que houve esse incêndio, e não só essas unidades de saúde, mas outras também. Nos hospitais, a gente acabou priorizando as urgências e empurrando para frente às precauções. Agora chegou a hora de fazer essas precauções". O que diz o prefeito parece até piada. Mas, só parece, pois não pode haver graça em algo que termina em desgraça.

Os pacientes graves que estavam entubados na sala vermelha morreram durante o transporte para a outra parte do Hospital Lourenço Jorge, porque foram desconectados dos aparelhos que os mantinham respirando. Segundo o relato de uma funcionária da CER que ajudou a salvar doentes das chamas, não foram usados respiradores portáteis e os pacientes só foram reconectados aos respiradores artificiais quando chegaram a outro local da unidade de saúde: "Não tivemos tempo. Era isso ou morríamos queimados, pacientes e funcionários. Nunca recebi treinamento para lidar com situações de emergência”.

Mas, o prefeito carioca não está sozinho na irresponsabilidade das autoridades governamentais com respeito à prevenção de tragédias dos edifícios públicos. O ministro da Educação, Rossieli Soares, admitiu que o Governo Federal tem responsabilidade sobre o incêndio de grandes proporções que atingiu o Museu Nacional, no Rio: “A responsabilidade existe, é histórica e entendemos que agora é o momento da reconstrução, com todo mundo”, e disse “Agora”, que significa: “depois da porta arrombada pelo ladrão, vamos por o ferrolho”. Uma vergonha.

E ainda quiseram, na verdade, jogar toda essa situação nas costas do reitor da UFRJ, o companheiro Lehrer. Outro exemplo da displicência governamental está na denúncia que recebemos sobre as condições em que se encontra o edifício-sede dos Correios, aqui no Rio de Janeiro, considerada uma verdadeira bomba-relógio. São equipamentos de combate de incêndio sem condições de uso, saídas de emergências obstruídas, pontos de infiltração que se encontram acima da rede elétrica na maioria dos andares, rotas de fuga e extintores somente nos corredores principais.

A coisa é tão feia que o Corpo de Bombeiros aplicou um auto de infração que, caso não atendido, levará a interdição do edifício. Estamos diante de muitas tragédias anunciadas em que as autoridades estão se fazendo de cegas e surdas, mas, quando são obrigados a abrirem a boca, depois que o fogo pega, literalmente, falam o óbvio: que deveria ter sido feito e não foi. Essa situação é tão grave que outros prédios, como já se colocou os dos Correios, podem ter incêndio e nos outros hospitais das redes pública estadual e municipal também podem acontecer os mesmos problemas. Por isso mesmo, nós estamos aqui para repudiar essa situação.

E, para finalizar, é importante ressaltar que o Senhor Crivella, que tem aqui a representação que virá amanhã do Secretário Messina, que coloca o Messina desde que não tenha o sapato. Olha como tratam a população! O sapato, na verdade, não está preparado para poder absorver a situação. Olha como trata o Senhor Messina na discussão dos postos de saúde, na discussão da demissão de servidores, como foi debatido ontem e vai ser debatido amanhã, quando ele estiver aqui às 13h30. Porque, ontem, ele não veio! Mas quem deveria vir aqui era o Crivella, o prefeito! Porque o principal responsável de tudo isso é o prefeito da cidade, em segunda medida, o Messina e outros que estão ali apaniguados ao poder.

Portanto, a vida das pessoas não interessam ao Senhor Messina e nem ao Prefeito. Tanto no Lourenço Jorge, como na quantidade de postos de saúde, onde eles estão querendo na verdade demitir uma quantidade enorme de pessoas que precisam de tratamentos. E aí eles não dão resposta a isso, pelo contrário, zombam da população, mas, por isso, pagarão um preço alto.

O que eu quero finalizar para dizer para esses senhores é que eles são responsáveis não apenas pelos quatro que morreram no Lourenço Jorge, eles são responsáveis por futuras mortes que provavelmente acontecerão nos postos de saúde pelo corte de verbas e pela falta de atendimento. E quem ataca a saúde da população vai pagar um preço muito alto sobre isso.

Muito obrigado.