Discurso - Vereador Renato Cinco -

Texto do Discurso

O SR. RENATO CINCO – Obrigado, Senhor Presidente, Vereador Rocal, senhores vereadores, senhoras vereadoras, senhores e senhoras. Imagino que a semana do Vereador Rocal tenha sido uma boa semana, não foi Vereador Rocal? O senhor teve uma boa semana, já o Presidente Bolsonaro não teve não, nossa senhora! O senhor não inveje o presidente Bolsonaro, porque ele realmente está conseguindo ser um presidente recordista em bater os recordes de popularidade nas últimas pesquisas: pior resultado para um presidente nesse momento no 1º turno.
Agora bateu mais um recorde: acho que nunca antes um presidente da República ganhou de presente uma greve geral tão cedo também no seu mandato, não tenho memória. Presidente Bolsonaro começou a semana com o escândalo da “vaza jato”, atingindo duramente seu governo, um dos pilares do seu governo, o ex-juiz Sérgio Moro, denúncia que virou boa parte da imprensa nacional. Alguns dos órgãos mais dedicados a promover a Lava Jato, a promover o Ministro Sérgio Moro já deram um passo atrás diante do tamanho do escândalo. E o que é mais escandaloso é que, até agora, não houve desmentido. Nem o Ministro Sérgio Moro nem os outros que apareceram nas gravações negaram o conteúdo, preferiram ir para o caminho de tentar criminalizar o jornalista por estar usando uma prova feita de maneira ilegal, desmerecendo aquele conteúdo, dizendo que, como foi conseguido ilegalmente, não serve como prova nos processos. Mas para absolver serve, não é?
Então, se ali se constatar que houve manipulação por parte – e está muito claro naquelas gravações dos processos da Lava Jato pelo juiz Sérgio Moro –, a defesa de vários dos réus, não só do Presidente Lula, vai poder, sim, usar aquilo como prova para absolvição. Pode não servir para punir, prender o juiz Sérgio Moro e os promotores envolvidos, mas para anular os processos pode servir, sim. Um escândalo internacional!
Eu publiquei no meu Facebook, inclusive, um apanhado da repercussão internacional que foi feito por um jornalista, os principais jornais do mundo noticiando, com a gravidade merecida, esse escândalo.
No meio da semana, o Presidente Bolsonaro demitiu o General Santos Cruz, o que, claramente, cria uma crise com a ala militar do governo. O ex-presidente do Clube Militar, segundo a Revista Veja, General Gilberto Pimentel, chegou a afirmar publicamente que verdadeiro militar não fica muito tempo nesse meio podre. Isso daí é mais uma demonstração de que as brigas promovidas pelo guru Olavo de Carvalho e pelos filhos do presidente Jair Bolsonaro vêm provocando tensões entre as bases de sustentação do governo.
Assim, a semana começa com os “lavajatistas” duramente atingidos pelos vazamentos da Intercept Brasil, segue com a crise com a ala militar – em função da demissão do General Santos Cruz –, e se aprofunda não só com a greve geral, mas também com os resultados da reunião da comissão que está avaliando o projeto da reforma da previdência, que retirou a capitalização de pauta, retirou a aposentadoria dos trabalhadores rurais, retirou o Benefício de Prestação Continuada (BCP). Quer dizer, uma derrota, também, para a ala ultraliberal do governo, para a ala do Paulo Guedes.
Sobre a greve geral, quero dizer que foi, em minha opinião, uma greve geral muito vitoriosa. Os balanços falam em 45 milhões de trabalhadores cruzando os braços em todo o território nacional. Houve mobilização de greve em mais de 380 cidades, aconteceram paralisações ou manifestações nos 27 estados, sendo que, das 27 capitais, pelo menos 19 tiveram afetado o sistema de transporte de ônibus, além de grandes manifestações em Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Uma greve vitoriosa pelos resultados que determinou no Congresso Nacional e pela capacidade de mobilização dos trabalhadores e das trabalhadoras, mostrando que é, sim, possível derrotar a agenda antipopular de Jair Bolsonaro através da luta e da mobilização.
E o grande desafio, agora, para a classe trabalhadora brasileira, é continuar o processo de mobilização. É fundamental que as centrais sindicais convoquem uma nova plenária nacional envolvendo não só os movimentos sindicais, mas os movimentos estudantis, os demais movimentos populares e sociais para produzir uma agenda de mobilização com novas manifestações, novas mobilizações e nova greve geral. Tudo indica que, se as centrais sindicais se mantiverem firmes no chamado à luta e à mobilização, a classe trabalhadora brasileira vai responder com ainda mais força e intensidade.
E olha que nós tivemos esse resultado mesmo com todos os problemas de organização da classe trabalhadora brasileira que persistem: uma burocracia sindical muito afastada das bases e muito afastada das lutas na grande maioria dos sindicatos e, em boa parte deles, uma burocracia sindical que existe só cartorialmente.
Mesmo assim, mesmo com todas as dificuldades de organização do movimento sindical e dos movimentos populares do Brasil, mesmo com uma parcela dessa burocracia não se envolvendo ou se envolvendo pouco no processo de mobilização, a classe trabalhadora brasileira conseguiu fazer uma greve geral maior do que as Centrais Sindicais imaginavam serem capazes de fazer.
E é bom que se diga que as centrais sindicais têm que continuar nesse caminho, no caminho da luta e da mobilização unificada. É importante que todos os setores que se mobilizaram para a greve geral mantenham a postura de mobilização. Por isso eu faço um apelo – especialmente à força sindical que, muitas vezes, participa do processo de mobilização, mas, depois, vai muito rápido para o processo de negociação – que persista junto às demais centrais sindicais, construindo a luta nos locais de trabalho, nos locais de moradia, nos bairros, nas universidades e nas escolas.
É fundamental que a gente não recue nesse momento do processo de mobilização. Então, o meu apelo a todas as centrais sindicais e aos movimentos sociais para que convoquem imediatamente uma nova plenária nacional de mobilização para que a classe trabalhadora brasileira persista no rumo correto que foi o traçado pelas duas grandes mobilizações em todo o país contra os cortes na Educação e, agora, com a vitoriosa Greve Geral do dia 14 de junho. Seguimos na luta.