Discurso - Vereador Leonel Brizola -

Texto do Discurso

O SR. LEONEL BRIZOLA – Obrigado, Senhor Presidente.
Senhoras e Senhores, boa tarde. Subo a esta Tribuna para comentar que estive, domingo, no Festival de Cinema de Gramado e vi a estreia do filme Legalidade, dirigido por Zeca Brito – um diretor novo e brilhante –, com um grande elenco, estrelado pela Cléo Pires, que retrata esse episódio épico da nossa história.
Eu queria, além de parabenizar todo o elenco, o diretor e sua família, fazer uma homenagem ao ator Leonardo Machado, que interpretou o Leonel Brizola e, infelizmente, faleceu. Então, eu queria deixar aqui registrado todo o meu carinho e minha solidariedade aos familiares e a esposa desse brilhante ator que brilhava nos festivais de Gramado e tinha grandes atuações no cinema nacional, promovendo a cultura nacional e o cinema brasileiro. Isto é de suma importância.
Neste momento, neste exato momento, Senhor Presidente, neste momento sombrio pelo qual passa o país, em que forças conservadoras com pensamentos medievais golpearam a democracia e estão impondo uma agenda de desmonte do Estado brasileiro, mais do que nunca é preciso retomar o fio da história. Por isso a importância de resgatarmos esse episódio épico, em que, pela primeira vez, pela primeira vez na nossa história, o povo armado, com uma figura, com uma liderança, derrotou uma tentativa de golpe da direita.
E esse fio da história, Senhor Presidente, a importância, nesse exato momento, eu faço essa trajetória, porque são os mesmo, são os mesmos que o Getúlio Vargas denunciou na carta-testamento que ele selou com a própria vida. São os mesmos que o Brizola derrotou na Campanha da Legalidade. Os mesmos que impuseram o parlamentarismo num convescote. E o Brizola derrotou junto, ao lado do povo.
Os mesmos que derrubaram João Goulart da Presidência da República, num golpe que nos deu mais 20 anos de ditadura militar. Por isso, Senhor Presidente, são os mesmos, porque digo: a vitória de Bolsonaro representa o aplauso ao golpe de 1964, á ditadura militar. Representa dizer que aqueles que tombaram, deveriam ser presos, assassinados e torturados. Vejam bem! Nós, este governo, somado ao anterior, destruiu a indústria nacional.
Para vocês terem uma noção, nós estamos com o mesmo percentual de industrialização de 1910. Isso não é contado nos jornais da Rede Globo ou na mídia do bispo, isso não é tratado! Estão transformando um país industrializado em um país de serviços, com a “precarização” do trabalho. Vai se trabalhar com serviço precário, salário africano, custo de vida europeu, e só vai se aposentar quando morrer. É o que está tratado.
A vitória desses aí que não têm projeto de governo, que não têm plano econômico nenhum a não ser ódio, desamor, é justamente a destruição total das nossas riquezas e da nossa indústria nacional. É um país que vai ficar comprando por um e vendendo por dois. Vai ter meia dúzia de velhozinho da Havan, vendendo quinquilharia. Vai ser velhinho da Havan aqui, velhinho da Havan ali. Vai ser só a nossa elite. O absurdo do absurdo!
A vitória desses que exaltam a ditadura representam justamente dizer que João Goulart e Leonel Brizola não foram os heróis da história, e, sim, os bandidos. É o tempo da pós-verdade, das mentiras. Comprovadamente, agora, com artigo, inclusive, no jornal New York Times, mostrando que o YouTube direcionou com algoritmos para a extrema direita, fazendo a cabeça da meninada.
A escola não funciona, não discutimos nas universidades, nas salas de aulas esse episódio épico como a legalidade. Por isso, apresentei nesta Casa, aprovada por nossos pares, que a escola pública na Cidade do Rio de Janeiro ensine esse episódio para nossas crianças. Infelizmente, o Governo não cumpre, porque talvez seja interessado na desinformação, talvez seja interessado em querer dizer que só a religião deles é que presta e, principalmente, em matar qualquer fio cultural da nossa história.
Então, Senhor Presidente, eu fiquei muito feliz de ter participado desse festival, convidado pelo elenco, e principalmente por esse brilhante jovem diretor, Zeca Brito. Assistam. Ele vai estrear em setembro. Assistam! É um filme que tem um relacionamento amoroso entre um jornalista e uma agente da CIA, interpretada pela Cleo Pires, mas que trata fielmente o que aconteceu nesse episódio épico da campanha da legalidade, em que os militares, liderados por Leonel Brizola, seguiram a Constituição, ficaram ao lado da Constituição e do povo brasileiro.
Concluindo, Senhor Presidente, o que eu vejo é justamente essa importância do resgate histórico. Só assim nós vamos combater este momento sombrio. E tenho certeza de que o Brasil vai ser salvo pelo mundo, e a América Latina não vai tolerar um Bolsonaro. Ou nós acabamos com o bolsonarismo, ou o bolsonarismo acaba com o Brasil.
Meu muito obrigado. Viva a legalidade!