ORDEM DO DIA
Comunicação De Liderança



Texto da Ordem do Dia

O SR. REIMONT – Na manhã de ontem, 3 de setembro, diversos barracos na comunidade do Brejo, na Cidade de Deus, foram destruídos por um "caveirão" durante uma operação do BOPE.
O “caveirão” destruiu casas e a fiação elétrica da área, porque a polícia resolveu passar na marra com o tanque de guerra em uma viela com espaço para passar, no máximo, um fusca. Ironicamente, o nome da viela é Rua do Céu.
A comunidade do Brejo é uma das mais pobres de uma área que já é pobre. Os barracos são precários, as ruas muito estreitas, o “caveirão” passou arrebentando as casas, deixando moradores desesperados, por perderem o pouco que tinham.
A Polícia Militar alega que o blindado ficou preso aos fios elétricos e, na tentativa de desvencilhar-se, acabou se chocando com algumas moradias, devido à passagem estreita.
Mas por que insistiram em passar em uma viela mais estreita do que o veículo? Após a ação policial, os moradores da região se uniram em protesto e interditaram a Rua Edgard Werneck, na altura da Linha Amarela, em ato que durou aproximadamente duas horas, até a chegada do Batalhão de Choque.
“Essa covardia do governo precisa acabar. As famílias não têm onde dormir, porque a destruição foi grande. Jogaram tudo para o alto’, lamentava uma moradora.
‘A nossa fiação é horrorosa. Levaram a maior parte carregando no caveirão. Pedimos, por favor, para pararem. Tinha gente dentro das casas. As mães deixam os filhos dentro dos barracos em segurança para trabalhar, e acontece uma coisa dessa. A gente trabalha; e quem não trabalha é porque não tem oportunidade de emprego. Chamamos por paz. Clamamos por paz. Nós não somos bandidos, mas não temos para onde ir. Precisamos morar aqui, por falta de oportunidade. Ninguém vem ver a nossa realidade para nos ajudar. A gente ainda sai como bicho e errado’ — denunciou outra moradora, mãe de dois filhos.
Por motivos óbvios, elas não quiseram se identificar.
Também ontem, o pedreiro José Pio Baía Junior, de 45 anos, foi morto nas proximidades, enquanto trabalhava na laje de um sobrado na Vila Kennedy. Foi atingido por tiros de fuzil. A família e vizinhos negam que ele tenha sido vítima de bala perdida durante troca de tiros entre bandidos e policiais. Essas testemunhas garantem que ele foi executado por uma policial.
A política de segurança de Witzel tem como resultado a destruição e a morte. O discurso sanguinário do governador se gaba de um combate à criminalidade que não resiste à realidade: explodem os números de mortos pela polícia e os índices de assaltos em ônibus (1.000 a mais, apenas na Região Metropolitana em comparação com 2018), assaltos a pedestres e roubo de carga, entre outros.
Witzel é um genocida. Seu governo não tem a mínima ideia de como enfrentar a crise e gerar emprego e renda, os serviços públicos padecem em suas mãos e a única coisa que atrai sua atenção é a ‘guerra às drogas’, nome fantasia do extermínio da população pobre e negra promovido pelo seu governo. É preciso desmascarar a fraude com urgência, antes que Witzel alce voos mais altos”.