A SRA. SONIA RABELLO – Boa tarde, Sr. Presidente, nobre Vereador Jorge Felippe. Boa tarde a todos os nobres Vereadores presentes.
Hoje, iniciamos o segundo semestre das nossas funções legislativas nesta Casa. Estou aqui para cumprimentar a todos e, também, à população da cidade do Rio de Janeiro. Nós, Vereadores, ou a maioria que está trabalhando em campanha, mas que não abandona as funções de Plenário.
Então, Sr. Presidente, gostaria de mencionar, hoje, nesta Tribuna, três assuntos que embora estivéssemos em recesso, muitas pessoas perguntavam: “Vocês não estavam de férias?”. Eu digo: “Não!” Uma coisa é recesso no Plenário; outra coisa são as férias. Eu acho que férias só em dezembro.
Mas eu gostaria de mencionar três assuntos que nos mobilizaram bastante; que mobilizaram muito trabalho do nosso mandato.
Um ainda está em tramitação, mas é lamentável. Ocorreu há quinze dias, e eu pude presenciar. Mas não posso deixar de registrar aqui. Foi um fato que ocorreu na Saúde Pública do Rio de Janeiro: refere-se ao fechamento do Hospital Público dos Servidores do Estado – Iaserj, hospital que fica no Centro da Cidade, na Rua Henrique Valadares. Há 15 dias, num sábado às 22 horas, fui chamada pelos funcionários do Iaserj, e numa noite de terror presenciei, no pátio do Iaserj, ambulâncias do Estado e ambulâncias particulares retirando doentes do CTI daquele hospital.
Essa operação durou até às 3 horas da manhã e foi um desespero total, porque havia na rua batalhão de choque da PM para garantir a retirada obrigatória dos doentes, alguns deles, com traqueostomia e bomba de ar, sendo retirados do CTI.
Isso aconteceu até domingo de manhã, na calada da noite, e no dia seguinte, na segunda-feira, houve arrombamentos da ambulância da Emergência do Iaserj, e a coisa está ainda se desenrolando, e o Hospital do Iaserj está para ser demolido, um hospital com capacidade para 400 leitos, mas parece que isso não incomoda muita gente.
Ontem um funcionário do meu gabinete teve um problema ocular seriíssimo, um glaucoma, ficou cego aqui durante o trabalho. Ele procurou a assistência aqui da Câmara e soube que precisaria ser internado. Aí deslocamos um funcionário do nosso gabinete para tentar uma internação para esse funcionário, ele foi até o Hospital Pedro II e lá, sem enxergar, não conseguiu internação, foi indicado para ir até o Miguel Couto e não conseguiu internação e está lá no corredor do hospital aguardando internação, sem enxergar.
Enquanto isso os hospitais estão sendo fechados e demolidos. Este não é um problema do Estado, mas da Cidade do Rio de Janeiro. Não posso, a propósito, deixar de registrar que, na abertura das Olimpíadas de Londres, este país escolheu homenagear um serviço público do qual eles têm orgulho, que é o Serviço Público de Atendimento de Saúde da Inglaterra (o SUS inglês, digamos), que garante a todos os britânicos o atendimento nos hospitais públicos com relativa qualidade, atendimento esse amplo, geral e irrestrito. Essa foi a abertura das Olimpíadas, uma das homenagens, além da nossa querida Marina Silva, como símbolo da luta contra o desmatamento, a outra homenagem foi a homenagem pela saúde pública da Inglaterra. Infelizmente, esta Cidade, que se diz olímpica e que quer trazer um legado olímpico para a população, está na eminência de demolir um hospital público, construído e funcionando no centro da cidade e que atende à população pobre.
Então, a minha fala aqui é para pedir ao prefeito olímpico – esse que está e o que virá – que assuma o Hospital do Iaserj, assuma o prédio, e não deixe a população do Rio de Janeiro sem o legado daquele hospital, que está pronto, funcionando e atende à população do Rio de Janeiro. Municipalize aquele hospital, assuma o prédio. Não deixe ser destruída a riqueza de saúde construída com o dinheiro não só dos funcionários estaduais, mas também dos funcionários municipais, que contribuíram para o Iaserj, inclusive eu, que, durante anos, contribuí para a construção do Iaserj.
Gostaria também de aproveitar o ensejo da abertura das Olimpíadas, quando Marina Silva foi homenageada, e carregou a bandeira olímpica por sua luta contra o desmatamento, para dizer que as nossas três lutas de ponta, nesse recesso de Plenário, disseram respeito à questão do desmatamento. O Rio de Janeiro, depois da Rio+20, tem licenciado uma farra de desmatamento. Então, são três lutas que estão na ordem do dia. A primeira é uma luta contra o desmatamento da Praça Nossa Senhora da Paz. Protocolamos ontem, junto à ex-Subsecretaria Municipal de Patrimônio, que está examinando o assunto para que não cometa a ilegalidade de permitir o dano à praça. Da mesma forma, a Secretaria municipal de Meio Ambiente. Seria uma ilegalidade, contrária à Lei Orgânica do Município, autorizar o dano a mais de sessenta árvores só na Praça Nossa Senhora da Paz. Além disso, temos autorizado o desmatamento de mais de cinco centenas de árvores na Ilha de Bom Jesus. E temos o desmatamento em curso na APA de São José, em Laranjeiras. Somando todos esses desmatamentos, creio que, no Rio de Janeiro, estamos desmatando quase um milhão de árvores no momento, o que, por si só é um absurdo total para uma cidade que acolheu a Rio+20. Ou seja, o discurso é um, e a prática é outra. Faz-se o discurso do legado ambiental e a prática é um desmatamento constante. Esses são assuntos que merecem uma fiscalização e uma reação. Como disse o meu colega, Dr. Edison da Creatinina, precisamos reagir para que o Governo aja de acordo com a lei.
Então, dando as boas vindas a todos e cumprimentando o meu colega Dr. Edison da Creatinina pela fantástica Audiência Pública que ocorreu hoje nesta Casa Parlamentar, um orgulho para esta Casa Parlamentar, dou por encerrada a minha fala de hoje.