ORDEM DO DIA
Pela Ordem



Texto da Ordem do Dia

O SR. MARCELO ARAR – Senhor Presidente, como representante de uma parcela do povo carioca, não posso deixar de expressar a minha felicidade, a minha satisfação com a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro pelo episódio de hoje, na Ponte Rio-Niterói, onde 36 reféns foram liberados, e a Polícia Militar do Rio de Janeiro conseguiu abater o criminoso.
Ressalto aqui também os meus parabéns ao Governador Witzel, que acompanhou tudo. Vi, de casa, pela Globo News, um governador com muita disposição, muita paixão, muita vibração e vontade de mudar o nosso estado, valorizando a Polícia Militar, resgatando a autoestima da Polícia Militar, indo parabenizar os policiais militares pessoalmente pelo episódio, pelo final feliz que tivemos, hoje pela manhã, na Ponte Rio-Niterói.
Aproveito a oportunidade e também agradeço à Secretaria de Estado de Governo (Segov), ao Vice-Governador Cláudio Castro e ao governador pela parceria nos dois projetos que idealizei aqui na Câmara Municipal, onde a Prefeitura do Rio de Janeiro, em parceria com o Governo do Estado põe dois projetos de segurança: Rio+Seguro, em Copacabana, onde colocamos de 80 a 100 policiais a mais e em dois anos houve quase mil encaminhamentos às delegacias da região e 500 prisões; e também o projeto Rio+Seguro, no Fundão, que levou ao campus da UFRJ a paz, com 15 policiais militares fazendo a segurança diariamente.
Então, parabéns ao Governador Witzel pela política de segurança e principalmente à Polícia Militar pelo episódio de hoje pela manhã, quando graças a Deus tudo deu certo e 36 vidas foram salvas.
Obrigado, Senhor Presidente.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Pela ordem, o Vereador Reimont, que dispõe de três minutos.

O SR. REIMONT – Senhor Presidente, senhores vereadores, eu estou boquiaberto com o discurso do Vereador Marcelo Arar, homem proveniente da comunidade judaica, que sabe muito bem o que foi o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, o que foi a perseguição ao povo judeu, 12 milhões de pessoas assassinadas, sendo seis milhões de judeus exterminados por Hitler. E um vereador da comunidade judaica vem saudar uma ação nazifascista do governador que comemorou, como se fosse um gol do flamengo em final de campeonato, o abatimento de um criminoso que estava sequestrando um ônibus com 36 pessoas.
Fico boquiaberto, sinceramente! O Governador Witzel, a quem alguém tem chamado de Wilson Wauschwitz, poderia, na verdade, não ter comemorado daquele jeito, porque não se comemora uma tragédia. Especialistas em segurança pública, inclusive patentes altas da própria Polícia Militar, avaliaram hoje que aquela operação seria 100 % exitosa se não tivesse havido nenhuma morte, incluindo a do sequestrador que, assim parece, pode ser alguém que tinha lá seus problemas psíquicos. E aí nós temos um governador do estado comemorando uma morte.
E o Vereador Arar, repetindo certamente a postura do Governador Witzel, diz “Graças a Deus!”. É preciso lavar a boca para falar de Deus quando se louva a morte. É preciso pensar melhor ao falar de Deus. Aqui eu me dirijo ao Deus do povo judeu, ao Deus de Abrahão, de Isaac e de Jacó, ao Deus que se encarnou em Jesus Cristo e deu origem ao Cristianismo. Parece que aboliram o Quinto Mandamento da Lei de Deus. Parece que aboliram o mandamento que Jesus deu, logo após o momento em que ele comeu a Última Ceia com seus discípulos: “Amai-vos uns aos outros”.
É claro que, numa situação limítrofe como era a situação hoje, nós não sabíamos em que circunstâncias estava aquele policial e em que circunstâncias poderia ter sido o desfecho. Mas, depois de tudo o que foi feito, em qualquer democracia do mundo, pelo menos naquelas que, diferentemente do Brasil, se celebram os direitos humanos – porque nós temos no Governo Federal e Estadual avanços contra os direitos humanos em nosso País –, certamente não teríamos lideranças comemorando um assassinato, descendo do helicóptero como se fosse o final do campeonato brasileiro com um time de nossa preferência ganhando aos 45 do segundo tempo.
Me perdoe, Vereador Arar. Com todo respeito que tenho a Vossa Excelência, eu esperava de muita gente, menos de um vereador proveniente de um povo que foi exterminado pelo governo nazista do qual Witzel faz parte, e propaga, e divulga, e se alinha.

O SR. PRESIDENTE (JORGE FELIPPE) – Pela ordem, o nobre Vereador Marcelo Arar, que dispõe de três minutos.

O SR. MARCELO ARAR – Vereador Reimont, com todo respeito a Vossa Excelência, Auschwitz foi uma das maiores tragédias da humanidade. Então, peço ao senhor, com toda humildade e respeito, que lave sua boca ao fazer piadas em nome do Governador ou com o nome de Auschwitz, onde morreram seis milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial! Infelizmente, o senhor tem três mandatos, tem o dom da oratória e não interpretou a atitude o Governador. O Governador não estava comemorando a morte do criminoso. Por favor, Vereador Reimont, o senhor já foi um líder espiritual. O Governador Witzel estava comemorando a vida! O senhor é um líder espiritual, o senhor sabe o valor que tem uma vida! A vida de 36 seres humanos! Então, por favor, o Governador não comemorou a morte, ele comemorou a vida! E lave sua boca antes de fazer piada em relação à Segunda Guerra Mundial.
Obrigado, Presidente.