Discurso - Vereadora Teresa Bergher -

Texto do Discurso

A SRA. TERESA BERGHER – Senhor Presidente desta Sessão, senhores vereadores e senhoras vereadoras, funcionários, boa tarde a todos. As minhas primeiras palavras não poderiam deixar de ser de solidariedade e pesar às famílias das vítimas da tragédia que se abateu sobre a Cidade do Rio de Janeiro na última terça-feira – digo, na última segunda-feira. Terça também continuou pela manhã, mas o momento mais dramático, sem a menor sombra de dúvida, foi na segunda-feira. Então, às famílias dessas vítimas o nosso carinho, o nosso respeito e a nossa solidariedade. São vítimas que, possivelmente, não fossem as negligências que nós vemos nas administrações públicas, talvez pudessem ser poupadas. É com muito pesar que eu aqui desta Tribuna me dirijo a essas famílias.
Também me dirijo à população do Rio de Janeiro porque, se eu estivesse no lugar do Prefeito Marcelo Crivella, a primeira coisa que eu faria seria pedir desculpas a essa população sofrida. Muitas famílias perderam tudo e outras ficaram no desespero nas ruas. Eu me considero uma privilegiada, porque saí desta Casa por volta das 19 horas, talvez um pouquinho antes, e a chuva ainda iniciava. Cheguei a casa por volta das 19h30 – moro muito perto. Portanto, não vivi essa tragédia, essa angústia que viveu uma boa parte do nosso município.
Senhor Presidente, eu fico perplexa com o Prefeito Marcelo Crivella. Devo dizer isso porque eu chego a pensar que ele é uma pessoa totalmente alienada. Diante das declarações dele ontem, por várias vezes, numa coletiva e em algumas entrevistas, ele, de uma forma muito estranha, chegou a contestar os números que nós apresentávamos em relação à prevenção, aos órgãos envolvidos e às verbas que deveriam ser aplicadas na prevenção às enchentes. E, pasmem os senhores ele tem R$ 300 milhões para serem aplicados na prevenção e aplicou apenas R$ 6,358 milhões. Uma vergonha. Os dados, eu não inventei e nem foram produzidos pelo meu gabinete: os dados são do próprio prefeito, são da própria prefeitura, do Fincon. Os técnicos do meu gabinete fazem esse trabalho permanentemente.
Nós realmente fazemos um trabalho de fiscalização do prefeito, sim, até porque é nossa obrigação. A função mais importante do vereador não é apenas fazer leis, mas, fundamentalmente, fiscalizar a prefeitura. E fico estarrecida quando ele diz que esses números não existem, que vêm de uma vereadora de oposição. Oposição, sim. Tem que haver oposição. Qual é o problema?
Uma vereadora de oposição, mas que está mostrando números verdadeiros e que saíram da sua prefeitura. Então, acho abominável a postura do Prefeito Marcelo Crivella em relação a essa questão. Pior que isso é não admitir a falência da nossa cidade.
Nós sabemos que foram chuvas fortíssimas, muito além do normal. Não podemos negar essa evidência, mas nós também sabemos que, em outras ocasiões, aconteceu a mesma coisa. As chamadas chuvas de verão acontecem todos os anos, ou quase todos os anos. E é exatamente por essa razão que ele tem de investir na prevenção; o que ele não fez. Ele não fez o dever de casa. Então, é lamentável que a nossa cidade esteja vivendo um momento tão crítico. É inaceitável.
Por outro lado, é quase surreal quando ele fala na queda de mais um trecho da ciclovia. É o quarto trecho que cai. O que estão esperando para demolir aquele trambolho que está lá? Que é um horror, diga-se de passagem. Já caíram quatro trechos!
No primeiro trecho, eu fui a primeira a entrar com uma ação na justiça pedindo a sua demolição e que a empresa responsável pela construção da ciclovia devolvesse os R$ 45 milhões do custo da obra. Eu até me pergunto o seguinte, diante de todos esses trechos que desabaram, já que houve aqui a CPI da Ciclovia: quem está pagando a conta? Porque essa obra, obviamente, ainda está dentro de um período de garantia.
Então, acredito e espero que, pelo menos, não seja dinheiro público que está sendo utilizado naquela obra; ou melhor, na recomposição daqueles trechos. O senhor prefeito usou uma expressão muito engraçada. Acho até que foi objeto de risos de muita gente. Ele disse: “A ciclovia está muito segura, de baixo para cima, de cima para baixo. O problema é vertical.” Então, se cai um helicóptero? “Mas aí é uma fatalidade. Ninguém vai imaginar que vai cair um helicóptero.” Chega a ser cômico para não ser trágica esta afirmação do Prefeito Marcelo Crivella. A vida não tem preço, senhoras e senhores. Na ciclovia, duas pessoas morreram na primeira queda. Duas vítimas fatais. Eu, inclusive, apresentei aqui um projeto de lei que foi aprovado para que pudéssemos fazer um memorial, um pequeno memorial em homenagem as duas vítimas, não apenas um memorial para lembrar as vítimas, mas um memorial para dizer também um não a obras que não são absolutamente discutidas pela sociedade. O prefeito perguntou a quem − o antigo prefeito, a antiga gestão −, quando resolveu fazer aquela obra, aquela ciclovia? Está mais do que provado que a qualquer momento, se insistirem em mantê-la, vai cair um novo trecho. Primeira enchente que vier novamente, vai cair um novo trecho. Então, está na hora de haver mais responsabilidade com o dinheiro público, o que não está acontecendo.
Eu lamento profundamente que dez vidas tenham sido sacrificadas. E eu posso dizer aos senhores, não posso afirmar que as dez pessoas, vítimas dessa enchente, suas vidas pudessem ser poupadas, isso é difícil, que há uma segura parcela de responsabilidade do senhor prefeito desta cidade, eu não tenho nenhuma dúvida. É um absurdo! E o que é mais curioso: ele já está quase terminando o mandato dele, já ultrapassou, já está no terceiro ano do mandato dele, e a responsabilidade é sempre atribuída à gestão passada.
Senhor Prefeito, está na hora de o senhor assumir a sua responsabilidade de prefeito, sim! E olhem, senhores e senhoras, que ele está arrecadando muito bem: na Cosipa, ele arrecadou mais 46%; IPTU, ele arrecadou um percentual também significativo; na coleta de lixo – para os senhores terem uma ideia –, que vem junto com o carnê do IPTU, há uma previsão de recolhimento de R$ 450 milhões. Ele já conseguiu faturar, como eu diria, R$ 240 milhões. Alguém vai perguntar: “Mas a R$ 450 milhões, ainda estamos em abril, e ele já conseguiu cobrar R$ 240 milhões?” Sim, senhores, porque boa parte, uma parte da população, uma parcela significativa da população paga IPTU em cota única.
Então, são R$ 240 milhões que já foram recolhidos da coleta de lixo, e a gente não vê nada. Não tem uma ação sequer na Comlub para que possa falar, que possa levantar alguma coisa em relação aos garis. Os garis trabalham precariamente, porque não têm nenhuma ação, nenhuma rubrica com verbas para este trabalho, que é importante para a cidade. Nenhum trabalho é mais importante do que fazer prevenção às enchentes. É prevenção à vida, senhores e senhoras. É prevenção à vida, sim!
Então, eu lamento profundamente o que está acontecendo na nossa cidade, porque dizer espero que o prefeito, daqui para frente, possa tomar outra posição, nem isso vou dizer, porque é tão recente a tragédia que aconteceu em fevereiro, há pouco mais de um mês, quando tivemos sete vítimas fatais também. Então, acho que ele não aprendeu a lição e vai continuar não aprendendo nada. O que acontece é que a gente percebe uma total falta de interesse, uma inaptidão para dirigir a nossa cidade.
Muito obrigada, Senhor Presidente.