Discurso - Vereador Babá -

Texto do Discurso

O SR. BABÁ – Companheiros e companheiras, saiu na Folha de S. Paulo, é importante ler porque é um absurdo. Não bastassem os absurdos do Presidente Bolsonaro, que quer a volta da ditadura, não é? Ele, que diz que combate o ditador da Venezuela, coisa assim do estilo, quer voltar a comemorar a ditadura, 55 anos de implantação da ditadura no Brasil, com festas e tudo mais. É uma vergonha! Na verdade, ele se comporta, não tem outro jeito de dizer a ele – apesar de seu filho não gostar dessa expressão –, como um microditador. Isso ele é. E acompanhado de seu vice. Gostaria de ler para vocês o absurdo que ele, Mourão, falou agora esses dias.
Vejam bem o que fala o General Mourão: “Mourão chama reajuste do mínimo pela inflação e o BPC de ‘vacas sagradas’” – para os companheiros que não sabem, é o Benefício de Progressão Continuada.
“Em um discurso que parece ter sido feito sob medida para uma plateia de empresários em São Paulo, o Vice-Presidente Hamilton Mourão criticou, nesta terça-feira, 26, o que chamou de ‘vacas sagradas’ como os reajustes do salário mínimo acima da inflação e a idade de recebimento do BPC, que hoje é dado aos idosos mais pobres com mais de 65 anos.”
E o que ele diz? “É hora de rever o contrato social estabelecido pela Constituição Federal de 1988”. E disse, em apresentação na Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), que “nosso Governo terá que enfrentar as medidas impopulares. Na instituição em que servi durante 46 anos...” – de que o Bolsonaro está com saudade – “... a gente sempre dizia que o comandante não tem que ser aplaudido no pátio: o comandante tem que tomar decisões.”
Ele pensa que está dentro de um exército comandando o Brasil e que podem fazer todas as atrocidades que eles queiram fazer. E mais: “Segundo Mourão, é preciso convencer a população de que ela tem também obrigações e não apenas direitos, além de ter paciência e diálogo com o Congresso, que representa o povo.”
Ele, pelo menos, tem consciência disso. Porque o Bolsonaro já está levando pedradas. Caiu e vai cair mais ainda com essa absurda reforma da previdência que quer fazer no Brasil, em que ele não se entende nem com a própria base. Vai levar pedradas. Eles têm que levar pedradas.
“”Levar pedradas faz parte da vida política. E todos sabem dizer que minha experiência política é baixíssima, mas o bom senso tem que sobreviver nessas horas’”, disse o Mourão. Para Mourão, o salário mínimo não é mínimo e produz uma contradição em que as classes mais favorecidas recebem mais do que as menos favorecidas.
Mourão defendeu também a elevação da idade para receber o Benefício de Progressão Continuada e a aprovação da reforma trabalhista, na frente dos empresários.”
Devia estar em estado de gozo ali na frente dos empresários. “Hoje, disse ele, uma pessoa para se aposentar por idade precisa ter 65 anos com 15 anos de contribuição, tendo direito a um salário mínimo.” Aí, diz ele, por que ele teria que contribuir se ele vai receber a mesma coisa sem contribuir? Não há mais como sustentar isso aí. É uma briga dificílima, mas temos que sustentar.
Mourão ainda atacou a vinculação do orçamento, que alguns políticos pensam que estamos no século XIX, nas masmorras da Londres industrial. E levam os direitos a um paradoxo aonde tudo tem que estar escrito na Constituição, ou seja, ele quer acabar com qualquer Constituição, mesmo essa retrógrada que está aí, que ele não aceita. “Não tem almoço grátis”, diz ele. Afirmou, atribuindo a vinculação à alta informalidade no mercado de trabalho e reforçando que a reforma trabalhista tem que ser levada a diante. Ou seja, atacar mais e mais os direitos dos trabalhadores que já vêm sendo cortados. E nessa situação, nada disse. No entanto, diz a Folha aqui sobre a proposta dos militares bastante criticada.
Mourão destacou os desencontros ocorridos no Ministério da Educação e sugeriu um freio de arrumação. "Senhoras e senhores, podem perguntar, o que está acontecendo no Ministério da Educação? Precisa de um freio de arrumação, faço a autocrítica perante todos", disse ele.
Com relação à Venezuela, disse que algumas pessoas ainda acreditam que o muro de Berlim está de pé.
"Nos preocupa que um conflito dos tempos da Guerra Fria esteja sendo atraído para o nosso subcontinente. Em nossa vizinhança, duas grandes potências estão brigando pela Venezuela e o Brasil precisa saber se posicionar corretamente sobre isso", disse.
O vice-presidente encerrou a apresentação na Fiesp dizendo que a população elegeu Bolsonaro em resposta a um “cartel de ladrões” que havia tomado conta do poder e enfatizou que o presidente é um “estadista que não está pensando nas próximas eleições, mas nas próximas gerações”.
Isso é uma vergonha. E ele não fala nada da proposta de reforma da Previdência dos militares – que não tem de reforma coisa nenhuma. É de benefícios militares. Onde generais, entre os quais ele – correto? – passarão, depois da reforma que eles querem, dos militares, a terem um salário sabem de quanto? De R$ 30 mil. Salário acima do salário da Presidência da República. E disso o Mourão não fala. Óbvio, porque ele se beneficia. Ele quer atacar os pobres. Ele quer, na verdade, que o benéfico de proteção continuada, numa população tão carente como a nossa, a pessoa vá receber no cemitério. Vejam bem o absurdo que é.
Mas se eles pensam que os trabalhadores vão ficar calados, estão redondamente enganados. Já começamos a ir para as ruas, tal qual fomos durante o governo do corrupto Temer. E que derrotamos a reforma da Previdência do corrupto Temer com uma greve geral no país. Agora mesmo, nós fizemos no dia 22 uma mobilização aqui no Rio de Janeiro com 15 mil pessoas. Em São Paulo, com 20 mil pessoas. Isso somente na primeira mobilização que nós fizemos. E nós vamos derrotar essa reforma da Previdência que eles querem fazer que beneficia os ricos e ataca a população mais pobre. Está redondamente enganado o General Mourão. Ele que vá para a reserva e se contente em ficar por lá. Ele e o Capitão Bolsonaro, que pensa ser um microditador aqui no nosso continente e aqui no Brasil. Pensa que pode fazer tudo. E encerro dizendo uma coisa: o jornalista Josias de Souza falou o quê? “O ministro da Fazenda do Senhor Bolsonaro trabalhou com Pinochet. Lá, com Pinochet, eles fizeram uma reforma da Previdência para direcionar o dinheiro aos bancos e, hoje, 90% dos aposentados chilenos recebem menos do que meio salário mínimo, com um índice de suicídio brutal entre os aposentados chilenos”.
E é isso o que eles querem implantar no Brasil, mas nós vamos para a luta: as centrais sindicais, o sindicato, os trabalhadores como um todo vamos para a luta para derrotar essa reforma. E como dizia o jornalista Josias de Souza, o ministro da Fazenda disse: “O Bolsonaro adora a Disneylândia, a Coca-Cola e o Trump, convenhamos”. Aí, ele compara a Disneylândia. Ele disse: “Olha, do jeito que o Bolsonaro se comportou perante o Trump e a Disneylândia, é como se o Trump fosse o Mickey” – disse Josias de Souza – “ e o Bolsonaro, o Pateta”, que foi lá vergonhosamente tentar entregar as nossas riquezas para o Trump. Na verdade, não vai conseguir entregar, porque nós vamos para as lutas e não vamos deixar que esse Pateta, como diz Josias de Souza, queira agir contra a classe trabalhadora, como também o Senhor General Mourão. Nós vamos para as lutas e não vamos permitir isso aí!
Muito obrigado.