A SRA. SONIA RABELLO – Sr Presidente desta Sessão, Dr. Edison da Creatinina, nobres colegas presentes no Plenário e nobre Vereador Ivanir de Mello, não poderia deixar de me pronunciar sobre o que o Excelentíssimo Sr. Vereador Ivanir de Mello acaba de falar aqui na tribuna, até porque o Dr. Ivanir mencionou os Vereadores que defendiam a não colocação do autódromo não em Deodoro, mas ali onde está programado.
Tenho todo respeito e consideração ao Vereador Dr. Ivanir de Mello, que talvez seja o Vereador mais presente neste Plenário e é um dos que não deixam de se pronunciar sobre os assuntos – e acho que a qualidade mais importante do Vereador é defender as suas posições. E aqui o Vereador Ivanir, sempre presente, está também sempre à disposição para defender suas posições, sejam posições de exigência sobre o cumprimento do Regimento Interno da Câmara, sejam posições daquilo que pensa ser o mais correto, o mais desejável para a região que representa - que é composta pelos bairros de Ricardo de Albuquerque, Guadalupe, Deodoro e imediações.
Então, Dr. Ivanir, a minha colocação é feita com todo o respeito a que Vossa Excelência faz jus e merece. Mas, também não posso me omitir e deixar de colocar a minha posição, que acredito seja a posição de outros Vereadores da Câmara. É verdade que não sou uma Vereadora que representa necessariamente uma região, não me elejo por uma região do Rio de Janeiro. Por isso mesmo, acho que é legítimo colocar a posição do que acho da cidade como um todo. Acho que essa região de Deodoro, Guadalupe, Ricardo de Albuquerque... Nesse fim de semana mesmo, passei por lá, indo a um aniversario em Santíssimo – você passa na Avenida Brasil bem na porta, Santíssimo é bem mais adiante -, e Vossa Excelência tem toda a razão. Aquela região, assim como toda região, até as regiões Norte e Oeste da Cidade do Rio de Janeiro, merece muito investimento, apoio, serviços públicos adequados, calçadas, serviço de saúde, educação, creches e parques. Mas, sinceramente não acredito que o autódromo trará, para aquela região, nem paz, nem bem-estar. O autódromo é, por si próprio, um elemento absolutamente poluidor. Isso não significa que o Rio de Janeiro não tenha que ter um autódromo, mas que ele é um equipamento extremamente poluidor, ele é.
Por isso, quanto a sua relocação, a minha posição, Dr. Ivanir, é deixá-lo onde ele está. É um absurdo econômico, um atentado contra a cidade, tirar o autódromo de Jacarepaguá — uma área pública que foi comprada pelo antigo Estado da Guanabara, mediante desapropriação, e cujo projeto foi feito com dinheiro público —, de uma área que, inclusive, fica protegida quanto a causar ruídos incômodos à população, já que fica numa península dentro da Lagoa de Jacarepaguá. Tirar o autódromo de Jacarepaguá é, ainda, um atentado à economia da cidade, ou seja, destruir, desmontar e tirar os destroços de lá para recolocá-lo em outra área. O melhor é deixá-lo lá onde está.
Com relação à proposta de que é para fazer um parque olímpico com equipamentos para piscina que lá serão construídas, quadras de vôlei, etc, podemos perguntar por que não se deixa o autódromo lá onde está e não se colocam todos os equipamentos de parque, por exemplo, em Deodoro, que tanto está precisando? Quem pode responder a essa pergunta? O Ministério do Esporte vai gastar, certamente, mais de 500 milhões de reais para financiar a reconstrução do autódromo em Deodoro, e penso que podemos concordar em que ninguém da população de Deodoro vai correr nesse autódromo, mas, certamente, se fossem construídas piscinas, pistas de atletismo, campos de vôlei em Deodoro, nós haveremos de concordar em que as populações de Guadalupe, Ricardo de Albuquerque, Deodoro e imediações fariam um excelente uso de um parque olímpico construído nessa região.
Quem pode me explicar por que cargas d’água não se deixa o autódromo, inteiro, onde está, e não se pega esse dinheiro da União para construir esse parque olímpico com mil equipamentos para essa população que, verdadeiramente, precisa de parques? Qual é o raciocínio lógico que faz com que se tire um autódromo de onde está construído, que se declare que esse autódromo vai ser destruído para, naquela área, se construir um parque olímpico e, com dinheiro público, reconstruir o mesmo autódromo numa outra área pública?
Ontem, escrevi no meu blog uma coisa interessante. Li, na página 10 do jornal O Globo, de sábado, que a estimativa para se construir esse autódromo é de 500 milhões de reais. Na página 18, do mesmo jornal, havia a declaração de que o Nordeste brasileiro está passando a maior estiagem dos últimos 40 anos e que a Presidente Dilma foi a uma cidade baiana para inaugurar o açude de Algodão para levar água do Rio São Francisco para oito cidades baianas. A notícia enaltecia que seria um investimento — vejam bem, um investimento para levar água para oito cidades baianas que estão padecendo com a seca – de 126 milhões. No entanto, nós estamos discutindo aqui, no Sul maravilha, na Cidade do Rio de Janeiro, a tal da cidade sem royalties, do estado sem royalties, gastar-se 500 milhões para destruir um autódromo pronto e reconstruí-lo em Ricardo de Albuquerque, dentro de uma área, sim, de Mata Atlântica em recuperação secundária, tem espaço a um quilômetro, se quiser gastar os tais R$ 500 milhões que devem estar sobrando no bolso de alguém, tem uma outra área para construir o autódromo, área já degradada. O interessante é que vão colocar em Deodoro só a parte do Parque Olímpico pequenininho, que certamente a população de lá não vai usar, que é o hóquei, a bike mountain não sei das quantas, a canoagem.... Por que não põem lá as piscinas, as quadras de vôlei, que vão ficar todas na Barra, naquela península, ao custo das três empresas empreiteiras - Carvalho Hosken, Andrade Gutierrez, e a outra é... Alguém pode me ajudar? Aliás, o projeto está aqui na Câmara... Vão construir o Parque Olímpico para fazer depois o quê? Destruir o Parque Olímpico! Porque as empreiteiras constroem, fica 50%, e depois destroem 25% dos equipamentos olímpicos , porque a negociação é elas ficarem com 75% da área pública desapropriada para a construção... Esse é o negócio! Porque eles não querem construir prédios, caro Vereador, em Ricardo de Albuquerque e Deodoro... Essas empresas querem construir na Barra, na Barra da Tijuca. Então, esse é o negócio!
O SR. PRESIDENTE (DR. EDISON DA CREATININA) – Vereadora, pode concluir, por favor...
A SRA. SONIA RABELLO – Vou concluir...
Nós não somos contra, pelo contrário: não queremos exportar para Ricardo de Albuquerque e Deodoro um equipamento poluidor que já está na Barra. Nós queremos que o Parque Olímpico seja em Deodoro, e que não se destrua a Mata Atlântica secundária, que tem comprovada sua existência pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, por outros peritos e INEA, se tem uma área degradada ao lado.
Então, a nossa posição é de desenvolvimento sustentável para essa área que V. Exa. excepcionalmente bem representa nesta Casa legislativa.
Muito obrigada.