ORDEM DO DIA
Pela Ordem



Texto da Ordem do Dia

O SR. CLÁUDIO CASTRO – Senhor Presidente, senhoras e senhores vereadores, todo o povo do Rio de Janeiro, primeiro, eu queria agradecer. Tenho dito ao longo desses últimos dias que uma das maiores tristezas que eu vou ter nessa nova missão, Senhor Presidente, é não estar mais aqui todos os dias. Eu, sinceramente, digo que essa é uma casa que eu aprendi a amar, que eu tenho uma alegria diária e um prazer enorme de vir para cá.
Ser vereador desta cidade é aprender cada dia. Cada dia que estamos aqui votando uma matéria, nós discutimos e temos a oportunidade realmente de dialogar e de transformar a vida das pessoas. Isso eu acho que é um aprendizado ímpar. Acho que cada um que entra nesta Casa sai com uma marca: a marca de ter contribuído pelo menos um pouco para ajudar essa população tão sofrida e que precisa tanto de nós.
Eu, como cristão, Presidente, aprendi que a gente nunca está sozinho nisso, que Deus olha por nós e que ele escolhe o nosso caminho. Eu, durante várias vezes, tentei, inclusive, não vir candidato a Vice-Governador, pois eu achava que poderia haver outras pessoas mais qualificadas ou que houvesse pessoas que agregassem mais. Mas, certamente, eu entendo que Deus me quis nesse lugar agora. Acho que de alguma forma ele acha que eu posso contribuir.
Vendo o resultado dessas eleições, a gente percebe que foi uma eleição altamente pedagógica. Foi uma eleição que, realmente, reescreveu os livros da política e reescreveu o livro das análises. Ninguém era capaz de fazer uma análise coerente do que estava acontecendo, Presidente. A sociedade está realmente em um processo de mudança. Talvez daqui a 15 ou 25 anos, a gente entenda o que aconteceu nessa eleição.
Mas, se eu pudesse dar a minha contribuição para essa história, eu diria que retomamos o tempo em que o povo do Estado do Rio de Janeiro voltou a decidir por si próprio.
Eu entendo que os institutos de pesquisa já não influenciam mais tanto as pessoas, eu entendo que uma mídia, uma parte dela, que já não sabemos mais quais são os interesses reais, já não influenciam mais tanto as pessoas. E que a própria política, aquela dos prefeitos, dos vereadores, dos deputados já não atingem mais o pouco. E o que a gente tem que se perguntar, já que estamos no princípio da representatividade, até que ponto ainda representamos a população. Até que ponto essa classe política, da qual nós fazemos parte, está agindo, realmente, pelo interesse das pessoas.
Essa é uma pergunta que cada um, hoje, que foi escolhido para estar no mandado parlamentar ou do Poder Executivo tem que se fazer. A população do Rio de Janeiro deu um recado para nós, políticos: ou nós entendemos que temos que voltar a ouvir a voz da população, que temos que voltar a nos mexer pelo interesse dessa população, por cada um aqui, não todos, não generalizando, nós seremos, aos poucos, retirados da política.
Eu entendo que recebemos um claro recado e que cabe a nós voltarmos novamente os nossos olhos e nossos ouvidos para essa população tão sofrida e que precisa tanto nosso trabalho, mas que hoje, muitas vezes, já não se sente representada. A grande lição que eu tiro desse processo é de que o povo do Rio de Janeiro voltou a mostrar para a classe política o que realmente quer.
E cabe a nós olharmos para dentro, entendemos que nós temos que mudar e evoluir, mas nós temos que, principalmente, voltar a ouvir a nossa população. Ela deu claro recado e eu queria agradecer muito essa população por esse recado ter sido com a eleição de um ex-juiz, um outsider da política, alguém que, muitas vezes, pecou exatamente por não ser enraizado na política e um vereador de primeiro mandato. E que vocês saibam que aqui há uma dupla apaixonada por este Estado e apaixonada para gente tentar mudar a sorte e a história do nosso Estado.
Agradeço a cada colega. A gente sabe que foi um processo duro, até triste mesmo, de acusações, um processo onde se falou pouco de proposta e se preconizou em tentar derrubar o outro. E sinceramente eu acho que o nosso povo merece muito mais que isso.
Muito obrigado a todos. Peço que quem é de oração, ore; quem é de reza, reze e quem é de torcida, torça. Porque agora o processo eleitoral acaba e começa um novo processo político e a gente tem que trabalhar juntos, irmanados pelo nosso Estado. Muito obrigado a todos.