Discurso - Vereador Fernando William -

Texto do Discurso

O SR. FERNANDO WILLIAM – Bom, eu ia até falar de outro tema, que diz respeito à situação concreta da Prefeitura, que nós fomos eleitos para representar e que, como todos os meus outros projetos vão sempre à linha de aumentar a transparência, de cobrar efetividade e qualidade de gestão à Prefeitura, coisa que, muitas vezes, eu vejo alguns vereadores falarem e tratarem do tema, mas, tendo oportunidade, não executam.
Mas eu queria contestar a fala do Vereador Leandro Lyra em alguns aspectos. O primeiro é o seguinte: é óbvio que ainda existe um segmento – que a gente pode dizer que não é pequeno – de pessoas fanáticas na crença de que o Presidente Jair Bolsonaro é um salvador da pátria, que foi ungido e ungido por Deus. Isso, de certa forma, está vinculado a alguns segmentos de igrejas neopentecostais. Não sei se o Vereador Leandro Lyra viu, mas há algumas fotos – tenho até algumas delas aqui – de pessoas ajoelhadas rezando, orando, em um gesto típico das pessoas que são levadas a manifestações por pastores, por líderes religiosos, que incentivam o seu rebanho a participar de algo que, muitas vezes, nada sabem a respeito e, na maioria das vezes, são as pessoas que mais pagarão o preço e as consequências dos atos praticados pelo Governo contra eles próprios. Mas eles vão ali, acreditando que estão cumprindo uma missão divina. Então, há esse segmento religioso.
Há um segmento que ainda acha, como eu disse, que haverá uma salvação por parte do senhor Jair Bolsonaro. Mas têm coisas bem mais complicadas que revelam que há um segmento ali, que é um segmento fascista, nazista. Um segmento que desrespeita as normas mais elementares da democracia, que não respeita, inclusive, aquilo que é o senso comum. Por exemplo, quando se rasgou a faixa lá na universidade do Paraná, que solicitava mais recursos para a educação, o que essas pessoas, que foram às ruas – pelo menos, em Curitiba –, queriam, não é? Que não se dê mais recursos para a educação? Que se acabe com a educação no Brasil? Que motivação teriam para arrancar uma faixa daquela natureza, a não ser uma vocação para uma atitude conservadora, reacionária, infantil que não leva a, absolutamente, lugar nenhum? Eu leio outra faixa aqui, que diz o seguinte: “um cabo e um soldado para fechar o STF”. O que querem essas pessoas que foram às ruas, fechar o Supremo Tribunal Federal? Fechar um órgão que é basilar, fundamental para a democracia? Essas pessoas querem democracia?
Aliás, Rodrigo Maia, que é o Presidente da Câmara dos Deputados, com quem eu tenho, certamente, muitas divergências no campo da análise econômica etc., mas que tem feito um esforço, no meu entendimento, bastante grande para aprovar reformas que interessam ao governo.
Mas não de uma forma autoritária, não de uma forma impositiva, não, votando tudo aquilo que interessa a este governo que aí está. Imaginem, se colocassem em pauta o projeto do Ministro Sérgio Moro, que é um projeto autoritário, que implanta excludente de ilicitude – e a gente sabe o que isso significa na prática, o que vai significar na prática –, ou seja, um projeto como aquele não teria nem que ser votado, porque existe um conjunto ainda de pessoas imbecilizadas neste país, que vestem a camisa da CBF – e a gente sabe bem o que significa a CBF – e vão defender que este projeto seja votado “a toque de caixa” porque, se não for votado “a toque de caixa”, é porque existe uma mancomunação ali, algo mancomunado entre um “Centrão” que ninguém sabe dizer o que significa e que tem que ser hostilizado.
E aí, diz mais: “Rodrigo Maia, você é o ‘Centrão’, são todos traidores da pátria, ‘Centrão’ só tem ladrão!” É possível que tenham muitos ladrões ali, como certamente... Eu não vi nenhuma faixa, por exemplo, questionando o Queiroz, nem as milícias, nenhuma faixa que perguntasse, por exemplo: “Cadê o Queiroz? Onde o Queiroz foi parar? O que está acontecendo? Por que Queiroz e sua família desapareceram?”.
Eu não defendo aqui, não estou defendendo o Presidente Lula, acho que se tem culpa no cartório, tem que pagar, já disse isso várias vezes, não tenho bandido de estimação. Mas o Lula foi julgado em seis meses, em duas instâncias. Pois bem, o Queiroz está há cinco meses desaparecido, ninguém sabe onde foi, ninguém sabe o que fez, todo mundo sabe que é ligado às milícias, todo mundo sabe que existe uma possibilidade enorme de estar ligado às milícias que mataram a nossa companheira Marielle – e sobre isso nada se fala.
No fundo, o que está imobilizando este país, hoje, não é o “Centrão”, não é a esquerda. Aliás, a esquerda está até meio aparvalhada, eu pelo menos não tenho visto nenhuma manifestação mais contundente dos setores parlamentares da esquerda, muita gente já foi para as ruas no dia 15, e nós vamos para as ruas no dia 30 e vamos mostrar que este país está, no mínimo, bastante dividido.
Se fizer as contas, inclusive, nós vamos ver que no dia 15 colocamos muito mais gente nas ruas, em muito mais cidades do que se colocou agora, no dia 26. E no próximo dia 30, podem ter certeza, serão muito mais pessoas ainda! Eu, pelo menos, tenho feito a mobilização que posso fazer, da minha casa vão esposa, irmã, filho, todo mundo vai ter que ir, porque sabem o que está acontecendo, porque as pessoas têm esclarecimento e sabem o que é esta reforma da previdência. Esta reforma da previdência, quando a gente vê essa manifestação que aconteceu agora, lá, no dia 26, vemos ali setores que não dependem absolutamente de nada, em sua grande maioria. Claro, tem uma parcela lá que são aqueles que vão por conta do pastor, da orientação do pastor. Não estou falando de todos os pastores, mas aqueles mais radicais, aqueles mais conservadores, aqueles mais “direitistas”, aqueles mais vinculados aos setores mais atrasados do neopentecostais, enfim, mas o que a gente vê concretamente é que o cerne não é empurrar o país para o avanço, para a superação de sua crise, o cerne é de figuras antidemocráticas que não têm nenhum compromisso pelo país, muito menos com seu povo. São pessoas que querem empurrar reformas “goela abaixo” da nação, quando diz assim: “Um dos grandes economistas, o Paulo Guedes...”. Grande economista onde?! Em quê? Paulo Guedes é uma espécie de líder maior do neoliberalismo, que faz água pelo mundo inteiro. Vejam, agora, as eleições de ontem na Europa, onde os partidos mais à esquerda e os partidos mais à direita, normalmente partidos que defendem teses nacionalistas, venceram as eleições.
O próprio Trump, que utiliza o Brasil como se fosse um “quintalzinho”, que vai se aproveitar de nossas riquezas, de um presidente frágil, de um presidente que vai lá bater continência e ajoelhar a seus pés, Trump não dá nem bola para o Brasil. O que ele quer do Brasil são as nossas riquezas, é um país extremamente nacionalista. Como nesse confronto com a China, o que se vê é que o liberalismo acabou, o liberalismo não leva a lugar nenhum. Enquanto aqui o senhor Guedes defende o liberalismo, que, aliás, não é o liberalismo que o Bolsonaro defendia até há um ano, mudou, porque não entende nada de economia e se apegou a alguém que tem um discurso, que aparentemente é um discurso de salvação nacional. Vamos discutir, então, concretamente, a questão da reforma tributária. Eu já me dispus a fazer isso com o Vereador Leandro Lyra. Aliás, já o convidei para uma reunião fora daqui para discutirmos isso com várias pessoas que não têm informações muito claras sobre reforma da previdência. Para mostrarmos que essa é uma das reformas mais perversas contra a população.
Não há nenhum trabalhador que se beneficia com essa reforma, muito pelo contrário, o país não se beneficia com essa reforma. Basta percebermos o seguinte: na medida em que passamos do regime de partilha para o regime de capitalização, de imediato os recursos que entram para o caixa do Tesouro deixam de existir. Como isso fica em dois, três, quatro anos se nós não temos fluxo de caixa – que vem de patrões e empregados para os caixas do governo? Como ficarão as futuras aposentadorias pagas pelo governo? Ninguém explica isso. Esse tal de cálculo atuarial, que vai dar R$ 1,3 trilhão, onde está esse cálculo, onde isso ficou demonstrado?
Na verdade, o que vai acontecer, mais uma vez, como fizemos com a reforma trabalhista que dizia que ia melhorar a situação de empregabilidade no país, o desemprego aumentou, piorou. E foi essa mesma gente burra, porque esses camaradas que vão de verde e amarelo para a cidade são de uma burrice patológica! É uma classe média burra porque vai defender o que se volta contra ela – mais cedo ou mais tarde! São eles que vão às ruas defender reformas e as reformas estão piorando a situação da classe média. Porque cada vez é maior o desemprego. Se não tem emprego, não tem consumo. Se não tem consumo, não tem indústria para fabricar os produtos necessários ao comércio – e o comércio fechando, a informalidade crescendo a números que não se consegue atingir.
Alguém acha que a reforma da previdência, fazendo com que o patrão deixe de pagar sua cota à parte, o patrão vai pegar esse dinheiro da cota à parte que ele deixou de pagar e vai fazer investimento num país em que a taxa de lucro das empresas é muito menor do que a taxa paga pelo sistema financeiro? Quem não enxerga isso, ou não quer enxergar porque não tem competência para enxergar, não tem capacidade para enxergar, ou enxerga – que acho que é o caso do Vereador Leandro Lyra – mas tem seus interesses, porque representa aqui o setor financeiro, o setor bancário, que é quem vai continuar ganhando.
Nós vivemos em um estágio da sociedade mundial, não é nem apenas da sociedade brasileira, em que chegamos ao estágio do capital financeiro. Lucra o capital financeiro cada vez mais. Em 2015, por exemplo, quando o país afundou 4%, o lucro do setor financeiro foi de quase R$ 70 bilhões, enquanto mais de 120 mil empresas comerciais quebravam, mais de duas mil indústrias quebravam e indústrias se afastavam do país, o setor financeiro crescia. Essa reforma da previdência vai pelo mesmo caminho. E num primeiro momento, claro, se passar a reforma da previdência, o mercado faz esse jogo: aumentam os valores da Bolsa, dá sinais de recuperação e, mais adiante, o país se afunda cada vez mais.
Precisamos ter um projeto de desenvolvimento nacional, um projeto que nos faça entender para aonde vai a educação. Qual o projeto de educação apresentado por esse idiota chamado Weintraub, que só fala bobagem? Qual o projeto de saúde apresentado por esse cidadão que está lá, o Mandetta? Qual o projeto de segurança pública, de um país como o nosso, que leva em conta a realidade do nosso povo? Qual a proposta desse governo para acabar – acabar seria impossível – ou reduzir em taxas progressivas o índice de desemprego num país como o Brasil?
É falso, é mentira que essa reforma da previdência vai aumentar o número de empregos! Ao contrário, vai aumentar ainda mais a informalidade! Então, temos que ter coragem de
chegar aqui, discutir, ficar como eu fico e discutir, e debater. Chegar aqui, falar um monte de asneiras e ir embora é mole. Dizer que o povo foi às ruas? Que povo? Olha, tira fotografias. Eu tenho fotografias aqui. É raro você encontrar um negro ali. Quando encontra um negro, normalmente é de uma igreja dessas aí que nem sabe o que está fazendo ali. Aliás, eu vi um negro nas várias fotos, ele está de joelhos, como se estivesse de joelhos para essa elite que não quer outra coisa a não ser colocar aquele negro ali como escravo. Então, eu nem vinha falar sobre esse assunto hoje, mas vou voltar a falar sobre esse assunto e vou dizer mais.

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Para concluir, Vereador.

O SR. FERNANDO WILLIAM – Convoco, convido, incito todos os trabalhadores a fazerem um esforço imenso. Dia 30 temos que estar nas ruas e mostrar o seguinte: se essa classezinha média de porcaria achar que vai atropelar os interesses do povo, vai ter resistência, vai ter gente na rua resistindo da forma que for necessário resistir...

O SR. FERNANDO WILLIAM – ... resistindo da forma como for necessário resistir. Nós não vamos aceitar mais passivamente e como se fosse um vai que vai vai que vai.
Uma coisa que eu vi nessa manifestação...

A SRA. PRESIDENTE (TÂNIA BASTOS) – Queira concluir, Vereador.

O SR. FERNANDO WILLIAM – ... foi um monte de gente de preto marchando. O que essa gente de preto marchando acha que vai fazer? Eles são mais machos que os outros? Eles são o quê? O exército de salvação? O exército de reação? O exército do conservadorismo? Eles acham que vão nos intimidar? Vão intimidar em quê? Em que eles vão nos intimidar?
Aquilo ali, na cabeça deles tem cocô. E, desculpe o termo, mas, é porcaria que tem na cabeça deles. O cara que sai marchando de preto numa manifestação a favor do governo só pode ser um idiota. Então, estou dizendo que são um bando de idiotas. Nós vamos enfrentar a idiotice com a cultura, com a inteligência, com a resistência, com aquilo que for necessário para o país dar certo verdadeiramente.
Obrigado.