Comissão Permanente / Temporária
TIPO : AUDIÊNCIA PÚBLICA

Da COMISSÃO DE ASSUNTOS URBANOS

REALIZADA EM 06/12/2025


Íntegra Audiência Pública :

COMISSÃO PERMANENTE DE ASSUNTOS URBANOS


ÍNTEGRA DA ATA DA AUDIÊNCIA PÚBLICA REALIZADA EM 12 DE JUNHO DE 2025

(PLC nº 187/2024)

Presidência do Sr. Vereador Pedro Duarte.

Às 10h27, em segunda chamada, em ambiente híbrido, no Plenário Teotônio Villela, sob a Presidência do Sr. Vereador Pedro Duarte, Presidente, com a presença do Sr. Vereador Zico, Vice-Presidente e do Sr. Vereador Átila Nunes, Vogal, tem início a Audiência Pública da Comissão de Assuntos Urbanos com a finalidade de discutir o PLC nº 187/2024, que “DISPÕE SOBRE A AUTORIZAÇÃO PARA IMPLEMENTAÇÃO DE UNIDADE DE SAÚDE COM INTERNAÇÃO NOS LOTES QUE COMPREENDEM A EDIFICAÇÃO LOCALIZADA NA AVENIDA PASTEUR Nos 138 E 146, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS”.

O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Bom dia.
Nos termos do Precedente Regimental nº 43/2007, dou por aberta a Audiência Pública híbrida da Comissão Permanente de Assuntos Urbanos com a finalidade de discutir o Projeto de Lei Complementar nº 187/2024, que “DISPÕE SOBRE A AUTORIZAÇÃO PARA IMPLEMENTAÇÃO DE UNIDADE DE SAÚDE COM INTERNAÇÃO NOS LOTES QUE COMPREENDEM A EDIFICAÇÃO LOCALIZADA NA AVENIDA PASTEUR, Nos 138 E 146, E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS”.
A Comissão de Assuntos Urbanos está constituída pelos Senhores Vereadores: Pedro Duarte, Presidente; Zico, Vice-Presidente; e Átila Nunes, Vogal.
Já temos constatado o quórum para abertura da audiência, mas farei a chamada dos membros presentes.
Vereador Pedro Duarte, presente.
Vereador Zico, também presente.
Vereador Átila Nunes, também presente.
Constatado o quórum para dar início aos trabalhos, informo que a Mesa está assim constituída: Senhor Coordenador Especial da Subprefeitura da Zona Sul do Rio de Janeiro, Bernardo Murilo Graça Rubião; Senhor Assessor da Diretoria Técnica da CET-Rio, Ricardo Lemos; e Senhora Gestora do Departamento de Gestão de Riscos e Políticas de Compliance da Empresa Prevent Senior, Doutora Teresa Cristina Campos Mello.
Registro também as presenças dos Senhores André Moura, diretor técnico da CET-Rio; Senhor Laudimiro Cavalcante, diretor da Bolsa de Imóveis do Rio de Janeiro; Senhor Ricardo Lemos, assessor da CET-Rio; Senhor Marcos Marques, diretor regional da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Edifícios Hospitalares; Doutora Kátia Fugazza, coordenadora técnica científica da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Edifícios Hospitalares; Senhora Regina Chiarádia, presidente da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo; Senhor José Tadeu Lage, bibliotecário do Retiro dos Artistas; Senhor Johnata Gomes Matos, escrevente do 4º Registro Geral de Imóveis; Senhor Antônio Padran, diretor de Relações Institucionais; Senhor Wilson Sales, médico diretor do credenciamento da rede; Senhor Lucas Tavares, assessor de imprensa da Prevent Senior; Senhor Gilberto Menin, diretor jurídico da Prevent Senior; Senhor Robson de Souza, produtor cultural do Retiro dos Artistas; e o Senhor Walter Francesco, diretor institucional do Sindicato de Mercado de Capitais.
Vamos dar a início à nossa Audiência. Gostaria, desde já, de avisar a todos que podem se inscrever para fazer uma fala hoje. É uma Audiência Pública, é importante poder ouvir a opinião de todos.
Inicialmente, franqueio a palavra aos vereadores que compõem esta Comissão: Vereador Átila Nunes e Vereador Zico.


O SR. VEREADOR ÁTILA NUNES – Bom dia, Presidente. Bom dia a todos que estão hoje acompanhando e participando desta Audiência Pública. Queria sinalizar, mais uma vez, a importância do trabalho da Comissão de Assuntos Urbanos. Entendo que esse é um assunto que desperta polêmica, principalmente para os moradores da região, daí a importância de termos a oportunidade de ouvir a todos para que possam ser feitas a defesa e sinalizar as críticas necessárias. A partir daí, que a gente dê elementos, subsídios para a participação do Poder Legislativo nessa temática. Mais uma vez, parabéns, Presidente, pela iniciativa de convocar esta Audiência Pública.


O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Muito obrigado, Vereador Átila Nunes.
A Comissão de Assuntos Urbanos, o trabalho que nós temos feito por ela, eu, o senhor e também o Vereador Zico, é sempre priorizando as audiências públicas, as reuniões. Neste semestre, acho que já estamos chegando à casa das dez reuniões e audiências públicas pela Comissão, sempre franqueando a palavra a todos, e não será diferente hoje.
A palavra, por óbvio, segue aberta aos vereadores da Comissão que queiram fazer fala. Vou passar a palavra à Doutora Teresa Cristina Campos Mello, que representa o grupo Prevent Senior. E como o próprio projeto diz, enviado pelo Poder Executivo, de autorização da realização de operação de hospital no endereço da Avenida Pasteur, a própria justificativa diz, e também já é amplamente noticiado na imprensa, que seria uma operação da Prevent Senior. Por isso a convidamos, senhores, para que possam apresentar qual operação desejam realizar ali.
Passo a palavra à Senhora Teresa Cristina.


A SRA. TERESA CRISTINA CAMPOS MELLO – Senhor Presidente, senhores vereadores, senhoras e senhores, eu represento a Prevent Senior, que como muitos senhores já sabem, é uma operadora de saúde que teve início em São Paulo, 27 anos atrás, e desde o ano de 2000 está no Rio de Janeiro, onde nós contamos com 60 mil beneficiários, 60 mil clientes, que eu tenho certeza que anseiam para receber o mesmo tipo de serviço que a gente tem na cidade de São Paulo.


(Inicia-se a apresentação de slides)

A SRA. TERESA CRISTINA CAMPOS MELLO – A Prevent Senior basicamente é um plano que se dedica às pessoas mais velhas, muito embora a gente tenha na nossa carteira pessoas jovens. A média de idade da nossa população é 68 anos. Portanto, a gente ganhou certa expertise para desenvolver uma jornada de cuidados que funciona muito melhor quando a gente tem toda a rede de tratamento. Então, nós já temos no Rio de Janeiro, assim como temos em São Paulo, ambulatórios, consultórios, clínicas, tudo integrado – e nos falta o hospital. Em São Paulo, nós estamos com 19 hospitais. No Rio, a gente ainda se vale de serviços de terceiros.
No próximo dia 1º de julho, nós vamos inaugurar na General Polidoro, em Botafogo, uma unidade de pronto atendimento e uma série de outros serviços de alta complexidade, que seria a primeira presença mais forte da empresa nos cuidados das pessoas que confiam a nós a saúde. Essa unidade de Botafogo vai ficar a 1.800 m do prédio da IBM, que foi adquirido durante a pandemia, justamente pensando em fazer um hospital de alta complexidade que seria o suporte para essa unidade de pronto atendimento. É um modelo que nós já experimentamos em São Paulo e, depois, se os senhores nos permitirem, eu vou mostrar unidades que têm características semelhantes e que a gente gostaria de implantar no Rio de Janeiro.
Sabemos que existe a preocupação, realmente, de que não se cause um grande impacto ambiental, e isso é uma coisa que a gente também, em todas as regiões que atua, olha com muita atenção. Nesse prédio da IBM, o que se pretende, o que vai se mostrar, vai ser um hospital de portas fechadas, sem o pronto-atendimento. A capacidade que se estima é de cerca de 100 leitos, e isso envolveria cerca de 200 profissionais em turnos diferentes.
Então, isso me parece que seria o estabelecimento que vai proporcionar menor impacto no trânsito da região. Porque o prédio da IBM tem 18 mil metros. Se a gente pegar os números da ABNT, que seria uma pessoa a cada 7 metros, ele tem capacidade para atender 2.500 pessoas, fora a população flutuante de visitantes que vão frequentar o prédio.
Então, o hospital não vai causar um grande impacto, e acho que os senhores, toda essa área de urbanismo, de trânsito e tudo mais, podem entender melhor do que eu, que sou advogada, não sou especialista na área. Mas vejo que é, como nos outros, um estabelecimento de baixo impacto, porque um paciente fica de três a cinco dias internado. Depois que ele entra, ele não fica indo e vindo: ele fica lá dentro. Os profissionais que vão atendê-lo chegam de manhã, cumprem seu turno e depois vão embora. E a gente tem imaginado que seria um ganho para a cidade.
É claro que é uma geração de empregos diretos e indiretos. O hospital movimenta um mundo de coisas, movimenta empresas e seguranças, de suporte, de alimentação, de hotelaria. Então, é um ganho para a cidade em termos econômicos.
Poderia ser em outro lugar? Claro que poderia, mas ele está muito bem localizado. Acho que é um ganho para o bairro, é um ganho para a região, e a gente gostaria de ter a oportunidade de instalar naquela localidade esse hospital de portas fechadas. Seria a nossa primeira unidade hospitalar no Rio de Janeiro, até mais dedicada ao pessoal aqui da Zona Sul do Rio, que demanda por esses serviços.
Então, se os senhores nos permitem, a gente até esboçou uma apresentação, Senhor Presidente, daquilo que a gente estava entendendo que é o melhor para aquela região. Claro que ainda é esboço, vamos evoluir. Isso são os projetos que foram desenvolvidos até durante a pandemia.

(Inicia-se apresentação de slides)

A SRA. TERESA CRISTINA CAMPOS MELLO – E a gente chama de Mônaco porque as nossas unidades são temáticas, que é para não ficar aquela coisa triste de hospital. Então, temos Paris, temos Dubai. Em cada uma a gente tenta ambientar, fazer a decoração para levantar, deixar o ambiente mais alegre, menos pesado, vamos dizer.
Então, ali a localização onde ele está. Ali a quantidade de leitos que a gente pretende colocar. Ali tem 96. E inicialmente a gente imaginava que seriam necessárias mais enfermarias que apartamentos. Hoje a gente está vendo que há uma demanda maior por apartamentos. Então, tudo isso vai ser moldado. E aí vai diminuir um pouco o número de leitos, mas a ideia é esta: entre 90 leitos mais ou menos, tá?
Tem um hospital moderno, como todos os outros, com tomografia, ressonância, raios-X, tudo aquilo que um hospital precisa. Um hospital de 100 leitos. Não é aquele grande Miguel Couto em que entra e sai gente. Ele é um hospital menor, tá?
Os prédios que o senhor conhece, que os senhores conhecem. E ele, olha, a ideia que esboçaram é com base nas nossas unidades de São Paulo. É para dar uma ideia do que temos em São Paulo e que íamos implantar ali. São os nossos apartamentos. Mais um. Acho que pode passar. Isso é repetição do que a gente tem já em São Paulo.
Temos quartos confortáveis em todas as unidades com acompanhantes, até porque os nossos beneficiários têm direito a acompanhante, todos, né? Essa é uma unidade que estamos inaugurando agora na General Polidoro, no dia 1. Repito, todos os senhores são convidados, e vai ser uma honra recebê-los, e ali a gente vai ter o pronto atendimento. Também de temática bem leve.
E aí eu queria mostrar o que a gente tem de semelhante em São Paulo.
Olha, esse hospital fica no bairro da Saúde. É uma região basicamente residencial de casas. Ela está numa rua de maior fluxo, mas peço uma imagem aérea, Presidente. A próxima.
Veja, ela está numa área de residências, no bairro da Saúde, e ela não impacta, porque ela também é porta fechada, ela não tem o pronto-socorro. Então, o impacto é mínimo. A pessoa entra, fica de três a cinco dias e vai embora.
É, olha, na imagem aérea desse hospital, ele está ali sem incomodar ninguém. É por dentro, são umas fotos que a gente trouxe. Esse aqui que a gente chama Rússia, ele fica na Avenida Francisco Morato, em São Paulo, que é uma avenida de grande fluxo de trânsito, mas atrás dele nós temos uma zona estritamente residencial, que é o Jardim Guedala, um bairro de classe média alta.
Vejam, aquelas casas de trás são todas grandes casas, com toda estrutura. Ele não afeta porque ele não tem a porta aberta. Aqui imagens do Rússia por dentro. Esse está em Pinheiros, também nas mesmas condições, uma rua de maior tráfico, mais circundada de residências. Então, a gente tem essa experiência, acho que só tem mais um, Presidente.
Essa aqui é a unidade Londres, de Pinheiros. E esse está na Marginal Pinheiros. Veja a importância de a gente não causar transtorno. É uma rua de alto fluxo, mas aos fundos também é tudo residência. É um bairro também de classe média alta, também temático. Ele tem as poltronas que lembram e remetem a Dubai. Então, nós trouxemos essas, esses slides para mostrar aos senhores essa experiência que a gente adquiriu no curso dos anos de ter atividades em locais bem localizados, em locais de fácil acesso, em locais centrais.
E a nossa presença, com toda modéstia, não tem trazido transtorno ao bairro. Ao contrário, aumenta a segurança porque temos as seguranças próprias para os beneficiários. Também gera riqueza, dali a pouco vai aparecer uma nova farmácia e vai também arrecadar mais impostos. E, especialmente, ela é perto para o beneficiário. Não é possível a gente deixar de pensar nas particularidades das pessoas que têm mais de 60 anos. Elas precisam estar em um local de fácil acesso. O acompanhante de um idoso, normalmente é um idoso também, é o cônjuge, é a filha que está mais velha. Então, ela vai pegar um Uber, vai descer, vai passar a noite lá e vai no dia seguinte. Todos nós, acho, conhecemos esse fluxo.
Sem dúvida alguma, para um prédio de 20.000 m², como é o IBM, talvez o hospital seja a atividade menos impactante, porque a pessoa entra e fica. Ao contrário de você ter um escritório que as pessoas entram, saem, circulam.
Por isso a gente espera realmente que a Câmara nos permita desenvolver e aprovar. Assim, a gente poder desenvolver este empreendimento no bairro. Eu acho que vai trazer ganho para o bairro.
A gente desenvolve, e os beneficiários que nos conhecem sabem disso, uma série de atividades, de socialização, de deixar as pessoas mais próximas. Isso para o nosso público. Temos em São Paulo, já temos aqui no Rio também, os beneficiários. Se houver alguém aqui que conhece os projetos Coração Valente. “Coração”, a gente fala no sentido de atividades físicas que melhoram a parte cardiovascular. Aqui, a gente faz em praças, é aberto aos beneficiários, aos amigos do beneficiário, ao público em geral. Em São Paulo, a gente faz no Parque do Ibirapuera, nos outros parques da cidade. É um trabalho coordenado por médicos, fisioterapeutas que vem dando muito certo.
Então a Prevent sempre procura agregar na comunidade que ela está inserida. Nós, quem sabe por sermos a única operadora dedicada especialmente e pioneira nisso, agora estão surgindo outros, mas a gente já tem 27 anos de janela dedicados às pessoas mais velhas. Somos também a única que trabalha com planos individuais, e isso também faz uma grande diferença. O beneficiário chega e vai ficar conosco muitos anos, não é um plano coletivo, é um plano individual. Então, o regramento não permite que ele tenha grandes mudanças no orçamento.
A gente gostaria muito de poder proporcionar isso. A gente entende perfeitamente a preocupação, muito justa, de todos os moradores quando há estabelecimento novo na região. De tudo que a gente viu, estudou e trouxe, parece que o impacto de um hospital de portas fechadas, dedicado a um público como o nosso, talvez seja um empreendimento de menor impacto na região.
É isto que a gente pede: que os senhores pensem com carinho, para que a gente possa, ou não, isso depende dos senhores – quem sabe não seja a gente, seja o mais chato que vai lotar aquele prédio –, usar aquele edifício em um atendimento, em um hospital de alta complexidade, porta fechada, para atendimento dos nossos beneficiários.
É isso, muito obrigada. Se os senhores precisarem de mais esclarecimentos...

O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Muito obrigado, Doutora Teresa, pela fala e pela apresentação.
Gostaria agora de convidar o Senhor Bernardo Rubião, subprefeito da Zona Sul, para poder fazer também uma fala em nome do Executivo, lembrando que o projeto é de autoria do Poder Executivo, encaminhado a esta Casa. Por isso também lhe franqueio a palavra, dando-lhe mais uma vez as boas-vindas.

O SR. BERNARDO MURILO GRAÇA RUBIÃO – Obrigado, Senhor Presidente.
Cumprimento o Senhor Presidente, Vereador Pedro Duarte, Senhor Vereador Zico, Senhor Vereador Átila Nunes, o colega de Prefeitura Ricardo, Teresa. E em nome da nossa da nossa Presidente da Associação de Moradores de Botafogo, Regina, cumprimento os demais moradores que estão aqui presentes.
Vereador, Senhor Presidente, faço aqui uma breve reflexão sobre como que tomamos decisões. E muito na administração pública, na vida pública, a gente precisa fazer diversas ponderações e entender o que vai agregar mais à cidade. A gente acaba olhando a cidade não apenas com a lupa de um ponto específico, mas como um todo, para ver como que a gente consegue contribuir para o desenvolvimento desta cidade.
E encontrar uma situação dessas, de um hospital que vai fazer internação, num contexto em que vemos aberturas sucessivas de tantas farmácias, que viram até matéria de jornal, é uma consequência complementar natural de um envelhecimento da população que a gente tem hoje. E é lógico que essa é uma situação que a gente acaba enfrentando.
A gente não pode esquecer que a criação e a abertura de um hospital são diretamente ligadas ao reconhecimento e ao prestígio do direito a saúde, que é garantido pela Constituição Federal. A gente não pode esquecer, e a gente também precisa trazer isso como uma ponderação, que o histórico desse local era a IBM. Então, já existia uma prestação de serviço no local, já existia todo o impacto de uma grande empresa, que, nos anos 90 e 2000, já foi inclusive uma das maiores do planeta.
A gente precisa também reconhecer que esse local em específico tem uma capacidade muito grande de transporte público. Então, a gente observa que tem o metrô de Botafogo próximo, a gente tem uma proximidade de diversos pontos de ônibus nesse local. Então, a gente vai trazendo tantas ponderações no sentido de que seria, sim, um ponto positivo para a cidade, seria um local adequado, não é?
E aí se soma ao fato este esclarecimento que deve ser feito e também trazido à população – e esse é um momento muito adequado para isso – de que só haveria internações. Então, não é aquele vai e vem constante de um pronto atendimento, de um pronto-socorro, a que a todo o momento chegam táxis, Uber, para tumultuar esse local, assoberbar o trânsito da região.
E a gente também precisa lembrar o impacto econômico do local, porque quem passa ali, próximo à região da Avenida Pasteur, vê tantos empreendimentos que eram vinculados, que dependiam ali da IBM, e hoje são lojas abandonadas. E as mesmas pessoas que hoje reclamam que não há vida naquele local, que existem pessoas em situação de rua que acabam assoberbando aquele local, prejudicando o espaço, desvalorizando a região, são as pessoas que criticam quando se tem um movimento no sentido do desenvolvimento daquela região.
Então, o impacto econômico não se resumirá a tão somente empregar médicos, enfermeiros que lá estarão, mas também teremos as padarias, que serão abertas próximas, os restaurantes que serão abertos nas proximidades da região e trarão vida a esse local.
Vivemos na Cidade do Rio de Janeiro, vivemos numa cidade grande, precisamos ter orgulho de falar isso.
Esse local é, portanto, adequado. Esse é um local que será muito beneficiado, a região será muito beneficiada, os empregos serão gerados e a população idosa será prestigiada com esse local. Ela será prestigiada porque serão leitos próximos às suas residências.
Tenho uma avó com 85 anos e sei da dificuldade que é ter que tirar uma senhora que mora no Flamengo para a Gávea. Se tivesse um local mais próximo para ela ser eventualmente atendida, internada... É um bom exemplo de como tantas pessoas que hoje têm plano de saúde, que vivem em Copacabana, sabendo da realidade da Zona Sul, de Copacabana, Ipanema, Leblon, Gávea, Jardim Botânico, Botafogo, vivem hoje. Nós sabemos que existe uma demanda crescente pelos planos de saúde. E sabemos também das reclamações que existem quando há, por exemplo, um descredenciamento de rede, o impacto que é, a dor que é, o barulho que é feito, inclusive nesta Casa – com razão – de um descredenciamento de rede, de uma Rede D’Or que é descredenciada de um plano XPTO.
Então, o oferecimento será evidentemente proveitoso para a população mais idosa que depende dessa internação mais próxima. A economia local será beneficiada e, certamente, haverá um enriquecimento da população carioca. Por tais razões, Senhor Presidente, eu entendo, voltando aqui à minha fala inicial de ponderações, fazendo todas as ponderações sobre o tema, eu entendo que a solução adequada seria a aprovação. Peço a esta nobre Casa que aprove esse projeto de lei, garantindo à população carioca mais um ponto de assistência à saúde.
Muito obrigado.


O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Muito obrigado pelas contribuições, Bernardo Rubião, subprefeito da Zona Sul.
Eu também vou fazer agora as minhas contribuições e, depois, passar a palavra para os inscritos. Desde já, registro a presença do Vereador Dr. Rogério Amorim, que também pediu para fazer uma fala e um questionamento. Vou iniciar depois as falas da Tribuna com o Vereador Dr. Rogério Amorim, e, na sequência, a Senhora Regina Lucia Farias Chiaradia, que é a presidente da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo.
Fazendo a minha fala enquanto Presidente da Comissão de Assuntos Urbanos. Vejo aqui muito acordo com o que foi dito tanto pela Senhora doutora Teresa Cristina quanto pelo Bernardo Rubião. Na verdade, nos últimos anos, eu participei de uma discussão no Plano Diretor de um artigo que, em minha opinião, era muito prejudicial à cidade, e até como morador de Botafogo que sou – moro, resido em Botafogo –, que era essa proibição na região de novos hospitais.
Eu acredito e defendo o modelo de cidade que as pessoas morem perto idealmente do seu trabalho, morem perto dos serviços que elas querem ter acesso, seja uma padaria, porque gostamos de poder caminhar até uma padaria perto de casa, seja no momento que nós precisamos ter acesso a hospital. Torcemos para que não seja necessário, mas sabemos que é a trajetória natural da vida que muitas vezes vamos precisar. E quanto mais perto aquele hospital estiver da nossa casa, tem maior chance de sermos atendidos mais rápidos, voltarmos o quanto antes para casa. Então, eu torço e procuro na hora de escolher onde vou morar se existem hospitais próximos, se existem escolas próximas, se existem estrutura de comércio e de serviços para que a vida seja mais confortável.
Quando nós temos legislações que pegam bairro, um bairro ou bairros inteiros, e buscam proibir qualquer tipo de atividade, eu considero prejudicial. A legislação, em minha opinião, deve, claro, entender: "Ah, essa rua é pequena, essa rua é estreita”. Então, a CET-Rio vai fazer uma análise que aqui não comporta um prédio, que aqui não comporta uma grande empresa, que aqui não comporta um grande estabelecimento, independentemente da atividade que ele tenha. Mas a gente escolher uma atividade e colocar uma restrição, acredito que a gente prejudique o bom desenvolvimento da cidade.
Nesse caso específico, quando a gente fala da IBM, nós não estaríamos votando aqui... Na verdade, hoje em Audiência Pública, mas no futuro ainda voto o projeto. A discussão não é autorizar a construção de um prédio no qual existirá um hospital, a discussão que temos é que já existem dois prédios construídos, existentes, nos quais já funcionaram empresas no passado, movimentando centenas de funcionários, e que, se não for um hospital, por exemplo, poderia ali se alocar uma empresa, colocando 100, 200, 300, 400 ou mais funcionários indo e voltando.
Então, o prédio já existe, ele é um fato consumado. E, como cidade, o que sempre trabalho como vereador é para que os prédios estejam ocupados ou por pessoas morando ou por pessoas empreendendo. Um prédio sem uso é um desserviço à nossa sociedade. A gente colocou ali concreto, colocamos ali recursos naturais, aquele prédio existe e, por isso, precisa ser ocupado.
Então, eu gostaria, desde já, de sinalizar o meu posicionamento favorável ao projeto. Idealmente, em minha opinião, na verdade, a gente não tivesse essa proibição. Ao invés de aprovarmos exceções, manter a proibição, na verdade, apenas prejudicaria ainda mais a nossa cidade. Inclusive, recebi muitas mensagens de pessoas que estão no plano, estão torcendo para que esse hospital venha a existir, exatamente para que possam ter acesso a esse serviço que tanto desejam, tanto precisam.
Então, imagino que tenhamos alguns aqui presentes, desde já cumprimentando aqueles que estão na torcida pela autorização. E no que eu puder, enquanto vereador, sempre, claro, entendendo os limites de qualquer empreendimento, mas votando a favor de a gente tirar uma proibição tão genérica e prejudicial à nossa cidade, em minha opinião, e, claro, sempre cabendo o bom debate aqui na Câmara Municipal.
Então, com isso, faço a minha fala e começo as falas da Tribuna convidando o Vereador Dr. Rogério Amorim, que é médico também, para fazer a sua fala. E já sinalizando que, na sequência, a próxima fala da Tribuna será da Senhora Regina Chiaradia, presidente da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo.

O SR. VEREADOR DR. ROGERIO AMORIM – Obrigado, Senhor Presidente. Parabéns pela condução da audiência e da comissão como um todo, sempre de maneira brilhante, muito técnica.
Presidente, temos muitos pontos em comum: o enxugamento do Estado, uma diminuição da máquina burocrática – temos isso muito em comum –, o desejo, o anseio de ver as atividades econômicas cada vez mais fortes e solidificadas na nossa Cidade do Rio de Janeiro, livre das burocracias. Temos muito isso em comum.
Concordo com Vossa Excelência quando, muitas vezes, se proíbem certas coisas, como hospital em todas as regiões ali do Plano Diretor da Zona Sul, em Botafogo, por exemplo. Compreendo bem isso, e acho que isso deveria ser mais bem debatido.
Só vou colocar algumas observações em relação a isso. Primeiro, que concordo com Vossa Excelência, ali poderiam ter 400 pessoas trabalhando num prédio comercial, mas falo com certo conhecimento de causa que é diferente um prédio comercial de pessoas que chegam e saem para trabalhar em escritórios do que um hospital. O impacto é muito maior.
Normalmente, ali é, mais ou menos, parecido com escola. Não é um local aonde as pessoas chegam de metrô, vão embora e não ficam paradas na porta. O hospital, as pessoas ficam. Têm que desembarcar pessoas doentes, têm que desembarcar pessoas com dificuldade. Então, não é um deslocamento rápido como um escritório. A mesma coisa a escola: ninguém vai deixar o seu filho de dois anos – eu não deixava – na esquina e ele vai andando sozinho. Esse é um impacto viário muito maior do que um prédio comercial.
E aqui vou colocar como dúvidas, realmente, os meus posicionamentos e gostaria até que fossem sanadas. Aquele prédio já foi comprado por uma operadora de saúde, uma operadora específica de saúde, que comprou um prédio sabendo, a priori, que ali não poderia ser um hospital. Então, acreditamos que tenha comprado por um preço mais barato, por condições facilitadas, já que sabia que ali não poderia ser um hospital. Já comprou contando com a mudança do Plano Diretor da cidade que tinha sido votado e proibido? E por que para essa operadora específica, e não se abre uma concorrência ampla para diversas operadoras, já que não é público?
Respeito todos os senhores que estão aqui sentados, mas existem muitos outros planos de perfil popular também que talvez tivessem uma concorrência trazendo mais recurso para a Prefeitura do Rio de Janeiro, para a Cidade do Rio de Janeiro.
Aquelas regiões ali de Botafogo, durante muitos e muitos anos, foram cobiçadas por várias operadoras, inclusive que compraram investimentos, venderam empreendimentos na esperança de se construir hospitais naquela região, mas que nunca foram permitidos. Agora, meio que mudando uma lei aprovada nesta Casa ano passado, depois de ampla discussão em que foi mantida a proibição ali, esse assunto retorna para um agente específico – especificamente falando, para uma empresa.
Eu não estou levantando nenhuma suspeita, não, Presidente, estou falando de maneira muito republicana, querendo entender o motivo. É óbvio que eu entendo bem do assunto e sei que o SUS não sobrevive sem os planos de saúde, e os planos de saúde não sobrevivem sem o SUS, é uma simbiose, porque uma vez que acabe o SUS, uma vez que acabem as empresas, as operadoras, o SUS não sustenta esse mercado. Ao mesmo tempo, se o SUS acaba, as próprias operadoras vão se ver também desguarnecidas da sua retaguarda e, consequentemente, os preços terão que subir. Aquele padrão de mercado que eles costumavam ter, senhores, não conseguirão mais. Há uma simbiose!
O meu respeito é pleno. O que eu fico com dúvida é realmente isso. O que motiva a cidade, depois de já votar um plano diretor, votar novamente isso para uma empresa específica. Eu me sinto desconfortável de mudar uma lei como o Plano Diretor , “votada há um mês” – estou exagerando, mas é recente –, para uma empresa específica. Nós estamos mudando uma lei para uma empresa específica. Eu sei que o senhor coloca bem que ali não é para uma empresa específica, amanhã pode ser outra, mas o que está motivando é uma empresa específica. Já há cartazes na porta do prédio: “Em breve um hospital da operadora tal”. Soa-me muito esquisito isto: comprar um empreendimento, colocar cartaz, começar um sistema, fazer um planejamento com algo que hoje é proibido. É a mesma coisa que eu comprar um terreno na Urca e falar que, em breve, o próximo cassino será ali. É proibido!
Nós vamos trabalhar em cima do lobby? Eu acho que precisa de um pouco mais de clareza e transparência. Como médico, quero mais é que tenham hospitais, eu quero mais é que tenham pessoas credenciadas a planos de saúde. Agora, como vereador, eu tenho que ter a responsabilidade de saber o que estou votando. Isso me soa um pouco, não é esquisita a palavra, é confuso, uma confusão minha. Por isso, acho que é um momento ideal para a gente tirar essa dúvida sobre o porquê ser tão específico. Por que se comprou um local onde é proibido hospital, já se pensando na mudança da lei?
Por fim, de verdade, para terminar aqui, eu ainda não vi muitos moradores da região, eles precisam ser ouvidos. Desculpe-me, mas vocês estão falando como clientes da Prevent, não como moradores da região. Eu queria ouvir do morador beneficiário da Prevent qual a opinião deles também sobre isso antes de fechar a questão sobre esse voto.
Obrigado, Presidente.


O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Vereador Dr. Rogério Amorim, muito obrigado pela fala. O senhor é sempre atuante, sempre presente. Temos sempre um ótimo diálogo aqui em Plenário. O senhor fez questionamentos que merecem ser respondidos, então eu vou passar a palavra à Mesa.
Pontuo que a fala sequencial da Tribuna é exatamente da presidente da Associação de Moradores de Botafogo. Vou passar a palavra à Senhora Teresa Cristina.


A SRA. TERESA CRISTINA CAMPOS MELLO – Obrigado, Senhor Presidente, pela oportunidade de dirimir as questões que o vereador suscitou, que são extremamente relevantes.
Em primeiro lugar, esse imóvel foi alugado, não comprado. Não há uma especulação imobiliária, porque a Prevent Sênior tem imóveis próprios, mas uma grande parte dos imóveis da sua rede está em imóveis alugados e que a gente transforma para a nossa atividade.
Em 2021, quando foi alugado, sequer sabíamos de todos os impasses que agora a gente vem sabendo, qual seja, sobre as dificuldades de instalações de estabelecimentos hospitalares no Rio de Janeiro. A gente reconhece que o nosso conhecimento era em São Paulo, que é uma coisa diferente, os hospitais estão por toda a parte. Quando chegamos, ficamos surpreendidos com essa dificuldade. Mas, em primeiro momento, não se cogitou um hospital lá. Nós cogitamos fazer lá e nós temos um projeto que, inclusive, já foi aprovado. Temos um alvará desde aquela é
poca para instalação de diagnósticos, consultórios, um grande centro médico que na verdade promoveria um movimento na região muito maior. Isso era permitido. Aliás, não havia proibição, porque o Plano Diretor é posterior.
Estamos abraçados nesses hospitais desde 2021. E aí é que estamos tentando otimizar o uso desse prédio de uma forma que também não cause tanto impacto. O senhor é médico e bem sabe que o movimento de um hospital de porta fechada é muito menor do que um ambulatório, do que um serviço de diagnóstico que o zoneamento permite. Então, queremos fazer o mais simples. E por que isso? Porque nos surgiu a oportunidade do prédio da General Polidoro, que ficou um belo pronto atendimento, uma região muito mais fácil porque está colada no metrô. Só não podemos internar lá. Eles terão que ir dormir em algum lugar quando precisarem ficar mais do que as 12 horas. É a finalidade desse hospital. Tem pessoas na porta que descem para fumar, para respirar nos hospitais? Claro que tem, mas um hospital que deve ter 90 leitos e ali estamos pensando em 15 leitos de UTI também não vai pôr uma multidão na porta, Vereador, com todo o respeito. É uma coisa bem pequena.
Não se pensava realmente no hospital no primeiro momento. Pensava-se em um grande, chamamos de núcleo, com consultórios, com exames, com diagnósticos, com pequenos procedimentos, mas o núcleo, primeiro o Polidoro já cumpriu essa finalidade; e, segundo, que é importante relevar, que acho que é esse o objeto aqui do encontro, é que o núcleo vai produzir mais movimento. Eu me permito até corrigir. O prédio tem 18 metros. Se a gente pegar a ABNT, sete pessoas por metro, eventualmente você vai ter 2.500 pessoas circulando por lá. O hospital não vai ter isso.
Então, num hospital de porta fechada não há especulação imobiliária, até porque o prédio não é nosso. E nunca sei se um imóvel que se transforma em hospital se valoriza ou se desvaloriza para o proprietário, é uma dúvida interna que vou ter. E se outras operadoras têm problemas aqui com o zoneamento, isso para nós até então era desconhecido, porque a Prevent está num nicho muito próprio. A gente não está nesse mercado de plano de saúde na convivência cotidiana.
Chegamos, começamos a comercializar planos com rede credenciada, que não se mostrou eficiente para o nosso modelo. A gente fala em jornada de paciente. E aí foi a ideia de transformar a IBM, que seria um grande núcleo, no primeiro hospital próprio da Prevent Senior. É por isso que viemos à Casa para pedir autorização, para pedir excepcionalidade. O zoneamento foi posterior, mas atingiu a nossa ideia.
Então, a gente vem pedir a vocês, que representam a Casa Legislativa, que avaliem isso, o impacto e tudo mais, os técnicos podem dizer melhor que nós. Mas olha, pode ficar tranquilo que, no que tange à Prevent Senior, não há nenhuma intenção de especulação, porque o prédio também não é nosso. Nós pagamos por ele, mas como locatário.
É isso.
(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Muito obrigado, Doutora Teresa, pelas explicações.
A palavra por óbvio está sempre aberta também ao vereador.
Gostaria de convidar para a segunda fala da Tribuna da Senhora Regina Lúcia Farias de Abreu Chiaradia, presidente da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo.
Temos mais cinco inscritos. Vamos tentar manter a fala por volta de cinco, seis minutos.

A SRA. REGINA LÚCIA FARIAS DE ABREU CHIARADIA – Bom dia a todos.
Obrigada, Vereador, pelo convite.
Parabenizo pela audiência. O Vereador Dr. Rogério Amorim já tinha colocado algumas questões que eu ia colocar, mas quero pontuar.
Represento a população de Botafogo, e que fique bem claro e registrado que ninguém é contra o hospital. Ninguém nunca foi contra o hospital. E quero esclarecer à Dona Teresa Cristina, a legislação de proibição de hospital é de 1983. Muito mais anos do que a senhora sabe.
E por quê, gente? Por que Botafogo teve uma proibição de hospitais e de escolas? Simplesmente por uma questão de planejamento urbano. Se você concentra muitas unidades da mesma coisa no mesmo bairro, você acaba colapsando as ruas daquele bairro. Então, Botafogo tem mais de 100 escolas. Então, em 80, a gente dizia: "Gente, se a gente continuar colocando hospital nesse bairro, no final ninguém vai andar". Não é uma questão de ser contra a escola, ninguém é contra a escola.
O relatório de impacto de vizinhança e o estudo de impacto de vizinhança deixam claro: existem atividades que são muito geradoras de polos de trânsito. Se você as concentra no mesmo lugar, você acaba criando um problema. Quem mora em Botafogo sabe, Botafogo é outro bairro nas férias. Todo mundo circula. Na hora do almoço ninguém circula. Na hora de entrada e saída de qualquer escola, senhores, ninguém circula. Isso é claro, todo mundo sabe disso.
Então, a questão é: ninguém é contra o hospital da Prevent Senior ou de qualquer outra operadora, mas esta Casa, os legisladores aqui têm que se ater ao que diz a legislação. Por que se escolheu proibir escola e hospitais nesse bairro? Ninguém proibiu no bairro ao lado, no Flamengo, Copacabana, Centro, Gávea. Por quê? Porque Botafogo tem oito hospitais. Em alguns outros bairros não tem nenhum. Então, o que a boa legislação de planejamento urbano diz? Você deve espraiar a malha para outros bairros. Se você concentra tudo em um só, um dia ninguém naquele bairro vai andar.
Desde 83 está proibido, que é o PEU de Botafogo. Que, no Plano Diretor recentemente votado, na audiência que eu tive com o próprio prefeito, a gente colocou isso para ele. “Prefeito, a gente não pode abrir mão de algumas proibições no bairro, sob o risco de colapsar a circulação”. Isso não é história. Isso é verídico de quem mora lá.
Ninguém é contra que o hospital fosse colocado no Flamengo, Laranjeiras. Não tem proibição. Agora, o prédio no prédio da IBM: “Ah, o prédio da IBM já trazia...”. Trazia, sim, certo impacto. Só que, em um prédio de escritório, entra todo mundo no mesmo horário e sai todo mundo no mesmo horário. Então, todo mundo tem um impacto, e já era considerável. Quem passa na Pasteur, como eu, todo dia, sabe o nó que é atravessar a Avenida Pasteur. Então, você tinha na entrada e saída da IBM um nó. Mas não era o dia todo, porque todo mundo entra em um horário, todo mundo sai no mesmo horário, como nas escolas. Mas na entrada de uma escola britânica, ninguém atravessa a Real Grandeza. Na hora da escola Santo Inácio, ninguém consegue atravessar a São Clemente com a Corcovado, Santo Inácio.
Gente, isso é só matemática, ninguém é contra ninguém. O que a gente sempre disse: os Vereadores acabaram de votar o Plano Diretor e, por recomendação técnica – viu, Bernardo Rubião, foi por uma questão técnica? –, mantiveram-se essas proibições. Não foi por uma questão de que eu não gosto desse, eu não gosto daquele, até porque todo mundo vai ao hospital, inclusive eu. Todo mundo vai à escola, inclusive meus filhos. Por uma questão apenas de técnica, pela questão da alta necessidade de não concentrar mais nada em um bairro que já está saturado. Botafogo é considerado saturado desde 1983. E mais de 22 anos depois todo mundo acha que pode começar. Aí já se colocou escola excepcional, que também estamos questionando na Justiça. Aí já se coloca mais hospital. Então, gente, para que planejamento? Para que planejamento, se acho que estou acima da lei?
(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Muito obrigado pela fala, Senhora Regina Chiaradia.
Eu gostaria, em função dos questionamentos relacionados a trânsito, até poder passar a palavra ao Senhor Ricardo, que é da nossa Companhia de Trânsito do Rio de Janeiro, a CET-Rio, para poder fazer considerações a respeito.

O SR. RICARDO LEMOS – A CET-Rio tem participado das análises dos impactos no trânsito decorrente de diversos tipos de empreendimento. Então, hoje, a Prefeitura está no processo de licenciamento do prédio do hospital, e a CET-Rio vem participando dessas análises. E, no caso específico do hospital da Prevent Senior, uma informação importante é que o hospital não vai contar com pronto atendimento, vai contar só com internações.
Essa especificidade é importante porque – aí vou discordar um pouquinho da Regina – a concentração nos horários de entrada e saída é muito mais prejudicial do que as chegadas ao longo do tempo. Então, uma escola dá muito mais impacto, porque os horários de entrada e saída são concentrados, do que num hospital só com internação. Então, essa particularidade talvez leve a que o hospital – a gente está fazendo as análises ainda – tenha menos impacto até do que a IBM, que tinha aqueles ônibus que, não sei se vocês se lembram, nos horários... Moro em Botafogo, então conheço também, sempre passei ali pela Pasteur. Então, nos horários de entrada e saída de funcionários, tinha os ônibus que ficavam concentrados na porta da IBM para levar os funcionários, talvez para o metrô, entendeu? Então, já tinha um movimento concentrado de entrada e saída.
Então, para mim, a gente vai fazer as análises. É importante, tem a questão de lixo hospitalar. Temos diversos outros aspectos que são levados em consideração na nossa análise, mas a gente vê, sempre viu com bons olhos o fato de a unidade ali da Pasteur não ter pronto atendimento. Diferentemente... a gente até, quando a Senhora Teresa falou da possibilidade de fazer consultórios com diagnóstico, eu sempre... Já comentei, por exemplo, aquele prédio 190, na Rua Voluntários da Pátria, dá muito mais impacto no trânsito do que a Clínica São José, por exemplo. Porque é um entra e sai, uma parada na porta ali que dá muito mais impacto, exatamente porque não é um pronto atendimento, são consultórios.
Então, a gente vai fazer as análises, a gente vai indicar uma série de medidas para que o impacto, caso esse empreendimento venha à frente, seja minimizado, e a gente está nesse processo neste momento.
(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Muito obrigado também ao Senhor Ricardo Lemos pelas contribuições em nome do nosso órgão de tráfego.
Gostaria agora de convidar a fazer uso da tribuna o Senhor Mauro Luiz Salinas, integrante do movimento O Rio Não Está à Venda e, na sequência, para já ficar preparada para a fala, a Senhora Doutora Katia Macedo Fugazza.

O SR. MAURO LUIZ SALINAS – Bom dia a todos. Mauro, movimento O Rio Não Está Venda e FAM-Rio.
É óbvio, evidentemente, que ninguém aqui é contra o hospital. A Regina, presidente da Associação de Moradores de Botafogo, já esgotou o tema. Mas eu queria complementar o seguinte.
Outro aspecto muito grave que está acontecendo, que é a questão da legislação sendo mudada ao sabor de cada interesse e de cada grupo. A legislação urbana da cidade está sob ataque constante de forma generalizada. O Plano Diretor, recentemente aprovado nesta Casa, está sendo rasgado, isso é um fato. Exemplo recente disso é a aprovação da Mais Valia e da Mais Valerá, que está atravessando todos os parâmetros constantes do Plano Diretor, com prédios e usos estourando todos os parâmetros. A questão não é o hospital, a questão é o fato do Plano Diretor estar sendo constantemente rasgado e a cidade está sendo ordenada por retalhos. Isso está causando uma desestruturação urbana completa e ilegal da cidade.
Muito obrigado. Bom dia.

O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Bom dia, Senhor Mauro Salinas, sempre presente nas audiências e reuniões da discussão do planejamento urbano da cidade desde o início do Plano Diretor. Muito obrigado também pelas contribuições.
Gostaria agora de convidar a doutora Kátia Macedo Fugazza, arquiteta de saúde. E, na sequência, o senhor Laudemiro

A SRA. KATIA MACEDO FUGAZZA – Oi, gente! Eu acho que posso falar com um pouquinho de conhecimento, já que, desde os meus sete anos de idade, eu faço o caminho General Severiano – Colégio Imperial, na Rua da Passagem. Eu estudei lá até os meus 18 anos, formei-me no segundo grau, nadei no Guanabara, no Botafogo e no Morisco. Sou arquiteta. Há 15 anos, eu trabalho e estudo hospitais. Acho incrível aquele prédio da IBM ser realmente transformado em um hospital. É, sim, a IBM tinha muito impacto. Quando tinha teste de emergência de incêndio ali, a nossa minicidade parava – a gente se considerava um núcleo, farmácia, Cine Veneza, eu sou da época do Cine Veneza. Realmente, tinha uma grande população, uma grande vida, mas com muito poucos ônibus, o 107, o 512 demora horrores. Na roda-passagem ali, para você atravessar e subir aquela ladeira, é muito ruim para os velhinhos. Minha avó foi atendida na Policlínica de Botafogo, eu também, isso há muitos anos. Ali também é muito ruim de estacionar. Acho que a CET-Rio precisa pensar melhor o impacto dali, porque a Policlínica só tem um estacionamento pequenininho de entrada e saída. Ninguém vai sair do 512, ali da General Severiano, daquele ponto que já há muitos assaltos, para andar ali – porque eu corria ali de manhã.
Sou arquiteta especialista em saúde, doutora pela UFRJ, e fui sete anos diretora da Associação Brasileira para Desenvolvimento de Edifícios Hospitalar. Sim, é um edifício de internação e há muito menos impacto do que um pronto-atendimento, do que um diagnóstico. Mas a gente também tem que pensar nos acompanhantes. Então, de novo, a CET-Rio precisa pensar nisso.
Eu só não entendo, e vou concordar com o médico, também com a presidente da Associação de Moradores, sobre o porquê não poder ter mais leitos em alguns outros lugares. Eu tenho um cliente que é o Hospital São Zacarias, que muitos conhecem por pediatria, ele fica em frente ao Rio Sul, que também não consegue aumentar mais leitos. Por que esse em específico conseguiria? Isso também é uma coisa que eu gostaria de levantar. Será que não precisaria ser repensado Botafogo como um todo? Será que a gente não podia abrir exceção em alguns lugares, ou não? Por que uns sim, outros não? Porque não pode também mais clínica? Concordo, desde que eu me conheço por gente, não pode mais abrir quase nada em Botafogo. São Zacarias está em reforma e não pode acrescentar, não pode crescer exatamente por conta da proibição – lá tem um terreno tão bacana.
A Santa Casa de Misericórdia também não poderia pensar em ter um hospital, e voltando às raízes da filantropia, já que é um hospital que foi arrendado, claro, não é mais da Santa Casa, mas ele continua tendo as raízes filantrópicas. Será que isso não abriria exceção para algumas coisas? Será que a gente também não pode repensar? Então eu concordo.
O hospital ali seria de grande valia para a população. Minha família saiu de lá porque não tinha mercado, porque não tem ponto de ônibus. Então vai trazer um movimento, mas por que então não repensar os hospitais no Rio de Janeiro e, de repente, alocá-los? É mais um questionamento e mais um pensamento de o porquê uns podem e outros não. E, sim, ali vai trazer o impacto, com certeza. As pessoas entram, as pessoas saem. A minha avó tinha 85 anos, ela chegou a falecer, mas a acompanhante dela era uma senhora de 70, 60 e poucos anos. Então, assim, quem acompanha idoso normalmente é idoso. A gente também tem que pensar nessa mobilidade. Eu acho que é isso.
E pensar em Botafogo. Botafogo é um bairro muito sofrido. A minha região não era tão sofrida, porque eu morava na General Severiano, mas ela acabou também sendo descuidada porque não tinha tantas empresas assim. Há dois shoppings. mas ela ficou meio que no abismo, e a Prevent Senior vai ficar nesse abismo, entre a Rua da Passagem e o Shopping Rio Sul.
Acho que é isso que eu tinha que falar.
(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Muito obrigado, Doutora Katia, pelas importantes contribuições para este debate. Vou até responder uma parte dele e também franquear depois à Mesa, justamente porque trouxe uma reflexão importante sobre a legislação urbana. Votei o Plano Diretor, estava aqui no último mandato e, agora, pela Comissão de Assuntos Urbanos presidindo esta audiência.
Concordo 100%, até na minha fala inicial sinalizei que, por mim, não teríamos essa restrição, que não considero benéfica para a cidade. E acaba que leva e traz esses questionamentos que são justos, como o Vereador Dr. Rogério Amorim trouxe, a senhora trouxe, a Senhora Regina também trouxe outros. E por que liberamos para um, e não para outros? E, em minha opinião pessoal, nem sempre falo pela maioria dos votos, acabou que boa parte dos vereadores, a maioria dos vereadores optou por manter essa proibição como regra geral; e aí sabemos diferentes casos de unidades de saúde que gostariam de fazer o investimento, gostariam de ampliar o número de leitos e não conseguem fazê-lo.
Então, particularmente, a minha posição pessoal seria pela derrubada da proibição. E, na verdade, a gente tem uma análise pela CET-Rio, pelos órgãos caso a caso: “Olha, essa rua consegue aumentar 20 leitos, esta aqui não consegue; aqui consegue”. Ou, dependendo das medidas mitigadoras, então, falo por esse posicionamento, agora, em minha opinião, a gente não autorizar essa exceção seria ainda mais prejudicial do que aprová-la – por isso a minha sinalização favorável.
E espero que talvez outros pedidos, como esse caso da ampliação da unidade de saúde, cheguem através de projetos. Coloco-me à disposição de todos, e também da Prefeitura, para que a gente possa eventualmente apresentar outras exceções e trazer essa reflexão, em minha opinião, de que acabou que a proibição que foi aprovada rapidamente se mostrou, em minha opinião, indevida, quando a gente rapidamente, em um ano, depara-se com um projeto dessa magnitude, um projeto daquele tamanho, que não iria adiante em função dessa proibição.
E lembrando que ainda temos, na verdade, uma eventual votação. E o meu posicionamento pode, inclusive, acabar sendo derrotado e a proibição pode ser mantida. Estamos hoje aqui numa audiência, ouvindo diferentes opiniões, e ainda teremos uma primeira votação, uma segunda votação, que é o rito aqui da Casa.
Então, aqui, trazendo o lado do legislador urbano e franqueando a Mesa, se querem fazer alguma contribuição em algum dos outros pontos.
Bom, então gostaria agora de passar ao convidado seguinte, o Senhor Laudimiro de Souza Cavalcante, diretor da Bolsa de Imóveis do Rio de Janeiro; e registrar também a presença do Senhor Walter Cosme Azevedo, diretor técnico da Associação Brasileira de Engenheiros Civis no Rio de Janeiro.

O SR. LAUDIMIRO DE SOUZA CAVALCANTE – Bom dia a todos. Com a proteção do grande arquiteto do universo, venho aqui a esta Tribuna para falar nesta Audiência Pública.
Inicialmente, parabenizar e cumprimentar o Vereador Pedro Duarte pela iniciativa. E cumprimentando-o, quero cumprimentar todos os demais vereadores aqui presentes.
Bom, na minha visão, não poderiam ter melhor destino esses dois prédios da IBM, que conheço há anos, do que ser ocupado por um hospital deste padrão e com essas características. Vou de encontro aqui aos argumentos do Vereador Amorim, o qual respeito muito, admiro, mas, em minha opinião, ele citou muito o Plano Diretor, citou o impacto ambiental. Em minha opinião, os dois prédios da IBM estavam trazendo mais impacto ambiental do que se forem agora ocupados por um hospital fechado, com as condições que a Doutora Teresa Cristina mencionou muito bem, esclareceu com a sua explanação.
Não estou aqui defendendo um hospital, não estou aqui defendendo a Doutora Teresa Cristina. Estou conhecendo agora a rede hospitalar, eu também não conhecia. Mas, a convite, sempre me inscrevo quando o Vereador Doutor Pedro Duarte realiza uma audiência pública – quando posso, eu participo. Estou aqui para defender, para lutar, nesta Audiência Pública, pelo bem da sociedade, pelo bem de todos nós.
Acredito que isso é um bem que trará benefícios a todos os moradores. O Vereador Amorim citou que não havia moradores da Urca aqui. Se houvesse, 100% aplaudiriam este projeto. Com certeza, senhores. Não há como ser contra um projeto como esse e deixar um prédio vazio, sujeito, inclusive, a uma possível invasão, em vez de dar a ele um destino que vai trazer benefícios para toda a população, especialmente numa cidade tão carente de saúde, não apenas da saúde pública, mas da saúde privada também.
O impacto ambiental será muito maior se for necessário transportar moradores da Urca ou até da região de Botafogo para outros hospitais. Então, vamos aplaudir, vamos aprovar, vamos torcer para que esse hospital funcione nesse local.
Acredito que meu tempo já tenha se esgotado — ou talvez não —, mas, de toda forma, agradeço mais uma vez. Parabéns, Presidente. O senhor cumpre o que diz, por isso sou seu fã. O senhor colocou na sua campanha, na primeira e na segunda eleição, que seria o fiscal da Prefeitura, e realmente o é. O Plano Diretor, que foi mencionado aqui, tem que ser revisto sempre. Se amanhã esse hospital trouxer impacto ambiental para a região, ele será o primeiro a ser o fiscal da Prefeitura. Muito obrigado.


O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Muito obrigado, Senhor Laudimiro, sempre presente. Obrigado pelos elogios muito gentis e também pela contribuição ao debate.
Gostaria agora de convidar o Senhor Walter Francesco, diretor institucional do Sindicato do Mercado de Capitais e, na sequência, teremos as duas últimas inscritas: a Senhora Claudete Saba e a Senhora Graça Ivo.


O SR. WALTER FRANCESCO – Bom dia, senhoras e senhores.
Primeiramente, agradeço a Deus Pai Todo-Poderoso por estar aqui podendo falar com vocês nesta Audiência Pública promovida pelo Presidente da Comissão de Assuntos Urbanos do Município do Rio de Janeiro, Vereador Pedro Duarte, juntamente com todos os vereadores desta Câmara e as autoridades aqui presentes.
É com grande entusiasmo que me dirijo a vocês hoje na qualidade de representante do mercado financeiro para falar sobre a chegada do Hospital Prevent Senior ao Rio de Janeiro, um marco que não apenas fortalece nosso setor de saúde, mas representa também uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento econômico e financeiro da nossa cidade.
O Rio de Janeiro, historicamente, um polo de relevância econômica no Brasil, tem vivenciado um movimento de revitalização do seu mercado de capitais, que vimos com iniciativas como a Base Exchange, que resgata a vocação da cidade como centro financeiro. A chegada do Hospital Prevent se insere nesse contexto de renovação, trazendo consigo perspectivas promissoras para investidores, empresas e para a economia local como um todo.
O setor de Saúde é um dos mais resilientes e dinâmicos da economia global. O Brasil não é exceção. A crescente demanda por serviços médicos de qualidade, aliada à infra... à necessidade de modernização e ampliação da infraestrutura hospitalar, faz com que investimentos em saúde sejam estratégicos e de alto impacto.
O Hospital Prevent, com sua reputação de excelência e inovação, chega ao Rio de Janeiro em um momento crucial em que a cidade busca reestruturar os seus hospitais e ampliar o acesso de serviço de saúde de ponta, como vimos recentemente no plano de revitalização de leitos em hospitais federais.
Faltam leitos hoje. Se alguém está precisando de uma UTI, hoje não tem. Vai ter que ficar na fila e torcer que alguém que... que tenha uma vaga ali para a pessoa poder entrar. Está demais.
Do ponto de vista do mercado financeiro, a entrada de uma instituição como o hospital no Rio de Janeiro abre um leque de oportunidades. Principalmente, ele reforça a confiança no potencial econômico da cidade, atraindo não só investimentos diretos no setor de saúde, mas também de áreas correlatas, como tecnologia médica, construção civil, serviços e logística.
A redução de ISS para operações financeiras, conforme anunciado pela Prefeitura, já sinaliza um ambiente mais favorável para negócios, e a presença do hospital de alto padrão que complementa esse cenário, tornando o Rio de Janeiro mais atrativo para os investidores nacionais e internacionais. Além disso, a chegada pode impulsionar o mercado de capitais locais. Projetos de grande porte frequentemente demandam de financiamentos estruturados, parcerias público-privadas e até mesmo em comissões ou títulos de abertura – por que não? – no mercado de renda fixa.
Essas operações financeiras fortalecem a conexão do setor de saúde com o mercado financeiro, criando oportunidades para corretoras, bancos, fundos de investimentos, assessores de investimentos. E a movimentação econômica gerada no empreendimento também estimula o comércio local e a geração de empregos, contribuindo para a dinamização da economia carioca.
É importante destacar que o investimento em saúde, não apenas na questão econômica, mas também social, na ampliação de ofertas de serviços hospitalares para o Rio de Janeiro, com alta demanda do atendimento médico especializado, reforça o compromisso do bem-estar da população, alinhando os princípios da responsabilidade social que têm ganhado cada vez mais relevância no mercado financeiro. Investidores hoje valorizam empresas que entregam os critérios ESG, que são ambiental, social e governança. Essa operação, por exemplo, é totalmente ambiental. É o retrofit. Ela está usando um prédio já de pé. Então, você não tem a questão do impacto da construção de um prédio. É... Iniciativas do hospital que se encaixam perfeitamente.
Por fim, gostaria de enfatizar a chegada do hospital. A abertura de uma nova unidade de saúde é um sinal claro de que o Rio de Janeiro está pronto para reassumir o seu papel como hub de inovação de negócios no Brasil. E, como representante do mercado financeiro e gestor de recurso, está nesse movimento uma oportunidade de apoiar o crescimento de setor estratégico e fortalecer a economia local, para contribuir para a construção de uma cidade mais próspera e saudável.
E convidamos todos os players do mercado financeiro, bancos, corretoras, bancos de investimentos, a investirem no nosso Rio de Janeiro.
Muito obrigado. Valeu.
(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Muito obrigado, Senhor Walter, pela contribuição.
E uma breve pausa na nossa audiência para cumprimentar aqui os estudantes da Escola Municipal Dr. Jair Tavares de Oliveira, de Campo Grande. Um projeto em parceria da Câmara Municipal e da Secretaria de Educação para que os nossos estudantes possam visitar a Câmara Municipal, conhecer um pouco do papel do vereador. Uma educação cívica, participação cidadã. Então, parabéns a todos pela iniciativa, e sejam sempre muito bem-vindos aqui. Esta Casa é de vocês.
Agora, dando continuidade à nossa audiência, gostaria de convidar a Senhora Claudete Saba Santos, beneficiária da Prevent Senior, e, na sequência, a Senhora Graça Ivo para fazer a fala. São as nossas duas últimas inscritas da audiência de hoje.


A SRA. CLAUDETE SABA SANTOS – Bom dia a todos.
Primeiramente, gostaria de agradecer ao Vereador Pedro Duarte. Gostaria de falar rapidamente como beneficiária da Prevent e como moradora de Botafogo há 25 anos. Como beneficiária da Prevent: como vocês sabem, é um plano voltado aos idosos. Então, quanto menos deslocamento e maior celeridade, mais importante. Outra coisa: é um plano de saúde acessível à classe média. Então, esse hospital é muito importante.
Como moradora de Botafogo, querem saber o que impacta Botafogo? Os assaltos. Acabei de ser assaltada, roubada, com bandidos armados, eu e meu marido. O que impacta Botafogo? Os diversos bares a noite inteira. Nós não conseguimos andar pelas calçadas. Eu tenho que pedir licença para entrar no meu prédio. Outra coisa: o estado das calçadas de Botafogo, que os idosos caem e vão precisar mais de hospital. Isso é o que impacta Botafogo. Não um prédio, não um hospital, como já foi informado. Ali era um prédio, qualquer coisa que colocar ali, qualquer coisa que funcionar ali vai impactar e, de repente, muito mais, muito mais.
Então é muito fácil ser contra quando a pessoa tem um plano mais abrangente. Como já me falaram: “Vocês não podem ir para outro bairro?” Eu tenho certeza que essa pessoa tem um plano de saúde muito bom que pode ser atendido pelos bons hospitais de São Paulo.
Eu acho que a parte técnica jurídica já foi amplamente explanada. E eu acho que esse hospital vai fazer um bem muito grande para a gente. Pense nas suas mães e nas suas avós.
Obrigado.

(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Muito obrigado, Senhora Claudete, pela contribuição, pelo relato. Gostaria de lamentar pelo assalto. De fato, como morador de Botafogo também, a questão da segurança pública tem sido muito complicada, nos bairros do entorno, sobretudo nos últimos dois anos. Mas muito obrigado pela contribuição.
Gostaria agora de convidar a Senhora Graça Ivo, beneficiária da Prevent Senior, para fazer o uso da palavra.


A SRA. GRAÇA IVO – Bom dia a todos.
Obrigada pela oportunidade, Vereador Pedro Duarte, meu colega de Instagram. Através do Instagram, eu soube também que estava à frente do projeto. Bom dia a todas as minhas colegas do Prevent Senior que vieram aqui dar essa força, porque o nosso plano é diferente. É um plano que tem amor, é um plano que acolhe de verdade os beneficiários. Não é um plano a mais. Eu tinha um bom plano antigamente, que eu tive que sair porque ele aumentava 27% a cada ano. A Prevent Senior é um plano diferente. Ela cuida do todo, é quase uma família, não é só um plano de saúde. A prova está aqui: pessoas estão aqui em um dia de chuva – e eu sou alérgica, vim de metrô para falar do meu plano. Eu não quero que o meu plano fique sem hospital. Eu não posso pagar R$ 5.000 por mês de plano de saúde. Eu sou psicóloga e, com 74 anos, trabalho dentro do meu consultório. Tenho que ser bem atendida, porque é meu direito constitucional. Tenho excelentes médicos na Prevent Senior, e quero continuar tendo.
Então, eu queria só pedir uma coisa para os senhores: quando forem decidir, por favor, decidam também com o coração, não só com a razão. Porque nós não estamos falando de cargos, estamos falando de vidas.
Muito obrigada.



O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Muito obrigado também à Senhora Graça pela fala, pela contribuição ao debate. Esses eram os inscritos que nós tínhamos hoje.
Gostaria de, uma vez mais, franquear a alguém que ainda não tenha feito a fala, caso queira realizá-la. Caso negativo, passarei a palavra aos membros da Mesa para considerações finais.
Bom, não tendo... Ah, temos mais uma inscrita, e aí depois passo a palavra à Mesa. Só vou pedir ao Cerimonial para que ela possa se identificar, para registros depois de ata e tudo mais.
Senhora Nadja Nunes, a senhora tem a palavra.

A SRA. NADJA NUNES – Bom dia a todos.
Sou beneficiária da Prevent Senior há dois anos. E há 22 anos fui beneficiária de um outro plano, cujo nome não vou citar. Precisei desse plano. Como técnica de enfermagem, me doando, trabalhando com amor... Precisei de uma cirurgia no intestino, onde eu estava com um nódulo de 10 centímetros. E três profissionais prócto me negaram atendimento, falando que o plano não pagaria para ele, não teria reembolso. E poderia acontecer uma eventual perfuração intestinal, onde não teria clipe, onde paguei 22 anos. Como técnica de enfermagem, trabalhei em dois hospitais e, agora, com 58, trabalho em um hospital.
Venho a ter fibromialgia por perda de dois filhos em um acidente. Entrei num vazio e tudo aconteceu com a minha saúde. A Prevent me abraçou quando migrei dia 6 de dezembro para a Prevent, e fui operada dia 11 de fevereiro do ano de 2023. Migrei dia 6 de dezembro e operei pela Prevent dia 11 de fevereiro de 2023. Onde não tive o apoio, a humanização, o amor de um plano que a gente paga sem poder...
Sou moradora do Complexo do Alemão. Acordo para trabalhar em meio a tiroteios e aos apartamentozinhos de quem está aqui contra esse benefício ou qualquer outro benefício da saúde. É muito triste, porque a gente passa... Sou cuidadora, cuido por amor. Trabalho, já vou me aposentar. Mas estou aqui para defender essa operadora que trata a gente com amor.
Fui encaminhada há um mês a um programa chamado OMA, que trata de dor crônica, em que tem vários profissionais: psicólogo, nutricionista, fisiatra... O Marcos que marca seus exames.
Só tenho 58 anos, senhores. Não vou viver mais 58 anos, mas quero viver com qualidade. Passo dificuldade para pagar meu plano, sim. Compro roupa em bazar, não me alimento bem... Não, me alimento bem, sim, mas com dificuldade, porque a gente não ganha bem, não. Então, peço à Casa que olhe, como a senhora falou, com o coração, vote com o coração, porque sou uma sobrevivente da instituição, sou uma sobrevivente do amor que essa operadora, que é a Prevent Senior, me deu.

O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Obrigado, Senhora Nadja Nunes, pela fala, pela coragem de subir também para fazer a fala. Agradecer por fazer o deslocamento, hoje, para estar aqui presente fazendo a defesa daquilo que a senhora acredita. Muito obrigado.
Nós vamos levar adiante aos demais vereadores e pode ter certeza de que olharemos com muito carinho esse assunto fundamental.
Gostaria, agora, de passar a palavra aos membros da Mesa para as considerações finais.

A SRA. TERESA CRISTINA CAMPOS MELLO – Bom, foi um final bem sensibilizante. Eu acho que, em nome da Prevent Senior, eu quero agradecer a presença dos nossos beneficiários, das pessoas que acompanham o nosso trabalho. A gente está com 550 mil vidas, isso é mais do que a população de muitas cidades.
Eu era bem jovem também quando comecei, então posso garantir às senhoras que lá é a casa dos mais velhos. E todos esses anos, o que a Prevent conseguiu foi adquirir uma expertise por ser a primeira que entendeu que puncionar uma veia de uma pessoa mais velha era diferente. E a gente queria trazer isso para o Rio de Janeiro.
Infelizmente, a gente teve que suspender a comercialização dos produtos desde maio do ano passado. Nós não podemos, não estamos vendendo no Rio de Janeiro porque, para fazer o nosso trabalho, nós precisamos de uma casa. Essa jornada, esses cuidados coordenados, essa experiência que a senhora teve de passar por um programa que envolve profissionais das diversas áreas, ela é própria da Prevent Senior. O beneficiário que chega vai ficar muitos anos. Hoje, nós temos 900 pessoas com mais de 100 anos. E tem três pessoas com 112 anos. Então é um trabalho diferente que a gente vem desenvolvendo.
Esse prédio em Botafogo haveria de ser um consultório, ambulatórios e tudo mais. Nós entendemos que o impacto seria muito maior do que um hospital de porta fechada. Mas isso cabe aos senhores – as análises técnicas, a sensibilidade. E os moradores do Rio bem sabem da dificuldade que hoje se tem de oferecer serviços de saúde, hospital aqui na Zona Sul. Seja Botafogo, sejam outros bairros, as restrições são imensas. Claro que nós estamos também pensando em outras unidades, porque queremos voltar a comercializar os nossos planos. Queremos voltar a oferecer os serviços que a gente tem aprendido no dia a dia, nos últimos 27 anos.
E assim, infelizmente, o Plano Diretor é de 1983. Por isso, nós, desde o primeiro momento, nem cogitamos fazer hospital. A gente cogitou fazer um ambulatório, um núcleo que certamente traria menor impacto. Mas como a gente acredita que o fato social provoca o fato jurídico, a gente veio aqui à Câmara falando: “Mas vocês não deixam a gente pôr um hospital lá de baixo impacto?”. Quem sabe a gente consiga fazer entender que isso não traria grande prejuízo ao bairro. Ao contrário, eu acho que a gente não incomoda. Nosso beneficiário vai ficar de três a cinco dias dentro do hospital. Os acompanhantes são permanentes ou se trocam uma vez por dia. E você vai ter turnos de 100 profissionais de saúde que vão entrar e sair a cada seis horas.
Então é claro que os senhores é que sabem avaliar isso tecnicamente melhor do que a gente. A gente quis ter essa oportunidade e agradece de dizer quem a gente é, o que a gente faz e qual é a nossa intenção. A gente chegou ao Rio de Janeiro, lamentamos muito ter interrompido a oferta dos nossos serviços aqui, mas, assim como em São Paulo, a gente quer ficar. São cidades que têm uma quantidade maior de pessoas da nossa faixa etária que ainda são bastante atuantes na sociedade e que precisam de cuidados especiais.
Então, por favor, olhem com o coração, olhem tecnicamente e olhem com muito carinho o nosso pedido. Obrigada.
(PALMAS)

O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Para consideração final também, o Senhor Bernardo Rubião.

O SR. BERNARDO MURILO GRAÇA RUBIÃO – Mais uma vez, bom dia. A gente tangenciou diversos aspectos, trouxemos diversos argumentos, tudo para fazer aquela ponderação que eu tinha dito no início da minha fala. Mas eu acho que, escutando aqui tudo que foi dito, moradores e os próprios beneficiários do plano, a gente tem um aspecto específico que eu queria pontuar e trazer aqui como de maior relevância. A gente tem para a cidade dois prédios ali que eram utilizados pela IBM, que, hoje, está a Prevent Senior e que, se não for utilizado pela Prevent Senior, vai continuar sendo um problema para a cidade. Porque se não a Prevent Senior, quem? Aí vira um shopping, mais uma Audiência Pública, vai ser negado, a parcela de moradores que, hoje, seria, eventualmente, contrária, será contrária.
Se for colocado novamente a IBM, essa mesma parcela será contrária por que os argumentos que fundamentam essa posição são os mesmos. E se nada tiver nesse prédio, vai virar um prédio abandonado, como temos alguns em toda a cidade. E é um problema para a cidade. A gente vai continuar tendo esse problema de prédios abandonados, invasões, que os mesmos moradores incomodados reclamarão. Em qualquer cenário, haverá reclamação.
Portanto, a gente pondera considerando o que vai ser menos impactante dentro da realidade, por que não está dentro do jogo, dentro do cenário, a gente demolir um prédio. Se virasse um prédio residencial, também traria os mesmos problemas. Aí teria um problema de obra de cinco anos.
Temos desafios sim pela frente, é lógico que a gente vai ter algum tipo de impacto e ninguém nega esse ponto. A gente vive numa cidade grande e todos os atos que são praticados pela administração pública e pelos particulares geram algum tipo de impacto e não está na mesa não fazer nada. É engraçado e me recordo que recentemente o Ministro Barroso disse algo muito forte de que, hoje, a gente tem dois grupos de pessoas, as pessoas que estão certas e as pessoas que fazem. Não tenho a menor dúvida de que para resolver o problema da cidade, nós, Prefeitura, sempre vai optar por fazer. Muito obrigado.

O SR. PRESIDENTE (PEDRO DUARTE) – Encerradas as considerações dos membros da Mesa, gostaria de, mais uma vez, agradecer a presença de todos que estiveram aqui hoje representando a própria Prevent Senior, o Poder Executivo, a Prefeitura do Rio de Janeiro, os moradores da região e também, claro, os beneficiários, na maioria, na verdade, as beneficiárias do sistema que aguardam ansiosamente.
Como a gente pôde perceber aqui, nós temos uma legião, temos dezenas de milhares de pessoas que, hoje, aguardam representados aqui pelas pessoas que vieram fazer fala, agradecendo esse esforço, porque sem a presença de vocês nós não teríamos como organizar uma Audiência Pública ouvindo a opinião e o relato das pessoas nas diferentes frentes.
Contem comigo, como eu já sinalizei no início da Audiência, e ainda mais convicto agora depois de ouvir os relatos. É fundamental que a gente possa rever essa proibição, ao menos pontualmente, mas idealmente, de uma forma mais abrangente, claro, com a CET-Rio, com o órgão de trânsito fazendo as análises devidas. Tivemos as considerações aqui, realmente, de quem passa ali, é uma via de grande deslocamento, então, embarque e desembarque sempre geram um pouco de nó que precisa ser endereçado.
Então, estaremos cobrando do órgão de trânsito, como sempre faz o seu trabalho, para que medidas mitigadoras de eventuais problemas sejam sanados, mas que isso não se torne um argumento para embarreirar esse projeto tão importante para nossa cidade que cresce e que também hoje envelhece. Os números que saem de dados oficiais mostram que o Brasil vem envelhecendo, que também é uma trajetória natural da vida. O que nós não podemos impedir é que surjam os serviços necessários para atender esse momento da vida, especialmente o da saúde e outros mais.
Então, mais uma vez, muito obrigado a todos pela Audiência e nós como Câmara de Vereadores temos agora o nosso papel de levar a voto esse projeto. Muito obrigado.
Está encerrada a Audiência Pública.

(Encerra-se a Audiência Pública às 12 horas)


LISTA DE PRESENTES

Gilberto Menin; Lucas Tavares; Wilson Sales; Antonio Padron; Claudete Saba Santos; Juan Campbell Nanjari; Maria Tereza Cesconetto Campbell; Giulia Cioffi de Carvalho; Johnata Gomes Matos; Selma Ferreira Cardoso; José Tadeu Lage; Lucas dos Santos Victor; Raphael da Silva Carvalho; Maria Aguiar Gomes; Regina Chiaradia; Kátia Fugazza; Marcos Marques; Rosana Soares Brigagão; Robson de Souza; Nadja Nunes; André Kissajikian; Debora Kochem; Ivan Souza; Rafael Rodrigues da Silva; Evelyn Karine; Pedro Muller; Ricardo Lemos; André Moura; Célia Lima; Mário Filippo; Laudimiro de Souza Cavalcanti; José Geraldo Souza Pinto; Jorgina Magdalena; Eliane Mafra; Andrei Luiz da Silva; Vera Regina de Moraes; Lizzia Marina Costa; Maria Graça Ivo; Mauro Luiz Salinas; Denise Lomba; Maria Rita Maia; Mauro Continentino; Andrea Nunes; Felipe Cirilo; Walter Francesco; Jeanne Maria; Lucia Cabanelas; Paulo Duran Cabanelas; Walter Cosme Azevedo.




ANEXO - Monaco.V3.pdfANEXO - Monaco.V3.pdf





Data de Publicação: 06/13/2025

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