Discurso - Vereador Otoni De Paula -

Texto do Discurso

O SR. OTONI DE PAULA – Senhor Vereador que ora preside esta sessão, Vereador Cláudio Castro, meu companheiro de partido; senhores vereadores que aqui ainda estão. Quero, mesmo na ausência, saudar o nobre Vereador Carlos Bolsonaro. Mais uma vez, carinhosamente, quero saudar o nobre Vereador Cláudio Castro, meus colegas de Bancada, do nobre PSC. Quero também saudar os cidadãos e as cidadãs cariocas que se fazem representar nas galerias desta Casa do Povo.
Antes da minha fala, mesmo não havendo aqui no Plenário, quero também me solidarizar com a nobre Vereadora Marielle Franco pelo constrangimento que passou no aeroporto de Brasília, através de uma revista vexatória e que foi lembrada pelo Vereador Reimont. Como disse o Vereador Reimont, Marielle é solidariamente saudada como uma figura representativa da mulher negra, ultrajada diariamente em seus direitos nesse país.
Senhor Presidente, senhores vereadores, tive uma conversa nessa madrugada com o meu querido irmão Dr. Renato de Paulo, a quem eu quero saudar, que quero transformar em preâmbulo do meu discurso inicial de apresentação do meu pensamento pessoal político nessa Casa. Renato, meu irmão, me enviou um texto do pensador e escritor russo Leon Tolstoi me pedindo para analisá-lo. Nesse texto, o pensador russo diz: “O Cristianismo com a sua doutrina de humildade, de perdão e de amor é incompatível com o Estado com sua altivez, sua violência, sua punição, suas guerras.” Eu então lhe respondi: “Meu querido irmão, mas o que é o Estado, senão uma entidade soberana para governar o povo dentro de uma área territorial delimitada, uma entidade, uma organização política não o ser? Cometemos frequentemente o erro de olhar assim para o Estado, como um ser. Talvez pelos traumas que essa organização criada para a promoção do bem comum mas que, por muitas vezes, tem se apresentado como nosso maior algoz tenha gerado em todos nós. Mas o Estado não tem coração, o Estado não toma decisões por si só, não se desloca de um ponto a outro como se pernas tivesse.
O Estado é um ente, nada mais do que isso, e como todo ente precisa ser gerido, e aí que está o mal da história: o homem. E é o resgate que há de gerir o Estado que se presta a filosofia Cristã. O homem que, pelo distanciar do seu criador, segundo a crença Cristã, se tornou essa criatura beligerante e autodestruidora, capaz de transformar o que seria para o bem de todos, o Estado, em um sinônimo de malignidade. Realmente, o Cristianismo não cabe no Estado, mas a sua incompatibilidade com esse não vem do fato dele ser o que todos nós sabemos que ele é, mas porque o Cristo, há mais de dois mil anos, sentenciou que o seu reino não é desse mundo.
Portanto, todo grupo cristão que desejar criar uma República Cristã ou um Estado cristão estará destruindo a espinha dorsal do Cristianismo, ele não veio para ser compatível ao Estado. O Cristianismo veio para os corações dos homens que se propuserem a comandá-lo com humildade, perdão e amor. Chamem isso de utopia, eu chamo isso de justiça social. A Bíblia, o livro que eu creio como palavra de Deus, respeitando a todos que acreditam contrariamente, sustenta a noção de justiça social na qual a preocupação e os cuidados são mostrados à favor dos pobres e dos aflitos.
A Bíblia, muitas vezes, se refere ao órfão, à viúva e ao estrangeiro, ou seja, pessoas que não eram capazes e que não são de cuidar de si mesmas ou não tinham um sistema de apoio. Quando o Senhor Jesus pregou o sermão do monte, ele mencionou cuidar dos pequeninos. Foram dele as palavras que diz: “Sempre que fizerem ao pobre, ao necessitado, a mim vocês estarão fazendo. São Thiago irmão do Senhor disse em sua epístola o que é a verdadeira religião. A religião pura, imaculada para Deus é visitar o órfão e as viúvas nas suas aflições e guardar-se isento da corrupção.
A sociedade composta de maioria de fé cristã declarada tem a obrigação moral de cuidar dos menos afortunados; de se voltar às políticas de inclusão do deficiente físico; do direito ao medicamento de pessoas com doenças raras; do respeito aos direitos civis de pessoas com orientação homossexual; da liberdade de cada um expressar livremente sua religiosidade, inclusive o direito de não ter religião; do direito à saúde digna e à educação de qualidade.
Então, senhores, acreditem: o evangelho não é enriquecimento a curto prazo; não é uma metralhadora beligerante contra os que não comungam do pensamento, quer moral, filosófico, ou de fé. Evangelho é justiça social e, para tudo que for para promoção da justiça social e da conquista das minorias, contem com este vereador.
Muito obrigado, Senhor Presidente.
Muito obrigado, Senhores Vereadores.